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quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Meu artigo na revista Residência Pediátrica (Sociedade Brasileira de Pediatria)

Recentemente fui convidada a escrever um artigo para a Revista RESIDÊNCIA PEDIÁTRICA, da Sociedade Brasileira de Pediatria, e foi com prazer que publiquei material com o título DESENVOLVIMENTO INFANTIL, que coloca à disposição para os leitores do blog com exclusividade.
Nesse artigo, abordo muitos dos temas que tenho insistentemente tratado no blog, em conferências, palestras e aulas no Brasil e no exterior, sempre com um enfoque piagetiano e baseada nos estudos do Professor Lauro de Oliveira Lima a respeito. Acredito que seja um assunto que muito interessa pais, professores, gestores escolares, pediatras e quem quer que tenha como missão e responsabilidade o cuidado com as crianças, principalmente nas primeiras fases do seu desenvolvimento, tornando-as efetivamente viáveis para o mundo que temos pela frente, seja qual for o desdobramento que venha a acontecer.
   Abaixo, a íntegra do artigo, bem como links de referência.

(para ler no original, no site da SBP, clique aqui)



Suplementos Vol. 1(Supl.1) nº 1 - Jan. / Abr. / 2011
Páginas 32 a 34
Desenvolvimento infantil
Children development

Autores: Ana Elisabeth Santos de Oliveira Lima


Descriptores: afeto, desenvolvimento humano, inteligência, poluição do ar, saneamento básico.

Keywords: affect, air pollution, basic sanitation, human development, intelligence.

Resumo:
Várias vertentes devem ser avaliadas quando se estuda o desenvolvimento humano. Particularmente, no que diz respeito à inteligência da criança, a estimulação e interação são fundamentais. Nesse sentido, destaca-se o papel da mãe e do convívio com outras crianças. Piaget identificou fases do desenvolvimento, correlacionando-as com as faixas etárias. Deve-se enfatizar que, além do estímulo, também há necessidade de afeto, atenção e apoio e que pais, responsáveis e professores são essenciais nesse processo. O estabelecimento de limites com afeto e coerência também são parte integrante e essencial no desenvolvimento da criança. Para que ela possa usufruir plenamente da atenção e do afeto dispensados, faz-se necessário o cuidado com saúde. Assim, a de falta de saneamento básico e a poluição do ar podem prejudicar o desenvolvimento infantil. Além disso, a proteção contra acidentes e injúrias também são determinantes para que a criança possa ser atendida na sua totalidade.

Abstract:
Several aspects should be evaluated when studying human development. Particularly with regard to intelligence, its development needs stimulation and interaction with other subjects. In this sense, the role of the mother and contact with other children are of utmost importance. Piaget identified stages of development and correlated them with children age groups. Besides the stimulus, there is also a need for affection, attention and support. Parents, guardians and teachers are essential in this process. Setting limits with affection and consistency are an essential part in the development of the child. To ensure that the child will benefit from the received attention it is necessary to ensure that the child is receiving the necessary health care. Thus, the lack of basic sanitation and air pollution can also harm the child development. In addition, protection against accidents and injuries are also crucial for the child healthy development.

O QUE SIGNIFICA O DESENVOLVIMENTO DE UMA CRIANÇA?

Cada especialidade tem sua visão a respeito do assunto, como no caso dos médicos, que estão preocupados com o crescimento saudável do organismo físico, por exemplo. Porém, essa não é a única vertente que precisa ser avaliada, pois um organismo é mais do que estrutura tangível. Há algo interno, intangível, resultante da maturação das estruturas físicas e que responde pelo nome de Inteligência.

Qualquer pessoa responsável pelo desenvolvimento de crianças, como os pais, em primeira instância, deveria saber que seus filhos vão passar por um processo longo de desenvolvimento da inteligência, e que este desenvolvimento não atingirá o potencial máximo possível se não for estimulado. Por mais que ele ache que seu filho é o mesmo todos os dias, o que acontece internamente é absolutamente dinâmico e evolutivo. As fases do desenvolvimento da inteligência vão se complexificando, paulatinamente, até os 18 anos, aproximadamente. Isso resulta dizer que, se a estrutura do filho do ponto de vista orgânico vai crescendo e proporcionando novas possibilidades motoras, do ponto de vista interno, sua inteligência também faz um caminho complexo, com pequenos saltos possíveis que, em certos momentos, chegam a ser impressionantes. De repente, seu filho começa a fazer perguntas que até o dia anterior eram impensáveis. Esse é o sinal de que mudou de estádio mental. Sinal de que a inteligência está evoluindo.

Desenvolvimento, como disse mais acima, é decorrência de estimulação e, nesse caso, vai necessitar de interação. Inicialmente, essa interação se faz com a mãe, mas evolui para algum adulto em pouco tempo e, finalmente, por volta de um ano, chega a outras crianças. E é nesse ponto que as coisas vão se tornando interessantíssimas, desde que as mães não tentem substituir o convívio criança x criança por algo como uma redoma de vidro impenetrável, onde só ela possa atuar. Jean Piaget, brilhante epistemólogo suíço que dedicou sua vida ao estudo do desenvolvimento da inteligência, diz que “o melhor brinquedo para uma criança, é outra criança”. Melhor fazem os adultos, a partir do momento em que essa relação se torna possível, que permaneçam como provedores, mas permitam essa interação que oferece resultados mágicos para o desenvolvimento de seus filhos.

O primeiro período do desenvolvimento da inteligência, segundo Piaget, é o Sensório-Motor. No final desse período, por volta dos dois anos de idade, o Homem já é o animal mais inteligente da escala zoológica. Estará adquirindo a permanência do objeto (agora sabe que as coisas, ao sumirem de seu campo de visão, permanecem no mundo), faz reações circulares (repetição de movimentos que se iniciaram involuntariamente) e começa a falar.

Damos um enorme valor ao momento em que a criança começa a falar, mas não podemos perder de vista que as AÇÕES são mais importantes ainda. Tudo vem da ação. Devemos propor às crianças que estão na fase Sensório-Motora coisas por meio do “fazer”.

