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segunda-feira, 18 de abril de 2011

Leitura: O maior Programa Educacional


Todas as atividades escolares podem estar voltadas para a leitura. Os professores têm que entender que a imprensa já foi inventada e que agora são os livros e textos que devem circular em suas salas de aula e não mais sua fala, como os antigos professores na Grécia.
A leitura deve permear todas as disciplinas e não ficar restrita ao estudo da língua. Os professores devem conhecer o nível de desenvolvimento de seus alunos para poder propor os livros a serem lidos. O grande programa que as escolas devem desenvolver é o da leitura. Nada deve estar fora dela.
Nossa proposta na “Chave do Tamanho” é as crianças começarem a ler. Isso antecede aquele processo tradicional do aprendizado por meio de suas famílias. Os pais tem como tarefa contar pelo menos um livro por semana para seus filhos. Estes livros fazem parte da biblioteca do recanto (sala de aula) e vão passar por todos daquela turma. Serão discutidos através de fichas simples inicialmente,  em complexidade crescente.
Todos os livros devem ser selecionados de acordo com o nível das crianças. Em cada etapa do desenvolvimento, as crianças gostam de um tipo de literatura e este nível deve ser rigorosamente respeitado. As crianças, por exemplo, antes dos 9 anos mais ou menos, não entendem os livros de mistério. Livros com muitos personagens não são compreendidos pelas crianças de 5 anos, pois eles centram em um só personagem. Assim, temos características para todos os níveis.
Os professores devem estar preocupados (todos) com as leituras que seus alunos estão fazendo.
Nosso programa de leitura tem ainda um livro geral que todo o grupo deve ler durante o semestre ou o ano dependendo da idade ou do tamanho do livro. Damos o nome de livro do recanto (turma), que em nossa escola são  livros de Monteiro Lobato, que vão sendo lidos  por nossos alunos ao longo de seu desenvolvimento. Ao final do curso fundamental, leram toda a coleção. Esta leitura é também acompanhada por fichas elaboradas pela escola para que os professores possam provocar discussões com seus alunos sobre o tema que esta sendo tratado.
Mostramos então às famílias que o curso fundamental é um curso de leitura. Ao final de um ano as crianças devem ter lido pelo menos 38 livros, o que os coloca na frente de países mais letrados do mundo que chegam a ler 21 livros.
Todas as escolas deveriam ter uma pequena biblioteca, o que em nosso país alcança apenas cerca de 30% das instituições. A escola deveria virar em torno das bibliotecas. Como podemos pensar em bibliotecas se temos 14 milhões de analfabetos e um numero maior ainda de analfabetos funcionais? É simples: vamos inserir as bibliotecas em nosso sistema e promover, através destes leitores, a alfabetização  dos que estão a margem do sistema.
Devemos propor ao Ministério de Educação que temos que organizar bibliotecas, pois o que fizeram  é uma Biblioteca Virtual – que é uma biblioteca digital que esta sendo desativada por falta de uso (www.dominiopublico.gov.br). Ora, o problema é que as crianças tem que começar criando o hábito de leitura e tendo acesso aos livros para depois irem buscar, através dos computadores, os livros digitais. Nossos governantes não entendem de educação nem de crianças e querem propor programas. Não dão certo. Nem os professores fazem uso do programa que foi elaborado! Fico imaginando quanto custou aos cofres públicos. Onde está a divulgação? Por que fizeram esta escolha? Temos que parar de fazer programas pedagógicos sem perguntar a pedagogos se vão funcionar. Os economistas tem que voltar a dar instruções em suas áreas.

Beta

segunda-feira, 11 de abril de 2011

A Desinvenção de Guttenberg


Esse não é “aquele” Guttenberg que a gente conhece tão bem. É outro. E curiosamente, era Ministro da Defesa da Alemanha que, para surpresa geral, foi destituído do cargo pela Primeira Ministra Angela Merkel, que tomou a sério o pedido de milhares de detentores de títulos de Doutor. Gritaram esses pelo fato de que o Guttenberg em questão escreveu uma tese de 475 páginas das quais, no mínimo, 300 foram consideradas problemáticas ... ou seja, feitas a base de plágio.
Plágio tem acontecido sistematicamente no Brasil, sim. Mas graças a internet, ficou bem mais fácil a identificação, porque uma contingente maior de pessoas do mundo acadêmico ou não, tem acesso aos textos e cotejam os mesmos com sua memória intelectual. O que soa como cópia, já passa a ser motivo de questionamentos diversos, e isso é ótimo. Já tive acesso a vários livros com textos inteiros que reproduziam as idéias de Lauro de Oliveira Lima, sem citação. Monografias e teses são feitas com idéias que não pertencem aos seus autores ... e passam como tais. Embora isso seja corriqueiro, não é aceitável. Impressionou-me foi saber da prática também na Alemanha, mas enfim ... desonestidade existe em todo lugar. A diferença é a punição.
O que devemos analisar é o conteúdo envolvendo a MORAL nessa situação. O desenvolvimento da MORAL, de que falamos todo o tempo por aqui, é importantíssimo em qualquer sociedade. A MORAL é um padrão universal e deve ter um desenvolvimento compatível com o nível mental. O curioso é perceber que pessoas chegam ao mais alto nível educacional sem terem desenvolvido a MORAL. Já falamos também aqui nos nossos textos, que o desenvolvimento da MORAL é uma atividade paralela que requer um trabalho especial para que tenha resultados. O natural é o indivíduo chegar à MORAL DO DEVER (“olho por olho, dente por dente”), onde as pessoas acham que resolveram determinado problema porque tiveram a vingança praticada. No entanto, o nível de MORAL mais elevado, o da COOPERAÇÃO, está ligado ao pensamento hipotético-dedutivo, e funciona de tal maneira que deixa a impressão, àqueles que ainda não o alcançaram, que “perdemos” porque cedemos aos outros. Quando se tem a verdadeira compreensão de como funciona, percebe-se que ali está acontecendo uma regulação, onde no final a sociedade sai vitoriosa. É o período da autonomia.
Por que e tão difícil o desenvolvimento da moral, vocês devem estar se perguntando. Por que vivemos em um Estado autoritário que diz o que todos devem fazer, inclusive dentro de suas casas. Estamos organizados na forma de famílias autoritárias, com um comando absoluto e único, onde ninguém percebe que criancinhas, com o passar do tempo, se tornam adolescentes e depois adultos e seus pais continuam achando que tem o poder e nada pode ser discutido. Uma família no inicio da criação dos filhos é uma coisa. No final, quando já estão entrando na fase adulta, virou um monstrengo de brigas e desavenças, onde todos querem medir forças. Os pais dizem “quem paga manda”, “Esta sob o meu teto” e varias outras frases conhecidas que representam a heteronomia. Eu dou a ordem e vocês obedecem, mesmo que todos estejam vendo que não é a melhor solução. A família quando se torna um grupo, interage de maneira produtiva. Todos tem tarefas, brincam, surge a liderança emergencial e em cada momento  um tem o comando, não importando se são os pais ou os filhos. O melhor para aquela tarefa é o designado pelo grupo para agir. Assim estas pessoas adultas podem viver e conviver juntas. O contrario disso é o inferno de Dante.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Uma Escola Piagetiana - A Chave do Tamanho


   Falar de uma escola piagetiana é falar da minha história de vida. Dedicar-se de corpo e alma para fazer um sonho virar realidade foi a única maneira que aprendi para chegar ao que se chama de realização pessoal. E nunca é demais mostrar como foi o caminho e como estamos hoje na “A Chave do Tamanho”. Vamos lá então.

