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quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Qual é o valor de brincar?

Os pais e professores sabem qual é o valor de brincar para as crianças? Tenho certeza que não. Numa pesquisa realizada no mundo inteiro foi verificado que as crianças brasileiras brincam menos de duas horas por dia fora de casa. O que está acontecendo? Não temos como valor natural as brincadeiras das crianças. Será que elas não precisam brincar? Piaget salienta a grande importância das sociedades infantis onde as crianças promovem trocas entre elas e promovem assim, o seu desenvolvimento.

As famílias estão tão ocupadas que não sentem a importância e acham mais seguro que seus filhos estejam em casa na companhia de TV ou dos computadores. O aprendizado infantil depende e muito dessas brincadeiras, não é um tempo desperdiçado. Nas brincadeiras as crianças vão se socializar e aprender regras. As brincadeiras estimulam o desenvolvimento moral das crianças. Os amigos estimulam a imaginação. Não esqueçam que essas experiências vão ser muito necessárias na vida adulta. Como podemos pensar em uma criança sem brincar? Impossível! O trabalho do adulto é o brincar das crianças. A tecnologia, os jogos virtuais têm seus papéis específicos, mas não podem competir com o brincar real. A outra criança é um estímulo insubstituível.  O brincar ao ar livre estimula, também o desenvolvimento físico e no esqueçam que a maioria das Escolas não deixam as crianças ao ar livre, nem estimulam os jogos. Será que esta nova geração não vai conhecer os jogos de rua? Será mais uma tarefa das escolas? Talvez, mas alguém tem que tomar a iniciativa. Quantos jogos de rua seu filho conhece? Faça essa pergunta e invista nesta ideia já.  Trabalhar os jogos tradicionais da humanidade é uma fórmula que sempre vai dar certo. Sempre convide para a sua casa alguns amigos dos seus filhos para que eles possam fazer trocas. Ninguém brinca sozinho. Cada criança é diferente da outra daí a riqueza do encontro. Aposte no brincar!

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

O legado não tecnológico de Steve Jobs



Morre um gênio criativo. Deixa para a humanidade uma quantidade enorme de realizações, mas o grande legado foi para a Educação. Nós,  pais e educadores, devemos pensar o que este homem teve em sua vida para gerar tantas invenções, usando a a criatividade de maneira tão incomum. Estudar a vida de um homem desses é de suma importância para todos nós.
Temos que analisar cada faceta de sua vida para poder estruturar uma linha de avaliação coerente, ou mesmo para entender como alguns julgamentos nossos podem estar equivocados, quando no dia a dia determinamos quem vai dar certo ou não, baseados em coisas totalmente irrelevantes.
 Adotado por uma família sem grandes comprometimentos começa sua vida de maneira conturbada. Seus estudos, como foram? Por que a Universidade não fez falta em seu caminho de vida? E fará a nossos filhos ou é apenas uma forma de tentarmos fazer com que nossos filhos tenham sucesso de alguma forma? Será que sabemos realmente o que é o sucesso?
Embora tenha abandonado o curso superior, é pouco divulgado o nome da instituição e acredito que a mesma não teve a menor importância no seu desenvolvimento. Por conta disso, muita gente pode achar que  sua criatividade era inata... e isso não é verdade. Ele deve ter tido muitas interações interessantes para construir seu modelo de desenvolvimento e atingido esse alto grau de inteligência.
O importante é  que tenhamos em mente que não existe inatismo e que é preciso trabalhar muito para que a criatividade ocorra. As crianças não são criativas, como achavam as antigas teorias pedagógicas. Mas as crianças podem tornar-se criativas, se forem estimuladas. O maior estimulo é o trabalho em grupo, já que todos fazem uma parte e o resultado não está em nenhuma delas,  individualmente.
“O todo tem algo que as partes não têm.” Teilhard de Chardin
Jobs sempre fez questão de salientar a qualidade de seus colaboradores. A grande herança que fica deste homem para os educadores e pais é que temos que estimular a criatividade através de métodos ativos de aprendizagem.


Discurso de Steve Jobs em Stanford - vale a pena ver para conhecer um pouco mais do pensamento dele.

domingo, 25 de setembro de 2011

Feira de Ciências da Chave do Tamanho





Feira de Ciências da "A Chave do Tamanho"

Tema: Solidariedade no Planeta Terra

OP V : Universo:  ORIGEM DA TERRA, PLANETAS,  CÉU ASTRONOMIA, SISTEMA SOLAR, BURACO NEGRO, COMETA ASTERÓIDE, METEÓRO, ESTRELA CADENTE, VIAGEM ESPACIAL, BIG BANG.

Construção do sistema solar, esquema mostrando o nascimento, origem das estrelas, meteoro, cartazes ilustrando o buraco negro, maquete retratando uma viagem espacial,  Astronomia fazer um cartaz mostrando a importância do estudo e sua relação com Física, matemática e ciências. Maquete ou desenho com esquema de um cometa asteróide Cartaz ilustrando as teorias referentes a origem do universo. Pesquisar sobre soluções  para o equilíbrio do universo. O que já esta fazendo.


OPVI: ONGS – trabalhos que realizam para soluções de problemas sociais ambientais etc (WWF, Greenpeace, SOS mata atlântica, Rio voluntários)

Fazer maquetes sobre as ONGS mostrando seu trabalho e desenvolvimento na área  trabalhada. Visitar os espaços analisar concluir soluções para os problemas surgidos. Pesquisar diferentes ONGS e seus trabalhos para soluções de problemas


OPVII: Corpo Humano: aparelhos digestório, circulatório, respiratório, metabolismo.

Fazer maquetes retratando cada sistema (digestório, respiratório, cardiovascular, excretor, muscular, ósseo). Malefícios das drogas ao organismo  Drogas injetáveis, , álcool, sua influência no sistema digestório. Uso de anabolizantes, maconha cocaína, crack, cigarro. Fazer cartazes em defesa e não uso da maconha. Fazer uma enquete no dia da feira. Fazer uma montagem do esqueleto humano.


OPVIII: Sexualidade: preservativos, relação sexual, gestação, doenças Transmissíveis, aborto.

MÉTODOS CONTRACEPTIVOS ( VASECTOMIA, LIGADURA, DIU, DIAFRAGMA,TABELA, MUCO VAGINAL, ANTICONCEPCIONAL INJETÁVEL,ESPERMICIDA

Fazer um esquema , maquete mostrando a evolução do feto, gravidez,  Uso dos preservativos masculino feminino
•Professores de Inglês, Alemão e Português responsáveis nas confecções dos cartazes junto aos alunos. Pesquisar os termos usados em alemão inglês.
•Professores de Matemática e ciências  responsáveis por fazer as maquetes
•Artes Temas relacionados a feira fazer exposição de trabalhos.
•História e Geografia confeccionar jogos para ser utilizado pelos alunos na feira.
•Música. Criar musica sobre o tema da feira juntamente com os alunos fazer um coral / jogral com cada grupo ou todos juntos














sábado, 24 de setembro de 2011

O ringtone de Kátia


Kátia ganhou um novo celular que lhe permite criar seu próprio toque de chamada. Ela criou o código que aparece na pauta da figura para criar uma melodia baseada no nome de seu compositor de música clássica preferido. Você consegue quebrar o código  e decifrar quem é o compositor de que Kátia mais gosta?

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Enigma: O código das estradas


Quando o cartaz aparece na estrada, no jogo de videogame que Sandro está jogando, este percebe que se trata de um código que deve decifrar.
Você consegue ajudá-lo a quebrar o código e descobrir qual a distância para Chicago, nesse jogo?

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Enigma dos Guarda-Chuvas

Margarete trabalha na chapelaria de um restaurante em uma chuvosa cidade, onde o dono não permite que sejam guardados mais de 30 guarda-chuvas. Sua nova assistente, Giovana,  guardou os guarda-chuvas abertos numa pequena sala. Quando Margarete chegar ao trabalho, terá que decidir, rapidamente, com um rápido olhar, se eles tem espaço para o guarda-chuva de um cliente que acabou de chegar. Você consegue ajudar?

