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sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Vocabulário Piagetiano: CÉREBRO

CÉREBRO
aprendizagem                reptiliano            alucinógeno
evolução intelectual            território            pressão
plasticidade                     Sociologia            repressão
infância                           Psicologia            sinapse
neocórtex                      Bioquímica            aceleração
límbico                              ARN                computador
dominação                        ritual

    Os psicólogos e sociólogos têm subestimado, demasiadamente, os fenômenos cerebrais, como se os fenômenos psicossociológicos ocorressem "no ar", isto é, sem uma estrutura bioquímica (as redes neurônicas são como que a rede ferroviária sobre a qual corre o trem do pensamento e das interrelações). O fato de os ritos, festas e determinado tipo de interação serem acompanhados da ingestão de alucinógenos mostra quanto a Sociologia é condicionada pelos estados bioquímicos do cérebro...

domingo, 17 de outubro de 2010

CENTRAÇÃO (Vocabulário Piagetiano)

    É o fenômeno psicológico de fixar a atenção ( (percepção ou representação) em um só ponto de totalidade. À medida que promove movimentos de pesquisa na totalidade (descentração), o pensamento vai criando reversibilidade e operacionalidade. A centração é a explicação para a falta de mobilidade operatória da intuição. Não se deve esquecer de que o  pensamento é movimento. A centração pode ser afetiva ou intelectual, produzindo o egoísmo (afetivo) e o egocentrismo (intelectual). Os indivíduos centrados (intuitivos, egocêntricos e egoístas) não podem pertencer a grupos por falta de capacidade de cooperação e entendimento do ponto de vista do outro, concentrando as cargas afetivas num só elemento do grupo (subgrupo). A centração pode aparecer com "idéia fixa" num conceito, num indivíduo ou num objeto. É a anti-operação. A centração perceptiva ou de representação, é, num ponto, com desprezo dos demais pontos de vista (ver "Teste das montanhas"). A centração (característica da percepção) revela a ausência de flexibilidade do comportamento. Daí Piaget falar em "atividade perceptiva" por oposição à "percepção primária" (comum a todos os mamíferos). A "atividade perceptiva" descongela a "dureza gestáltica" (lei de boa forma) da percepção. O pensamento intuitivo é também centrado por ser mera interiorização da atividade sensório-motora. A descentração do pensamento já é uma operaçào. Quando Piaget fala em "revolução copernicana do eu" (por analogia ao heliocentrismo - Galileu - Copérnico - Kepler), significa que o eu deixou de ser um referencial privilegiado (centração) para ser um "objeto" como outro qualquer entre os demais.
[Vocabulário Piagetiano - Lauro de Oliveira Lima]
Beta

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Causalidade - Vocabulário Piagetiano de Hoje

CAUSALIDADE
 
explicação casual                perturbação
real                                        ciências sociais
inovação                               inferência
matemática
objeto                                   axiomatizar
"projeção"                           limite matemático
idealismo                            nível de desenvolvimento
teoria falsa                          realidade
estruturas-mãe Bourbaki       
desenvolvimento da criança
cristalização