   A Chave, como é conhecida por todos os que tiveram contato com a escola, nasceu em 1972. Lauro de Oliveira Lima, meu pai, recebeu autorização do próprio Jean Piaget, grande epistemólogo suíço, para realizar uma experiência pedagógica baseada em duas idéias. Desde aquela época até o falecimento de Piaget, em 1980, foram enviados relatórios com os resultados que iam sendo obtidos. Devido a sua longa experiência na aplicação das idéias de Piaget nos cursos fundamental e médio, houve uma sequência de resultados positivos ao longo do tempo. Cristalizava-se o Método Psicogenético.

   A novidade que a “Chave do Tamanho” trazia foi a experiência com o ensino pré-escolar. Nossa metodologia é baseada no atendimento individualizado, trabalhando com grupos muito reduzidos e com planejamento muito bem disciplinado. Nenhum professor entra em sala de aula sem um planejamento semanal verificado pela coordenação e com o planejamento diário montado com atividades que devem durar aproximadamente  10 minutos. Um planejamento semanal também é fornecido aos professores, que devem fazer adaptações para o nível do grupo específico com que vai trabalhar. O Planejamento Diário deve ser feito pelos professores, contendo os mínimos detalhes para as atividades, como por exemplo, as histórias que serão contadas, experiências científicas, técnicas de arte, músicas, etc. É importante que esse planejamento tenha sempre mais atividades do que aquelas estabelecidas para as horas formais de trabalho (4 a 5 horas), pois alguma atividade inicialmente proposta pode não apresentar o resultado esperado pelo professor ou não ser bem aceita pelo grupo, podendo ser substituída nessas circunstâncias.
    Uma atividade bem sucedida, para o professor, é aquela que tem um bom aproveitamento por pelo menos 70% do grupo. Ele deve avaliar todas as atividades realizadas, ao final do dia, como: muito bom, bom, regular, insuficiente, não realizada ou substituída. Essa avaliação servirá de esquema de assimilação para o próximo planejamento.
    Temos na Chave, uma ficha de observação diária dos alunos onde são feitos os apontamentos sobre dificuldades, facilidades e socialização dos alunos, sendo essa a ficha que dá ao professor a visão global de seu grupo. Ali esta contido o Sociograma que é realizado de 15 em 15 dias. Nossos alunos trabalham sempre em dinâmica de grupo - mesas coletivas 3 a 4 crianças. Não temos crianças/adolescentes mais próximos ou longe dos professores, todos estão próximos, pois o professor circula em toda a sala, não podendo dar as costas para os grupos e nem utilizando o quadro para fazer anotações. Ele deve usar sempre as bordas da sala (as mesas devem ficar no centro), logo todas as crianças/adolescentes estão junto a seus educadores. Não  há privilégios de localização em sala de aula, sendo essa uma regra fundamental  da Chave, postulada pelo Método Psicogenético. Nenhum aluno esta na frente da sala ou no fundo dela. Todos estão em contato com seus colegas.

Eu observo todas as aulas, através de câmeras instaladas em todas as salas, e dou feedback a todos os professores.
 Os professores da primeira fase do fundamental têm, diariamente, reunião com a coordenação para revisão do planejamento, orientação com relação às crianças, etc. Os professores da 2ª. Fase do Fundamental, que trabalham em varias instituições, tem em dois dias por semana uma reunião virtual com a direção e coordenação, onde discutem teoria, tiram duvidas praticas e fazem observações sobre o desenvolvimento dos adolescentes. Em todos os níveis, o professor não dá aula expositiva usando quadro verde. São propostas atividades que devem ser ouvidas (ou lidas) e discutidas pelos alunos. Quando necessário, o professor vai a cada mesa esclarecer o que esta sendo pedido. Chamamos de “SITUAÇÃO PROBLEMA”  a estas atividades, que apresentam  sempre uma dificuldade para que os alunos resolvam. Trabalham sempre em DINÂMICA DE GRUPO, isto é, uns ajudando aos outros. Os grupos são formados pelos professores considerando os Sociogramas, feitos periodicamente. A configuração dos grupos pode variar em cada tipo de atividade e, na segunda fase, por matéria.
Em todas as salas de aula os alunos têm regras a serem cumpridas por todo o grupo. Inicia-se por estas regras a compreensão da constituição do país. Aqui esta sendo construída a MORAL das crianças.
Como diz o Professor Lauro de Oliveira Lima, o professor é como um técnico de time de futebol: não joga, deixa as crianças jogarem. E cada momento de interação é sempre de aproximadamente 10 minutos, não mais. A cada período desses, completa-se um ciclo. Mesmo na segunda fase do fundamental, quando as aulas tem 50 minutos, dividimos a aula em 5 atividades diferentes, para que as crianças/adolescentes tenham atenção e concentração no que estão fazendo. Por exemplo, o professor de história propõe um tema a ser discutido. Discussão 10 minutos, fazer uma linha do tempo mais 10 minutos, relatar escolhendo um do grupo para apresentar, mais 10 minutos, fazer um cartaz, mais 10 minutos e um resumo final do que foi aprendido.  Todas as matérias têm o mesmo comportamento metodológico (método psicogenético - Lauro de Oliveira Lima).
Este e um resumo do modelo pedagógico da Escola “A Chave do Tamanho”.  Se você tem dúvidas a respeito, entre em contato comigo que terei o maior prazer em responder. Ou agende uma visita a Escola, para podermos conversar mais diretamente. Sob agendamento, atendemos grupos de universidades e instituições de ensino de todo o Brasil que vem conhecer o trabalho desenvolvido na Chave.