Quantos guarda chuvas você consegue contar?
(Dica: experimente conta-los em linhas)

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Enigma 2

Esse jogo leva nossos testes de visualização estratégica a um outro nível. Tente descobrir quantos blocos foram removidos do cubo grande. Suas dimensões originais eram de seis blocos de largura, por seis de altura por seis de profundidade. Todos os blocos que não podem ser vistos dessa ângulo estão presentes.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

A leitura do Operatório Concreto


Este é o período das conservações. Aqui temos já os pequenos cientistas. Podem ler o mundo. Sugira os livros de mistério, sobrenatural, humor. A filosofia já pode ser dada através de livros simples, onde possam discutir as idéias. São concretos, então algumas soluções ainda ficam pendentes. Levar a criança às livrarias é sempre uma boa idéia para que escolham suas leituras, mas não deixe de sugerir coisas que você já leu. Sugira poesias. As obras clássicas devem ser listadas para que a criança tenha oportunidade de conhecer. Faça uma lista de autores e veja se seu filho já leu algo de cada um deles. Não deixe de contar as historias, mesmo que seu filho já leia. A força afetiva que você pode dar é muito importante para o habito de leitura.

Livros Interessantes:
1) A galinha ruiva
2) O gato de botas
3) Fabulas
4) Historia meio ao contrario
5) Aventuras de Tom  Sawer

Autores como Monteiro Lobato, Ana Maria Machado, Andersen, Cecilia  Meireles, Mark Twain, Ziraldo, Ruth Rocha,  Clarice Lispector,  Erico Verissimo,  Origenes  Lessa,Lygia  bojunga Nunes, Jose de Alencar, Carlos Eduardo Novaes. Citei alguns autores, mas sua pesquisa deve ser maior e chegar a pelo menos uns 30 autores para que seu filho tenha um universo bem rico de leitura.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

RECUPERAR É MAIS DO QUE EMPURRAR PARA FRENTE

Somos uma nação criativa, disso não temos a menor dúvida. Mas criatividade, quando utilizada para fazer coisas boas dá resultados maravilhosos, e o contrário também é verdadeiro. Quando mal utilizada, a criatividade é uma arma terrível.  Temos exemplos disso o tempo todo, e um deles é o assunto que quero tratar.
Trata-se da “Recuperação”, que surgiu para que as crianças recebessem uma revisão de tudo que havia sido “dado” e as crianças não tinha “recebido”. Mas nas escolas em geral virou prova de 2ª. chamada para dar as notas que os alunos precisavam para passar.

Numa escola piagetiana, qual a maneira de lidar com isso? Lidamos com a construção do conhecimento através do desenvolvimento da inteligência. Nesse ponto de vista, uma criança que tenha se saído bem em uma prova não necessariamente desenvolveu as estruturas necessárias para continuar seu desenvolvimento. Estamos atentos, portanto, ao desenvolvimento das estruturas cognitivas, e não somente a quantidade de conteúdo que o aluno tenha “absorvido”. Por exemplo: numa prova temos questões somente de conteúdos e muitas de estruturas cognitivas. Se a criança responde bem às que ela pode decorar e não se sai bem naquelas que identificam a  construção dessas estruturas cognitivas, é evidente para nós que a necessidade de retomar com ela aquelas questões.

Esta atividade não significa um castigo e sim um privilegio de rever com tranqüilidade o processo, identificando onde estão as possíveis falhas no desenvolvimento cognitivo.

No entanto, o que vemos é que o conceito mudou nas escolas em geral. E para que não haja confusão, vamos mudar esse nome para não acompanharmos um conceito errado. Não queremos que a criança associe o termo “recuperação”, aplicado em condição plena na Chave do Tamanho, como uma maneira de produzir nota para “passar de ano”. Não existe promoção por exposição de conteúdo, tão somente. Evolui-se na medida em que as estruturas cognitivas evoluam e possam entender o mundo no nível de percepção máximo para aquela fase do desenvolvimento mental. O resto é paródia.

 Fiquem atentos para o desenvolvimento global de seus filhos. Não deixem que eles se especializem. É muito importante que as crianças gostem das matérias em geral, de dançar, de musica, de artes. Todas estas atividades são muito importantes para que aconteça o desenvolvimento cognitivo.

A reversibilidade, que deve surgir os 7/8 anos, muitas vezes se atrasa porque a criança não dança. As danças coletivas exigem muito da reversibilidade das crianças (ver o ponto de vista do outro). Imaginem que este conceito seguirá pela vida afora de seus filhos, e será importante. Aliás, cada vez mais importante para o sucesso pessoal e profissional deles. Ninguém mais trabalha sozinho. Vamos todos estar em Dinâmica de Grupo permanente.

Estimulem seus filhos a fazerem esta revisão que não apenas de conteúdos, mas também de estruturas concretas e abstratas. Se uma crianças esta com uma defasagem no período concreto, terá enormes dificuldades de entrar no período das abstrações (11/12/13 anos). Muitos adultos não conseguem todas as estruturas abstratas e passam o resto de suas vidas trabalhando apenas com algumas. É o que Piaget chamou de compartimentalização, e que hoje os departamentos de recursos humanos identificam como ausência de competências – acarretando muitas vezes no insucesso para obtenção de empregos bem remunerados. O nosso grande esforço é tentar desenvolver todas as estruturas sem deixar lacunas. Sabemos que muitas pessoas ainda não compreendem totalmente o que significa isso, já que todo o sistema educacional de nosso país esta voltado para exames que não medem as estruturas no geral. Privilegiam os conceitos decorados, e é isso que vem atrasando o processo de desenvolvimento educacional frente ao mundo desenvolvido. Estamos no final em todas as listas de desenvolvimento e apenas na frente de alguns países africanos com um índice de pobreza chocante. Como se justifica uma economia tão desenvolvida com uma educação tão atrasada? Ficaremos para trás, não tenham duvidas. Já estamos contratando executivos da Europa e EUA por não temos, em nosso país, quem ocupe determinados cargos.

Educação é um produto muito estranho, porque embora seja vital e estratégico, parece que existe somente para cumprir um ritual. As pessoas pagam, mas não querem levar. Jamais você faria uma compra no supermercado e deixaria tudo no carrinho, depois de pagar. Com educação acontece isso. As famílias ficam revoltadas se a escola tentar dar mais do que havia se comprometido. Veja, estou dizendo oferecer MAIS!!!

É claro que a vida das famílias é organizada pelas prioridades e tempos dos adultos. E os adultos, em geral, vivem num mundo de comportamentos típicos da Era Industrial quando deveriam estabelecer prioridades a partir de valores da Era da Informação ou da Era da Biotecnologia. Valoriza-se muito ainda o conceito de “linha de produção”, com tempos e movimentos bem demarcados, para que as coisas acontecem com uma previsibilidade absoluta. Mas isso acabou. Caros e queridos pais: isso não está acontecendo nem na sua vida nem na de seus pares! O trabalho mudou, as relações mudaram, o mundo virou de cabeça para baixo... e não podemos viver na ficção do passado. Existe uma maneira de educar para o futuro, para o mundo em que nossos filhos vão viver. Um mundo dinâmico, instável e evolutivo, com desafios permanentes e demandas ainda não imaginadas. Não vamos mandá-los para esse mundo portando apenas um boletim de notas azuis, porque isso não vai ter o menor valor. Vamos encaminhá-los preparados para uma situação de “abertura para todos os possíveis”, porque isso sim irá garantir a sobrevivência deles.