    É a "interação entre objetos" (um dos objetos podendo ser o próprio sujeito). A "causalidade introduz-se pela atribuição de operações lógicas nos objetos" (Piaget). Apostel acredita que "as operações lógicas que o sujeito que conhece atribui aos objetos materiais conhecidos já devem lá encontrar-se como realidade objetiva e exterior (doutra forma seria idealismo)". Mas Piaget, apesar do perigo de parecer idealista, afirma que há uma espécie de "projeção": se o sujeito não possuísse estas operações, não compreenderia o objeto. Mais: o objeto "deixa-se fazer ou não, conforme o sujeito tenha ou não operações adequadas" (em cada nível de desenvolvimento, a causalidade apresenta-se à criança de maneira diferente: animismo, nominalismo, artificialismo, finalismo, etc.). Daí as teorias falsas sobre a realidade. Há algo de comum (operações) entre o sujeito e o objeto, pois, afinal o sujeito é um objeto físico-químico. A harmonia do sujeito com o real provém do fato de o sujeito ser um dos objetos da realidade: é por isto que a Matemática (invenção pura da mente humana) aplica-se ao real. Para Piaget, não há contradição entre esta "projeção" e o fato de a causalidade ser realidade objetiva exterior (as forças de atração e de repulsão, por exemplo, equilibram-se objetivamente). A construção de cristais, por exemplo, é prova de uma operatividade que independe do sujeito (causalidade). A causalidade é a operatividade das interações entre os elementos da realidade. Mas a compreensão desta operatividade depende do nível do desenvolvimento do sujeito. A interpretação que o sujeito dá à causalidade revela seu nível mental (as "leis" já estão nas interações dos objetos antes de o sujeito descobrí-las mas a descoberta depende do nível mental do sujeito).
    Quando se fala de explicação causal, quase sempre nos vem ao espírito certa imagem que é a explicação causal em Física, imagem que me parece falsa, mas que caracteriza a Física do século XIX. A Física não é axiomatizável em seu conjunto e não há teoria física aplicável a todos os domínios: existem apenas teorias físicas aplicáveis em certos domínios e a determinada escala de fenômenos. Fico impressionado com o fato de certos fenômenos físicos aproximarem-se mais do que se poderia supor dos processos de equilibração, desequilibração, interações... Supunha-se, há alguns anos, que as ciências sociais evoluiriam para um modelo explicativo do tipo usado em certas partes da Física. Foi o contrário que aconteceu: a Física aproximou-se mais e mais dos fenômenos estudados pela Epistemologia e pela Psicologia genética..." (R. Garcia, co-autor da útlima obra de Piaget,Psicogênese e a História das Ciências, cap. Mecanismos Comuns).
    "Tudo que na realidade torna-se compreensível, torna-se compreensível graças às inferências operatórias do sujeito. Estou convencido de que, sejam quais forem os contatos com o real (que os empiristas qualificam de simples observação), são sempre produtos de mecanismos inferenciais muito complexos e de que há uma multidão indefinida de inferências implícitas em toda e qualquer afirmação que, vista de fora, dá a impressão de simples constatação: o que é causal é compreendido através de inferências do sujeito (o que não quer dizer que os mecanismos inferenciais limitem-se a isto)." - Piaget.
    "No domínio da causalidade, há mais contradicões possíveis que no domínio das operações internas lógico-matemáticas, porque as operações são fabricadas pelo indivíduo, enquanto a causalidade é o mundo dos fenômenos e dos objetos. A meu ver, explicar (causalidade) implica sempre, atribuir aos objetos, ações ou operações análogas às nossas (transmissões, reunião, deslocamento). A Microfísica, por exemplo, utiliza operadores que são calcados sobre os operadores-algébricos (os objetos comportam-se, racionalmente: eis a convicção geral da ciência ocidental). O objeto é um limite no sentido matemático. O agente aproxima-se, contínua e lentamente, da objetividade: Não se alcança jamais o objeto... O objeto existe, mas suas propriedades só são conhecidas por aproximações sucessivas." (Piaget).

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Vocabulario de hoje: BIOLOGIA (Psicologia, Sociologia e Etologia)

