Mostrando postagens com marcador desenvolvimento da inteligência. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador desenvolvimento da inteligência. Mostrar todas as postagens

sábado, 6 de junho de 2020

Teste de Dupla Entrada ... último vídeo com a Beta


Caros amigos que acompanham esse blog, esse é o último vídeo gravado pela Professora Ana Elisabeth Santos de Oliveira Lima, a Beta. Foi pouco antes de seu falecimento inesperado em casa, conforme noticiamos no post anterior. Fazia parte de uma sequencia de vídeos que ela idealizou para ajudar os pais nesse período de pandemia, decorrente da COVID-19, que impossibilitou o ensino presencial e criou a necessidade de adaptação para o formato online, com todos os novos desafios daí decorrentes.
   A Beta pensou em como ajudar nesse momento, ensinando testes piagetianos de nível de desenvolvimento mental de maneira simples, mas efetiva para que os pais pudessem entender o momento da criança e o que poderia ser explorado naquela fase. Entendia ser muito difícil para quem não está afeito às atividades da escola, dosar e avaliar o aprendizado.
   Enfim, estamos privados de sua presença física, mas não de todo o trabalho de uma vida, que continuará sendo postado por aqui, dando continuidade ao esforço dessa Educadora maravilhosa, de seu pai Lauro de Oliveira Lima e sua mãe, Maria Elisabeth Santos de Oliveira Lima. A Escola "A Chave do Tamanho" é o grande repositório desse conhecimento e a comprovação pratica de sua efetividade.
   Continuaremos a trabalhar por essa bandeira da educação no Brasil.
Nelson Marques de Oliveira Junior
Fabiana Elisabeth Santos de Oliveira Lima (Betinha)
João Pedro Santos de Oliveira Lima
Equipe Chave do Tamanho

domingo, 16 de julho de 2017

Organizando as crianças

Como organizar as crianças se os adultos não têm a menor organização? Toda a organização externa vai se refletir na organização interna. As coisas sempre devem voltar aos seus lugares. São as operações de classificação e seriação que devem ser exploradas.
A organização tem que ser trabalhada sempre em todos os níveis de desenvolvimento. Existem, também, vários níveis de organização. Para cada estádio há um nível de cobrança para a organização.
Vivemos em uma sociedade onde as coisas não funcionam por falta de organização. Cada coisa que se desorganiza, na sociedade, leva muitas outras coisas com ela.             O pensamento lógico necessita de muita organização então não diga que você é desorganizado, mas muito logico. A organização faz parte da lógica.
Quando você perde alguma coisa sua procura deve ser feita com lógica e logo encontrará o objeto, se você faz uma procura aleatória poderá achá-lo ou não. As crianças até 7/8 anos fazem essa busca. Hoje já temos especialistas em organizar casas. Tudo em seus lugares para que na vida agitada das famílias tudo possa ser encontrado, mas em geral as crianças não estão sendo trabalhadas para isso.
Em casa sempre crio estratégias para organizar os brinquedos dos meus netos para que possam brincar e manter tudo organizado. Estou sempre criando locais para guardarem seus objetos (brinquedos). Tudo pode ser utilizado, mas depois tudo deve ser guardado nos locais apropriados.

Sugestões que criei. Caixotes e baús espalhados em vários pontos da casa. 

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Alfabetização aos 8 anos

Oito anos… uma idade mágica para os legisladores, porque trataram de uma questão altamente complexa – o momento de alfabetizar – como um elemento meramente burocrático. Sim, porque o que diz que uma criança está ou não pronta para ser alfabetizada não é a data de nascimento, mas sim o seu nível de desenvolvimento mental. Quando é que vão entender isso??? Sim, oito anos não foi uma aposta muito longe da realidade, porque é entre os 6 e 8 anos que as crianças conservam o número, sendo essa a estrutura mental que proporciona as condições de alfabetização lógica às crianças. Ou seja, atiraram no que viram e acertaram no que não viram. Se nesse caso deu certo, por mera casualidade, em todos os demais dá errado, ou seja, estipulam a idade em que as coisas devem ser ensinadas e não querem saber se isso vai funcionar ou não. O ser humano adora sistematizar, porque esse é um modelo que deu certo em grande parte da história da humanidade, mas é preciso não fazer isso compulsivamente, correndo-se o risco de cometer barbaridades meramente porque “tem que ser assim”,  e pronto. Quem diz se uma criança está pronta para aprender ou não determinada coisa é seu nível de desenvolvimento mental, nada mais. O que acontece, no mais das vezes, é que acabam obrigando a criança a entender uma coisa para a qual não tem esquema. É como pegar uma pessoa fora de forma e obrigar a escalar uma montanha. A possibilidade de dar tudo errado é enorme! Mas isso não é considerado na Educação.

