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segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

ÉTICA



Nossa sociedade está doente a olhos vistos. A educação está tão atrasada que ficamos vendo acontecimentos morais da mais baixa qualidade. A moral do dever (dente por dente, olho por olho– 7/8 anos de idade mental) é a tônica social. Muitos adultos agem e respondem às situações como crianças. Temos que melhorar a educação para melhorar a sociedade. A escola continua na inércia e isso é o retrato do nosso país. Se a sociedade é desonesta é natural que a escola também o seja porque ela é o seu reflexo direto. Nossa escola é desonesta. As notas, a frequência, os conteúdos, tudo é uma total abstração. Realmente ninguém pode acreditar no que e feito ali. Alunos acabam o ensino médio sem saber ler e escrever. Como isso pode ter acontecido? Como ele passou ano, após ano? Foi tudo uma fraude e os professores, diretores, alunos e a família compactuaram com as mentiras. Ninguém denuncia por achar que estão levando vantagem. O aluno não aprendeu, o professor não ensinou e recebeu seu salário todos os meses. Isso é honesto?
Os professores em nossas escolas continuam dando aulas nos quadros achando que isso vai influenciar seus alunos e mudar o nível da educação. Isso vem acontecendo há longos anos e a escola continua em vez de formar deformando os seus alunos. Os alunos fazem as provas e nada sabem e continuam? Quem autoriza? Veja que é um sistema todo combinado.
A ética e a moral continuam sendo artigo de luxo em nossas escolas. Os professores não conseguem ensinar porque não sabem como se deve fazer e as vezes não acreditam. Um professor que falta, embroma a aula fazendo chamada de 50 alunos quando tem 50’ de aula não poderá falar em ética para esses alunos.
Um professor que usa a prova para coagir seus alunos e mantê-los quietos e dentro da sala também não pode falar em moral.
O discurso de nossas escolas nada tem a ver com a sua prática. O discurso “Formar cidadãos   conscientes” alguém acredita? Não é possível, vemos que nossa população não tem a menor consciência social. O que está acontecendo? Dizem uma coisa e realizam outra. O que acontece é que se dão conteúdos básicos e mínimos. Não temos, em nosso sistema, respeito pelos alunos e as suas famílias. O sistema é perverso e é nele que as crianças e jovens passam a maior parte de seu tempo.
Nossa escola é um retrato do país, logo ele não mudará. Precisamos dar um choque educacional para que depois da mudança educacional tenhamos uma mudança estrutural na sociedade.
A sociedade depende da Escola.

sábado, 27 de outubro de 2012

Gênio ??? É melhor procurar na garrafa.

A humanidade sempre se impressiona com pessoas que tem um diferencial marcante do ponto de vista intelectual, rotulando-as como gênios. Nos nossos tempos, a mídia vem buscando exemplos disso e fazendo grande alarde sempre que encontra alguém com essas características. Gênios existem na vida real ou são apenas encontrados em garrafas? Um modelo que chama a atenção é o fato de que, nas Olimpíadas de Matemática, observadores ficam atentos a alguns dos jovens que participam e dão o título de gênios àqueles que resolvem alguns dos problemas propostos pela instituição organizadora – que tem a missão de propô-los durante o evento. Há alguém que acredite que esses jovens tem algum diferencial? A resposta é sim, milhares ... e isso é lastimável.

Piaget, grande epistemólogo suíço (estudioso do conhecimento) sempre disse que gênios não existem. Esses jovens tem o mesmo desenvolvimento de milhares de outros, mas foram treinados para apresentar resultados. Fica a pergunta: o que queremos realmente do desenvolvimento humano? Como é a vida desses jovens? É a vida que consideramos integral ou apenas o resultado da aplicação do lema “pratique, pratique, pratique”. O resultado final é o de um treinamento massacrante e não um desenvolvimento completo. Os problemas a que são expostos não trazem criatividade, mas apenas memória.
Os grandes campeões dessas maratonas têm sido os orientais, mestres nos treinamentos, que trabalham com reforço da disciplina, manutenção do foco, repetição que leve à “perfeição” na hora de executar um modelo de trabalho.  Mas será que expostos a tudo isso, esses jovens se tornam capazes de resolver problemas da vida diária? É um teste decisivo verificar como se comportam em sociedade, saem em busca de experiências, se tem amigos. Não sei como vivem, mas posso supor que vivem em função de apresentar resultados esperados por quem os treina.
Importante levar em consideração, quando analisamos a situação como um todo, é que a matemática e a vida não são “fórmulas” ou “problemas fechados”, e isso é uma verdade cada vez mais reconhecida, num mundo em transformação. Houve um tempo em que o contexto permitia excelência na repetição de um problema, de tal forma que experiência era o resultado de vinte anos de repetição. Mas numa sociedade que acorda de manhã e já não tem certeza de que o que valia ontem a noite ainda é válido... sem criatividade, flexibilidade, capacidade de adaptação fica muito difícil de tocar adiante. Classificar, seriar e ordenar são fundamentos da matemática que vão refletir na vida das crianças e jovens. Como será que esses meninos entendem Ética e Moral? Isso seria muito interessante de investigar, porque teríamos uma dimensão do desenvolvimento global desses jovens Não existem gênios “compartimentalizados”, e acredito que TODAS as crianças podem ser rotuladas como “gênios”.
No caso da mídia, fica a necessidade de criar um fato “especial” numa matéria, quando pegam um desses meninos e pedem demonstrações de habilidade matemática. Acho que se sentem confortáveis, mostrando uma educação antiga, onde saber coisas era mais importante do que saber utilizar os conhecimentos aprendidos. Temos que ensinar os meninos a aprender, sempre. Ensinar a viver em sociedade. E até deixar claro que ter um conhecimento grande sobre alguma coisa e não compartilhar com os outros é totalmente irrelevante do ponto de vista do desenvolvimento do mundo em que vivemos. Se todo esse esforço é feito somente para ganhar uma medalha, fica a pergunta: e daí?