Beta

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Uma Vacina para salvar todos os brasileiros

A vida é feita de ciclos, seja a vida do indivíduo, seja a vida da sociedade em que vivemos ou a história da humanidade. Já vivemos o ciclo do Ouro, o ciclo das Trevas e outros tantos mais. Já tivemos nossas esperanças e frustrações, mas estamos sempre querendo ver acontecer algo renovador, algo que proporcione a evolução, a equilibração majorante, a abertura para todos os possíveis, sempre melhores. E para chegarmos a patamares cada vez mais altos, não há mágica, mas sim determinação, trabalho, foco, envolvimento, comprometimento e ação. Muita ação. No entanto, o conceito base é fundamental para não gastarmos preciosa energia em vão.
E o Brasil está na fronteira de um novo ciclo, de uma renovação, mesmo que muitos achem que haverá continuidade plena em tudo o que vimos nos últimos anos. Acredito que não. Novos elementos entram em campo, e tem a oportunidade de dar contribuições altamente significativas em coisas que de alguma forma ainda precisam de muita atenção, se queremos um país melhor na acepção total da expressão tão batida. Paradoxalmente, somos um país cada vez mais rico, que se mantém extremamente atrasado em muitas áreas, sendo a principal delas a Educação. E vejam que é unicamente através desta que poderemos alcançar um desenvolvimento sustentável. Estamos caminhando para aquela posição do indivíduo muito pobre, que despreparado para gerir seu dinheiro, ganha na Megasena e, em pouco tempo, está pobre novamente. Não adianta só dar riqueza, porque essa se esvai dependendo das condições gerais. É preciso oferecer os meios para que os brasileiros possam almejar ter a qualidade de vida que querem, para que alcancem esse patamar e que dali possam dar vôos ainda mais altos. Utopia? Não, apenas um pequeno exercício de planejamento estratégico numa área crítica que precisa receber o tratamento adequado.
Não é possível considerar que estamos bem em termos de Educação, mesmo com os avanços que ocorreram nos últimos anos. Isso porque esses avanços não foram feitos, na sua grande maioria, na direção ideal. Antes de 1964, a situação beirava o caos total. Meu pai, Lauro de Oliveira Lima, naquele período que antecedeu o Golpe Militar, estava em Brasília a serviço do Ministério da Educação e ia deflagrar um enorme movimento de alfabetização, mas foi contido à força por ter sido considerado esse um projeto altamente perigoso para a segurança nacional e, portanto, subversivo. Desde essa época, quase nada foi feito de forma eficaz e com a força necessária, para erradicar essa vergonhosa condição de altos índices de analfabetismo no Brasil. No máximo, tivemos movimentos burocráticos, a exemplo do MOBRAL, entre outros. A extinção de uma chaga profunda como o analfabetismo requer muito mais do que slogans e prédios, até porque tem uma extensão nacional num país de dimensões continentais. Vai ser preciso mais do que meia dúzia de pessoas, empolgadas ou não, para resolver uma questão como essa. Vai ser preciso envolvimento real de todos os brasileiros nessa verdadeira cruzada.
O mundo nos olha, hoje, como um grande mercado consumidor, que precisa de quase tudo o que o mundo tem a oferecer. Mercados maduros, como o Europeu e o norte-americano estão conquistados, domados, abastecidos. Mercados insustentáveis, como o de vários países africanos, simplesmente querem, mas não podem comprar o que as empresas do mundo inteiro têm para vender. Estamos na categoria intermediária, somos parte das grandes potências emergentes, somos liderança na América Latina. Nosso futuro ex-presidente foi considerado “o cara” pelo presidente da maior potência mundial da atualidade. Temos a maior biodiversidade do planeta e somos vistos como celeiro da humanidade para os próximos anos de grande incerteza no agronegócio mundial em virtude do aquecimento global e de suas conseqüências. E, no entanto, olhando para dentro dessa belíssima caixa, o que vemos?
Vemos um povo que ainda convive com altos índices de analfabetismo (total ou funcional, que é dos mais perversos, porque mascara a realidade nua e crua). Uma nação de pessoas desdentadas por falta de orientação básica, que morre em filas de espera intermináveis do nosso falido sistema de Saúde Pública. Que pena em sistemas de transportes combalidos. Que cumpre suas obrigações mas não consegue fazer valer os seus direitos na medida em que a Justiça é lenta, os advogados caros, a burocracia emperrada e um processo pode demorar dez, vinte ou até trinta anos para se resolver, dadas as instâncias que pode percorrer se bem trabalhado pela parte que não gostou da decisão da instância em que se encontra.
Por que olhamos tanto para as questões políticas e tão pouco para aqueles que deveriam ser os beneficiários maiores dos resultados de um trabalho bem feito nessa área? Sugiro que os nossos políticos, em todos os escalões, sejam obrigados a fazer uma experiência, pelo menos uma vez por ano, de conviver com o povo. Uma semana, não mais. Uma semana por ano, na qual ele more dentro de uma comunidade carente de qualquer parte do país, durma numa cama simples, comprada no crediário popular de um grande magazine, faça compras no mercadinho indo a pé, puxando o carrinho pelas ruas esburacadas. Uma semana na qual tenha que ir ao Hospital para ver o que é não ser atendido, levando seu filho a uma escola onde não há professores e que, de quando em vez, seja atingida por uma bala perdida, resultado dos confrontos locais para ajuste de contas. Certamente, dessa semana sairia um ser humano melhor. Uma pessoa que iria pensar duas vezes antes de fazer campanha de promessas espúrias, sem o menor interesse de realmente resolver o problema de uma população tão sofrida.
Para mudar um quadro tão grave quanto esse, e aproveitando que estamos às vésperas de um novo Governo, precisamos ter metas para uma Educação de Qualidade, mas de qualidade mesmo, alinhada com o que há de mais importante a ser feito e com disposição para enfrentar os graves problemas desse setor com energia, disposição e coragem. E vejam bem, não faltam talentos para isso. Por exemplo, achei formidável a idéia do Senador Cristóvão Buarque de criar um Ministério da Educação Básica, que está faltando e poderia democratizar a distribuição de recursos entre esta e o Ensino Superior, que tem sido o foco das ações do atual modelo de gestão do Ministério da Educação. Não se começa a subir uma escada a partir do décimo degrau, e é o que estamos tentando fazer seguindo o modelo atual. Na realidade, precisaríamos começar do início, alimentando a mãe gestante, proporcionando um parto que não deixe seqüelas na criança, oferecendo creche para uma infância saudável, uma pré-escola, e assim por diante. Vai levar tempo para que essas crianças cheguem no ensino superior, mas vamos dando elementos para que cheguem muito melhores lá. É assim que se deve caminhar em Educação. Sem infraestrutura não se constrói esse grande edifício chamado ser humano.
Não podemos só pensar em prédios, materiais maravilhosos, computadores etc., porque nada disso importa neste momento. Temos que fazer planos de formação de professores, engajamento de todos os setores da sociedade incluindo-se aí o Exército, Marinha e Aeronáutica. Devemos nos perguntar por que o serviço militar não é usado para este grande programa de alfabetização, quando dispõe de um contingente enorme e uma estrutura gigantesca. E fica ainda a questão: as empresas não poderiam ter um núcleo interno de alfabetização? Imagine se cada empresa ensinasse 2, 3 ou mais brasileiros a ler, escrever e fazer as quatro operações. Um mutirão como esse seria fantástico, com resultados formidáveis e todos seriam beneficiados. O Bancos poderiam ter, em suas agências, que hoje estão distribuídas por todo, mas todo mesmo, território nacional, ambientes para alfabetização, com um monitor treinado que ofereceria esse serviço no horário de expediente ao púbico. Seria uma forma simples e efetiva de melhorarem a distribuição da riqueza na forma de conhecimento. Sendo essas instituições as que mais lucros auferem na nossa economia, poderiam fazer certamente esse investimento, e ainda teriam um retorno formidável em termos de ampliação da carteira de clientes, porque povo alfabetizado ganha mais, deposita seu dinheiro e sabe usar caixa eletrônico, etc.
O que nós, brasileiro,  esperamos de um governo revolucionário é uma revolução na educação. Educar um povo não e difícil, pois o próprio povo quer ser educado, sabendo que só assim terá chance de uma vida melhor. Difícil seria se houvesse resistência. Já vimos isso acontecer no Brasil, quando um visionário de nome Oswaldo Cruz tornou a vacinação obrigatória, com o apoio de Rodrigues Alves, então Presidente da República. Foi vítima de rebeliões populares e também de reação violenta da Escola Militar. O episódio ficou conhecido como “A Revolta da Vacina”. Seu alvo foi para erradicar uma doença endêmica, a Febre Amarela, de nosso país. Nos dias de hoje, vemos o  analfabetismo como  endêmico , mas o povo quer aprender, quer crescer. Então vamos ensinar, aproveitando que certamente não haverá uma revolta por causa disso. Revolta mesmo a gente sente quando percebe que milhares de brasileiros estão à margem da sociedade, excluídos daquilo que será o modelo de bem estar que o Século XXI tem a oferecer.
Para isso, o fundamental é ter uma metodologia moderna, rápida e eficiente. Ela já existe e se chama Método Psicogenético. Não vamos jogar essa vacina fora!!! Vamos salvar o Brasil!
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sábado, 6 de novembro de 2010