sábado, 18 de junho de 2011

Aprender Brincando

A escola sempre foi tida como uma atividade de sofrimento. “A letra entra com sangue” era uma frase usada com naturalidade para falar do aprendizado das crianças. Estamos mudando esta relação para trazer a escola, através do Método Psicogenético (Prof. Lauro de Oliveira Lima), a idéia do lúdico. As brincadeiras, como diz Piaget (epistemólogo suíço), são fundamentais para o desenvolvimento da inteligência das crianças. As brincadeiras não são para desgastar energia das crianças e sim para fazer combinatórias neurônicas. A brincadeira, para as crianças, corresponde ao trabalho para o adulto. Vamos então deixar as crianças brincarem. Uma escola deve ser um grande espaço de jogar. E devemos verificar que todos os jogos trazem um desenvolvimento para as crianças.
Uma Escola Piagetiana é aquela que provoca sistematicamente as crianças e adolescentes e traz para eles jogos, sempre em dinâmica de grupo. Os únicos jogos individuais são as reações circulares, no inicio do Sensório Motor, depois disso tudo caminha para a socialização. Diz Piaget que o melhor brinquedo para uma criança e outra criança. Então não deixe sua criança sem uma companhia infantil. Não pense que você, adulto, é um companheiro. A criança não se relaciona horizontalmente com os adultos, pois  ela sabe e nota o poder que ele exerce sobre ela. Deixe as crianças brincarem, observando mas não não interferindo. Promover as brincadeiras não é brincar com ela. Sua ação pode ser a de contar historias, falar com a criança, ouvir a criança. Não dê suas opiniões as  crianças ate 4/5 anos, porque elas não entendem suas lições e conselhos. Depois desta idade fale, mas não se exceda. Fale pouco e ouça muito. Os brinquedos não precisam ser muito elaborados. Tudo serve de brinquedo. Caixas, fósforos, palitos, latas, o que chamamos de caixa de bagunça. As crianças sabem fazer combinatórias e inventar os seus brinquedos. Chegando a hora dos jogos com regras ai você pode entrar em ação ensinando-as a jogarem. Ensine o jogo jogando. Não fique lendo as regras para depois jogar. Vá jogando e introduzindo as regras que você vai sentindo que ela já entende. Se tiver uma criança mais velha para ensinar é bem melhor do que um adulto, já que a outra criança acabou de aprender o que o adulto já aprendeu faz muito tempo e acha que sabe. O adulto ou uma criança bem mais velha normalmente não tem paciência com o aprendiz.
Todos os conhecimentos podem ser trabalhados através de jogos. Uma escola é uma fabrica de jogar. O jogo é o modelo psicológico das crianças e jovens que estão em desenvolvimento. Os adultos criativos continuam com este tipo de pensamento.  Os adultos que continuam crescendo continuam querendo jogar mesmo em seus trabalhos e não ficam irritados com o aprendizado das crianças. Estes deveriam ser os professores. Todos os professores deveriam saber jogar e jogar de tudo para poder atender as crianças e adolescentes. Um jogo ensina mais do que varias aulas sobre o assunto. O jogo é uma aplicação. Quando notar um jogo que seu filho goste, faça com que ele leve  para a escola para jogar com seus colegas. Esta troca é muito importante. São feedbacks que uns dão aos outros.
Todas as escolas deveriam ter um tempo especifico  só  para as crianças e adolescentes jogarem. Cada jogo tem uma estrutura mental. Daí em cada fase as crianças gostam de um jogo especificamente, e a complexificação  das regras deve ser  gradativa. Não diga que a criança não pode aprender.  Coloque o problema e deixe que ela resolva ou, se não tiver interesse, não esta na idade adequada,  e  se rapidamente resolver, já passou a fase. A criança deverá ser sempre o termômetro para o que ela deve ou pode aprender.  Daí a grande importância dos professores e pais conhecerem os níveis de desenvolvimento mental das crianças.
   Abaixo algumas sugestões de jogos interessantes para você aplicar com seus alunos ou com seus filhos:

Objetivo:
 Montar as peças do “Laboratório de lógica “ com a seqüência que o amigo achar que deve ser.
As figuras serão montadas de acordo com o modelo ou sem o modelo estabelecido pelo recanto ou pela prô.

 

Objetivo:
 PRODUÇÃO DE SONS
DISTINGUIR OS SONS DOS INSTRUMENTOS ESCONDIDOS POR UM ANTEPARO


Objetivo:

SER O PRIMEIRO JOGADOR A VISITAR AS 4 ÁREAS DE LAZER SEM SER IDENTIFICADO PELOS OUTROS JOGADORES.

Vence o jogador que visitar primeiro as quarto areas de Lazer ou que permanecer com o seu personagem até o  final do jogo depois que a identidade secreta for revelada.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Entendendo Monteiro Lobato...

Acho ótimo que, em alguns casos, prevaleça a idéia de que “falem mal, mas falem de mim”. No caso de Monteiro Lobato, mesmo quem fala mal ajuda a divulgar a obra do maior autor infantil brasileiro e corrobora com a idéia prevalente de que nada justifica essa polêmica toda que querem levantar.

Uma coisa que é importante ressaltar é que um grande número desses que falam mal, desconhecem completamente  o desenvolvimento cognitivo das crianças e a maioria dos detratores tem uma visão adulta de sua obra e não conseguem mais fazer um julgamento límpido de uma criança porque seus filtros mentais estão bastante entupidos com crenças e valores que formam idéia pré-concebida errônea.

Na “A Chave do Tamanho”, escola piagetiana sediada no Rio de Janeiro, trabalhamos a 40 anos com a obra de Lobato, formando gerações e mais gerações sem ter formado, em momento algum, pessoas racistas nem muito menos adeptos da “Ku Klux Klan” – abominável sociedade racista fundada em 1865. Precisamos estudar o pensamento infantil para saber como as crianças olham o mundo.  Com até mais ou menos  2 anos e 6 meses, elas dão vida as coisas (ela olha um lápis rolando empurrado por um adulto e diz que o lápis “quis” rodar). Em seguida, torna-se artificialista e confirma sempre que alguém construiu as montanhas e que o mar não vai até a porta de sua casa porque não quer, etc. E por aí vai o pensamento causal. Esses exemplos dão bem a diferença do pensamento da criança e do adulto que tenha se desenvolvido.

Quanto aos preconceitos, eles começam a surgir por volta dos 4/5 anos de idade, e o principal fator de fixação é a família, pelo forte teor afetivo que carrega. Não pensem que uma criança, lendo um texto, torna-se racista, ou deixa de ser racista, se o texto sugerir o contrário. Ela se torna racista vendo seu pai ou sua mãe xingando uma pessoa de maneira racista (seja lá a raça que for). Deixem as crianças em paz, senhoras e senhores que não educaram ninguém e acham que tudo sabem. As crianças são bem mais sábias  e não precisam que sua atenção seja chamada para esse ou aquele fator. O importante para elas é ler muito. O que o MEC deveria fazer era bibliotecas maravilhosas e funcionais em cada escola, com gente que saiba atuar nesse espaço.

As crianças devem ler de tudo e discutir o que leram. E antes de mais nada, as crianças – e por conseqüência, o povo brasileiro – precisam ser alfabetizadas, e bem alfabetizadas. E como isso não acontece, fica a pergunta: por que toda essa polêmica não gira em torno da falta de alfabetização para os 14 milhões de brasileiros que estão completamente excluídos do bem estar proporcionado pelo progresso?  Não alfabetizar sim, cria um fato que acaba se tornando em um modelo de racismo. Aqueles que são analfabetos são discriminados, e muito. E por que uns tem o direito a ler e outros não? Passamos da discriminação pela cor para a discriminação pelo poder aquisitivo.