No período seguinte, que vai até os 3/4/5 anos, temos o período Simbólico. Aí, as imagens estarão em construção acelerada, a fala passa a ser determinante para a comunicação, a criança percebe o espaço e precisa das outras crianças de maneira especialmente intensa. Quase uma fome de relacionamento. A socialização é determinante para o desenvolvimento infantil.

Passada essa fase, vamos para o Período Intuitivo, que vai até os 5/6/7 anos, quando as crianças passam a ter certeza de tudo. Sua opinião não tem lógica, mas tem certezas. Começam a surgir os primeiros indícios das conservações (espaço, superfície, número) e a criança estará olhando o mundo com curiosidade. Sua causalidade está saindo do animismo (vida aos objetos) e evoluindo para uma forma mais artificialista. Do ponto de vista da Moral, não compreende ainda a mentira e acha que todos os atos devem ser revidados (olho por olho, dente por dente). Esse nível de pensamento é dominante em nossa sociedade porque as pessoas acham que podem conviver com isso sem grandes problemas. Mas é importante ressaltar que corresponde a moral de uma criança de 7 anos, aproximadamente, não mais.

A chegada às operações Concretas se dá por volta dos 7/8 anos, e é quando a estrutura sofre uma reviravolta, mudando totalmente. Surgem as Conservações e ele passa a entender o número (quantidade), substância, peso e volume entre outras coisas. É um momento de mudanças radicais, sendo o principal fator para isso a reversibilidade: a criança agora entende o ponto de vista do outro. Isso faz com que novas possibilidades surjam na socialização. Esse é um período longo, que leva ao nível mais alto de desenvolvimento que vai sendo construído aos poucos: as Operações Abstratas ou Formais. Muitas pessoas não atingem esse nível mental, porque é preciso um grande o esforço para chegar lá, mas, se chegar, o ser humano passa a ter do ponto de vista das Conservações, a transformação do Volume, o Acaso, a Probabilidade e a Atomização.

Importante frisar que existem testes para se verificar cada uma dessas etapas do desenvolvimento mental, e esse material foi criado por Jean Piaget. Hoje, utilizamos esse conhecimento para a aplicação de um método pedagógico (o Método Psicogenético).

Portanto, a idéia fundamental para que a criança se desenvolva plenamente é de que ela precisa, para isso, de afeto, atenção, apoio e estímulo. Pais, responsáveis e professores não podem esquecer de que os limites devem ser trabalhados no processo, porque uma criança, sem esses, torna-se insegura e passa a ter grande dificuldade de socialização. Limite tem influência direta no desenvolvimento da personalidade da criança.

A união de autoridade (não autoritarismo) e amor, de forma consistente e coerente, dá crédito aos pais junto à criança e permite uma relação saudável. É claro que a relação entre pais e filhos será sempre vertical – curiosamente, pais não são “amigos” dos filhos. As relações horizontais são das crianças com seus companheiros, e por isso é tão importante que eles existam em quantidade, na vida de relação de seus filhos.

Sabemos que todo o desenvolvimento cognitivo só será possível se a criança tiver recebido da sociedade em que está inserida os cuidados ambientais necessários. Como poderíamos trabalhar com uma criança doente, com vermes ou sem resistência. A falta de saneamento básico ou a poluição do ar são vetores ou mesmo causas de doenças. A proteção contra acidentes e injúrias também são determinantes para que a criança possa ser atendida na sua totalidade. Sabemos que as crianças, às vezes entregues a sua própria sorte, porque seus pais que necessitam deixá-los sem um atendimento adequado (creches e escolas), são vitimas fáceis. Sabemos que 30/40% das doenças pediátricas são decorrentes de fatores ambientais. Então, pais e professores, cuidar do ambiente é cuidar de seus filhos e alunos.

Enfim, quando você estiver preparando uma refeição saborosa para seu filho, cuidando de sua saúde física, não se esqueça de elaborar também maneiras de ele se “alimentar mentalmente”. Um ser humano integral é aquele que tem a possibilidade de atingir o seu mais alto grau de inteligência, na medida de todos os possíveis. Não impeça isso.


REFERÊNCIAS

1. Piaget J. Nascimento da inteligência da criança. 4. ed. Rio de Janeiro: Zahar, 1982.

2. Piaget J. Psicologia da criança. Rio de Janeiro, Bertrand Brasil, 1998.

3. Lima LO. Piaget: sugestões aos educadores. Petrópolis: Vozes, 1998.

4. Lima LO. Piaget para principiantes 2. ed. São Paulo: Summus, 1980.


Pedagoga, Psicopedagoga; Conferencista da Unesco, Instituto Piaget (Lisboa), Universidade de Hamburgo (Alemanha); Co-autora de “A Ma Mae” (no prelo); Autora de “Uma Escola Piagetiana”.