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

O modelo dos pais e suas implicações nos filhos

Durante muito tempo os pais foram o modelo para seus filhos. Este fato continua ocorrendo ate o período das operações concretas 6/7/8 anos.  Depois deste período surge, na pré-adolescência e adolescência a desconfiança  de que estes não sejam, realmente, um modelo. Não sabemos qual o percentual dos pais que estão preocupados em serem modelos para seus filhos ou se estão simplesmente vivendo e deixando o tempo passar.

Lendo recentemente material sobre filhos de pessoas famosas e bilionárias,  vemos padrões bem diferenciados entre os nossos bilionários  e os bilionários da América do Norte. Os nossos cuidam de seus filhos mostrando que eles têm o dinheiro e não os ensinam a cuidar de ter o seu próprio. Deixam que eles gastem sem a dimensão de que um dia esse dinheiro pode e vai acabar. Quase sempre estão  preocupados em estar na mídia,  fazendo sensacionalismo com suas gastanças. Qual será o problema? Temos vários pontos de vista. Em primeiro lugar, a nossa legislação de herança. Depois, a nossa legislação quanto a filantropia. Não temos esta cultura e os filhos acham obrigação de seus pais deixarem para eles o que foi  acumulado. O capitalismo levado ao mais alto grau. Em outros países, em que as pessoas podem dispor livremente de seu dinheiro acumulado, os filhos não ficam esperando suas heranças porque essa pode não vir e, caso venha,  pode ser bem menor do que o esperado.
Vemos que muitos bilionários, mundo afora, criam fundações e instituições de filantropia para desenvolverem projetos arrojados. No Brasil ainda não temos esta cultura. Não vemos em nosso povo a idéia de que seus filhos devem estudar e fazer sua carreira independente da fortuna de seus pais.
Os pais não transmitem a seus filhos a idéia de trabalho e cultura. Vemos as crianças recebendo mesadas sem o menor esforço e sem desempenhar nenhuma função. Será  que a família pensa que um dia eles vão aprender que ganharam dinheiro com esforço? Só se aprende fazendo. Logo, não temos que remunerar o ócio das crianças. As crianças  deve “receber” para fazer tarefas que sejam designadas para elas. Entender a troca de trabalho ou brincadeiras pela remuneração. Você poderá remunerar por um jogo, leitura, tarefa (colocar mesa, arrumar a cama, guardar os brinquedos, etc...), mas essa remuneração devera sempre estar ligada a “fazer algo”.
Não encha  seu filhos de  objetos  (brinquedos, jogos, eletrônicos) aleatoriamente: tudo deve ser uma conquista. Na vida é assim, e só quando a criança vivencia é que aprende. Sempre que ela ganhar um brinquedo, tire um que estava em uso. Ela deve aprender a doar a outras crianças que não tem oportunidade. É importante, para o desenvolvimento da moral, aprender a doar. Quando ele não faz esforço para conseguir alguma coisa,  não aprende a valorizar o que conseguiu. Quando você reclama que a criança quebra todos os seus brinquedos, sempre  esquece de observar que ela tem muitos e não valoriza  nem espera por algo que gostaria de ter. Não faça dos objetos (brinquedos) o seu afeto. Não troque com a criança. Ela faz algo e você dá um presente. Os presentes devem ter um motivo forte, sendo dado em datas determinadas. São os rituais que as crianças esperam e vão ficar felizes com a espera. Se você presenteia por tudo, o presente perde o valor. Do mesmo jeito, não castigue tirando os brinquedos, computador ou televisão. São elementos ou recursos finais para quem não conseguiu que suas ordens fossem obedecidas. As crianças devem obedecer porque a ordem veio dos pais. Ou de  autoridades (professores, tios, padrinhos, avós ). O desenvolvimento da moral caracteriza-se pela obediência de regras. É o longo período da heteronomia (regras vem de fora),  sendo que só pelos 10/11/12 anos, as crianças  vão começar a discutir e tentar modificar as regras, mas nunca ficar sem regras.
Se você deseja ser um modelo para seus filhos, examine rigorosamente seus comportamentos para que depois não fique perguntando: “onde foi que eu errei ???”.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Mãe ... uma mulher, mil papéis, muitas condições