Um manual de orientação aos professores deveria ser um manual didático abordando os seguintes temas:

1.       Como ensinar a Ler.

2.       Fazer as crianças gostarem de ler;

3.       Como organizar uma pequena biblioteca;

4.       Como organizar uma ficha de leitura para as crianças responderem;

E outras tantas regras que poderíamos citar. Mas o MEC esta como sempre sem FOCO. Segue as ondas. Isso não dá certo. Tem que ter diretrizes, planejamento estratégico para a Educação. O problema de fazer um manual didático é que tem que saber psicogenética e didática.

Sem saber PSICOGENÉTICA, estas pessoas não podem dar PALPITES sobre o que criança pode ou não fazer, ler ou realizar. Não sabendo o nível das crianças eles não conseguem que as crianças se alfabetizem e ninguém fica alarmado com isso. É “politicamente incorreto” as crianças do Brasil freqüentando uma “escola” e não aprenderem a ler?

Acho que ficar falando em Lobato preconceituoso e bom porque é questão de opinião (intuições), já que a argumentação cientifica não aparece. Quantas paginas tem a obra de Lobato? Quantas frases? Quantas estas pessoas consideraram racistas? Vamos procurar em todos os literatos para ver o que encontramos de “politicamente incorreto”?

Cansei. Deixem as crianças brasileiras com seu grande autor debaixo do braço. E engraçado e que ele nem é tão lido como querem fazer crer. Vejam as tiragens! Lobato passou vários anos sem reedições. Nos que adotamos na nossa escola sabemos que precisávamos copiar para que as crianças tivessem seu livro para a leitura que fazem.  Estão sendo retomadas  as reedições agora. Quais serão os interesses para que ele não seja bem acolhido pelo MEC?

A Escola A Chave do Tamanho continuara a ser um berço da leitura de Lobato e propagadora de que ele é um dos maiores autores, nacional e internacionalmente. Falta ainda um grande reconhecimento da obra deste autor fenomenal.

Acorda Brasil! Temos um grande autor dentro de nosso território e nem sabemos ou usamos.

domingo, 22 de maio de 2011

Como acabar com as Ciências, segundo as escolas

Freqüentemente, no “Programa do Jô”, o apresentador faz uma leitura humorística de respostas dadas por alunos a questões de provas de diversos colégios e mesmo universidades. É um quadro que provoca gargalhada nos espectadores pelo inusitado das respostas, algumas absolutamente fora do assunto, outras tentando explicar de uma maneira gaiata alguma coisa óbvia. Em outros casos ainda, a confusão fica estabelecida pela inversão dos valores. Enfim, uma piada.
Piada que reproduz a vida em sala de aula e as relações entre os alunos e as escolas. Uma piada de mau gosto, no final das contas, e sendo assim, deixa de ser uma piada para ser um grito de alerta para a enorme quantidade de problemas que o sistema de ensino tem em sua estrutura.
A grande questão é: isso tem graça? E, se tem, como vamos fazer para que a maneira de  ensinar deixe de ser uma coisa tão pavorosa a ponto de gerar indivíduos capazes de dar respostas como aquelas?
Uma das maneiras de entender o que está acontecendo é verificar as provas que são dadas às crianças e adolescentes nas escolas. Isso ajudaria a montar o quadro onde eles estão inseridos, e por que eles não aprendem as coisas que são ali verificadas. Fica até a pergunta sobre por que deveriam aprender essas coisas, que não serão necessárias em suas vidas pessoais ou profissionais. Conhecimentos que são solicitados em provas estarão sempre a disposição de pesquisadores, nos bancos de dados e mesmo na rede, podendo ser acessadas sempre que necessário pelos cientistas e profissionais de todas as áreas que tenham necessidade dessa informação. Não precisam ser armazenadas na mente das pessoas, que de toda forma não teriam capacidade de armazenar os petabytes de informação que estarão armazenadas, de forma relacional, em repositórios digitais.
Uma coisa que fica evidente para mim é que a Ciência está sendo desmobilizada pelos próprios professores de Ciências! Eles simplesmente caminham na contramão do espírito científico.  Em sentido mais restrito, ciência refere-se a um sistema de adquirir conhecimento baseado no método científico, assim como ao corpo organizado de conhecimento conseguido através de tal pesquisa. Em nenhum momento cogita-se em “fazer ciência” decorando indefinidamente todos os avanços da pesquisa humana. Fazer ciência é criar hipótese, desenvolver pesquisa e chegar a conclusão e que tal coisa existe ou funciona se a experiência der o resultado repetidas vezes respeitando-se um processo. Em escolas, nos dias de hoje, o que estamos vendo é uma sequência de aulas teóricas, chatas, sem sentido, sem estímulo para o aluno, que compõem o currículo de Ciências. E de tempos em tempos, o conteúdo dessas aulas é cobrado em provas que exigem mais resultado de memória do que qualquer coisa próxima daquilo que a humanidade levou tanto tempo para desenvolver e organizar.
Um exemplo disso é o teor de uma prova, a que tive acesso, que foi dada para a turma de 1º. Ano do Ensino Médio de uma escola do Rio de Janeiro.

Os professores de Ciências simplesmente querem acabar com o espírito cientifico que as crianças cultivam quando pequenas a perguntar os por que a seus pais e todos os adultos que as cercam. Eles não têm mais direito de perguntar, analisar ou fazer experiências. Eis as questões de um prova de Ciências...

1.    Qual seria a classificação de Linneu para os seres vivos?
2.    Cite 03 regras de nomenclaturas cientificas.
3.    Quais as principais estruturas das células dos Poríferos?
4.    Quais os tipos morfológicos dos Cnidários?
5.    Quais as formas de reprodução dos Poríferos?
6.    Como  estão  classificados os Platelmintos?
7.    Cite um exemplo da Classe Hirudínea dos Anelídeos?
8.    Como dividimos morfologicamente os insetos?
9.    Descreva o Sistema Digestorio dos Nematelmintos?
10.    Cite os nomes das larvas dos Nematelmintos: Ascaris limbricoides.

Se você não for um especialista da área de Biologia, responda pelo menos cinco dessas questões, para tirar uma nota baixa na prova. Não consegue? Imagine seu filho. Ah, mas ele teve aulas da matéria, poderia dizer alguém desavisado. Mas aula de quê? Imagine que alegria deve ser saber como estão classificados os Platelmintos! Que orgulho para uma mãe ter um filho que sabe quais as principais estruturas das células dos Poríferos! E como é triste ter a certeza de que não é isso que vai tornar o jovem inteligente, viável para o mundo e para a vida, e ainda assim ter que perder seu tempo estudando (estudando???) esse tipo de coisa, que pode ser adquirida facilmente no Google. Deve ser por isso que os professores não deixam o aluno fazer a prova com consulta. Se deixassem, era dez para todo mundo, porque o que está sendo exigido é de uma banalidade absurda, informação facilmente encontrável mas dificilmente armazenável numa mente cheia de vontade de engolir o mundo pela experiência vivida.
A memória é altamente seletiva, e tudo aquilo que não faz sentido, vai sendo colocado de lado. Tanto é assim que, se professores de outras matérias fizerem essa prova, não vão conseguir nota nem para ficar em dependência. Serão reprovados mesmo. Experimente você, amanhã, chegar ao trabalho e falar sobre os maravilhosos nomes das larvas dos Nematelmintos! Promoção na certa... para uma clínica psiquiátrica.
A base da Ciência não está em decorar nomes e conceitos, mas sim em experimentar. E o mais espantoso é que nenhum dos alunos dessa série, onde foi aplicada a prova, fez uma aula sequer em laboratório. Não experimentaram nada. Não desenvolveram o espírito científico. Apenas vão sair falando de Anelídeos, sem serem apresentados pessoalmente a um.
Os humoristas se quiserem realmente matéria prima para suas piadas, não devem pegar apenas as respostas dadas pelos alunos, mas principalmente as perguntas que foram feitas a eles, depois de um massacre sem tamanho, durante meses a fio, em uma sala de aula insípida, desestimulante e absolutamente fora daquilo que seria a concepção mental desses alunos.
Pois bem, pode parecer engraçada a resposta que o aluno dá, mas se as provas refletissem o resultado de um estudo compatível com o nível mental dos alunos, com o seu desenvolvimento, de uma maneira participativa, certamente os resultados não seriam hilários.
E o que não tem a menor graça é o fato de que o Brasil precisa, e muito, de cientistas. E não é isso que vai acontecer se continuarmos a brincar de decorar conteúdos sem o menor sentido e integração.
Beta

sábado, 21 de maio de 2011

Escreveu, não leu ...