segunda-feira, 18 de abril de 2011

Leitura: O maior Programa Educacional


Todas as atividades escolares podem estar voltadas para a leitura. Os professores têm que entender que a imprensa já foi inventada e que agora são os livros e textos que devem circular em suas salas de aula e não mais sua fala, como os antigos professores na Grécia.
A leitura deve permear todas as disciplinas e não ficar restrita ao estudo da língua. Os professores devem conhecer o nível de desenvolvimento de seus alunos para poder propor os livros a serem lidos. O grande programa que as escolas devem desenvolver é o da leitura. Nada deve estar fora dela.
Nossa proposta na “Chave do Tamanho” é as crianças começarem a ler. Isso antecede aquele processo tradicional do aprendizado por meio de suas famílias. Os pais tem como tarefa contar pelo menos um livro por semana para seus filhos. Estes livros fazem parte da biblioteca do recanto (sala de aula) e vão passar por todos daquela turma. Serão discutidos através de fichas simples inicialmente,  em complexidade crescente.
Todos os livros devem ser selecionados de acordo com o nível das crianças. Em cada etapa do desenvolvimento, as crianças gostam de um tipo de literatura e este nível deve ser rigorosamente respeitado. As crianças, por exemplo, antes dos 9 anos mais ou menos, não entendem os livros de mistério. Livros com muitos personagens não são compreendidos pelas crianças de 5 anos, pois eles centram em um só personagem. Assim, temos características para todos os níveis.
Os professores devem estar preocupados (todos) com as leituras que seus alunos estão fazendo.
Nosso programa de leitura tem ainda um livro geral que todo o grupo deve ler durante o semestre ou o ano dependendo da idade ou do tamanho do livro. Damos o nome de livro do recanto (turma), que em nossa escola são  livros de Monteiro Lobato, que vão sendo lidos  por nossos alunos ao longo de seu desenvolvimento. Ao final do curso fundamental, leram toda a coleção. Esta leitura é também acompanhada por fichas elaboradas pela escola para que os professores possam provocar discussões com seus alunos sobre o tema que esta sendo tratado.
Mostramos então às famílias que o curso fundamental é um curso de leitura. Ao final de um ano as crianças devem ter lido pelo menos 38 livros, o que os coloca na frente de países mais letrados do mundo que chegam a ler 21 livros.
Todas as escolas deveriam ter uma pequena biblioteca, o que em nosso país alcança apenas cerca de 30% das instituições. A escola deveria virar em torno das bibliotecas. Como podemos pensar em bibliotecas se temos 14 milhões de analfabetos e um numero maior ainda de analfabetos funcionais? É simples: vamos inserir as bibliotecas em nosso sistema e promover, através destes leitores, a alfabetização  dos que estão a margem do sistema.
Devemos propor ao Ministério de Educação que temos que organizar bibliotecas, pois o que fizeram  é uma Biblioteca Virtual – que é uma biblioteca digital que esta sendo desativada por falta de uso (www.dominiopublico.gov.br). Ora, o problema é que as crianças tem que começar criando o hábito de leitura e tendo acesso aos livros para depois irem buscar, através dos computadores, os livros digitais. Nossos governantes não entendem de educação nem de crianças e querem propor programas. Não dão certo. Nem os professores fazem uso do programa que foi elaborado! Fico imaginando quanto custou aos cofres públicos. Onde está a divulgação? Por que fizeram esta escolha? Temos que parar de fazer programas pedagógicos sem perguntar a pedagogos se vão funcionar. Os economistas tem que voltar a dar instruções em suas áreas.

Beta

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Educando para um futuro desconhecido

“Para Jean Piaget, a Ciência era o aspecto atual da evolução, e a Educação não deveria contrariar a tendência da Biologia para a permanente evolução. Com Piaget, a Educação adquiriu um novo objetivo: desafiar as novas gerações a criticar o sistema e as formas sócio-culturais estratificadas, para aperfeiçoá-las. Afinal “a rebeldia da juventude é um sintoma de sua saúde mental” (Lauro de Oliveira Lima).

Quando Lauro criou o método psicogenético tinha em mente não deixar a descoberto nenhum aspecto relevante da multiplicidade das linhas de desenvolvimento. Como podemos perceber pela primeira vez na historia da educação, o objetivo é o comportamento global (motor, verbal e mental) do aluno e não os conteúdos (currículos e programas). Lauro foi enfático para não deixar duvidas, já que este aspecto do conteúdo em seu método é apenas o trigo para movimentar a máquina de moer. A máquina sim, é importante, pois é a inteligência.

Estamos, no método psicogenético, sempre questionando nossos alunos em tudo o que fazem e perguntado como chegaram aquele raciocínio.  Se a criança ou adolescente não sabe explicar (o que seria uma tomada de consciência) porque agiu de determinada maneira para obter aquele resultado, provavelmente a inteligência não entrou em jogo.

Sempre questionando o papel da escola na formação da criança, Lauro de Oliveira Lima comenta que, durante mais de dois mil anos, da Grécia aos nossos dias, a escola dedicou-se ao binômio exercitação e avaliação, com o propósito de gravar na memória dos alunos os conhecimentos apresentados. Mas perdeu totalmente a função de gravar, frente as novas tecnologias. A partir da descoberta da imprensa, que muitos professores ainda não incorporaram, a função de armazenamento mudou de repositório. O que tinha que ser feito mentalmente, ocupando a maior parte do tempo do chamado “ensino”, passou a ser função de  meios e equipamentos. Dezenas de novos meios de  estocar os conhecimentos está disponível nos dias de hoje, trabalhando com muito mais eficiência para essa tarefa: fotografias, filmes, HDs de terabytes, pendrives cada vez maiores e, por último, os ambientes de backup em “cloud computing”, pondo praticamente qualquer informação, quase que instantaneamente, a disposição do usuário. Por outro lado, a tecnologia vem conseguindo construir máquinas que substituem, com vantagens, muitas das habilidades humanas.

Diz Lauro: “Por isso, acho que já não tem muito sentido dedicar vinte anos de vida a tarefa de armazenar conhecimentos que podem ser prontamente obtidos nos bancos de dados, e a adquirir habilidades (cálculo, p.ex.), que as maquinas superam de longe.” Então o que sobra para a Escola fazer? Desenvolver a inteligência para que as crianças possam utilizar todos os dados que estão a sua disposição. O lema de Lauro para a escola é ENSINAR A APRENDER. E é nesta perspectiva que entra a imensa obra de Piaget, que dedicou a vida a descobrir como funciona a inteligência.

A orientação do Lauro é que os professores e pais estudem ficção cientifica para entender o universo onde seus filhos e alunos irão viver. Não devemos educar para o aqui e agora. Os jovens sabem mais do futuro do que os adultos que estão a sua volta.

É do Prof. Lauro de Oliveira Lima o pensamento:
“O conflito de gerações é o conflito entre o HÁBITO e a INTELIGÊNCIA em FORMAÇÃO; o ADULTO representa o HÁBITO, o JOVEM a CRIATIVIDADE. O conflito de gerações revela, assim, um complô dos adultos contra a INVENÇÃO e a DESCOBERTA. Com isto frustra-se a “INTENÇÃO” do processo EVOLUTIVO que é fabricar um animal cujo comportamento seja sempre INVENTADO (liberdade).