Lendo, na revista VEJA (Edição 2226, de 20 de julho de 2011), a entrevista da filósofa francesa Elisabeth Batinder, que tratava do tema O MITO DE SER MÃE, gostei da abordagem e resolvi fazer algumas observações à luz das teorias de Jean Piaget.
Uma das colocações foi a de que: “O pensamento predominante no século XXI e de que há nobreza na dor do parto e que a boa mãe é sempre aquela que sofre”
   Esse é um preconceito que perdurou durante séculos, foi suplantado pela percepção de novos valores e principalmente pelo desenvolvimento da ciência – particularmente a médica – mas mesmo tendo se instaurada uma concepção de que esse sofrimento não levava a nada ... continua tendo adeptos até os dias de hoje, em pleno século XXI. Deve haver alguma relação com as práticas medievais, que  preconizavam o flagelo da carne como  prova de fé. O que em certo momento era obrigatório e sem opção, passou a ser encarado como desejável – por preconceito contra as mulheres – e a Igreja estimulou essa dor como ligação com o divino. Condição que as mulheres tinham que suportar por ... serem mulheres.
O dilema da maternidade é muito discutido e quer parecer que a mulher se santifica ao ter um filho. Temos que ter a coragem de dizer com todas as letras que tudo isso é um processo biológico necessário a continuidade da espécie e não um ato sobrenatural. A mãe pode não corresponder aos padrões que a sociedade quer dela. Esta senhora acaba de lançar um livro “O conflito: a Mulher e a Mãe” onde ela se manifesta de forma bastante polemica, conseguindo despertar a ira de feministas, ecologistas e acadêmicos. Ela vem tentando desconstruir o mito da mãe perfeita. Bate de frente com alguns dos dogmas e preconceitos que se colocam contra as cesarianas e chegam a glorificar o parto, até sem anestesia,  justificando o ato de sacrifício desde o primeiro ato (nascimento). A  evolução dos processos médicos   não é levada em  consideração.  Temos hoje métodos que conseguem proporcionar a maternidade com a maior tranqüilidade e, enquanto isso, ficam alguns grupos exigindo que as mulheres não façam estas opções, baseado que o sofrimento é necessário para  qualificá-la  como mãe.
Certas feministas politizam a maternidade e acabam exercendo uma enorme pressão sobre as mães para que busquem a perfeição. Estão contribuindo com isso para que elas regressem ao lar – um atraso”
Um grande equivoco, baseado na quantidade e não na qualidade do tempo que a mãe dispõe para seus filhos. Todos os adultos que tenham contato com as crianças devem ajudar na criação. Mesmo nas sociedades mais primitivas, como as indígenas, todos são responsáveis pelos filhos da tribo.
As mães brasileiras são as mais protetoras, cuidam dos filhotes até idade avançada. Os filhos não saem mais de suas casas para formarem as novas famílias e tratam sua família de origem como a definitiva. O sacrifício das mães é visto como natural em nossa sociedade, mantendo os filhos como verdadeiros “reizinhos” que tudo podem e tudo querem.
Muitas mulheres que não querem ter filhos são forçadas, pela sociedade, e tornam-se mães impacientes, frustradas  e medíocres citando Elisabeth Badinter. Isso acontece por causa dos mitos que levam a dizer que a mulher só se torna realizada com a maternidade. Falso.
Os movimentos feministas talvez tenham oprimido mais a mulher. Temos que deixá-la em liberdade para que possa tomar decisões,  muitas vezes tão importantes como essa de ter ou não filhos.
Temos então o problema de mulheres que, não tendo feito a opção pela maternidade, vivem o constrangimento de ter uma prole para agradar a sociedade ou seu companheiro ou marido.
Ser mãe não e uma extensão natural da natureza feminina. Todas as características atribuídas às mães podem estar nos pais também, depende da sociedade onde se desenvolvem. Carinho, ternura e compaixão devem aparecer em todas as criaturas humanas. As mulheres com alto nível de escolaridade, de acordo com Elisabeth Badinter, estão optando por não ter filhos já que estão muito engajadas no mercado de trabalho e o tempo exigido para a maternidade não cabe em seus compromissos.
Entre os preconceitos, vão surgindo alguns que são complexos. Por exemplo, mães que tem a intenção de adotar crianças, mas se recusam a assumir determinadas ofertas para adoção por considerarem que vem com uma carga sociológica pré-existente. As crianças serão aquilo que você vai construir e não o resultado de qualquer conjugação de fatores anteriores. Filho de peixe ... peixinho é... não é verdade para o ser humano.Ser uma boa mãe é manter eqüidistante seus desejos e os desejos de seus filhos, vivendo sua vida sua filha e deixando seus filhos viverem e se desenvolverem sem serem sufocados pela grande MÃE. Mães que oferecem uma dedicação  incondicional, baseada numa interpretação equivocada da psicanálise, conseguem efeitos desastrosos para seus filhos.
Embora até hoje estejamos vendo, como no Século XVIII, a proposta da família baseada no amor materno como preconizada por Rousseau, o fato é que a sociedade mudou muito. Em verdade, todos devem participar da criação das criança, tendo a escola hoje um papel fundamental.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

RECUPERAR É MAIS DO QUE EMPURRAR PARA FRENTE

Somos uma nação criativa, disso não temos a menor dúvida. Mas criatividade, quando utilizada para fazer coisas boas dá resultados maravilhosos, e o contrário também é verdadeiro. Quando mal utilizada, a criatividade é uma arma terrível.  Temos exemplos disso o tempo todo, e um deles é o assunto que quero tratar.
Trata-se da “Recuperação”, que surgiu para que as crianças recebessem uma revisão de tudo que havia sido “dado” e as crianças não tinha “recebido”. Mas nas escolas em geral virou prova de 2ª. chamada para dar as notas que os alunos precisavam para passar.

Numa escola piagetiana, qual a maneira de lidar com isso? Lidamos com a construção do conhecimento através do desenvolvimento da inteligência. Nesse ponto de vista, uma criança que tenha se saído bem em uma prova não necessariamente desenvolveu as estruturas necessárias para continuar seu desenvolvimento. Estamos atentos, portanto, ao desenvolvimento das estruturas cognitivas, e não somente a quantidade de conteúdo que o aluno tenha “absorvido”. Por exemplo: numa prova temos questões somente de conteúdos e muitas de estruturas cognitivas. Se a criança responde bem às que ela pode decorar e não se sai bem naquelas que identificam a  construção dessas estruturas cognitivas, é evidente para nós que a necessidade de retomar com ela aquelas questões.

Esta atividade não significa um castigo e sim um privilegio de rever com tranqüilidade o processo, identificando onde estão as possíveis falhas no desenvolvimento cognitivo.

No entanto, o que vemos é que o conceito mudou nas escolas em geral. E para que não haja confusão, vamos mudar esse nome para não acompanharmos um conceito errado. Não queremos que a criança associe o termo “recuperação”, aplicado em condição plena na Chave do Tamanho, como uma maneira de produzir nota para “passar de ano”. Não existe promoção por exposição de conteúdo, tão somente. Evolui-se na medida em que as estruturas cognitivas evoluam e possam entender o mundo no nível de percepção máximo para aquela fase do desenvolvimento mental. O resto é paródia.

 Fiquem atentos para o desenvolvimento global de seus filhos. Não deixem que eles se especializem. É muito importante que as crianças gostem das matérias em geral, de dançar, de musica, de artes. Todas estas atividades são muito importantes para que aconteça o desenvolvimento cognitivo.

A reversibilidade, que deve surgir os 7/8 anos, muitas vezes se atrasa porque a criança não dança. As danças coletivas exigem muito da reversibilidade das crianças (ver o ponto de vista do outro). Imaginem que este conceito seguirá pela vida afora de seus filhos, e será importante. Aliás, cada vez mais importante para o sucesso pessoal e profissional deles. Ninguém mais trabalha sozinho. Vamos todos estar em Dinâmica de Grupo permanente.