O Brasil é um país pródigo em fenômenos, sendo o analfabetismo funcional um deles. Não existe só no Brasil, é claro, mas os números são assustadores. É um problema perverso porque não se trata de pessoas que não freqüentaram a escola, elas sabem ler, escrever e contar, chegam a ocupar cargos administrativos, mas não conseguem entender a palavra escrita.

Você deve conhecer um, ou vários analfabetos funcionais. É aquela pessoa que fica longe de livros, artigos, crônicas. Manual de procedimento? De jeito nenhum. Computadores estão fora de questão. Preferem ouvir explicações da boca de colegas. Fingem entender tudo, mas agem por tentativa e erro mesmo.

Calcula-se que, no Brasil, os analfabetos funcionais somem 70% da população economicamente ativa. No mundo, há entre 800 e 900 milhões deles. São pessoas com menos de quatro anos de escolarização, na sua maioria, mas pode-se encontrar também pessoas com formação universitária, exercendo funções-chave em empresas e instituições, tanto privadas quanto públicas.

O mais chocante é que elas não tem habilidades de leitura compreensiva, escrita e cálculo para fazer frente às necessidades de profissionalizaçao e tampouco da vida sócio-cultural. A queda da produtividade provocada pela deficiência em habilidades básicas resulta em perdas e danos da ordem de US$ 6 bilhões por ano, no mundo inteiro. E isso porque  são pessoas que não entendem sinais de aviso de perigo, instruções de higiene e segurança do trabalho, orientações sobre o processo produtivo, procedimentos, etc. Muitos recall das empresas estão ligadas a esse tipo de problema: falha humana, por analfabetismo funcional.

A única solução é Educar. Educar os alunos e educar quem educa também. Só a denúncia não adianta, porque isso a grande mídia está fazendo, mas é preciso que os gestores educacionais tomem providências concretas.Há muito a ser feito nessa área, e os resultados poderiam ser fantásticos em termos de capacidade funcional das pessoas, dando mais oportunidades a muitos e melhorando a capacidade produtiva do país. Por exemplo, entre as várias questões práticas que deveriam estar sendo investigadas por aqueles que são responsáveis pela educação no país, está a Formação dos Professores. Por que os cursos, em sua grande maioria, são abaixo da crítica. Quem são os profissionais que se encaminham para o Magistério, por que o fazem e como se preparam para esse mercado?

O que as crianças tanto copiam em sala de aula? Por que copiam? O que tanto escreve o professor na lousa (ou quadro verde, preto ou branco com canetinhas pilot)... Em pleno século XXI!? Não é possível. Com tanta coisa mais interessante para fazer, com tanta inteligência a ser desenvolvida, o que vemos é o mesmo tipo de aula que não atrae mais ninguém. Tente colocar os professores na posição de alunos e aplique uma aula desse tipo para ver se algum deles aguenta! As crianças deveriam estar em atividade, mas como os professores não conhecem novas metodologias repetem o que viram com seus professores, e isso vem de longo tempo. Mas até quando?

Estamos formando copistas medievais, aqueles monges da Idade Média que, por terem habilidade com a pena tornavam-se calígrafos e reproduziam manualmente a Bíblia? E Guttemberg? E o livro? E a internet? Não se cogita usar isso ao invés de promover essa orgia de consumo de papel e tinta de caneta esferográfica, para nada? Acho realmente é que, como o professor não sabe o que fazer com seus alunos, bota todo mundo para copiar, porque assim pelo menos ele cumpre o horário, "dá" a matéria, ganha seu dinheiro e ... tudo bem. Mas veja: enquanto o professor estiver ocupado escrevendo no quadro, não estará dando aula!

ATIVIDADE: essa é a palavra chave, a fórmula mágica da pedagogia.Vi em uma reportagem uma professora  escrevendo o alfabeto no quadro e fiquei me perguntando para que? Com tantas maneiras de introduzir o alfabeto, como é que a "pobre" professora repete o que já se fazia a 50 anos atrás...

É preciso ensinar o professor a ensinar ... "dar aula" se preferir. Crianças de hoje não aprendem com essas antigas fórmulas, porque são de outro tempo, vivem em outra velocidade, estão expostos a outras possibilidades. Como se conformar com o "inferno" de ficar trancado em uma sala, ouvindo coisas que não são aplicáveis a suas vidas e, pior dos pesadelos, copiando tudo isso para um caderno pautado? E o fato é que as crianças acabam copiando sem saber ler, reproduzem letras que não fazem sentido, formando palavras que não tem significado e textos que não entendem. O mundo fica repleto de "máquinas de copiar", para as quais o texto é meramente um conglomerado de sinais que elas reproduzem mas que não tem qualquer valor objetivo. Mas o caderno ... fica cheio de material "dado nas aulas". A quem estamos querendo enganar?

Se os professores aprenderem a usar Dinâmica de Grupo em sala de aula vão conseguir resultados espantosos. Promover o desenvolvimento da inteligência, da moral e a socialização passa a ser possível e inteiramente agradável e estimulante quando a maneira é adequada, permitindo que transmitam suas experiências umas a outras.

Beta

sexta-feira, 6 de maio de 2011

O Serão da Chave - Maio de 2011


Serão. Uma palavra que foi muito utilizada por Monteiro Lobato para especificar aquela hora do dia em que a família se reunia no Sítio do Pica Pau Amarelo para ouvir histórias, contar as aventuras do dia, enfim, confraternizar de maneira produtiva e alegre. Também é utilizada hoje em dia como “hora extra”, ou seja, um horário de trabalho adicional. Qualquer que seja sua definição ou uso, o certo é que fazer um serão pode ser uma coisa muito proveitosa se feita com prazer.
    Na Chave do Tamanho, realizamos um Serão a cada dois meses. Nos apropriamos do conceito de Monteiro Lobato para esse momento e, da melhor maneira possível, procuramos aproveitar esse encontro para uma troca inteligente e alegre entre Pais, Direção, Coordenação e Professores da escola. É nessa atividade que discutimos os avanços e problemas, bem como as estratégias e soluções. Os pais podem ler os relatórios sobre seus filhos e discutir todos os aspectos, tirando dúvidas minuciosamente com todos os profissionais envolvidos na educação dos mesmos.
  