QUIZ da Chave - perguntas para você checar seu entendimento (06nov)

1.Qual a importância da dinâmica de grupo na escola?
 
2.O que é para você um bom aluno?
 
3.Qual deveria ser um fator determinante na escolha de uma escola?
 
4.Porque é tão importante ler Monteiro Lobato?
 
5.Por que defendemos a ida da criança o mais cedo possível para a escola?

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Como construir um bom aluno (II)


    Vamos discutir o que é um “bom aluno”. O que significa isso, como se criou essa imagem e por que devemos identificar “para quem” é “bom”. Sim, porque ser bom é questão de contexto, evidentemente, e isso equivale a dizer que o “bom soldado” é aquele que mais mata e obedece ordens cegamente, por exemplo. Ser um “bom prisioneiro” corresponde a figura do que tem menos intenção de fugir da prisão. Ser “bom” não necessariamente equivale a ser o melhor ou estar ajustado às demandas gerais, e sim atender a uma expectativa pontual, a um perfil de momento.
    Alunos que em pleno século XXI tiram boas notas num sistema que privilegia conteúdo... São realmente bons? São bons para quem? São bons para quê?
    Para a escola tradicional, o bom aluno é aquele que não dá trabalho e tira “boas notas”. Para os pais, é aquele que se sai bem nos exames que realiza e não se mete em "confusão". Mas isso realmente define um bom aluno?
    Uma das coisas que mais me impressiona é que ninguém nunca perguntou para os alunos o que é bom. Ninguém quer saber se eles realmente gostam da escola em que estudam, fazendo valer aquela expressão: “Vai ser duro, mas é o melhor para você”. Não se pergunta aos alunos o que acham das provas a que são submetidos, e se o s que tiram as melhores notas são realmente os melhores alunos de sua turma. Será que algum aluno sabe porque aquele que é quieto e não  socializado é considerado um “bom aluno”? Quem tira a melhor nota é o aluno melhor da turma mesmo? Alguma vez foi analisada a performance do professor, que não tem um sociograma para se guiar e avalia de maneira empírica seus alunos, determinando quem é bom e quem não é ao seu belprazer? Sim, porque um sociograma poderia indicar que lideranças surgem em diferentes atividades, sendo uma ferramenta poderosa para ativar competências.
Listo aqui algumas coisas que deveriam ser consideradas para que se pudesse determinar o que é um bom aluno:
1) a criança ou adolescente deverá gostar da escola e respeitá-la; a escola deverá ser o ponto de referência para os alunos;
2) deve ter amigos na escola com quem conviva também fora dela; seus amigos devem ir a sua casa para conhecer seu ambiente familiar;
 3) ter por parte dos pais e familiares uma cobrança saudável, que respeite as possibilidades reais da criança ou adolescente, numa avaliação que ultrapasse suas notas, mas que considere também de realização das atividades extra curriculares e de socialização;
4) Incentivo  aos alunos por parte dos professores, pais e familiares para que sejam valorizadas as áreas onde eles tem maior desempenho, deixando as áreas não tão bem desenvolvidas em um plano que possam ser avaliadas e trabalhadas, mas  sem stress;
5) escola, professores e pais devem tentar descobrir os interesses e capacidades de seus alunos/filhos, aquelas onde eles possam ser brilhantes, curiosos e interessados - todos tem estes quesitos que podem e devem ser explorados.
Em resumo ser um bom aluno depende muito mais da escola e familiares do que da própria criança ou adolescente. Toda criança/adolescente, diz o prof. Lauro de Oliveira Lima, "quer antes de ser um bom aluno, aprender e ser amado"; logo, se tivermos a disponibilidade de amá-los, teremos bons alunos com certeza.
É muito equivocada a idéia de formar um bom aluno; o melhor seria dizer que precisamos construir um bom aluno.
Os pais tem responsabilidade, segundo pesquisas internacionais, sobre cerca de 20% do desempenho apresentado pelo aluno. Em seguida, a qualidade da Escola entra como elemento essencial, sendo esse um caso complexo porque no mais das vezes, tem-se a impressão de que a escola sempre está certa, sempre tem razão... mas sabemos que não é assim. A Escola deverá atender às necessidades reais do aluno e ter uma metodologia que possa desenvolver ao máximo as suas capacidades, preocupando-se menos com conteúdos e mais com o desenvolvimento do ser humano. O que se vê, normalmente, é a concentração das atividades em cima de informação.
Os professores deveriam ter uma formação mais ampla, que ultrapasse a sua disciplina e alcance a área de Psicopedagogia, tendo condições de  reconhecer o nível de desenvolvimento mental de seus alunos, atingindo seus objetivos educacionais com maior precisão. A influência dos amigos e colegas de turma deve ser trabalhada através da Dinâmica de Grupo, evitando-se assim comportamentos dominantes e recessivos nas relações e valorizando a liderança emergencial, para que todos possam aprender a dar ordens e obedecê-las, melhorando o desenvolvimento afetivo dos alunos.
O chamado “talento” de cada aluno é muito discutível, já que todos podem chegar a um alto grau de desenvolvimento, não havendo diferenciação biológica (neurológica) de um aluno para o outro, sendo esta resultante da interação que cada um faz com o meio (Piaget). Para Piaget todos nascem com as mesmas possibilidades, que devem ser desenvolvidas, não aceitando ele o inatismo, onde alguns nascem com maiores condições que outros.
Portanto, ser um bom aluno é bem mais do que se pensa e bem menos complicado do que se imagina. A maneira de agir de educadores e pais será determinante para que, um dia, possamos vislumbrar um sistema de ensino onde todos serão bons alunos, na medida das suas possibilidades.