Estimulem seus filhos a fazerem esta revisão que não apenas de conteúdos, mas também de estruturas concretas e abstratas. Se uma crianças esta com uma defasagem no período concreto, terá enormes dificuldades de entrar no período das abstrações (11/12/13 anos). Muitos adultos não conseguem todas as estruturas abstratas e passam o resto de suas vidas trabalhando apenas com algumas. É o que Piaget chamou de compartimentalização, e que hoje os departamentos de recursos humanos identificam como ausência de competências – acarretando muitas vezes no insucesso para obtenção de empregos bem remunerados. O nosso grande esforço é tentar desenvolver todas as estruturas sem deixar lacunas. Sabemos que muitas pessoas ainda não compreendem totalmente o que significa isso, já que todo o sistema educacional de nosso país esta voltado para exames que não medem as estruturas no geral. Privilegiam os conceitos decorados, e é isso que vem atrasando o processo de desenvolvimento educacional frente ao mundo desenvolvido. Estamos no final em todas as listas de desenvolvimento e apenas na frente de alguns países africanos com um índice de pobreza chocante. Como se justifica uma economia tão desenvolvida com uma educação tão atrasada? Ficaremos para trás, não tenham duvidas. Já estamos contratando executivos da Europa e EUA por não temos, em nosso país, quem ocupe determinados cargos.

Educação é um produto muito estranho, porque embora seja vital e estratégico, parece que existe somente para cumprir um ritual. As pessoas pagam, mas não querem levar. Jamais você faria uma compra no supermercado e deixaria tudo no carrinho, depois de pagar. Com educação acontece isso. As famílias ficam revoltadas se a escola tentar dar mais do que havia se comprometido. Veja, estou dizendo oferecer MAIS!!!

É claro que a vida das famílias é organizada pelas prioridades e tempos dos adultos. E os adultos, em geral, vivem num mundo de comportamentos típicos da Era Industrial quando deveriam estabelecer prioridades a partir de valores da Era da Informação ou da Era da Biotecnologia. Valoriza-se muito ainda o conceito de “linha de produção”, com tempos e movimentos bem demarcados, para que as coisas acontecem com uma previsibilidade absoluta. Mas isso acabou. Caros e queridos pais: isso não está acontecendo nem na sua vida nem na de seus pares! O trabalho mudou, as relações mudaram, o mundo virou de cabeça para baixo... e não podemos viver na ficção do passado. Existe uma maneira de educar para o futuro, para o mundo em que nossos filhos vão viver. Um mundo dinâmico, instável e evolutivo, com desafios permanentes e demandas ainda não imaginadas. Não vamos mandá-los para esse mundo portando apenas um boletim de notas azuis, porque isso não vai ter o menor valor. Vamos encaminhá-los preparados para uma situação de “abertura para todos os possíveis”, porque isso sim irá garantir a sobrevivência deles.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