Sempre trazemos um tema à baila, na forma de uma palestra, tema esse que trata de questões que podem ser úteis para os pais na educação de seus filhos. Ontem a noite (05 de maio) o tema foi  ÉTICA E MORAL, aproveitando todos os acontecimentos que vem ocorrendo no Brasil e no Mundo nesses tempos conturbados. A proposição foi a de apresentar aos pais um conceito científico da MORAL, para que eles saibam que a mesma tem que ser desenvolvida, porque não vem embutida no DNA do ser humano, ao contrário do que tanta gente pensa. Tratamos da questão fundamental de que não podemos ser o exemplo que vá gerar o preconceito que, posteriormente, se transforma em ações anti-sociais. Isso porque a criança, por menos que pareça, está atenta a tudo o que falamos e fazemos, e vai criando um modelo a partir daquilo que o mundo oferece a ela em termos de conceitos e valores. E o mundo familiar é a base para isso durante muito tempo. Falamos bastante da necessidade de observarmos as relações com as crianças, principalmente no ambiente familiar porque na escola os profissionais são treinados para a as atividades enquanto que em casa os pais são profissionais de várias áreas que incorporam também a missão de educar seus filhos. O esforço de criar pessoas responsáveis para viverem num futuro próximo é coletivo, e por isso ficamos ao inteiro dispor dos pais para uma orientação que os ajudem a cumprir sua missão, que quase nunca é fácil.
    Diariamente o pai educa uma criança diferente, e embora isso possa parecer incongruente, é a realidade apresentada pelo desenvolvimento cognitivo e afetivo dos filhos, que vai mudando dinamicamente. Para se trabalhar uma questão como essa na escola, usa-se a Dinâmica de Grupo, mas em casa é mais complicado pois cada filho apresenta um momento diferente no seu desenvolvimento e isso não gera uma boa interação espontânea. Nossas crianças devem, constantemente, ter contato com outras crianças (companheiros de brinquedo) para poderem exercitar suas potencialidades em níveis semelhantes e não verticalizados.
      Uma atividade que sempre levamos a cabo nos nossos serões é a de aplicar uma Dinâmica de Grupo para os pais, visando uma maior compreensão da parte deles sobre como são propostas as atividades para seus filhos na escola. Explicamos como é importante que seus filhos falem porque ouvindo as crianças temos um caminho para saber como eles pensam, o que só ajuda no aprendizado deles no sentido de entender que a sociedade precisa de sua colaboração.
   

Enfim, o Serão da Chave é uma grande festa, onde além de diversão, todos saem com uma nova visão sobre um assunto que poderá ser decisivo nas ações de educação. E fechamos tudo isso com um grande coffee-break que passa a ser servido no momento em que pais, supervisores e professores passam a conversar sobre as questões específicas de cada criança.
    Aos pais que nos prestigiaram ontem com suas presenças, nosso muito obrigado e esperamos que tenha sido tudo agradável e útil para a finalidade que nos propusemos. E vamos seguir adiante com os nossos Serões, que mais do que uma “hora extra” são uma “hora especial” na vida de todos nós.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

As raízes do Bullying



Ninguém é preconceituoso... ou pelo menos não diz isso em público. É sabido que preconceito é coisa velada e talvez seja por esse motivo que achamos que não o temos ou ainda que a grande maioria não seja preconceituosa. Existem as leis que proíbem e hoje criou-se também a condição do politicamente correto, patrulhando de maneira intensiva as manifestações contrárias ao que se convencionou como certo para a vida em sociedade. No entanto, o íntimo de cada pessoa pode esconder uma rejeição a determinado tipo de comportamento, e aí a lei não pega.  Mas o comportamento permanece, mesmo que não manifesto de maneira ostensiva.
Os preconceitos são transmitidos às crianças, e elas, até os 4/5 anos de idade, vão formando sua concepção do mundo com base neles. Não conseguem ainda discutir a questão, mas pelo reforço que é dado no dia a dia pela família, vão acreditando cada vez mais firmemente que opiniões preconceituosas fornecidas são as opiniões corretas. Quantas vezes você já viu uma família, em tom de brincadeira, falar de preconceitos graves sem saber que estão formando, em suas crianças, verdades absolutas.
Já dissemos em outros artigos, e repetimos aqui para que isso fique muito claro, que a MORAL é desenvolvida, ou seja, não há um padrão pré-estabelecido que venha no DNA de seu filho ou filha. Assim como treinamos as crianças, inadvertidamente muitas vezes, a serem preconceituosas, podemos educá-las para não terem preconceitos. Adultos preconceituosos podem ser controlados, mas não vão mudar suas opiniões. Já as crianças podem não desenvolver preconceitos, se os pais e educadores tiverem em mente que não expondo as mesmas a valores distorcidos, estarão preparando cidadãos para um futuro livre dessas mazelas. Nos adultos, os preconceitos são muitas vezes camuflados e, são esses mesmos preconceitos que, quando vem à tona, dão origem ao tão falado bullying. E o bullying acontece sempre tomando por base um preconceito. Observe algumas das causas: gordo, alto, feio, tímido, baixo, voz fina, etc. São sempre valores diferentes daqueles estabelecidos por uma sociedade que preconiza modelos ideais. Essa é a razão pela qual o bullying não está centrado apenas nas escolas. Ele está presente em qualquer lugar que congregue pessoas, como condomínios, locais de trabalho, etc.  Entre os adultos, muitas vezes são tomados como “brincadeiras” – de mau gosto, mas apenas “brincadeiras”.  Com os jovens, que ainda não são muito bons em dissimulação, soa mais como violência mesmo.
Embora seja um fenômeno mundial, o bullying tem características próprias em cada país. No Brasil, ocorre dento da sala de aula, enquanto em outros países acontece nos corredores  e em pátios, fora das vistas dos professores. É claro que por acontecer fora de aula não é justificável que fique fora do controle dos educadores, mas no Brasil a coisa é feita sob as vistas dos mesmos, e parece que os mestres não vêem isso acontecer. Como pode ser isso? Só encontro resposta na hipótese de que, como eles não sabem lidar com o assunto e não o consideram como obrigação sua ... ignoram qualquer ocorrência desse tipo. Consideram-se transmissores de conhecimento e nada mais. Não estão ligados aos seus alunos por vínculos outros que não sejam os formais, impostos pelo sistema. Isso não é Educar. É preciso que sejam treinados, tanto quanto os pais, para identificar agredidos e agressores, agindo antes que a situação assuma proporções incontroláveis, como temos visto nesses últimos tempos.

Um exemplo de como observar e agir pode gerar excelentes resultados aconteceu na Noruega, nos anos 1980, quando foi identificado um alto índice de suicídios entre crianças que haviam sofrido bullying. Uma séria de ações integradas em um programa foram levadas a cabo, e esses índices caíram certa de 50%, segundo fontes do governo daquele país.
Onde houver gente reunida, haverá preconceito, e potencialmente o bullying. Isso se dá porque as pessoas não conseguem, em muitos casos, conviver com as diferenças naturais existentes na sociedade. Quando mais globalizamos, eliminando as barreiras de comunicação, maior a proximidade de múltiplas formas de viver, agir e pensar e todos ficam cada vez mais próximos, o que cria enormes dificuldades para aqueles que têm preconceitos.  Preconceituosos são pessoas que tiveram seu desenvolvimento compartimentalizado, e podem ter tido uma certa evolução cognitiva, mas tiveram seu desenvolvimento moral congelado. Preconceitos são modelos rígidos que se repetem. Não existe nenhuma flexibilidade no preconceito.
Existe uma maneira de trabalhar os preconceitos? Sim, existe. A forma mais efetiva é trabalhar com as crianças em Dinâmica de Grupo, colocando todas em contato com todas, através de técnicas estruturadas, quando elas vão descobrindo seus colegas sem nenhum tipo de distinção. Ali elas tomam consciência que não importa a cor, tipo, religião, sexo e isso abre possibilidades inúmeras. Surge então a colaboração e todos podem ajudar a todos.
Uma coisa que sempre preocupa é o fato de que as famílias de vítimas de bullying não notam que as crianças tem preconceitos, e isso se explica facilmente pelo fato de que ambos, crianças e pais, comungam os mesmos valores. Os pais, inadvertidamente ou não, passaram para seus filhos os preconceitos que eles carregam e entendem que isso é normal, porque é a base de seus próprios valores.
Como os pais não notam que existe alguma coisa errada se seu filho:
-chega a casa com uniforme rasgado;
-material rasgado, sujo ou faltando;
-nem um amigo telefona ou  convida o filho para sair ou estudar;
-parece triste ou desanimado;
-perde o interesse pelos estudos;
-não quer ir à escola;
-sempre antes de ir a escola esta com dores de cabeça ou de barriga;
-tem falta de apetite;
-tem baixa auto-estima (se acha feio, gordo etc.);
- tem insônia;
-crise de choro sem motivo aparente.
O que será que esta acontecendo com seu filho? Será  que tudo isso parece aos pais uma coisa normal? Não seria nenhum desses fatores um motivo para ir conversar na escola e fazer uma estratégia para resolver o problema que se abate sobre esta criança ou adolescente?
A escola precisa saber para poder providenciar junto com as famílias do agredido e dos agressores uma providencia imediata.
A escola deve começar trabalhando em grupo e discutindo os preconceitos para que as relações melhorem. Deve mostrar que esta sabendo e não concorda com o que esta acontecendo. Tem que ter cuidado para não expor ainda mais o agredido.
A família do agredido pode promover encontros com o controle de adultos entre as crianças e adolescentes para que sejam vistos em outra posição  e a escola pode e deve promover encontro entre as famílias sem a presença das vitimas.
Um programa consistente deve ser desenvolvido para a construção da moral para que os preconceitos diminuam e, por conseguinte o bullying.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Lauro de Oliveira Lima - O Educador como agente de transformação