Beta

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Como construir um bom aluno (II)


    Vamos discutir o que é um “bom aluno”. O que significa isso, como se criou essa imagem e por que devemos identificar “para quem” é “bom”. Sim, porque ser bom é questão de contexto, evidentemente, e isso equivale a dizer que o “bom soldado” é aquele que mais mata e obedece ordens cegamente, por exemplo. Ser um “bom prisioneiro” corresponde a figura do que tem menos intenção de fugir da prisão. Ser “bom” não necessariamente equivale a ser o melhor ou estar ajustado às demandas gerais, e sim atender a uma expectativa pontual, a um perfil de momento.
    Alunos que em pleno século XXI tiram boas notas num sistema que privilegia conteúdo... São realmente bons? São bons para quem? São bons para quê?
    Para a escola tradicional, o bom aluno é aquele que não dá trabalho e tira “boas notas”. Para os pais, é aquele que se sai bem nos exames que realiza e não se mete em "confusão". Mas isso realmente define um bom aluno?
    Uma das coisas que mais me impressiona é que ninguém nunca perguntou para os alunos o que é bom. Ninguém quer saber se eles realmente gostam da escola em que estudam, fazendo valer aquela expressão: “Vai ser duro, mas é o melhor para você”. Não se pergunta aos alunos o que acham das provas a que são submetidos, e se o s que tiram as melhores notas são realmente os melhores alunos de sua turma. Será que algum aluno sabe porque aquele que é quieto e não  socializado é considerado um “bom aluno”? Quem tira a melhor nota é o aluno melhor da turma mesmo? Alguma vez foi analisada a performance do professor, que não tem um sociograma para se guiar e avalia de maneira empírica seus alunos, determinando quem é bom e quem não é ao seu belprazer? Sim, porque um sociograma poderia indicar que lideranças surgem em diferentes atividades, sendo uma ferramenta poderosa para ativar competências.
Listo aqui algumas coisas que deveriam ser consideradas para que se pudesse determinar o que é um bom aluno:
1) a criança ou adolescente deverá gostar da escola e respeitá-la; a escola deverá ser o ponto de referência para os alunos;
2) deve ter amigos na escola com quem conviva também fora dela; seus amigos devem ir a sua casa para conhecer seu ambiente familiar;
 3) ter por parte dos pais e familiares uma cobrança saudável, que respeite as possibilidades reais da criança ou adolescente, numa avaliação que ultrapasse suas notas, mas que considere também de realização das atividades extra curriculares e de socialização;
4) Incentivo  aos alunos por parte dos professores, pais e familiares para que sejam valorizadas as áreas onde eles tem maior desempenho, deixando as áreas não tão bem desenvolvidas em um plano que possam ser avaliadas e trabalhadas, mas  sem stress;
5) escola, professores e pais devem tentar descobrir os interesses e capacidades de seus alunos/filhos, aquelas onde eles possam ser brilhantes, curiosos e interessados - todos tem estes quesitos que podem e devem ser explorados.
Em resumo ser um bom aluno depende muito mais da escola e familiares do que da própria criança ou adolescente. Toda criança/adolescente, diz o prof. Lauro de Oliveira Lima, "quer antes de ser um bom aluno, aprender e ser amado"; logo, se tivermos a disponibilidade de amá-los, teremos bons alunos com certeza.
É muito equivocada a idéia de formar um bom aluno; o melhor seria dizer que precisamos construir um bom aluno.
Os pais tem responsabilidade, segundo pesquisas internacionais, sobre cerca de 20% do desempenho apresentado pelo aluno. Em seguida, a qualidade da Escola entra como elemento essencial, sendo esse um caso complexo porque no mais das vezes, tem-se a impressão de que a escola sempre está certa, sempre tem razão... mas sabemos que não é assim. A Escola deverá atender às necessidades reais do aluno e ter uma metodologia que possa desenvolver ao máximo as suas capacidades, preocupando-se menos com conteúdos e mais com o desenvolvimento do ser humano. O que se vê, normalmente, é a concentração das atividades em cima de informação.
Os professores deveriam ter uma formação mais ampla, que ultrapasse a sua disciplina e alcance a área de Psicopedagogia, tendo condições de  reconhecer o nível de desenvolvimento mental de seus alunos, atingindo seus objetivos educacionais com maior precisão. A influência dos amigos e colegas de turma deve ser trabalhada através da Dinâmica de Grupo, evitando-se assim comportamentos dominantes e recessivos nas relações e valorizando a liderança emergencial, para que todos possam aprender a dar ordens e obedecê-las, melhorando o desenvolvimento afetivo dos alunos.
O chamado “talento” de cada aluno é muito discutível, já que todos podem chegar a um alto grau de desenvolvimento, não havendo diferenciação biológica (neurológica) de um aluno para o outro, sendo esta resultante da interação que cada um faz com o meio (Piaget). Para Piaget todos nascem com as mesmas possibilidades, que devem ser desenvolvidas, não aceitando ele o inatismo, onde alguns nascem com maiores condições que outros.
Portanto, ser um bom aluno é bem mais do que se pensa e bem menos complicado do que se imagina. A maneira de agir de educadores e pais será determinante para que, um dia, possamos vislumbrar um sistema de ensino onde todos serão bons alunos, na medida das suas possibilidades.

Beta
* * *

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Piaget e o Processo Escolar

Jean Piaget definia-se como biólogo (“meu objetivo é encontrar uma explicação biológica para o conhecimento”) e como epistemólogo (criou uma nova ciência: Epistemologia Genética).

Piaget nunca obteve um grau universitário em psicologia. Suas investigações, contudo, são relativas aos profundos problemas lógicos e psicológicos. Deu-se conta que a maioria dos problemas filosóficos eram problemas de conhecimento e que a maioria destes, por sua vez, correspondia a problemas de Biologia. Há cerca de 70 anos, decidiu que o seu principal interesse era a epistemologia – o estudo da natureza e das condições do conhecimento. Formou e dirigiu o Centro Internacional de Epistemologia Genética, com um grupo de colaboradores altamente treinados em psicologia, linguagem e matemática.