   No caso da alfabetização, por exemplo, a grande dica é trabalhar o pensamento matemático, porque a partir daí a criança segue em frente sem problemas. No entanto, as crianças acabam muitas vezes o curso fundamental sem saber as quatro operações. Frações? Nem pensar... Ninguém parece saber que existe o pensamento infralógico e que precisa ser trabalhado para criar um pensamento matemático consistente. Ou seja, marcam idade para alfabetizar, marcam idade para ensinar matemática, e nada funciona no final das contas, até porque é tudo desassociado quando deveria ser totalmente interligado. O cérebro humano não entende o que os calendários escolares estão querendo dizer e se comporta da maneira mais natural possível, qual seja, desenvolvendo cada etapa de acordo com suas possibilidades. E quando não há colaboração para isso, ele vai do jeito que der.
Uma coisa é certa: alfabetizar uma criança para ela não ler é simplesmente criminoso. Pais, professores, diretores, todos deveriam estar engajados nesse enorme esforço de fazer acontecer a alfabetização, porque tudo o que vem “depois” depende disso. Uma alfabetização inadequada gera não-leitores, que sem a leitura não irão muito longe
No fim das contas, alfabetização é tão somente um know-how. Temos que nos preocupar é em como vamos usar a leitura a partir daí, em prol do desenvolvimento de sua inteligência.

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Escola Bem Cedo

Quanto mais cedo as crianças forem para a escola, mais chances terão de desenvolvimento.  James Heckman, ganhador do Premio Nobel de economia de 2000, já assinalava através de estudos que realizou o efeito de programas sociais de educação e concluiu que o desenvolvimento da educação é crucial para o avanço de um país. Muito bom que isso seja dito por um economista, já que são as figuras mais ouvidas em nossa sociedade. Dito por um educador, parece algo utópico. Ele mostrou que o desempenho das crianças que começam mais cedo é melhor ao longo de sua jornada acadêmica. Então porque estamos esperando?

Vamos aos problemas. Não adianta colocar as crianças em depósitos escolares. Precisamos de planejamentos adequados para promover o desenvolvimento cognitivo e afetivo delas. Precisamos de professores muito bem formados, e Piaget salientou que quanto mais jovens, melhores são os professores, pois conseguem uma grande influencia sobre seus alunos. Quando os jovens vindos de uma boa formação acadêmica chegam ao ensino médio já conseguem ser autodidatas, não necessitando que os professores os estimulem, como no caso de crianças do sensório motor e simbólico (1ano ate 3/4/5 anos).
As turmas devem ter numero bem reduzido para que cada criança receba uma atenção individualizada como acontece no método psicogenético criado pelo Prof. Lauro de Oliveira Lima.
O prédio deve ser pensado de forma que a criança se sinta acolhida, não devendo ter a forma fria como são concebidas as escolas atualmente. Criança precisa de acolhimento
Interessante que no Canada e na Finlândia, o gasto com os professores dessa etapa são os maiores de toda a educação básica. Nós não temos ainda a cultura de formação de professores e devemos passar a pensar logo para poder cumprir a determinação da lei que obriga os pais a matricularem seus filhos cada vez mais cedo nas escolas.
Já temos a parte legal, falta agora por em pratica ... e com qualidade.
Beta