Beta
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quarta-feira, 27 de outubro de 2010

A Procura da Escola Ideal


A Veja Rio publicou esta semana uma lista de dez perguntas que ajudam a decidir.

O que os pais devem saber antes de escolher o colégio de seus filhos
1- Linha pedagógica e material - fazendo uma reflexão, chegamos à triste informação que no Brasil temos apenas três métodos pedagógicos em utilização. Ficamos admirados de considerarem o ensino tradicional como um método em si mesmo. Ele pode ser behaviorista, pois provoca estímulos e quer respostas determinadas. Então caracterizamos quatro métodos. Quanto a material pedagógico, a maioria destas escolas não tem um especificamente feito para suas metodologias. Temos, na Chave do Tamanho, um material todo graduado de acordo com o nível de desenvolvimento dos alunos, coisa que os livros didáticos e apostilas não conseguem, pois se baseiam apenas nos conteúdos programáticos e não no nível de desenvolvimento.
2 – Habilidades (Dia a Dia) – Modernamente, não se fala mais em habilidades e sim em inteligência, que engloba todas as habilidades possíveis. A idéia hoje é o desenvolvimento da inteligência e afetividade. Para fazer isso no dia a dia, é preciso ter a hora do planejamento, que na Chave está baseada em um Plano Anual, Semanal e Diário. Nenhum professor na Chave do Tamanho entra em sala de aula sem que seu planejamento tenha sido avaliado pela coordenação da escola. Isto dá uma unidade e um encadeamento das atividades, necessários dentro da teoria de Piaget, pois segundo ele, todo conhecimento é graduado e seqüenciado.
3 - Perfil dos ex-alunos – Aqui na “Chave do Tamanho” formam-se lideranças e pessoas altamente criativas. Nossos ex-alunos fazem parte de uma elite intelectual (diretores de cinema, artistas plásticos, diretores de faculdades em universidades internacionais (Espanha, EUA entre outras), pessoal de criação de grandes empresas italianas, americanas, designs de jóias, publicitários, economistas, médicos e escritores.
4 - Atividades extras -  são muitas, incluídas nas atividades curriculares como atividades musicais, artísticas, etc. Outras, como teatro, futebol e natação, são oferecidas fora do currículo normal. Estas atividades são propostas para facilitar as famílias, já que às vezes as crianças têm varias outras ocupações e achamos determinante que a criança tenha o mais importante, que é a atividade escolar e suas tarefas especificas para o dia seguinte (pesquisas). A vida da criança deve girar em torno da escola, e seu gancho com o social.
5 - Avaliação - A chave prioriza a avaliação diária dos alunos e para isso manter uma ficha onde os professores devem avaliar e anotar todas as ocorrências dos alunos. Além desta avaliação, trabalhamos com provas e todos os testes piagetianos visando obter o diagnóstico completo dos alunos. Não concordamos que apenas uma prova avalie todo o desempenho de um aluno e promovemos a recuperação paralela, se o aluno não atingir o desempenho esperado.
6 - Disciplina - Não podemos trabalhar educação com a idéia presente de suspensão ou expulsão, pois somos educadores e temos que trabalhar a moral dos alunos e a orientação da família para que não surjam situações que poderiam solicitar estas ações totalmente policiais. Os alunos, trabalhando em Dinâmica de Grupo, corrigem os comportamentos sem necessidade destas formas antigas e radicais de punição. É fundamental que os alunos amem sua escola, local onde passa o maior tempo produtivo da vida infanto/juvenil.
7 - Professores ou Corpo docente - Para Piaget, a maior formação deve estar dedicada aos alunos mais jovens. Todos os professores devem ter a formação universitária, mas a “Chave do Tamanho” não se contenta com isso e faz uma formação continuada, promovendo reuniões diárias para avaliação e orientação dos planejamentos de seu corpo docente. Trabalha também em Dinâmica de Grupo com seu corpo docente e funcionários em geral. Todos seus professores também têm que passar por um curso interno para a formação na metodologia da escola (Método Psicogenético). Todo mês de janeiro os professores entram em treinamento na escola.
8 - Idiomas - E fundamental a introdução de línguas estrangeiras na nossa visão. A “Chave do Tamanho”  trabalha o inglês do pré-escolar ate a 1a. fase do fundamental e, na segunda fase, além do inglês, introduz o alemão. Estimulamos nossos alunos a fazerem, depois deste período, intercâmbio para fixar a língua que foi aprendida. Sem essa vivência o ensino das línguas estrangeiras fica muito sem objetivos concretos. Estimulamos muito as famílias a manter o novo idioma com alta estimulação.
9 - Laboratórios – Na “A Chave do Tamanho” entendemos que o laboratório deve ser usado constantemente, e não em dias pré-marcados. Essa a razão porque além das aulas de ciêncais, várias outras se utilizam de laboratórios no dia a dia como línguas estrangeiras ou informática. A Chave possui salas ambientes para cada matéria. Línguas, matemática, português/literatura, historia geografia, artes, educação física. Todos os materiais relativos às disciplinas ficam em seu lugar especifico em cada uma dessas áreas. Os alunos circulam entre elas durante o dia de aula.
10 - Ambiente geral de jogos de mesa, de bola e playground são organizados para serem utilizados no tempo de pátio (recreio), onde os alunos estão constantemente assistidos pelos seus professores e coordenadores. Em todos os locais da escola, nossos alunos tem sempre um orientador da aprendizagem.

Em resumo veja se a escola que você esta escolhendo tem realmente uma metodologia, professores capacitados, dedicados e principalmente PLANEJAMENTO. Não podemos mais trabalhar na era do conhecimento com amadorismo, fazendo experiências ou adotando planos do século XIX. Procure, pergunte e encontre o melhor.