Piaget viu o problema do conhecimento como problema entre sujeito e objeto – e isso, em termos biológicos, era um problema do organismo adaptando-se ao meio ambiente.

Na década de 20, quando estava trabalhando para padronizar um teste de raciocínio aplicável as crianças de Paris, tornou-se interessado em suas respostas erradas e no raciocínio que estava por trás disso. Descobriu que as crianças eram incapazes de captar certos conceitos, tais como o da conservação de matéria e de peso, conforme a sua idade. Fazia a experiência de mostrar a uma criança dois copos, igualmente cheios, e de despejar depois o conteúdo de um deles num recipiente fino e longo e do outro numa tigela larga. Quando perguntava qual o recipiente que continha mais, a criança apontava para um dos dois, não percebendo que na realidade ambos os recipientes continham a mesma quantidade de água.

 “Ninguém tinha jamais perguntado isso as crianças, porque parece tão obvio”, diz Piaget.
Varias vezes afirmou que não era um educador, embora suspeitasse que suas descobertas científicas provavelmente iriam ter profunda influência na educação. Resumiu suas idéias sobre educação num libreto altamente estimulante denominado “Para onde vai a Educação?”. Apesar destes precedentes, Jean Piaget tornou-se o grande revolucionário do processo escolar. Suas descobertas dos “estádios do desenvolvimento mental”, ocorrida em 1929, provoca uma radical reelaboração dos programas e currículos escolares. Não se deveria propor nenhum conhecimento às crianças sem profundo conhecimento destes níveis (só se ensina aquilo que a criança está apta a aprender). Do ponto de vista do acesso ao conhecimento, Jean Piaget analisou a “psicogênese das explicações cientificas”’ obrigando os educadores a hierarquizarem as propostas didáticas.

Analisando os mecanismos do desenvolvimento mental, Piaget demonstrou que a “majorância” (aumento do conhecimento) é um processo de acomodação da conduta (sensório-motora, verbal e mental) às dificuldades encontradas na solução dos problemas (Piaget dá uma grande importância a dinâmica de grupo: “a discussão é uma reflexão em voz alta, como a reflexão e uma discussão em voz baixa”).

Como se vê, sem ter essa pretensão, Piaget tornou-se um estimulador de uma revolução copernicana na Educação. Então podemos dizer que uma escola moderna tem que estar baseada nas teorias Piagetianas, pois elas nos oferecem subsídios para um trabalho finalmente cientifico em educação.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Causalidade - Vocabulário Piagetiano de Hoje

CAUSALIDADE
 
explicação casual                perturbação
real                                        ciências sociais
inovação                               inferência
matemática
objeto                                   axiomatizar
"projeção"                           limite matemático
idealismo                            nível de desenvolvimento
teoria falsa                          realidade
estruturas-mãe Bourbaki       
desenvolvimento da criança
cristalização

    É a "interação entre objetos" (um dos objetos podendo ser o próprio sujeito). A "causalidade introduz-se pela atribuição de operações lógicas nos objetos" (Piaget). Apostel acredita que "as operações lógicas que o sujeito que conhece atribui aos objetos materiais conhecidos já devem lá encontrar-se como realidade objetiva e exterior (doutra forma seria idealismo)". Mas Piaget, apesar do perigo de parecer idealista, afirma que há uma espécie de "projeção": se o sujeito não possuísse estas operações, não compreenderia o objeto. Mais: o objeto "deixa-se fazer ou não, conforme o sujeito tenha ou não operações adequadas" (em cada nível de desenvolvimento, a causalidade apresenta-se à criança de maneira diferente: animismo, nominalismo, artificialismo, finalismo, etc.). Daí as teorias falsas sobre a realidade. Há algo de comum (operações) entre o sujeito e o objeto, pois, afinal o sujeito é um objeto físico-químico. A harmonia do sujeito com o real provém do fato de o sujeito ser um dos objetos da realidade: é por isto que a Matemática (invenção pura da mente humana) aplica-se ao real. Para Piaget, não há contradição entre esta "projeção" e o fato de a causalidade ser realidade objetiva exterior (as forças de atração e de repulsão, por exemplo, equilibram-se objetivamente). A construção de cristais, por exemplo, é prova de uma operatividade que independe do sujeito (causalidade). A causalidade é a operatividade das interações entre os elementos da realidade. Mas a compreensão desta operatividade depende do nível do desenvolvimento do sujeito. A interpretação que o sujeito dá à causalidade revela seu nível mental (as "leis" já estão nas interações dos objetos antes de o sujeito descobrí-las mas a descoberta depende do nível mental do sujeito).
    Quando se fala de explicação causal, quase sempre nos vem ao espírito certa imagem que é a explicação causal em Física, imagem que me parece falsa, mas que caracteriza a Física do século XIX. A Física não é axiomatizável em seu conjunto e não há teoria física aplicável a todos os domínios: existem apenas teorias físicas aplicáveis em certos domínios e a determinada escala de fenômenos. Fico impressionado com o fato de certos fenômenos físicos aproximarem-se mais do que se poderia supor dos processos de equilibração, desequilibração, interações... Supunha-se, há alguns anos, que as ciências sociais evoluiriam para um modelo explicativo do tipo usado em certas partes da Física. Foi o contrário que aconteceu: a Física aproximou-se mais e mais dos fenômenos estudados pela Epistemologia e pela Psicologia genética..." (R. Garcia, co-autor da útlima obra de Piaget,Psicogênese e a História das Ciências, cap. Mecanismos Comuns).
    "Tudo que na realidade torna-se compreensível, torna-se compreensível graças às inferências operatórias do sujeito. Estou convencido de que, sejam quais forem os contatos com o real (que os empiristas qualificam de simples observação), são sempre produtos de mecanismos inferenciais muito complexos e de que há uma multidão indefinida de inferências implícitas em toda e qualquer afirmação que, vista de fora, dá a impressão de simples constatação: o que é causal é compreendido através de inferências do sujeito (o que não quer dizer que os mecanismos inferenciais limitem-se a isto)." - Piaget.
    "No domínio da causalidade, há mais contradicões possíveis que no domínio das operações internas lógico-matemáticas, porque as operações são fabricadas pelo indivíduo, enquanto a causalidade é o mundo dos fenômenos e dos objetos. A meu ver, explicar (causalidade) implica sempre, atribuir aos objetos, ações ou operações análogas às nossas (transmissões, reunião, deslocamento). A Microfísica, por exemplo, utiliza operadores que são calcados sobre os operadores-algébricos (os objetos comportam-se, racionalmente: eis a convicção geral da ciência ocidental). O objeto é um limite no sentido matemático. O agente aproxima-se, contínua e lentamente, da objetividade: Não se alcança jamais o objeto... O objeto existe, mas suas propriedades só são conhecidas por aproximações sucessivas." (Piaget).