conhecimento construcão
equilibração hereditariedade
comportamento

"A fonte de minhas reflexões consiste em tentar traduzir em linguagem biológica tudo que digo psicologicamente (a equilibração, por exemplo, não é senão a evolução vital) e, reciprocamente, traduzir os modelos biológicos em modelos cognitivos (os biólogos costumam ocupar-se do conhecimento)." (Piaget).
É estranho que os biólogos pesquisem todos os fenômenos da organização vital menos a vida mental (o comportamento). Os fenômenos psicológicos não podem surgir do ar ou da cartola do mágico: decorrem necessariamente do desenvolvimento das estruturas biológicas (não se trata de reduzir o psicológico ao biológico, mas de determinar as filiações). O mesmo ocorre com os sociólogos que desconhecem não só o biológico, como o psicológico. Já o biólogo não tem a menor dúvida em estudar a sociedade das abelhas (colméia) e das formigas (formigueiro), mas não se acha com direito de estudar a sociedade humana.
Recentemente, apareceu uma nova disciplina científica denominada Etologia que estuda a "psicologia animal" ou "as atividades espontaneamente dirigidas para um objetivo do meio natural." Surgiu, no entanto, sua estrutura com um preconceito fundamental, na medida em que supõe que os comportamentos dos animais (e do homem?) são inatos, o que exclui a noção de construção. Piaget propõe a interdisciplinariedade no estudo dos fenômenos biopsicossociológicos. Do bioquímico passando pelo biológico e pelo psicológico até o sociológico, o que se vê é um aumento da complexidade combinatória (ver T. Chardin): a invariância das funções e as mudanças estruturais ("mobilidade crescente em busca da estabilidade frente às perturbações do meio"). O fenômeno sociológico equivale, estritamente, a uma reação química H2O, por exemplo). Neste sentido, Piaget se parece muito com a teoria da "corpusculização" de T. Chardin; cada conjunto, ao combinar-se com outros conjuntos, passa a ser um subconjunto de um conjunto maior (os próprios movimentos combinam-se em grupos e redes matemáticas). Na interação entre os indivíduos (socialização), o "outro representa, por exemplo, a ação ou operação inversa, criando o problema da co+operação (operação de conjunto). "A co+operação é, primeiramente, um problema de adaptação mútua e, posteriormente, de auto-organização (problema equivalente ao do próprio organismo). Uma das obras fundamentais de Piaget é Biologia e Conhecimento, Ed. Vozes, em que tenta rastrear a passagem do psicológico para o sociológico

(microssociologia: Ver Conflitos no lar e na Escola e Mecanismos da Liberdade, Ed. Vozes, L.O.L.). Neste plano, está o estudo da epistemologia, da moral e do direito.
LAURO DE OLIVEIRA LIMA

quinta-feira, 15 de julho de 2010

APRENDIZAGEM - Vocabulário Piagetiano de hoje


APRENDIZAGEM
nível de desenvolvimento dedução percepção
learning insight reflexos condicionados
behaviorista maturação equilibração, majorante
indução conservações


É preciso definir "aprendizagem" ou vê-la diferentemente. Inicialmente, ela depende do nível de desenvolvimento (da competência ou sensibilização). Os behavioristas esquecem que há também um "esforço" interno. Piaget distingue sete tipos de "aprendizagem", uma das quais apenas (aprendizagem em sentido estrito, ou learning) corresponde à noção behaviorista de aprendizagem. Como a noção de aprendizagem está ligada a um pseudo mecanismo de "associação" (noção que já existe em Psicologia), provavelmente será uma expressão que desaparecerá da psicologia. Piaget acha extremamente equivocada a expressão "aprendizagem", tão freqüente na Psicologia empirista: uma indução, uma dedução, um insight... são aprendizagens? Aprender a andar (função ligada à maturação) é aprendizagem? A passagem pré-lógica à lógica (aquisição das conservações) é aprendizagem? A percepção é aprendizagem? Ou só os reflexos condicionados são aprendizagens? Daí Piaget falar sempre em "aumento do conhecimento" (função), analisando como isto ocorre (estrutura). Para ele, todo mecanismo de "aumento de conhecimento" é sempre a equilibração majorante.
A Psicologia tradicional sempre definiu aprendizagem como "modificação do comportamento resultante da experiência" (dependência passiva do meio ambiente). Isto pode ser verdadeiro para o rato (?), mas certamente não o é para a criança. Piaget inverteu a definição: "aprendizagem é a modificação da experiência resultante do comportamento" (relatividade da natureza e da cultura). Piaget mostrou que nosso espírito jamais copia a realidade: organiza-se e transforma-a.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Agrupamentos - Vocabulário Piagetiano de hoje