O IMPONDERÁVEL THOR

Se há uma tendência natural de mentes em formação seguirem exemplos, estamos com sérios problemas. Durante uma semana, ouvi jovens achando formidável uma pessoa na mesma faixa etária ter a possibilidade de ir para São Paulo, num avião próprio, participar de uma festa e voltar para dormir em casa. Mesmo sem ler um único livro até o final, copiando resumos na internet para fazer as provas da escola, pode gastar em uma noite algo como 6 mil reais, que considera uma quantia modesta perto de valores como 60 mil gastos por alguns amigos numa farra. Ou ainda comentar sobre a satisfação que tem com seu corpo, que quando não está absolutamente adequado ao que ele considera perfeito, impede qualquer ação intelectual (sic) de sua parte.
    O grave nisso tudo é que, provavelmente, toda essa badalação em torno da figura de Thor de Oliveira Fuhrken Batista , primogênito do homem que ocupa a oitava posição entre os mais ricos do mundo, não passe de uma grande promoção feita para apoiar o lançamento de sua boate Pacha, que será inaugurada em outubro, na Gávea (RJ), ao custo de 11,5 milhões de reais.
    O fato é que, se nada há de errado em um país ter milionários desse porte, ainda assim, nas palavras da própria revista, a situação é absolutamente inusitada. Imponderável mesmo. Segundo o texto, “O universo por onde Thor gravita é, de fato, um mundo paralelo, onde a lógica tradicional se encontra em suspenso. Sua estréia à frente dos negócios acontece antes mesmo de ele ter concluído o curso superior – a matrícula do primeiro ano de economia do IBMEC foi trancada porque ele achou o ritmo muito puxado”. Ou ainda, mais adiante: “Ler, definitivamente, não está entre suas preferências. Gosta apenas de textos sobre carros e fisiculturismo”.
    É nesse mundo paralelo que vive o Imponderável Thor. Apenas para lembrar, imponderável é “aquilo que não tem peso considerável”, ou seja, o que é indigno de ponderação. E é por esse caminho que vemos outros tantos jovens ávidos por uma chance de repetir o modelo, sem as obrigações intelectuais que elevariam sua condição humana e social, tentando encontrar o atalho para os grandes prazeres, eliminando a necessidade dos sacrifícios que poderiam levar a isso.
    O que impressiona é uma revista como a VEJA/RIO, de grande circulação e impacto, tratar do assunto em seis páginas. O conteúdo é tão pífio e a extensão tão grande que realmente tudo leva a pensar numa bem orquestrada ação de marketing, elaborada por profissionais pagos a peso de ouro e com um investimento projetado na casa do milhão de reais. Não há qualquer outro motivo para uma matéria dessas assumir tão grande proporção. E devemos agradecer aos deuses do reino de Asgard, das lendas escandinavas, que não tenha sido veiculado na primeira página da revista principal.
    Bem, o fato é que ser o filho do homem mais rico do Brasil não o credencia como o bom exemplo que deva ser seguido por jovens. E ainda é preciso ver que embora a revista pretenda passar a imagem de que tudo dá certo na vida dele, não é assim que a coisa transcorre. Embora ter todo esse dinheiro possibilite a ele ser capa de revistas de grande circulação, falando de seus músculos e de seus tratamentos de beleza, isso não o credencia para ser um ícone aproveitável. Com 45 centímetros de bíceps, tudo o que se pode dizer é que ele provavelmente é fisicamente forte... mas e a inteligência desse rapaz? A quantas anda?
    Deve haver alguma coisa errada com quem, nessa idade, nunca leu um livro até o final. Não deve ser transformado em modelo uma pessoa que, sem maiores esforços, consegue gastar em uma noite o que a maioria dos brasileiros ganha em um trimestre ... e ainda acha pouco – segundo sua ótica, existem pessoas muito mais esbanjadoras do que ele. Onde estão os predicados morais desse jovem? O que passa pela cabeça dele, além daquilo que a reportagem diz? Alguém está preocupado com isso?
    A MORAL deveria ser uma coisa bem desenvolvida na idade dele, mas não existem sinais disso em seu discurso – ou no discurso montado para ele. Quando diz que é muito econômico nas suas noitadas, parece um disparate frente a realidade do país em que vive, mas isso não é salientado. Frente ao salário mínimo do país, é um total despautério sua colocação de que “a gente tem uma vida de luxo sim, mas não esbanjo dinheiro”.  Onde estão seu pai e sua mãe numa hora dessas, para informar a seu filho de que nesse Brasil enorme, existem pessoas que vivem na miséria mais absoluta, e tão excluídos que o Governo Federal está agora querendo montar um mutirão para saber onde estão! São pessoas que escapam a qualquer nível de controle social porque nascem, crescem, vivem e morrem sem uma certidão de nascimento, sem um registro, sem nada. Brasileiros que vivem em regiões tão remotas que não contam com qualquer assistência mínima. Consciência leva a melhoria do nível de moral, mas não é o caso. Assim, mesmo que de forma cosmética, não há menção de um trabalho social no seu discurso, e isso seria uma dádiva para um país que precisa tanto de distribuição de renda e de ações altamente eficazes no âmbito da responsabilidade sócio-ambiental.
    Uma bofetada no sistema escolar é saber que uma pessoa tão rica e com tanto poder na mão, pode ter passado por ele sem nunca ter lido um livro. E que se valeu do sistema supletivo para concluir aquilo que demanda anos de esforço para o comum dos mortais. Como é que ele chegou ao primeiro ano de Economia? Claro que ele deve ter achado muito puxado fazer o primeiro ano de faculdade, e por isso trancou a matrícula. Mas a lição que fica é a de que, tendo dinheiro, o sujeito “ou vai ou vai”, e que a falta de estudos não faz a menor diferença para ele nem para os seus pares ou mesmo seus pais. O fato é que não é possível um indivíduo ter chegado a universidade sem nunca ter lido um livro. Em um esquema educacional responsável, isso seria impossível.
    A situação é de um nonsense tão absoluto que os comentários ficam vazios. Comentar o nada, é o mesmo que enfrentar o vento. O perigo do vento é que, quando ele é muito poderoso, provoca destruição sem tamanho. O contrário também é verdade, ou seja, se o vento for forte, tiver direção e constância, pode empurrar navios por distâncias consideráveis, como aconteceu com os barcos vikings que, em determinada época, dominaram o mundo conhecido e descobriram novas terras e riquezas. É lastimável que o detentor do nome de um poderoso deus da mitologia daquele povo não use seu “martelo” para abrir caminho para o seu povo. Mas como culpá-lo? Ele é  o resultado de sua educação.
    Sem sombra de dúvida, existe um mercado de luxo para pessoas que ultrapassaram aquele ponto mágico dos bilhões em suas contas bancárias, e que esse mercado se alimenta do imaginário das pessoas comuns que veneram o poder oriundo dessa condição. É fato que apenas a ponta do topo da pirâmide social ali se encontra, minguados milhares de brasileiros que podem se dar ao luxo de comprar um carro de um milhão de dólares, uma aliança de 30 mil reais, um relógio de 50 mil reais ou coisas assim. O que não se pode é tornar uma pessoa sem qualquer formação consistente num ídolo para seus pares que estão na juventude, formando seu caráter e tomando como base o fato de que, mesmo não estudando, é possível ser feliz. No mundo para o qual estamos caminhando em velocidade crescente, nada mais falso do que isso. Salvo para os deuses de Asgard, como o Imponderável Thor.

sábado, 14 de maio de 2011

Pedofilia e Internet

   Um amigo mandou esse material, intitulado "Pedofilia e Internet", produzido pelo Instituto WCF Brasil com apoio do SESI e SENAI São Paulo, tendo parceria técnica do  CENPEC ( Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária).  O trabalho trata do tema "como navegar com segurança", que é um assunto extremamente importante nos dias de hoje, e fala de como proteger seus filhos da pedofilia e da pornografia infanto-juvenil na internet. Acho que vale a pena uma boa lida, para conhecer mais sobre essa questão, e disponibilizei o material num formato amigável para a leitura.


sexta-feira, 6 de maio de 2011

O Serão da Chave - Maio de 2011


Serão. Uma palavra que foi muito utilizada por Monteiro Lobato para especificar aquela hora do dia em que a família se reunia no Sítio do Pica Pau Amarelo para ouvir histórias, contar as aventuras do dia, enfim, confraternizar de maneira produtiva e alegre. Também é utilizada hoje em dia como “hora extra”, ou seja, um horário de trabalho adicional. Qualquer que seja sua definição ou uso, o certo é que fazer um serão pode ser uma coisa muito proveitosa se feita com prazer.
    Na Chave do Tamanho, realizamos um Serão a cada dois meses. Nos apropriamos do conceito de Monteiro Lobato para esse momento e, da melhor maneira possível, procuramos aproveitar esse encontro para uma troca inteligente e alegre entre Pais, Direção, Coordenação e Professores da escola. É nessa atividade que discutimos os avanços e problemas, bem como as estratégias e soluções. Os pais podem ler os relatórios sobre seus filhos e discutir todos os aspectos, tirando dúvidas minuciosamente com todos os profissionais envolvidos na educação dos mesmos.
  