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

OS MATEMATICOS SABEM QUE A MATEMÁTICA FOI INVENTADA?

Thomas O´brien - Matemático
Se sabem, por que não deixam as crianças reinventarem? Se não sabem, não estudaram a epistemologia da matemática.
Matemática não pode ser ensinada, tem que ser construída.


Este e o objetivo do método psicogenético construído pelo Prof. Lauro de Oliveira Lima. Em 1980, Lauro trouxe ao Brasil vários piagetianos durante o  1º. Congresso Internacional de Educação Piagetiana, organizado por ele,  e entre estes convidados estava Thomas O’brien, um matemático americano que veio apresentar aos brasileiros seu trabalho baseado em Piaget.
 
Hoje tem livros publicados no Brasil e serve de referência  aos jovens matemáticos que queiram mudar a forma de apresentar esses conhecimentos às crianças e adolescentes.
A grande importância de um trabalho baseado nas teorias de Piaget vem do fato de levar em consideração a construção dos conhecimentos. Por exemplo, Piaget mostra em um livro inteiro como a criança constrói a noção de número que, antes dele, todos os estudiosos achavam que era inata, isto é, todas as crianças um dia entendiam a numeração e, ensinadas, fariam as operações. Chegam então os estudos realizados por Piaget para mostrar, com suas pesquisas, que se a criança não for trabalhada não vai adquirir o  número, substância, peso ou volume e todas as constâncias.

 
Qual a idéia fundamental de um professor piagetiano? Propor problemas, não oferecer soluções, pedir que os alunos resolvam de forma diferente. Não tem modelos, fórmulas nem exercícios numa matemática piagetiana, mas tem objetivos  e  uma rigorosa seqüência por causa dos níveis do pensamento.

 
Piaget descobriu as fases do desenvolvimento e isso é de fundamental importância para o ensino da matemática. Ensinar matemática é ensinar a pensar, por isso não podemos ensinar fórmulas e sim propor desafios. Enigmas. Fazer cálculos não é matemática, pois as máquinas e os computadores fazem. Matemática é resolver problemas. Não existe nesta disciplina, como sempre foi pensado, certo ou errado e sim nível de desenvolvimento. A cada nível a criança pode dar uma resposta diferente para responder a uma mesma pergunta. É isso e que vai provocar o conhecimento.

 
Todos os seres humanos devem saber matemática, porque ela é a própria forma de pensar. Estamos sempre a pensar classificando, seriando, ordenando. E isso é matemática. Vamos então mudar a forma de ver a temida matemática, pois as crianças deixam de gostar e os adolescentes detestam porque não são colocados para pensar e sim para reproduzir um modelo padronizado que obriga a decoreba. O homem não tem estrutura para decorar. Ele foi feito para pensar e desvendar os mistérios do universo.


O conteúdo completo da entrevista com o matemático Thomas O´brien pode ser lido no site da Revista Nova Escola. Vale a pena dar uma olhada. 

Beta

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

POR QUE NAO SE APRENDE CIENCIAS NA ESCOLA?

Todos os educadores ficam muito intrigados, sempre se perguntando por que os jovens além de não estudarem ciências na escola, não gostam delas? Acho que as respostas estão ligadas diretamente à metodologia que é utilizada. O método expositivo não proporciona aos jovens a idéia do que realmente é a ciência. O professor chega à frente da sala de aula e faz uma exposição, dando as definições do que será estudado, fazendo exatamente o contrário do preconizado pelo método cientifico, onde o aluno deveria levantar as hipóteses, experimentar testando todas para finalmente chegar a sua definição. Logo, o propósito destes professores é mostrar a seus alunos o quanto ele sabe e não oferecer meios para que eles aprendam a fazer ciência.

Vamos mudar esta relação. Numa escola baseada na Dinâmica de Grupo, quem tem que mostrar que sabe são os estudantes, através da pesquisa, do debate e da discussão. O caminho é mais longo, mas é bem mais eficiente. O conhecimento, uma fez construído é definitivo. Vamos esperar, pois para Piaget não existe a pressa (ele diz sempre que pressa é coisa de americano). Não importa o tempo que os alunos levem para concluir um pensamento, o importante é que concluam. Ele afirma isso para todas as conservações que descobriu no pensamento humano (comprimento, número, substância, peso, volume etc...). É muito importante salientar também que, para Piaget, não existe o erro e sim o nível em que a criança ou adolescente se encontra. Eles darão sempre uma resposta no seu nível de desenvolvimento mental e se ela não estiver dentro do padrão, isto quer dizer que ele ainda não teve nível para fazer uma acomodação (no sentido piagetiano do termo). Então o problema deve ser retomado, para que vá sendo amadurecido. Por isso o grupo é tão importante na aprendizagem, e como diz Lauro de Oliveira Lima, o melhor professor é aquele que acabou de aprender.