Beta
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domingo, 24 de outubro de 2010

Lugar de Bebê é na Escola

Cada vez mais cedo as crianças devem ir para a escola. A escola e o lugar ideal para promover o que o homem tem como diferencial de todas as demais espécies, que é a socialização. Lá ele terá que interagir com os outros e iniciar a longa escalada da socialização. Para que isso aconteça da maneira adequada, o período Sensório-motor precisa de muitos cuidados para ter seu desenvolvimento completado até mais ou menos os dois anos de idade.
É comum as crianças terem atrasos, já que quase sempre, nada é proposto como atividade para elas e tudo é feito como se a criança não pudesse realizar nenhuma tarefa. Na escola ela será solicitada a interagir com os demais, terá oportunidade de se alimentar, fazer os movimentos necessários para completar o grupo dos deslocamentos, que deverá estar completo no final deste período. Algumas coisas diferenciais surgem nessa fase, como por exemplo, a permanência do objeto (descoberta de Piaget que demonstra que antes desta permanência, tudo que saia do campo visual da criança não existia mais), grupo dos deslocamentos (a criança tem que saber ir, voltar, ficar no mesmo lugar e fazer rodeios). Parece simples mas não é. Por exemplo, uma criança se desloca até o mar e caminha pela orla; ao parar ela volta o olhar para cima, onde acha que encontrará seus familiares;  não percebe o deslocamento que realizou, e por isso é tão fácil de se perder. Começa a entender os tamanhos (torres) e tantas outras descobertas. Piaget descreve essas e outras descobertas que fez sobre o desenvolvimento das crianças em um excelente livro que deveria ser conhecido de todos os que trabalham com elas:  "O Nascimento da Inteligência da Criança".
Não é natural que a criança desenvolva todas as ações do grupo dos deslocamentos. Elas precisam ser provocadas, sob o risco de a criança ficar compartimentalizada se não forem propostas tarefas para esse desenvolvimento. A grande importância deste período é que, sobre ele, ocorrerá todo o desenvolvimento das fases seguintes (simbólico, intuitivo, concreto e abstrato) e se esta base não for bem feita, todas as outras podem ficar com lacunas.
Estamos falando em ESCOLA (com letras maiúsculas mesmo!), onde a criança vai fazer atividades, e não aquele lugar onde estará apenas dormindo e se alimentando. ATIVIDADE é o grande mote do desenvolvimento. A criança estará desenvolvendo a inteligência através dos movimentos (AÇÃO), linguagem, grandes movimentos e movimentos finos. E um período muito rico e flexível. Aos dois anos o ser humano já é o animal mais inteligente de toda a escala zoológica, mas temos que saber desenvolve-lo.
A vida moderna leva cada vez mais cedo as mães de volta a seus trabalhos após o nascimento de seus filhos e isso acarreta a procura da ESCOLA cada vez mais cedo também. As grandes exigências que os pais devem ter com relação a escola é quanto a formação das pessoas que estarão em contato com seus filhos, local agradável e metodologia de trabalho. Qual é a teoria que embasa a escola onde sua criança estará sendo recebida? Qual o planejamento que será proposto? Quanto mais jovens as crianças, dizia Piaget, maior deveria ser a formação dos que lidam com elas. Peça para ver um planejamento, verifique o material concreto que será utilizado pela criança. Brinquedos, ela já tem em casa. Na escola ela deverá ter materiais didáticos, todos bem objetivados e estruturados para desenvolver alguma coisa específica.
A criança precisa de ESCOLA, mas precisa de especialistas para lidar com ela. A época das grandes babás já ficou para trás, e agora estamos na era do conhecimento (século XXI). Por isso devemos expor as crianças a conhecimentos através de uma rigorosa formação dos que com ela vão lidar.
No ambiente escolar as crianças vão ter acesso a materiais bem diferenciados de seus brinquedos, manipular os livros, fazer experiências físicas (uso da água, cola,  massinha, lápis, tintas, madeiras, papel, isopor, texturas, formas etc.). É o período das grandes experimentações, e sua criança é um cientista, experimentando o mundo que ainda não conhece.

BETA

domingo, 17 de outubro de 2010

QUIZ da Chave - perguntas para você checar seu entendimento

1) Defina a função do professor numa escola moderna.

2) Como Piaget define a causalidade?

3) O que significa a causalidade fisica?

4) Porque é tao importante levar a criança/adolescente a conhecer o meio social junto com seus educadores?

5) O que significa a experiência fisica?

 

Como sempre, vamos estar falando sobre os comentários que vierem com as respostas. Fique à vontade para tirar dúvidas

 

Beta

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

O METODO PSICOGENÉTICO (Fundamentos)

O Professor Lauro de Oliveira Lima chamou de "psicogenético" o método que criou a partir das teorias piagetianas. Nele, o processo pedagógico modifica-se sucessivamente, de acordo com o estádio de desenvolvimento mental (psicogênese).  O aluno é que determina como o professor deve apresentar as situações didáticas, pois, em cada estádio de desenvolvimento, ele  tem uma maneira diferente de aprender (esquemas de assimilação). A alfabetização, por exemplo, pode iniciar-se desde a mais tenra idade, se apresentarmos o material de leitura de acordo com os processos mentais que o aluno esta construindo naquele momento. O processo didático segue as seguintes linhas fundamentais:
a) todo  "conteúdo"  ou "lição" é apresentada em forma de  situação-problema, que deve ser resolvida pelo aluno (apelo a inteligência);
Prof. Lauro de Oliveira Lima
b) toda "solução de problema" é resolvida em grupo, para que os alunos se estimulem, mutuamente, e aprendam a cooperar (comportamento moral e afetivo);
c) o aluno deve sempre "tomar consciência" dos mecanismos de que utilizou para realizar a atividade proposta (a "tomada de consciência" substitui o que se chamava antigamente, de "fixação da aprendizagem" permitindo o aluno compreender como funciona a mente);
d) os resultados são apurados observando os mecanismos mentais usados pelos alunos e não pelas performances e/ou acertos (o erro revela os mecanismos em jogo no comportamento dos alunos).
Então como trabalhar com o método psicogenético? Mudando o ponto de vista do professor. Neste método quem trabalha são os alunos. O professor não fala: deixa que seus alunos falem através da dinâmica de grupo. O professor é um grande planejador que deve ter todos os conteúdos encadeados, para que o
conhecimento  aconteça.
Neste método, o melhor professor de uma criança é a outra, que acabou de aprender. Deixe que seus alunos falem. Ponha todos em circulo para que todos vejam todos. As técnicas de Dinâmica de Grupo são muitas e devem ser do conhecimento do professor orientador.
Beta

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Como usar Jogos Pedagógicos na sala de aula

As escolas, em todos os níveis de ensino, deveriam basear suas atividades em jogos. Todas as matérias estão vinculadas a algum jogo. Descubra que jogo que você pode utilizar em sua sala de aula. Liste todos os jogos e diga qual conteúdo você pode desenvolver com ele. Listei alguns para orientar os professores.