Sempre trazemos um tema à baila, na forma de uma palestra, tema esse que trata de questões que podem ser úteis para os pais na educação de seus filhos. Ontem a noite (05 de maio) o tema foi  ÉTICA E MORAL, aproveitando todos os acontecimentos que vem ocorrendo no Brasil e no Mundo nesses tempos conturbados. A proposição foi a de apresentar aos pais um conceito científico da MORAL, para que eles saibam que a mesma tem que ser desenvolvida, porque não vem embutida no DNA do ser humano, ao contrário do que tanta gente pensa. Tratamos da questão fundamental de que não podemos ser o exemplo que vá gerar o preconceito que, posteriormente, se transforma em ações anti-sociais. Isso porque a criança, por menos que pareça, está atenta a tudo o que falamos e fazemos, e vai criando um modelo a partir daquilo que o mundo oferece a ela em termos de conceitos e valores. E o mundo familiar é a base para isso durante muito tempo. Falamos bastante da necessidade de observarmos as relações com as crianças, principalmente no ambiente familiar porque na escola os profissionais são treinados para a as atividades enquanto que em casa os pais são profissionais de várias áreas que incorporam também a missão de educar seus filhos. O esforço de criar pessoas responsáveis para viverem num futuro próximo é coletivo, e por isso ficamos ao inteiro dispor dos pais para uma orientação que os ajudem a cumprir sua missão, que quase nunca é fácil.
    Diariamente o pai educa uma criança diferente, e embora isso possa parecer incongruente, é a realidade apresentada pelo desenvolvimento cognitivo e afetivo dos filhos, que vai mudando dinamicamente. Para se trabalhar uma questão como essa na escola, usa-se a Dinâmica de Grupo, mas em casa é mais complicado pois cada filho apresenta um momento diferente no seu desenvolvimento e isso não gera uma boa interação espontânea. Nossas crianças devem, constantemente, ter contato com outras crianças (companheiros de brinquedo) para poderem exercitar suas potencialidades em níveis semelhantes e não verticalizados.
      Uma atividade que sempre levamos a cabo nos nossos serões é a de aplicar uma Dinâmica de Grupo para os pais, visando uma maior compreensão da parte deles sobre como são propostas as atividades para seus filhos na escola. Explicamos como é importante que seus filhos falem porque ouvindo as crianças temos um caminho para saber como eles pensam, o que só ajuda no aprendizado deles no sentido de entender que a sociedade precisa de sua colaboração.
   

Enfim, o Serão da Chave é uma grande festa, onde além de diversão, todos saem com uma nova visão sobre um assunto que poderá ser decisivo nas ações de educação. E fechamos tudo isso com um grande coffee-break que passa a ser servido no momento em que pais, supervisores e professores passam a conversar sobre as questões específicas de cada criança.
    Aos pais que nos prestigiaram ontem com suas presenças, nosso muito obrigado e esperamos que tenha sido tudo agradável e útil para a finalidade que nos propusemos. E vamos seguir adiante com os nossos Serões, que mais do que uma “hora extra” são uma “hora especial” na vida de todos nós.

E o mundo???

Frente aos últimos acontecimentos do Brasil e do Mundo, acho que o que melhor expressa nossas preocupações é a charge do Tacho, enviada pelo Odorico ontem.


quarta-feira, 4 de maio de 2011

Contradições Éticas e Moral – “BLOWBACK”