Todo o aprendizado da ciência deveria ser experimental. Não se pode, com o pensamento concreto que domina grande parte do ensino básico, perceber e concluir grandes teorias. É muito importante que os jovens conheçam, através de suas pesquisas, os cientistas e toda a historia das ciências, para ver o encadeamento longitudinal. Normalmente são oferecidos fatos soltos para as crianças, que não tem idéia de como aquele pensamento nasceu e a razão de ter nascido. Qual era a necessidade da época? Por que estavam fazendo aquelas pesquisas? Os professores deveriam ter um mínimo de conhecimento da epistemologia para poder lidar com cérebros tão desenvolvidos como os dos seres humanos. Mas não, eles são apenas treinados em faculdades obsoletas em técnicas pedagógicas ultrapassadas. Daí a mudança ter que vir na formação dos professores. Todos deveriam estudar ciências e matemática. Os cursos de formação de professores agregam justamente aqueles que estão fugindo das ciências exatas, em sua esmagadora maioria, até porque suas escolas eram iguais aquelas onde vão exercer sua função docente. É urgente rever estes currículos. Professor deveria ter a formação mais esmerada entre todas as funções, pois é ele que está à frente da formação das novas gerações. Será que ninguém se dá conta disso? Vão para o magistério em sua grande maioria os que não deram certo em outras profissões, aqueles que não queriam estudar ciências. Ou então para os que tem vocação para missionários. Não deveria ser nada disso. É uma profissão especial sim, para os bem formados, os melhores da sociedade, mais estudiosos e visionários.
Lauro de Oliveira Lima diz, com muita propriedade, que todo professor deveria ser leitor de ficção cientifica, pois seus alunos não vão viver, de forma nenhuma, no mundo de seu professor. Ele tem que saber projetar estes estudantes para o futuro. Lauro, como visionário que é, sem saber nada sobre a internet nos anos 70 disse em seu livro “Mutações em Educação segundo McLunhan” que teríamos uma rede mundial de informações e ela realmente surgiu. Como pode se antecipar tanto? A resposta é: pensando e se projetando no futuro.

Temos, pois, que dar ênfase ao ensino das ciências em nossas escolas, para que possamos ter um desenvolvimento sustentável em nosso país. Professores de ciências e afins: uni-vos! Vamos formar uma corrente para mudanças dos currículos de suas matérias. Vamos trabalhar a ciência de ponta e deixar para a internet o que já está ultrapassado. Vamos introduzir nossos alunos no mundo do conhecimento, que é o projeto para o século XXI.

Beta

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

QUIZ da Chave - perguntas para você checar seu entendimento


Caros amigos e amigas,

Estou escrevendo esse blog com o maior carinho e cuidado, trabalhando com afinco para levar ao máximo de pessoas possível uma informação segura sobre Piaget, Lauro de Oliveira Lima, Educação, Método Psicogenético, Dinâmica de Grupo e outros temas que tenho certeza são ou serão de interesse coletivo. Aproveitando o grande volume de informação já existente no blog, lancei um desafio aos professores da "A Chave do Tamanho", leitores contumazes, para que avaliassem seus conhecimentos respondendo a algumas perguntas que periodicamente estarei colocando por aqui. Serão sempre grupos de 5 perguntas, que devem ser respondidas na área de comentários do post, logo abaixo. A brincadeira cresceu e resolvi disponibilizar para todos a possibilidade de auto-avaliação. Assim, é só dispor de algum tempinho e aproveitar esse momento. Responda em "Comentários", sem esquecer de colocar o número da pergunta ao lado de sua resposta. E vamos estudando juntos.
Espero que gostem e fico a disposição para dúvidas que surgirem. Todos os temas foram tratados em posts que estão à disposição no blog. Grande abraço Beta

QUESTÕES

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1) Das questões do Plano Nacional de Educação proposto por nós aqui no blog qual, a seu ver, é a sugestão mais efetiva para melhorar nosso sitema educacional, se adotada pelo novo governo?

2) Qual a mudança ou mudanças que o Prof. Lauro de Oliveira Lima propõe para os professores?

3) O que você pensa sobre o bullying?

4) Porque bater ou não bater nas criancas?

5) O que é uma escola para o século XXI?

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sexta-feira, 30 de julho de 2010

Jean Piaget & o Dragão da Decoreba no Mundo do ENEM

Estimular o desenvolvimento da inteligência das crianças é a base da pedagogia piagetiana, que dispensa os currículos e métodos tradicionais de aprendizado. Na escola piagetiana as crianças se divertem descobrindo ou inventando (física ou matemática). O currículo é determinado pelo nível de desenvolvimento através das provas piagetianas (conservação do numero, substância peso, volume, etc...). O segredo do sucesso das crianças piagetianas não está na inteligência “inata”, pois essa não existe para Piaget, mas nos estímulos que recebe na hora certa para provocar o seu desenvolvimento. Inato para Piaget são apenas os reflexos, que dão inicio ao movimento de desenvolvimento (a priori funcional).
Todos os interessados em que crianças ou adolescentes não se tornem um poço de decoreba estão procurando no epistemólogo suíço Jean Piaget o respaldo para a formulação de suas metodologias. Em vez de adotar o processo de memorização, exercícios e adestramento, os piagetianos centram seu trabalho na estimulação do processo mental. O planejamento deve ter rigorosa seqüência lógica, visando atender a criança/adolescente, respeitando seu desenvolvimento. Na “A Chave do Tamanho” (escola piagetiana que funciona no Rio de Janeiro há quase quarenta anos) adotamos estes princípios, baseados em Piaget, através do Método Psicogenético criado pelo Prof. Lauro de Oliveira Lima, já apresentado no seu livro “Escola Secundária Moderna” editado pela primeira vez em 1962. É um método que se organiza sucessivamente, de acordo com o estádio de desenvolvimento mental da criança e do adolescente (psicogênese). Enfim, é a criança que determina como o professor deverá apresentar as situações didáticas, já que, em cada estádio, o aluno apresenta diferentes esquemas de assimilação e, portanto, maneiras diferentes de aprender. As crianças devem ser distribuídas em seus grupos de acordo com suas estruturas mentais, não sendo valorizada a idade cronológica como fonte de nivelamento. Os testes ou provas piagetianas servem para indicar em qual grupo a criança deve ser inserida.