terça-feira, 26 de março de 2013

Escola e Trabalho


Há uma coisa que observo sempre e que me chama a atenção, que é a ligação feita entre Escola e Trabalho. Uma espécie de “ligação direta” que é aceita com naturalidade mas que não estou segura se é verdadeira, porque considero que a Escola deve ser totalmente lúdica, levando à criatividade, ao interesse pela pesquisa, ao desenvolvimento de estruturas que resultem na capacidade plena de ser inteligente. O trabalho, por sua vez, tem uma rigidez que não promove essas situações. 
Quando vemos na mídia o histórico de pessoas bem sucedidas, via de regra levanta-se se elas foram ou não “bem na escola”. A minha pergunta é: “as escolas, de uma forma geral, preparam o indivíduo para o trabalho?”. Creio que as escolas precisam achar sua posição dentro da sociedade, existindo como um campo neutro de desenvolvimento da inteligência e, em consequência disso, da criatividade. A profissionalização deveria ser um momento específico, na hora certa, quando seriam oferecidos cursos específicos para orientar ao trabalho. Embaralhar as coisas não resulta no melhor dos mundos nem para o desenvolvimento da inteligência nem para a formação para o trabalho.
Escola é outra coisa. Deveria ser um campo para pensar, porque só temos que ensinar a pensar. O conhecimento está no universo das crianças, que sabendo pensar, vão encontra-los. As mudanças no mundo de hoje são tão rápidas que, sempre que “ensinamos” alguma coisa, vemos que ela já está desatualizada em menos de seis meses (quando chega a isso). Qual a Química que devemos ensinar? E a Física? Já estamos vendo que nem a ortografia parece ter mais valor nas avaliações que são feitas. Para que aprender matérias “engessadas”? Vamos ensinar a LER e a PENSAR.
Entendo que a internet deva estar dentro das escolas, para que as crianças tenham nela um referencial para suas vidas. Os muros das escolas não podem estar fechados para o mundo lá fora, até porque as crianças de fato fazem parte desse mundo – e via de regra, em decorrência disso, estão mais bem informadas que seus professores.
O fato é que o Trabalho tem a preocupação de formar seus quadros e para isso é preciso que a escola ofereça pessoas inteligentes e criativas. Só dessa forma daremos o grande salto que o Brasil precisa e merece dar.

sábado, 23 de março de 2013

Heteronomia – REGRAS


Até que idade devemos dar ordens diretas às crianças? Essa é uma pergunta importante, porque serve de orientação para muitos pais. Seu filho pode ficar totalmente inseguro se você permite que ele decida o que ainda não tem condições de avaliar. Ou seja, dar autonomia sem condições para isso é uma excelente maneira de criar um problema onde não havia. No início do desenvolvimento, as crianças são ANOMICAS, ou seja, não entendem  as regras e portanto não tem ordem. Às vezes, os pais acham que a criança é teimosa, porque repete atos que já foram proibidos anteriormente. Não é nada disso: ela simplesmente não entendeu a proibição. Ela está voltada para aquela ação e vai repetir sem culpa.
Qual a forma de tirar a criança dessa centração? Leva-la a realizar outra ação. Este período pode ir até os 3 anos de idade, se a criança não tiver contatos sociais. O período seguinte é a HETERONOMIA, que traz as regras de fora sendo esse o tempo de aprender quais são as regras sociais e como devemos nos comportar. Os pais muitas vezes não entendem e deixam que as crianças decidam situações que elas não tem condições de avaliar. Ser firme e determinado nessas condições é muito importante.
Criar crianças seguras é um objetivo que deve ser perseguido. Observe o comportamento dos filhotes de animais e vejam como as mães os deixam, gradativamente, irem realizando tarefas. Deixe seu filho ir fazendo o que já consegue.
Criança não tem lógica, e compreender isso é fundamental. Não podemos querer transferir a nossa lógica adulta para os comportamentos infantis. Sempre que a criança irrita um adulto, devemos analisar qual o comportamento adulto foi frustrado, porque realmente a criança não quis agredir o adulto com seu comportamento (agressão é coisa de adulto).