Roberto Amaral
Estamos fazendo uma série de pesquisas históricas sobre o Professor Lauro de Oliveira Lima, para o lançamento de seu portal na internet esse ano, comemorando seus 90 anos de existência. E naturalmente, vamos esbarrando em depoimentos, trabalhos, teses enfim, uma enorme quantidade de material produzido. Um deles foi o depoimento de Roberto Amaral, ex-Ministro da Ciência e Tecnologia, que escreveu para o Jornal O POVO (CE) e teve republicada a matéria no Jornal da Ciência da SBPC, distribuido por e-mail 3240, em 10 de Abril de 2007.
É um material tão bonito que não pude resistir a vontade de colocá-lo aqui no blog, para o conhecimento de todos. Aqui vai.
Beta
    

Lauro de Oliveira Lima: O educador como agente de transformação, artigo de Roberto Amaral

Por razões ainda à espera de decifração, Lauro, embora teórico e formulador, não seria um acadêmico stricto sensu, pois não privilegiou a Universidade e por ela foi sempre visto como um gauche

Roberto Amaral é professor universitário, é vice-presidente nacional do Partido Socialista Brasileiro, ex-ministro da C&T e autor de diversos livros entre os quais Socialismo, vida, morte e ressurreição (Vozes)]. Artigo publicado em “O Povo”, do Ceará:


A Fortaleza dos anos 50 e meados de 60 era cidade pequena, recatada e medíocre. Sem opinião pública (embora tivesse imprensa), sem vida cultural (o Liceu já decaíra e a Universidade ainda não conquistara seu pódio), política rasteira, sem qualquer fundamentação ideológica, dividida entre o reacionarismo rural do PSD e o reacionarismo urbano da UDN. Debate nenhum. Vida editorial, nenhuma.

Reinavam o provincianismo tacanho e as eleições de 'misses' e 'príncipe dos poetas'. Vida social era a vida dos clubes praianos e os potins de uma crônica mundana que já nascia anacrônica.

O sindicalismo não importunava. O empresariado privado se reduzia a um comércio raquítico, e os governos, de pires na mão em freqüentes rondas pela Corte, dependiam das boas relações de seus chefes com o Catete. Forte era a presença de um Clero conservador, envolvido com a política, com seus Índexes de políticos, de livros e de filmes.

O jornal da arquidiocese indicava, diariamente, os filmes que sem pecado podiam ser vistos e os livros que podiam ser lidos. Vida artística, mínima. Os que teimavam em manter qualquer sorte de atividade criativa estavam à espera da primeira oportunidade que a sorte ensejasse para a aventura do Rio de Janeiro.

Nesta minha cidade já antiga, intelectual era servidor do sistema, funcionário ou não do governo. Mas progresso houvera: o 'Ita' fôra substituído por um DC-3 da Panair...

Foi nesta Fortaleza, pacientada na pasmaceira, que explodiu o gênio inovador de Lauro Oliveira Lima, para depois transferir-se, primeiro para Brasília, onde iria enriquecer a administração de Paulo de Tarso no MEC, e depois, para o Rio, seu exílio persistente, tangido inicialmente pela escuridão de 1964.

Foi nesta Fortaleza das tertúlias que Lauro, dirigindo o então Ginásio Farias Brito (de Ary de Sá Cavalcante e João César), escandalizou a sempre tola classe-média ao abrir uma parada de 7 de Setembro com uma faixa em que se lia: "Não há alunos problema, há pais problema".

Nesta mesma Fortaleza, ainda nesses anos 50, diria para educadores conservadores: "Quando o aluno não aprende é o professor que não soube ensinar".

Falo de um educador cujo papel transformador cresce quando conhecemos o meio em que se construiu, ao contestá-lo. Falo principalmente do homem de ação, o traço distintivo deste intelectual. Falo do pioneiro. Deixo para outros a correta valoração de sua obra escrita.

Deixo para outras reflexões o autor do Escola secundária moderna, obra que revolucionou o ensino em nosso país.

Antes de quase todos os seus contemporâneos entendeu que a chave do futuro estava na educação infantil, e cedo se dedicou (em Fortaleza, primeiro no Farias Brito e depois com o seu Ginásio Agapito dos Santos também formando normalistas, e no Rio de Janeiro com sua Chave do Tamanho) a preparar seus pequenos estudantes para a vida, ensinando-os (e a seus pais na medida do possível) a pensar e, por isso, a criar.

Deixo para outros comentaristas o introdutor de Piaget e sua epistemologia genética no Ceará e no Brasil. Falo de sua pedagogia própria: formar cidadãos inovadores. Essa a sua arte: moldar o futuro, construindo o homem pensante. Eis o que o distingue e sempre me apaixonou.

Por razões ainda à espera de decifração, Lauro, embora teórico e formulador, não seria um acadêmico stricto sensu, pois não privilegiou a Universidade e por ela foi sempre visto como um gauche.

Nada alteraria a sina/saga de todo pioneiro: mexer com o estabelecido, revolver a 'ordem natural das coisas', ensinar com a ação que é sempre possível intervir na realidade, e nada mais profundo que intervir mediante o ensino.

Por isso mesmo, uma de suas mais notáveis salas-de-aula seriam as páginas deste “O Povo”, onde, como Kleber Santos, tornou acessível a toda a gente, faminta de humanismo, a contestação antes adstrita à cátedra, pois nele a cátedra e o curto periodismo seriam apenas formas distintas de lutar pela mesma causa: as mudanças.
(O Povo, Ceará, 10/4)

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Elementar meu caro “Watson”

Você pode achar que estou falando do assistente do Sherlock Holmes, mas na verdade a conversa é sobre esse mais novo supercomputador da IBM, que acaba de ganhar, nos Estados Unidos, de dois candidatos humanos num programa tipo perguntas x respostas. E oha que os humanos ja tinham ganho várias vezes - na verdade 74 vezes seguidas!. Que coisa né!? Mas isso não surpreende mais ninguém. O que eu não entendo é porque ninguém fica surpreso quando vai a uma escola e vê que estão ENSINANDO COISAS a seus filhos. Coisas mesmo!!!

Já devia estar claro que não adianta fazer isso. Enfiar uma quantidade enorme de informações na cabeça de alguém não a torna mais inteligente. E se inteligência fosse acúmulo de informações … os computadores já teriam dominado o mundo, como nos filmes de ficção científica. Estamos falando hoje de armazenamente de terabytes como se fosse batata frita. Outro dia mesmo, num supermercado, vi um garoto discutindo com o pai que queria comprar um computador com 500 GB (Gigabytes) de HD … o menino insistia que menos de 1 TB (Terabyte) era muito pouco. Pouco para quê!!! Mas para a geração que está assumindo a vida digital na sua plenitude, deve ser pouco mesmo, até porque vão utilizar as informações de maneira totalmente diferente do que foi feito até aqui.