Banco Imobiliário

Contem vários conteúdos matemáticos (soma, subtração, multiplicação, juros, percentagem, fração, entre outros;


Dinheiro do mês
Planejamento, as quatro operações etc;

Mandalas

Distribuição estética, controle motor, divisão do espaço, controle cromático;


Blocos de Construção
Podem ser usados desde o Sensório Motor( 2/3 anos) até 14/15 anos – construções simples com volumes, equilíbrio, espaço, tempo e causalidade e chegando a maquetes para as disciplinas historia, geografia, ciências ou matemática;

Classificação
Podem ser usados, dependendo dos elementos, em todas as disciplinas com as características solicitadas pelos professores;

Dama e o Xadrez
Desenvolvimento do raciocínio lógico e estratégias;

Imagem e Ação
Jogo simbólico e representação (desenho);

Quebra-cabeça

Noção de espaço, gestalt;


Jogo da Memória

Correspondência biunívoca – conservação do numero;

Lego
Construção, coordenação motora fina.

Material para experiências cientificas
Experiências simples para explorar a causalidade física;

Instrumentos Musicais
Material para exploração dos sons, ritmos e regulações;

Correspondência Geométrica
Corresponder, aprendizagem das formas e simetria;

Fôrmas em Geral
trabalho com massa (massinha ou massa de biscoito).Reconhecimento, desenho e representação;


Bloco de Estratégia
Jogo para organizar estratégias em 3D.


Estes são alguns exemplos para que o professor possa se orientar no seu planejamento. Falando em Planejamento, este sempre será Piagetiano e isso equivale a saber para qual nível de desenvolvimento devemos utilizar os jogos aqui descritos. Estão descritos jogos desde o Sensório Motor, passando pelas fase intermediarias e chegando ao pensamento formal (abstrato).


Beta
(nota: todos os jogos apresentados fazem parte da coleção pedagógica da Escola "A Chave do Tamanho", disponível aos professores da escola e alunos)

POR QUE NAO SE APRENDE CIENCIAS NA ESCOLA?

Todos os educadores ficam muito intrigados, sempre se perguntando por que os jovens além de não estudarem ciências na escola, não gostam delas? Acho que as respostas estão ligadas diretamente à metodologia que é utilizada. O método expositivo não proporciona aos jovens a idéia do que realmente é a ciência. O professor chega à frente da sala de aula e faz uma exposição, dando as definições do que será estudado, fazendo exatamente o contrário do preconizado pelo método cientifico, onde o aluno deveria levantar as hipóteses, experimentar testando todas para finalmente chegar a sua definição. Logo, o propósito destes professores é mostrar a seus alunos o quanto ele sabe e não oferecer meios para que eles aprendam a fazer ciência.

Vamos mudar esta relação. Numa escola baseada na Dinâmica de Grupo, quem tem que mostrar que sabe são os estudantes, através da pesquisa, do debate e da discussão. O caminho é mais longo, mas é bem mais eficiente. O conhecimento, uma fez construído é definitivo. Vamos esperar, pois para Piaget não existe a pressa (ele diz sempre que pressa é coisa de americano). Não importa o tempo que os alunos levem para concluir um pensamento, o importante é que concluam. Ele afirma isso para todas as conservações que descobriu no pensamento humano (comprimento, número, substância, peso, volume etc...). É muito importante salientar também que, para Piaget, não existe o erro e sim o nível em que a criança ou adolescente se encontra. Eles darão sempre uma resposta no seu nível de desenvolvimento mental e se ela não estiver dentro do padrão, isto quer dizer que ele ainda não teve nível para fazer uma acomodação (no sentido piagetiano do termo). Então o problema deve ser retomado, para que vá sendo amadurecido. Por isso o grupo é tão importante na aprendizagem, e como diz Lauro de Oliveira Lima, o melhor professor é aquele que acabou de aprender.

Todo o aprendizado da ciência deveria ser experimental. Não se pode, com o pensamento concreto que domina grande parte do ensino básico, perceber e concluir grandes teorias. É muito importante que os jovens conheçam, através de suas pesquisas, os cientistas e toda a historia das ciências, para ver o encadeamento longitudinal. Normalmente são oferecidos fatos soltos para as crianças, que não tem idéia de como aquele pensamento nasceu e a razão de ter nascido. Qual era a necessidade da época? Por que estavam fazendo aquelas pesquisas? Os professores deveriam ter um mínimo de conhecimento da epistemologia para poder lidar com cérebros tão desenvolvidos como os dos seres humanos. Mas não, eles são apenas treinados em faculdades obsoletas em técnicas pedagógicas ultrapassadas. Daí a mudança ter que vir na formação dos professores. Todos deveriam estudar ciências e matemática. Os cursos de formação de professores agregam justamente aqueles que estão fugindo das ciências exatas, em sua esmagadora maioria, até porque suas escolas eram iguais aquelas onde vão exercer sua função docente. É urgente rever estes currículos. Professor deveria ter a formação mais esmerada entre todas as funções, pois é ele que está à frente da formação das novas gerações. Será que ninguém se dá conta disso? Vão para o magistério em sua grande maioria os que não deram certo em outras profissões, aqueles que não queriam estudar ciências. Ou então para os que tem vocação para missionários. Não deveria ser nada disso. É uma profissão especial sim, para os bem formados, os melhores da sociedade, mais estudiosos e visionários.
Lauro de Oliveira Lima diz, com muita propriedade, que todo professor deveria ser leitor de ficção cientifica, pois seus alunos não vão viver, de forma nenhuma, no mundo de seu professor. Ele tem que saber projetar estes estudantes para o futuro. Lauro, como visionário que é, sem saber nada sobre a internet nos anos 70 disse em seu livro “Mutações em Educação segundo McLunhan” que teríamos uma rede mundial de informações e ela realmente surgiu. Como pode se antecipar tanto? A resposta é: pensando e se projetando no futuro.

Temos, pois, que dar ênfase ao ensino das ciências em nossas escolas, para que possamos ter um desenvolvimento sustentável em nosso país. Professores de ciências e afins: uni-vos! Vamos formar uma corrente para mudanças dos currículos de suas matérias. Vamos trabalhar a ciência de ponta e deixar para a internet o que já está ultrapassado. Vamos introduzir nossos alunos no mundo do conhecimento, que é o projeto para o século XXI.

Beta

terça-feira, 7 de setembro de 2010

A desconstrução do Futuro

Temos que resolver, de uma vez por todas, o que queremos da educação. Passar em exames baseados no sistema vigente ou desenvolver nossa população para um mundo que está por vir, mas que já apresenta suas demandas de forma concreta agora? Nossas autoridades estão sempre pensando nos exames, dai o problema para atingirmos o que o primeiro mundo conseguiu em 2003. Nós vamos atingir esse mesmo patamar, se tudo correr bem, apenas em 2020! Será que isso é algo desejável? Claro que não. Por que não pensar que devemos mudar o paradigma e tentar sair na frente, propondo um ensino diferenciado e criativo, já que não temos a possibilidade de atingir uma posição de país de primeiro mundo, indo pelo caminho atual. Podemos ser melhores, é claro! A única estratégia inteligente para quem se atrasa muito é mudar totalmente a linha de atuação – tendo em vista que o modelo vigente claramente não está dando certo. Porque os melhores colégios são os que aprovam no ENEM? Antes era o Vestibular: o que mudou? O nome. Não representa melhoria do padrão de qualidade o fato de os jovens passarem nos exames. Significa sim que estão ajustados, adequados, formatados de maneira absoluta àquilo que de mais atrasado existe em termos de modelo educacional.