Um homem morre e todos fazem festa. Dizem que foi a coisa certa, já que ele personificava o Mal. E fica a pergunta: será essa uma verdade absoluta? Crianças e jovens vêem esse tipo de comportamento, e fica a pergunta: como irão fazer seus julgamentos sobre o valor da vida, daqui para frente?
Temos falado, aqui no blog, sobre Ética e Moral e gostaríamos de, mais um vez, fazer colocações que podem e devem ser pensadas por pais e professores.
Crianças formam seus padrões éticos (comportamentos) e morais pela observação do comportamento de seus pais e pelas ocorrências que testemunham em suas escolas. Aos pais, cabe compreender que os comportamentos dos jovens são desenvolvidos ao longo de seu processo de desenvolvimento, ou seja, não vêm impressos no DNA dos mesmos. Logo, ao longo desse desenvolvimento, precisam ser pensados e estimulados. Todos os nossos erros, juízos de valor e comportamentos frente às situações da vida serão assimilados com exatidão por nossas crianças. E isso nunca deve ser esquecido por cada um de nós, que tem a responsabilidade na formação das novas gerações.
À escola, cabe a proposição de discussões e trabalhos para desenvolver e consolidar as questões. Já é hora de parar de encher a escola  com regras (legalismo) sem propor discussões. Durante os primeiros anos de escolaridade, as crianças são heteronômicas, ou seja, recebem ordens vindas de fora. No entanto elas crescem, e vão chegar ao ponto onde aprendem a criar suas próprias regras, que irão compartilhar com seus companheiros e colegas. Se eles não aprenderem a criar as próprias regras, não vão chegar à autonomia.
Preconceitos surgem por volta dos 4/5 nos, e não sendo trabalhados, se cristalizam, ficam duros e sem flexibilidade. Adultos preconceituosos têm esse tipo de pensamento, não conseguindo ver o ponto de vista do outro. Ter a capacidade de enxergar a realidade sob o ponto de vista do outro é o que Piaget chama de reversibilidade do pensamento.
Vejamos as religiões. Quando cada um vê apenas o seu lado, não consegue analisar o que o outro aceita ou não, impedindo a análise das diferenças. Um caso emblemático disso é a proibição de uso de véus por mulheres muçulmanas na França. Um país de tradicionalmente democrático, com forte cultura pela liberdade cria uma lei que impede as pessoas de exercerem seus hábitos culturais. E as liberdades individuais, como ficam? Por que apenas o modelo ocidental é válido? Por mais bem explicado que seja, é evidentemente um preconceito. Fica muito difícil explicar a uma criança que nasceu em uma família onde o véu sempre foi usado, e que para ela é absolutamente natural, que naquele país sua mãe não pode usar o mesmo.
Existe também a dificuldade de trabalhar os costumes dentro das famílias, pois existem contradições. Muitas vezes as regras só valem para os mais fracos. Um caso típico é a criança ser proibida de comer qualquer coisa antes do jantar, e ao mesmo tempo ver o pai ou outro familiar comendo. Ela não entenderá como essa regra pode ser quebrada ou burlada. Outro fato bastante comum que confunde qualquer um é quanto a mentira. A mãe diz que não pode mentir, mas quando a criança atende o telefone, a mãe manda dizer que não está... O que acontece na cabeça dessa criança? Certamente começa-se a desenhar a idéia de que as regras valem para uns e não para outros. Adulto pode tudo e criança não! Como é isso?
Na análise que estamos fazendo, sobre todo esse episódio do ataque à Fortaleza da Al-Qaeda que culminou com a morte de Osama Bin Laden, Barack Obama, presidente dos Estados Unidos, numa comparação com a visão da criança quanto às regras, é o adulto poderoso, que pode mandar matar um semelhante, enquanto os americanos em geral e o resto do mundo tem que seguir regras e leis que proíbem matar pessoas. Obama faz um discurso dizendo que planejou e conseguiu, invadindo uma nação soberana, matar um homem. Um não, vários. Tente você fazer isso e vai ver no que dá... por melhores que sejam suas motivações! No entanto ele, o Presidente dos Estados Unidos, entra em cadeia nacional e conta tudo. Réu confesso, não vai preso em flagrante nem é indiciado!
Ora, um terrorista é um “fora-da-lei” e deve ser preso e julgado por seus crimes, mas um presidente ou qualquer outra pessoa que mande matar alguém também é “fora-da-lei”. Não podemos ter uma lei para cada um, ou para cada país e por isso existem regras gerais para que todos se comportem dentro de certa normalidade. Temos conselhos nacionais para avaliar casos gerais e ver o que cada país está fazendo. Mesmo as guerras tem tratados, convenções e legislação própria de julgamento das ações, com tribunais internacionais próprios para isso. Do ponto de vista da moral, a ação norte americana pautou-se pela MORAL DO DEVER (olho por olho, dente por dente) e uma atitude como essa não pode ser respeitada como soberana por outros países. Foi uma atitude infantil de quem acha que tudo pode e que deve ser apoiada por todos os outros países, o que não é uma verdade.
O mesmo presidente disse que “o mundo ficou melhor”. Melhor como! Melhor para ele, que tinha uma questão direta com o objeto de sua ação. O mundo “dele” ficou melhor. Como pode ter o mundo melhorado se todas as regras e leis foram desrespeitadas? Não... O mundo ficou mais caótico. Como é que vamos dizer às crianças e aos jovens, nossos alunos e filhos, que isso não se faz?
Nesse exato momento em que escrevo, vou lendo na imprensa digital que o governo norte americano, através do diretor da CIA, Leon Panetta, admitiu que sua equipe usou a polêmica técnica de afogamento simulado (waterboarding, na sigla em inglês) em detidos em prisões secretas para obter informações que levassem os Estados Unidos a localizar Bin Laden. São as chamadas técnicas de interrogatório coercitivas, um eufemismo para tortura mesmo. Já uma filha adolescente de Bin Laden, de 12 anos assegurou, em interrogatório a oficiais paquistaneses, que seu pai foi captura vivo pelas forças americanas nos primeiros minutos da operação e foi executado na frente de familiares. Isso contradiz a versão oficial americana que diz que Bin Laden foi morto nos minutos finais da operação em um quarto do andar superior da fortaleza, onde estava apenas uma de suas mulheres. Segundo as autoridades, ele reagiu e morreu com um tiro no rosto.
Um fato histórico importante e que deve ser lembrado é que até os nazistas, no fim da 2ª. Guerra Mundial, que promoveram o Holocausto matando 6 milhões de judeus, tiveram um tribunal específico para julgá-los. Foi uma ação de justiça para punir aqueles que promoveram um ato de vergonha para a humanidade. E frente a isso, fica a pergunta: esses terroristas são cidadãos de segunda categoria? Deixaram de ter direitos? São animais? E é preciso lembrar que os animais, hoje, tem seus direitos assegurados por lei e por consciência coletiva.
E preciso que o mundo faça, como já está fazendo, um alerta aos americanos do norte: os USA não são os detentores do direito de escrever as leis universais, e o mundo não é unânime em concordar com seus métodos. Agentes da própria CIA escreveram recentemente sobre o que é feito nos bastidores do poder, naquele país. É um assunto que precisa ser lido para discussão.
É fato que a sociedade norte americana tem uma auto-crítica forte, como se pode ver por filmes que fazem a leitura de seus atos, mas também é fato que só isso não resolve o problema, tendo em conta que os erros são recorrentes. Veja o histórico de ações militares que não respeitaram um mínimo de humanidade da parte deles, como as bombas atômicas de Hiroshima e Nagazaki, durante a Segunda Guerra, o uso de Napalm no Vietnã, usado contra a população civil, as intervenções no Panamá, na Nicarágua e no Iraque. Enfim, um vasto conjunto que mostra a forte tendência de estabelecer os USA
Acho interessante que vocês vejam o vídeo destes ex-agentes da CIA colocando os problemas internos e leiam os livros deles.
Beta