Supercomputadores vão “saber” sempre mais do que nós, porque podem armazenar dados em volumes cada vez maiores, mas sempre vão estar aquém de uma coisa que só nós temos: inteligência! Não há hardware nem software que consiga entender uma ironia, ou mesmo as entrelinhas de um diálogo...  No entanto, tem “conteúdos” em doses homéricas para processar … desde que não como nós. E nós, que temos a inteligência, certamente não precisamos armazenar todas as informações do mundo. Precisamos sim é saber o que fazer a partir das informações que dispomos.

Numa competição como a que foi proposta, o supercomputador pode até ficar confuso algumas vezes, errar em algum caso, mas o número de acertos é tão grande que certamente será sempre o vencedor. Mas … não queremos ver nossos filhos com essa capacidade e sim com condições plenas de viver num mundo em transformação, moralmente desenvolvidos, socialmente viáveis e até tecnologicamente capacitados a operar um supercomputador, extraindo deles as informações que precisa. Só não queremos filhos supercomputadores.

Esse é o momento em que devemos entender o que é conhecimento, criatividade e educação. É a hora de estabelecermos qual a melhor escola para a criança. Um local que pretenda forçar a entrada de milhares de bytes de informação na cabeça das crianças não está trabalhando para uma sociedade melhor. Conteúdo não é inteligência. É só conteúdo. E ponto.

A existência de tal tecnologia de armazenamento e processamento, como a apresentada pelo Watson nos leva a ter certeza de que mais do que nunca, os seres humanos vão precisar muito uns dos outros, para criarem um mundo melhor apoiados por processadores sim, mas não fazendo o papel deles.

Beta

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

'Vodca no olho' faz primeira vítima

'Vodca no olho' faz primeira vítima
Universitário imita moda iniciada no YouTube e agora terá de passar por transplante de córnea
Vi num post do Facebook, recentemente, publicado pelo Walter de Mattos Junior, um comentário sobre essa prática autodestrutiva que foi incorporada pelos jovens brasileiros. A matéria foi publicada na revista VEJA, e depois de ler o post, fui entender do que se tratava, tendo isso motivado a matéria a seguir.

O que esta acontecendo com os jovens que querem viver experiências cada vez mais radicais?
O grande problema é a confusão que as pessoas fazem entre os conhecimentos formais adquiridos pelos  jovens e seu desenvolvimento moral. A moral não se desenvolve na mesma linha. Normalmente eles ficam totalmente atrasados no desenvolvimento MORAL,  sendo que é esse o fator crucial para que o jovem tenha capacidade de julgar ações do tipo que estamos discutindo (pingar vodka nos olhos para ficar bêbados mais rapidamente). O fato de o jovem estar cursando a universidade não diz, de forma alguma, que ele atingiu o nível mais alto do desenvolvimento moral. Para que isso aconteça é necessário todo um trabalho voltado  para o conhecimento das regras, análise e construção por parte do individuo. Só chegam ao nível da moral da cooperação através do trabalho de Dinâmica de Grupo. O processo é lento e organizado, devendo o jovem aprender a trabalhar com os companheiros julgando suas ações e a dos outros.
A moral tem três grandes fases: a inicial é a Anomia, quando as crianças (de 1 ano ate 2/3 anos) não entendem que existem regras que todos devem seguir. No momento seguinte eles entram na Heteronomia, onde todas as ordens vem de fora e  eles entendem que existem as regras, mas alguém deve controlar seu cumprimento (2/3/4 ate 7/8/9 anos). Observa-se que algumas pessoas ficam paralisadas nesta fase para o resto de suas vidas. Aqui fica o perigo de não se desenvolver o período seguinte. Se o jovem tem que ter o controle de fora (família, escola/professores, chefes) fica difícil ele decidir por um ou outro. Ele estará sempre esperando que digam o que deve fazer. O que é certo e o que é errado.  Como pode um jovem nessas condições estar numa universidade, dirigir um carro, ter dinheiro, chefiar um trabalho? São situações que todos enfrentam, mas sem ter atingido um nível de moral mais elevado (autonomia) ficam sem a menor condição de atuar de forma objetiva e coerente. Na heteronomia, ele recebe as ordens de fora para dentro e as cumpre se tiver alguém determinando. Caso não haja quem ordene, há o risco de o indivíduo cair na anomia. Não podemos esquecer as pessoas que fazem coisas absurdas a titulo de estarem cumprindo ORDENS. Não notam que as ordens, se forem absurdas, devem ser discutidas e não cumpridas se infringirem as leis maiores. Só as crianças seguem as regras de olhos fechados até este período, por acharem que os adultos que as fizeram sabem tudo melhor que elas. Logo que descobrem a fragilidade dos adultos e a possibilidade de erro,  passam a querer discuti-las e ate de não cumpri-las. A moral heteronomica é “dente por dente - olho por olho”. Tudo que é feito com relação a ele deve ser retribuído na mesma moeda. Daí ter surgido a expressão  “pagar na mesma moeda”. Veja você então o perigo que correm esses jovens quando soltos em uma cidade onde é fácil chegar ate a violência. Se ele tem este comportamento de vingança não pode fazer um julgamento justo da ação. E isso acarreta problemas enormes para a própria sociedade que o criou, porque tem como retorno a possibilidade de conflito quase inevitável.
As crianças, alem de aprenderem as regras, vão evoluindo até o momento de aprederem o chamado  julgamento moral,  que é muito complexo e deve ser trabalhado para que seja incorporado a ação geral do sujeito. Os jovens que não se desenvolvem em grupo acabam formando um bando e não um grupo, agindo sempre no nível mais baixo possível.
 A  3ª. Fase é a da Moral da Cooperação, que se caracteriza pela Autonomia. O individuo  entende que pode e deve fazer as regras que devem ser seguidas por todos. Neste período está apto a participar totalmente da sociedade e compreende a constituição de seu país, por exemplo. Sabe conviver em sociedade, condomínio, escola, respeita regras do trânsito entre outras. Imagine um sujeito com a moral do dever dirigindo seu carro (ou qualquer outro veículo!). Ele, a todo momento, se pergunta qual o motivo por que deve obedecer aos sinais de transito. Pergunta: “se não vem ninguém, porque não posso passar? Ninguém esta vendo, não tem um guarda, porque não prosseguir?” Isso explica os acidentes que  ocorrem por imprudência, por exemplo, e que podem ser atribuídos em grande parte ao nível de desenvolvimento moral dos condutores. Todos podem tirar a carteira se passam nos exames simplórios feitos pelos órgãos responsáveis. Ninguém ainda atentou para o nível de desenvolvimento moral, que é o fator que transforma “seu carro em uma arma”.
As bebidas alcoólicas são vendidas com a apresentação de carteira de identidade pelo comprador, comprovando que é “maior de idade” - isso quando é pedida - mas ninguém saberia dizer se aquela pessoa realmente tem responsabilidade para estar bebendo. Esta “brincadeira” com a vodca prova que não. E vejam que mesmo os conhecimentos formais que são atribuídos a esses jovens são muito poucos, pois eles fizeram o ensino médio e já estão na Universidade, condição que permitiria avaliar o grau de imbecilidade de uma atitude como essa. Qual será a biologia que eles estudaram? E a química? Será que estudaram ou decoraram alguns nomes e formulas para passar no vestibular? Será que estas questões não chamam a atenção de nossos educadores, administradores escolares, políticos e dirigentes? Estes jovens não estão sabendo NADA. Vamos mudar o paradigma e ensinar inteligência em vez de ensinar conteúdos. Todas estas questões que aparecem na grande mídia nos fazem ver que nossa educação está lastimável, já que estes jovens devem ter estudado no ensino privado que é tido como melhor do que do que o público. Podemos então concluir que está tudo muito ruim. Estão todos preocupados com uma corrida que já esta perdida antes da largada.
Ou mudamos a forma de encarar a educação ou vamos lastimar ainda muitos acontecimentos em nossa sociedade.
Beta