Como o método psicogenético funciona na prática no dia a dia.

Para entender o Método Psicogenético, é preciso ter em mente as três correntes de pensamento que orientam os métodos educacionais. Uma é o “Inatismo”, que reza que as crianças já vem inteligentes, o que está descartado do ponto de vista cientifico, pois nem o ato de mamar é inato, sendo realmente uma aprendizagem. A criança nasce com o reflexo de sugar, mas tem que aprender a mamar. Aliás, quanto mais inteligente na escala zoológica, menos coisas inatas faz o animal. Esta corrente tem escolas que esperam que a criança apresente seu comportamento inteligente vindo de sua carga genética. A outra corrente, muito aplicada nos EUA e nas escolas ditas tradicionais é o “Behaviorismo”, que defende o principio de que não há praticamente nada inato na criança e tudo virá de seu contato com o meio ambiente. Daí alguns seguidores desta corrente a chamarem de tábua rasa ou caixa negra. Essas escolas estão baseadas em exercícios (repetição), onde os mestres consideram que treinando as crianças, elas conseguem adquirir o conhecimento, o que não se apresenta como uma verdade já que com o passar do tempo, logo tudo será esquecido. São também usadas as coisas decoradas, múltiplas escolhas, decoreba da tabuada e fórmulas matemáticas. Piaget é o introdutor do “Interacionismo”, que significa que todo o contingente interno (neurônico) e os vindos do meio se influenciam, numa complexidade crescente, construindo a inteligência. Não existe uma criança pouco inteligente e sim pouco estimulada, se não houver, é lógico, algum problema biológico (síndrome que afete o seu desenvolvimento). As crianças, se não forem estimuladas, podem atrasar cada fase de seu desenvolvimento. Por exemplo, as crianças muito assistidas na 1ª infância ficam atrasadas sensório motor (0 a 2 anos) e se elas são colocadas para resolver pequenos problemas se desenvolvem, por estimularem as ligações neurônicas. Na 2ª fase se não ouvirem historias, televisão, conversas, desenhos animados, teatro, isto é, se não ficarem expostas ao pensamento imagético, não desenvolvem o período simbólico (2anos a 4/5anos). Isso acontece em todas as fases do desenvolvimento.
Concluímos assim que é necessário propor situações-problema para que as crianças fiquem inteligentes, com todas as suas possibilidades desenvolvidas. Todos os conteúdos são então trabalhados em forma de situações-problema e os alunos devem tomar consciência dos mecanismos que utilizaram para resolvê-las.
É muito importante a gradação destas atividades para que a criança possa perceber com seus esquemas o que estamos pedindo. Avaliação não é feita pelos resultados, mas pelos mecanismos mentais que foram utilizados. Todas as atividades são propostas em dinâmica de grupo para que ocorra a socialização das crianças. A ultima fase do desenvolvimento só ocorre se o sujeito estiver inserido no grupo (abstrações).
Para Piaget a grande alavanca do desenvolvimento mental e do equilíbrio emocional é, justamente, a socialização – a capacidade de cooperação (moral). Os professores são chamados pelos nomes ou simplesmente por “prô” e são os encarregados de incentivar a solidariedade entre as crianças para que superem o confinamento afetivo a que quase toda criança está sujeita dentro de sua família. Os professores piagetianos, durante o treinamento, são orientados a não dizer a palavra “não” para seus alunos, durante seu trabalho com as crianças. O “não” já é muito desgastado dentro das famílias e o professor deve sempre oferecer uma alternativa positiva (“é tempo de....”). As crianças estão assistidas durante todo o tempo que estão na escola. Não temos o chamado “tempo de RECREIO”, porque é nesses momentos que as crianças estão entregues à própria sorte. Na escola piagetiana é “ tempo de pátio”, onde os professores promovem atividades como jogos de bola, deslocamentos, etc...
Todas as atividades são dirigidas (diretividade); a forma como a criança realiza a atividade é que a deixa livre. Não existe um resultado esperado como certo, pois a resposta dada pela criança corresponde a seu nível mental. As regras são colocadas para as crianças de forma heteronômica (vem de fora), para que as crianças aprendam a conviver em sociedade e possam em seguida construir suas próprias regras, para elas mesmas e para seus companheiros de brinquedo. As crianças gostam de regras. Querem saber quais são as normas para obedecê-las. Todo material da escola é coletivo, inclusive as mesas. Não trabalhamos com carteiras individuais.
Os pais, numa escola tão diferenciada, também são assistidos, ficando a cargo da escola orientá-los através de reuniões e circulares pedagógicas, que ajude-os a manter a mesma direção dada pela escola. Uma escola piagetiana é uma escola pela Inteligência.

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segunda-feira, 5 de julho de 2010

41a. Reunião Anual da Sociedade Jean Piaget (USA)


A reunião anual da Sociedade Piaget reúne cientistas sociais e pesquisadores de uma ampla gama de disciplinas que estão interessados no conhecimento e desenvolvimento.Trabalhos individuais e em simpósios e desenvolvimento cognitivo, linguagem e pensamento, e influências culturais no desenvolvimento educacional e assuntos relacionados são bem-vindos.

Os interessados em conhecimento e desenvolvimento são convidados a participar, independentemente da disciplina e seu Material não precisa abordar o tema do programa - de todas as observações são bem-vindos!

O tema do programa para este ano é:
APOIO CULTURAL PARA O DESENVOLVIMENTO CIENTÍFICO e raciocínio matemático
Organizadores: Richard Lehrer e Leona Schauble Vanderbilt University ()

Juntese aos cientistas sociais e educadores de todo o mundo, eles exploram novas pesquisas sobre o raciocínio matemático e científico, com especial atenção para os tipos de tarefas, conversar, ferramentas e notações que apoiar o seu desenvolvimento.

Maiores informações:

http://www.piaget.org/Symposium/2011/index.html