quinta-feira, 28 de abril de 2011

As raízes do Bullying



Ninguém é preconceituoso... ou pelo menos não diz isso em público. É sabido que preconceito é coisa velada e talvez seja por esse motivo que achamos que não o temos ou ainda que a grande maioria não seja preconceituosa. Existem as leis que proíbem e hoje criou-se também a condição do politicamente correto, patrulhando de maneira intensiva as manifestações contrárias ao que se convencionou como certo para a vida em sociedade. No entanto, o íntimo de cada pessoa pode esconder uma rejeição a determinado tipo de comportamento, e aí a lei não pega.  Mas o comportamento permanece, mesmo que não manifesto de maneira ostensiva.
Os preconceitos são transmitidos às crianças, e elas, até os 4/5 anos de idade, vão formando sua concepção do mundo com base neles. Não conseguem ainda discutir a questão, mas pelo reforço que é dado no dia a dia pela família, vão acreditando cada vez mais firmemente que opiniões preconceituosas fornecidas são as opiniões corretas. Quantas vezes você já viu uma família, em tom de brincadeira, falar de preconceitos graves sem saber que estão formando, em suas crianças, verdades absolutas.
Já dissemos em outros artigos, e repetimos aqui para que isso fique muito claro, que a MORAL é desenvolvida, ou seja, não há um padrão pré-estabelecido que venha no DNA de seu filho ou filha. Assim como treinamos as crianças, inadvertidamente muitas vezes, a serem preconceituosas, podemos educá-las para não terem preconceitos. Adultos preconceituosos podem ser controlados, mas não vão mudar suas opiniões. Já as crianças podem não desenvolver preconceitos, se os pais e educadores tiverem em mente que não expondo as mesmas a valores distorcidos, estarão preparando cidadãos para um futuro livre dessas mazelas. Nos adultos, os preconceitos são muitas vezes camuflados e, são esses mesmos preconceitos que, quando vem à tona, dão origem ao tão falado bullying. E o bullying acontece sempre tomando por base um preconceito. Observe algumas das causas: gordo, alto, feio, tímido, baixo, voz fina, etc. São sempre valores diferentes daqueles estabelecidos por uma sociedade que preconiza modelos ideais. Essa é a razão pela qual o bullying não está centrado apenas nas escolas. Ele está presente em qualquer lugar que congregue pessoas, como condomínios, locais de trabalho, etc.  Entre os adultos, muitas vezes são tomados como “brincadeiras” – de mau gosto, mas apenas “brincadeiras”.  Com os jovens, que ainda não são muito bons em dissimulação, soa mais como violência mesmo.
Embora seja um fenômeno mundial, o bullying tem características próprias em cada país. No Brasil, ocorre dento da sala de aula, enquanto em outros países acontece nos corredores  e em pátios, fora das vistas dos professores. É claro que por acontecer fora de aula não é justificável que fique fora do controle dos educadores, mas no Brasil a coisa é feita sob as vistas dos mesmos, e parece que os mestres não vêem isso acontecer. Como pode ser isso? Só encontro resposta na hipótese de que, como eles não sabem lidar com o assunto e não o consideram como obrigação sua ... ignoram qualquer ocorrência desse tipo. Consideram-se transmissores de conhecimento e nada mais. Não estão ligados aos seus alunos por vínculos outros que não sejam os formais, impostos pelo sistema. Isso não é Educar. É preciso que sejam treinados, tanto quanto os pais, para identificar agredidos e agressores, agindo antes que a situação assuma proporções incontroláveis, como temos visto nesses últimos tempos.

Um exemplo de como observar e agir pode gerar excelentes resultados aconteceu na Noruega, nos anos 1980, quando foi identificado um alto índice de suicídios entre crianças que haviam sofrido bullying. Uma séria de ações integradas em um programa foram levadas a cabo, e esses índices caíram certa de 50%, segundo fontes do governo daquele país.
Onde houver gente reunida, haverá preconceito, e potencialmente o bullying. Isso se dá porque as pessoas não conseguem, em muitos casos, conviver com as diferenças naturais existentes na sociedade. Quando mais globalizamos, eliminando as barreiras de comunicação, maior a proximidade de múltiplas formas de viver, agir e pensar e todos ficam cada vez mais próximos, o que cria enormes dificuldades para aqueles que têm preconceitos.  Preconceituosos são pessoas que tiveram seu desenvolvimento compartimentalizado, e podem ter tido uma certa evolução cognitiva, mas tiveram seu desenvolvimento moral congelado. Preconceitos são modelos rígidos que se repetem. Não existe nenhuma flexibilidade no preconceito.
Existe uma maneira de trabalhar os preconceitos? Sim, existe. A forma mais efetiva é trabalhar com as crianças em Dinâmica de Grupo, colocando todas em contato com todas, através de técnicas estruturadas, quando elas vão descobrindo seus colegas sem nenhum tipo de distinção. Ali elas tomam consciência que não importa a cor, tipo, religião, sexo e isso abre possibilidades inúmeras. Surge então a colaboração e todos podem ajudar a todos.
Uma coisa que sempre preocupa é o fato de que as famílias de vítimas de bullying não notam que as crianças tem preconceitos, e isso se explica facilmente pelo fato de que ambos, crianças e pais, comungam os mesmos valores. Os pais, inadvertidamente ou não, passaram para seus filhos os preconceitos que eles carregam e entendem que isso é normal, porque é a base de seus próprios valores.
Como os pais não notam que existe alguma coisa errada se seu filho:
-chega a casa com uniforme rasgado;
-material rasgado, sujo ou faltando;
-nem um amigo telefona ou  convida o filho para sair ou estudar;
-parece triste ou desanimado;
-perde o interesse pelos estudos;
-não quer ir à escola;
-sempre antes de ir a escola esta com dores de cabeça ou de barriga;
-tem falta de apetite;
-tem baixa auto-estima (se acha feio, gordo etc.);
- tem insônia;
-crise de choro sem motivo aparente.
O que será que esta acontecendo com seu filho? Será  que tudo isso parece aos pais uma coisa normal? Não seria nenhum desses fatores um motivo para ir conversar na escola e fazer uma estratégia para resolver o problema que se abate sobre esta criança ou adolescente?
A escola precisa saber para poder providenciar junto com as famílias do agredido e dos agressores uma providencia imediata.
A escola deve começar trabalhando em grupo e discutindo os preconceitos para que as relações melhorem. Deve mostrar que esta sabendo e não concorda com o que esta acontecendo. Tem que ter cuidado para não expor ainda mais o agredido.
A família do agredido pode promover encontros com o controle de adultos entre as crianças e adolescentes para que sejam vistos em outra posição  e a escola pode e deve promover encontro entre as famílias sem a presença das vitimas.
Um programa consistente deve ser desenvolvido para a construção da moral para que os preconceitos diminuam e, por conseguinte o bullying.