AGRUPAMENTOS
dedução operações concretas combinatória
medida grupo pré-matemática
tansdução operações abstratas hipótese
"intuições geométricas" rede pré-lógica
raciocínio substituição correlato
operações classificação árvore
pré-geometria pensamento lógico-matemático número
geometrização seriação
programação pensamento hipotético-dedutivo
pensamento formal tábua-de-duas-ou- mais- entradas


Os esquemas de assimilação tendem a ganhar a forma dos grupos e das redes matemáticas, mas, para chegar a este nível altamente operatório, percorrem longo caminho. Piaget acompanha no desenvolvimento da criança a geometrização do espaço, a otimização dos grupos, a formação das redes. Na falta de outro nome, chama "agrupamentos" os grupos e redes que não atingiram, ainda, o nível operatório, segundo o modelo conhecido pelos matemáticos. Neste sentido, pode-se dizer que Piaget descobriu uma pré-matemática, uma pré-lógica e uma pré-geometria; é a Matemática, a Lógica e a Geometria antes de se tornarem sistemas operatórios tal qual são estudados pelos matemáticos que, por exemplo, partem do número e das "intuições geométricas", como se esses elementos (entes matemáticos) fossem inatos e dados de partida. Nem de longe suspeitam que são estados finais de longa elaboração. Piaget estuda longamente o "nascimento do número" e a constituição das noções que os matemáticos chamam de "intuições geométricas". A formação dessas noções básicas em Matemática, em Lógica e em Geometria, ocorre entre 4/5 e 11/12 anos, na criança. Até 11/12 anos, a criança não consegue, por exemplo, resolver problemas que impliquem levantamento de hipóteses, o que significa que não dispõem do pensamento hipotético-dedutivo próprio da Matemática. Somente agora alguns matemáticos influenciados por Piaget, estão pesquisando essa pré-matemática, o mesmo ocorrendo com alguns lógicos (a noção de classe, tão corriqueira em Lógica, tem longa construção psicológica).
Em tese, a Matemática dos matemáticos e a Lógica dos lógicos só pode ser aprendida após os 11/12 anos de idade (operações abstratas), salvo no que se refere a noções que dispensem o raciocínio lógico-matemático (formal). Mas, para Piaget, o raciocínio não é apenas lógico-matemático, hipotético-dedutivo ou formal. A dedução, por exemplo, é antecedida geneticamente, pela transdução (passagem do particular para o particular). Antes de a mente atingir o nível das operações com grupos e redes (e suas combinatórias), já é capaz de operações concretas (com os objetos ou com seus símbolos). São essas operações (pré-formais) que Piaget chama "agrupamento" (classificações, seriações, correlatos, substituições, tábua de duas ou mais entradas, matrizes, árvores, etc.). Por aí se vê como pode estar radicalmente errada a programação do curso primário (de 7/8 a 11/12 anos). O problema é levar os matemáticos a aceitarem que as noções fundamentais com que lidam (número, medida, "intuições geométricas", etc.) resultam de uma longa e trabalhosa construção mental, cujas raízes estão no sensório-motor (encaixes, ordenação, topologia, etc.). Estão por serem elaboradas uma pré-matemática, uma pré-lógica e uma pré-geometria (na área das geometrias esta elaboração está bem avançada: geometria dos afins das similitudes, morfismos, funções, etc.).

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Afetividade - Vocabulário Piagetiano de hoje


AFETIVIDADE
forma estratégia motivação
escala de valores neuroquímica adrenalina
energética necessidade emocionalidade
ideal hipófise tônus

Para Piaget, os fenômenos psicológicos são sistemas diferenciados de atividade (motora, verbal e mental). A atividade tem duas variáveis: a) uma forma ou estratégia e b) uma energética ou tônus. Estratégia é a inteligência e a energética, a afetividade. A energética varia de acordo com a intensidade da necessidade (motivação). O grau de pressão da necessidade determina o nível de interesse e os dispêndios de energia. Uma atividade (motora, verbal ou mental) se realiza com maior ou menor grau de interesse (tônus ou afetividade). O indivíduo esfaimado, por exemplo, come com mais sofreguidão. O jogador empenhado na vitória de seu time joga com alto tônus energético. Quanto mais um objeto (e o objeto pode ser uma pessoa) corresponde à satisfação de uma necessidade (e quanto mais a necessidade é fundamental), mais "afetado" (energizado-tonificado) é o comportamento (motor, verbal ou mental). Cada indivíduo estabelece uma escala de valores ou de prioridades com relação às suas necessidades, podendo fazer de uma delas, por exemplo, um ideal ou objeto (pessoal) privilegiado de seu "amor". Se compararmos o comportamento com uma partitura musical, podemos dizer que a variação seqüêncial das notas na pauta é a inteligência e as notações sobre a forma de execução a afetividade.