sábado, 12 de janeiro de 2013

Reforma Educacional


No Brasil continuamos a não dar atenção a EDUCAÇÃO. Estamos vendo que nada mudou e não temos esperança de mudança. Será que alguém sabe realmente o que é educação, entre as autoridades que deveriam cuidar do assunto? Eles sabem mudar os nomes e acham que com isso já fizeram a reforma necessária. Não sabemos mais como são os nomes dos cursos. Primário, ginásio, fundamental, médio. Juntam separam e nada muda. Ate as matérias ganham nomes diferentes. Mas e a metodologia?  Alguém sabe que tem forma diferente de fazer?... Não sabem ou não querem saber? As crianças continuam sem aprender e a perderem horas e horas em salas de aula que nada trazem a elas de novidade e interesse. Será que ninguém nunca reparou que as crianças não gostam das escolas? E porque elas gostam dos parquinhos, cinema, e outras atividades? São lúdicas como a Escola deveria ser. O homem é um animal que brinca, logo esta deveria ser a tônica da Escola.
No Brasil, a grande coisa sempre valorizada pela mídia é a ideia de que uma escolinha em um Estado distante dos grandes centros, esta fazendo algo interessante. Ora isso não e um sistema educacional, já que não contamina o geral. Não quero saber se um professor faz algo interessante um dia. Meu pai, o educador Lauro de Oliveira Lima, sempre disse que educação é aquilo que todos os anos, no mesmo dia, acontecera naquela sala de aula de qualquer forma, seja qual for o professor. Não precisamos de festas educacionais setorizadas, precisamos de planejamento para todos e todos os dias. Não é fazendo uma linda pintura em um dia na sala de aula que teremos um sistema educacional moderno.
O conhecimento tem que ser levado às crianças e adolescentes. Seus professores tem que ser treinados. A mídia da a maior importância a índices irrelevantes do IDEB. Passamos de 3,6 para 4,4 e o que isso significa se os países em desenvolvimento já estão em 6,0 pontos. Quando chegarmos lá, onde eles estarão? Nossa meta deve ser 10,0,  pois não é isso que pedimos aos nossos alunos nas escolas? Por que o governo é um privilegiado que tendo uma meta de 4,4 (pontos) é considerado bom. Vamos ficar correndo atrás do prejuízo sempre? Temos que fazer um planejamento audacioso, para termos metas fantásticas alcançadas. Não podemos esquecer que só são medidas matérias como matemática e português, mas será que sabem historia, geografia e as ciências?
Ficamos então sabendo que o município da atenção aos primeiros níveis e o estado ao ensino médio. E as series intermediarias? São abandonadas? Temos que cuidar do processo como um todo. O que estraga ainda mais é não ensinarmos e darmos cotas na Universidade. Vamos resolver o problema e deixar os meninos competirem já que estabeleceram que é esta a guerra.
Os nossos gestores ainda não tem consciência de que o que falta nas escolas é uma metodologia que desenvolva a inteligência das crianças. Criança inteligente aprende. Não adianta dizer ou pensar que as crianças nascem inteligentes porque isso não é verdade! Elas tornam-se inteligentes de acordo com as experiências a que são expostas. Vamos trabalhar com seriedade sem pensar apenas nos votos em época de eleição.

sábado, 27 de outubro de 2012

Gênio ??? É melhor procurar na garrafa.

A humanidade sempre se impressiona com pessoas que tem um diferencial marcante do ponto de vista intelectual, rotulando-as como gênios. Nos nossos tempos, a mídia vem buscando exemplos disso e fazendo grande alarde sempre que encontra alguém com essas características. Gênios existem na vida real ou são apenas encontrados em garrafas? Um modelo que chama a atenção é o fato de que, nas Olimpíadas de Matemática, observadores ficam atentos a alguns dos jovens que participam e dão o título de gênios àqueles que resolvem alguns dos problemas propostos pela instituição organizadora – que tem a missão de propô-los durante o evento. Há alguém que acredite que esses jovens tem algum diferencial? A resposta é sim, milhares ... e isso é lastimável.