O que está sendo ensinado aos jovens? Peguem a prova e vejam. Qual a física? Quântica, Teoria da Relatividade? Filosofia? Eles sabem sobre os buracos negros? Já estudam a química quântica? Estudam Imunologia? Sabem da liquefação do oxigênio? Estudam a radiação no átomo de urânio? Sabem da conversão das ondas do rádio em som? O que sabem da mecânica matricial? Sabem que o desenvolvimento mental tem quatro estágios que foram descritos desde 1929?

Poderíamos listar centenas de conhecimentos que não entraram ainda nas escolas e que já figuram nos meios científicos a mais de dois séculos. Não, eles aprendem tudo que está nos livros didáticos, já superados por novas teorias. Em matemática são desafiados a demonstrarem os teoremas de outra forma ou a repetir os modelos dados por seus professores? Tudo é repetição para eles e dai dizerem, no final, que formaram os jovens, o que significa dizer que os colocaram “na forma”.
Ficam os jovens o dia inteiro na escola preparando-se para os exames. Se fosse uma coisa normal, estariam jogando e brincando, pois faz parte do desenvolvimento da espécie. O animal humano tem necessidade de brincar, tudo deve ser um jogo, inclusive a escola que é o principal ponto de encontro dos jovens. O exame viria para verificar aprendizagem, não para verificar se os indivíduos decoraram os pontos dados. A programação escolar deve conter muitas visitas à comunidade, pois os jovens não conhecem nem a cidade onde moram. Não vão ao teatro, exposições, centros culturais, fábricas e centros de produção de alimentos. Se fosse dada uma prova contendo a vida, eles não passariam. Isso acontece porque a vida não tem importância? Porque os pais e educadores estão querendo saber quanto de conteúdo seus alunos e filhos tem acumulado? Todos se esquecem que esses conteúdos não vão servir para nada no futuro, nem sequer no futuro próximo! O mercado de trabalho não quer saber o que eles sabem, mas o que conseguem criar. O importante na era do conhecimento é a CRIATIVIDADE.

Para passar nestes exames, basta um treinamento organizado para todos serem aprovados. Mas para ser criativo, são longos anos trabalhando com uma metodologia diferenciada e nem todos conseguem, no final da empreitada, os resultados ótimos. Logo, e muito difícil trabalhar o jovem para ser criativo, mas esse é o destino do ser humano. Repetir o que já foi feito, as máquinas podem fazer, não sendo trabalho para o homem – esse ficará com a espinhosa tarefa de inventar o novo. Como podemos falar ainda em “conteúdo”? Os professores deveriam estar preparados para propor trabalhos em dinâmica de grupo e o resultado seria sempre diferenciado, pois mesmo com um conteúdo idêntico teremos resultados sempre novos, pois em dinâmica de grupo as combinatórias são diversas. Toda a tecnologia é usada a serviço de uma antiga pedagogia, logo não muda nada. Ela deveria ser utilizada pelos alunos e não pelos professores. Tem que haver uma mudança do ponto de vista. Os alunos é que deveriam dar as aulas: deixem eles falarem. Como diz Lauro de Oliveira Lima “O professor não ensina, ajuda o aluno a aprender”. Seré que os professores entendem a mensagem contida nesta frase? Ele esta dizendo: não falem, não dêem aula expositiva, mesmo que seja com o data-show, porque continua a ser uma aula expositiva com apoio tecnológico. Deixem os jovens lerem, estudarem, fazerem perguntas que esse é o segredo para uma aula realmente interativa. Quem tem que responder são os seus pares; o professor fica apenas como o orientador da aprendizagem. Vamos convencer o professor que o papel dele, modernamente, é ser como o técnico dos times. Ele não joga, deixa os atletas jogarem.

Analisando artigos sobre a questão dos exames, fiquei surpresa em saber que um dos “mandamentos” das escolas que estão no topo do ranking, as chamadas “escolas de sucesso”, é manter um “canal aberto entre professores e alunos”. Surpreendente! E eu que pensei que isso era a regra para ser professor! Então tem gente que ainda não faz isso e se diz educador? Sempre achei que para ser professor, era preciso gostar de estar com os alunos, mas parece que, curiosamente, apenas alguns fazem isso. O Professor Lauro de Oliveira Lima diz que “antes de querer ser um sábio, todo aluno quer ser amado”. Logo, não existe escola sem interação entre corpo docente e discente, e o discurso das tais escolas de sucesso é uma enorme balela – que a gente é obrigado a engolir através da mídia.


Por que será que os jovens precisam ir a escola no sábado e domingo, fazer provas? Será que a semana, em horário integral, não é suficiente para cumprir todas as tarefas? Será que o planejamento foi bem feito? Todos, até mesmo os animais, quando trabalham precisam de descanso, mas parece que as escolas acham que isso é um serviço a mais, que satisfaz aos pais? E os jovens, o que acham deste sacrifício? Eles já acham a escola um sacrifício, quando mais seus sábados e domingos. Estes educadores se acham acima do bem e do mal. Não entendem que estes jovens precisam ler, estudar coisas de seus interesses particulares, se encontrarem, irem ao cinema, pois tudo isso faz parte da vida e todos os anos são únicos em nossas vidas. Fica a sensação de que todo esse movimento angaria dividendos políticos para as autoridades educacionais, que “mostram serviço” à custa de um esforço adicional alheio, onde os que se esforçam não foram consultados sobre a conveniência disso. A presença dos pais na escola deveria ser uma coisa natural, já que a educação é conjunta. Não é possível educar sem a participação efetiva da família, e não há porque tornar isso um fator diferencial? Todos os pais devem estar dentro das escolas de seus filhos para melhorar a interação entre a família e seus educadores. Os pais devem levar a escola suas experiências de vida para transmitirem às novas gerações. Sugiro aos pais preocupados com os exames que seus filhos vão prestar verem o filme “SOCIEDADE DOS POETAS MORTOS”, porque podem tirar dali alguns ensinamentos preciosos , vendo seus filhos de maneira diferente.

Lembrando ainda que esses jovens definem muito cedo suas carreiras, sem base para isso. No passado, com a permanência das profissões e com a necessidade definir o que se queria fazer antes de entrar na faculdade, isso era uma prática (que já não dava muito certo, mas enfim...). Hoje isso é uma verdadeira xarada, porque as profissões estão desaparecendo com muita velocidade, dando lugar a outras tantas que vão surgindo rapidamente, em decorrência da tecnologia envolvida nos processos.
Se há uma exigência que deve ser feita hoje, pelos pais, é de que a escola ensine seus filhos a pensar.

Nada mais.


Beta