sábado, 19 de junho de 2010

ADULTO - Vocabulário Piagetiano

ADULTO
criança
respeito
crenças
pressão
discussão
gerontocracia

"Com a linguagem, a criança descobre as riquezas não suspeitadas até então de um mundo de realidades superiores a si mesma (cultura-civilização): os adultos e os pais parecem seres enormes e fortes, fonte de atividades imprevistas e, muitas vezes, misteriosas. Estes seres onipotentes, oniscientes e onipresentes começam a mostrar seus pensamentos e suas vontades, universo novo que começa a impôr-se com brilho incomparável de sedução e de prestígio. Um "eu ideal" (superego?) é proposto ao eu da criança, e a criança começa a copiar os modelos vindos do alto. O respeito (amor mais temor faz a criança aceitar suas ordens como obrigatórias (obediência), desenvolvendo-se uma submissão inconsciente intelectual e afetiva devida à pressão exercida pelos adultos" (Piaget). Os sociólogos e politicólogos nunca estudaram esta fonte de dominação, pela sai mania obsessiva de atribuir tudo aos fatores econômicos... O adulto transmite às crianças apenas crenças, pois a reflexão provém da discussão (Janet), e os adultos não discutem com as crianças "dão ordens": (gerontocracia). O adulto não é, pois uma "boa companhia" para as crianças... Elas brincam umas com as outras; tendem a discutir e, portanto, a desenvolver a reflexão.

terça-feira, 15 de junho de 2010

Adolescência (Vocabulário Piagetiano)


ADOLESCÊNCIA

A maturação sexual desempenha um papel muito secundário no fenômeno da adolescência. O que faz a adolescência um período típico é:
a) capacidade de fazer sistemas e teorias;
b) interesse por problemas não atuais;
c) um certo sentido quimérico das concepções;
d) atitudes filosóficas, poéticas, artísticas (embora secretas);
e) pensamento formal, hipotético-dedutivo, lógico-matemático;
f) lógica das proposições.

O adolescente se torna capaz de questionar o estado das coisas (hipótese é "abertura para os possíveis"). Ler: A Juventude como motor da história. Lauro de Oliveira Lima, CEEJP, Editora Paideia.)

domingo, 6 de junho de 2010

Aceleração - Vocabulário Piagetiano de Hoje


Cada fase do desenvolvimento (motor, verbal e mental) é necessária à seguinte, numa ordem construtiva sequencial. O que é importante não é a aceleração ("aceleração é um problema dos norte-americanos: eles sempre perguntam se se pode acelerar"). "Cada um tem seu ritmo e o conhecemos muito mal: o ritmo perfeito jamais foi objeto de pesquisas precisas. Ir mais depressa torna menos fecunda a possibilidade de assimilação posterior" (Piaget). Há quem chame a atenção para a diversidade das idades cronológicas em que as crianças alcançam os vários estágios. Piaget insiste em que estas datas não têm importância (o meio é que determina a idade em que cada etapa do desenvolvimento se conclui). Fundamental, diz Piaget, é que nunca há quebra da sequência (nunca e em parte alguma a conservação do volume vem antes da do peso e a do peso antes da substância). Na prática escolar, o objetivo é ampliar a estrutura para as mais diversas situações e não acelerar a passagem de uma estrutura para a estrutura seguinte (o ideal é prolongar o m ais possível a infância).