Piaget, grande epistemólogo suíço (estudioso do conhecimento) sempre disse que gênios não existem. Esses jovens tem o mesmo desenvolvimento de milhares de outros, mas foram treinados para apresentar resultados. Fica a pergunta: o que queremos realmente do desenvolvimento humano? Como é a vida desses jovens? É a vida que consideramos integral ou apenas o resultado da aplicação do lema “pratique, pratique, pratique”. O resultado final é o de um treinamento massacrante e não um desenvolvimento completo. Os problemas a que são expostos não trazem criatividade, mas apenas memória.
Os grandes campeões dessas maratonas têm sido os orientais, mestres nos treinamentos, que trabalham com reforço da disciplina, manutenção do foco, repetição que leve à “perfeição” na hora de executar um modelo de trabalho.  Mas será que expostos a tudo isso, esses jovens se tornam capazes de resolver problemas da vida diária? É um teste decisivo verificar como se comportam em sociedade, saem em busca de experiências, se tem amigos. Não sei como vivem, mas posso supor que vivem em função de apresentar resultados esperados por quem os treina.
Importante levar em consideração, quando analisamos a situação como um todo, é que a matemática e a vida não são “fórmulas” ou “problemas fechados”, e isso é uma verdade cada vez mais reconhecida, num mundo em transformação. Houve um tempo em que o contexto permitia excelência na repetição de um problema, de tal forma que experiência era o resultado de vinte anos de repetição. Mas numa sociedade que acorda de manhã e já não tem certeza de que o que valia ontem a noite ainda é válido... sem criatividade, flexibilidade, capacidade de adaptação fica muito difícil de tocar adiante. Classificar, seriar e ordenar são fundamentos da matemática que vão refletir na vida das crianças e jovens. Como será que esses meninos entendem Ética e Moral? Isso seria muito interessante de investigar, porque teríamos uma dimensão do desenvolvimento global desses jovens Não existem gênios “compartimentalizados”, e acredito que TODAS as crianças podem ser rotuladas como “gênios”.
No caso da mídia, fica a necessidade de criar um fato “especial” numa matéria, quando pegam um desses meninos e pedem demonstrações de habilidade matemática. Acho que se sentem confortáveis, mostrando uma educação antiga, onde saber coisas era mais importante do que saber utilizar os conhecimentos aprendidos. Temos que ensinar os meninos a aprender, sempre. Ensinar a viver em sociedade. E até deixar claro que ter um conhecimento grande sobre alguma coisa e não compartilhar com os outros é totalmente irrelevante do ponto de vista do desenvolvimento do mundo em que vivemos. Se todo esse esforço é feito somente para ganhar uma medalha, fica a pergunta: e daí?

sábado, 15 de setembro de 2012

Tipos de Pais e os resultados na educação




Escrever sobre a autoestima de crianças e adolescentes não é tarefa simples, porque a responsabilidade sobre a questão é ampla, e quase nunca esclarecida. O conceito de que os pais são responsáveis pela promoção da autoestima de seus filhos foi explorado ao máximo, ficando fixada na cabeça das pessoas e sendo um exagero, o que nunca é aconselhável em Educação. Os pais, mais do que desenvolver a autoestima, precisam realmente entender o que é “educar”. Certamente, o que temos que fazer é formar um ser que vai se relacionar em grupos sociais diferenciados de sua família. É preciso entender com clareza que ele deverá ter autonomia, caso contrário não irá conseguir se posicionar socialmente, conseguir um emprego, manter-se fora do “ninho” da família ancestral. Quando formamos filhos com um conceito de autoestima distorcido, criamos pessoas que acabam se sentindo superiores, excessivamente “fora da curva” e que terão relacionamentos afetivos distorcidos, baseados sempre naquilo que foi impingido pela família ao longo de muitos anos de formação da personalidade. Eles acabam “se achando”! Tem a impressão de que não vão encontrar “pessoas adequadas” já que são “tão bons” que nada serve para eles... É lastimável, mas é assim que funciona.