(extraído da publicação "Conceitos Fundamentais de Piaget" (Vocabulário), do Professor Lauro de Oliveira Lima - Setembro 1980

quarta-feira, 2 de junho de 2010

ABERTURA - Vocabulário Piagetiano de hoje

ABERTURA

"Sempre compreendi a epistemologia genética de Piaget como uma teoria de abertura" (Pierre Greco). A abertura é a realização das possibilidades operativas de uma estrutura de comportamento (motor, verbal e mental). É o problema central do construtivismo: sem possibilidades de realizar novos "possíveis", não há construção. Os "possíveis" podem permanecer, contudo, em estado virtual, sem jamais se atualizarem. Os inatistas (como os que explicam a transmissão dos caracteres biológicos, exclusivamente, por meio do DNA) afirmam que os "possíveis" já estão implícitos, de partida, na realidade (todos os livros que podem ser escritos ... já estariam previstos no alfabeto). É uma concepção ilusória de abertura. Para Piaget, os "possíveis" (a abertura) estão, constantemente, in fieri (vir-a-ser) e não admitem caracteres estáticos (predeterminação). A abertura, pois, corresponde à invenção ou, como todos dizem, à criatividade. Os "testes" sobre abertura consistem em solicitar da criança o maior número possível de variações da ação (fazer de outra forma), algo parecido com a "tempestade cerebral" (brainstorming). A linguagem (construir frases inteiramente novas) é o modelo mais corriqueiro de abertura (fenômeno que desmente as teorias de condicionamento dos behavioristas). Verifica-se que o desenvolvimento mental implica em aumento correspondente de "possíveis". Quanto mais elevado o nível de desenvolvimento, mais o sujeito é capaz de encontrar novas formas para realizar suas ações, de modo que a misteriosa "criatividade" de que tanto se fala, não é senão o resultado dos graus, progressivamente superiores, da operatividade motora, verbal e mental.
Geralmente dizemos que "as crianças são criativas, quanto o fato é que são, desconcertantemente, monótonas (Piaget)". O aumento das formas de realização de uma atividade (motora, verbal ou mental) resulta dos mecanismos combinatórios. Mas, as operações, por si só, não explicam inteiramente a multiplicação dos "possíveis" (nem mesmo as estruturas hipotético-dedutivas que, por natureza, são multiplicativas). A multiplicação dos "possíveis" mentais começa já aos 4/5 anos, portanto muito antes da organização das operações (não se considerando "possíveis" a criatividade simbólica anárquica). A abertura para os "possíveis" está ligada diretamente aos esquemas procedurais (operatividade) que não são, necessariamente, operatórios, estando voltados para o êxito e solução dos problemas (a partir do sensório motor), usando os mecanismos combinatórios (não necessariamente operatórios), cujo controle é exercido pelo "ensaio e erro". Os mecanismos combinatórios dos esquemas procedurais nunca estão em equilíbrio, donde sua originalidade (perpétua novidade). Os mecanismos procedurais (êxito e solução de problemas) são responsáveis pela abertura para os "possíveis", embora tendam para a lógica. Não são necessariamente, estruturas operatórias, tanto que se iniciam no sensório motor e, mentalmente, aparecem antes das operações concretas.
Daí Piaget dizer que "a lógica é a inteligência, mas não é toda a inteligência". Diante de um obstáculo, problema, perturbação ou sentimento de lacuna, os esquemas procedurais experimental (ensaio e erro) todo tipo de combinação, sejam essas combinações lógicas ou não (muita vez, confunde-se este processo de pesquisa com a intuição, quando são apenas mecanismos procedurais não-lógicos). Mas é preciso não esquecer que o acesso às operações hipotético-dedutivas amplia a área dos "possíveis", se o indivíduo não se limita, disciplinadamente, à dedutividade ("possíveis" dedutíveis). E assim temos, claramente, uma "teoria da criatividade": combinatória, ensaio e erro, processo hipotético-dedutivo, experimentação procedural (se pusermos de lado o grave problema da motivação ligado às necessidades).

"Em graus muito diversos, todo indivíduo pode ser um criador, pelo menos em certo domínio" (Piaget).
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