São vários os modelos de famílias, e os pais podem ser divididos, basicamente, em três tipos: (a) Autoritários – onde a vontade deles é superior e não pode ser discutida em nenhum período da vida de seus filhos. Não os ouvem e ficam distantes, como a autoridade suprema queda as ordens. Esses são os pais que geram apenas medo em seus filhos, quando pequenos e, posteriormente, raiva. (b) Permissivos – que acham que a sociedade tem tantas regras que ele deve facilitar ao máximo as coisas, para que seu filho se desenvolva. Isso é muito mais fácil na primeira infância, quando a criança não incomoda nem os pais nem a sociedade. Mas passada essa primeira etapa, os permissivos acham que se derem uma ordem e a mantiverem, seus filhos cresceram sem autoestima. Isso gera os “sem-limite”, insuportáveis, que são rechaçados nos grupos sociais em que vierem a frequentar. Esses pais não querem, realmente, “educar” seus filhos e geralmente são provenientes de famílias autoritárias. (c) o terceiro tipo é formado por aqueles que são “Autoridades”. Consideram-se competentes, e tem um trabalho enorme porque sentem que a cada momento precisam saber o que fazer para tornar agradável a vida de seus filhos. Geralmente acertam, porque acabam por tornar-se capazes de gerar filhos saudáveis e de muito bom relacionamento social. É difícil? Sim, é difícil. Ser Preto ou Branco é uma coisa que nos atrai, mas ser Cinza é complicado. Precisamos de mais Pais cinzas na sociedade, ou seja, aqueles que elogiam o que é elogiável e criticam falhas com eficácia.

O pai negligente é o que pior cria seus filhos, não porque deixem faltar coisa alguma a eles mas sim porque não exigem nada deles, não impõe limite e não ouvem as demandas de seus filhos. São aqueles pais que dizem: “não deixei faltar nada para meus filhos!”. Mas realmente, deixaram uma lacuna enorme na formação deles por não imporem limites para que esses jovens pudessem fazer uma adaptação de realidade ao mundo em que vivemos. Geram jovens que não terminam seus estudos, não se mantém em empregos, e o pior, não sabem o querem da vida.

Pais competentes descobrem rapidamente que seus filhos mudam (desenvolvimento da inteligência) pois ouvem as crianças e vão notando a necessidade dos ajustes que precisam ser feitos na educação. Por exemplo, um bebê que ainda não criou hábitos precisa que as tarefas sejam dadas e repetidas. Após os 6/7 anos eles já podem entender várias tarefas juntas, e os pais não necessariamente precisam mandar que escovem os dentes, pois eles já criaram esse hábito. Após os 9/10 anos, os pais competentes não tem mais necessidade de acorda-los diariamente para irem a escola. Já faz parte da responsabilidade da criança. O dever de casa já é uma rotina e os pais, nesta idade, já podem flexibilizar quanto ao horário de realiza-la, mas nunca de não faze-la. É uma obrigação e a criança tem que já tê-la estruturada. Quando damos limites estamos ajudando nossos filhos a escolher e administrar seu tempo. Como o tempo é uma das ultimas estruturas a se organizarem no desenvolvimento infantil, as regras dadas na casa devem conter esta organização. Não adianta os pais dizerem:” você sempre se atrasa”, “você tem 10 minutos para isso ou para aquilo”. Devem observar os movimentos de seus filhos e ai sim gerir o tempo das crianças. Saber dizer NÃO já foi um tema que abordamos, e é uma arte. As crianças precisam do NÃO para descobrir que existem outras pessoas a sua volta que também querem fazer coisas. O mundo não e só de seu filho, por mais precioso que ele pareça para você. Cobre sempre a autonomia mesmo que seja mais fácil você fazer as coisas por eles. Demora mais, mas aprendem mais também. Elogie seu filho com sinceridade. Ele sabe quando a coisa é sincera e se sente bem quando você pede que ele melhore. E agora algo muito importante em nossa sociedade de consumo: Cuidado com os presentes!!! As crianças não necessitam ser presenteadas todos os dias. Vejam as datas especificas para dar os presentes. Sempre que você dá um presente esta dizendo a criança que ela foi merecedora de um premio e, quando na vida lá fora, ela não ganhar... a frustação será enorme e as vezes ela não aguenta.
Vamos ficar atentos para que não tenhamos uma geração de NARCISISTAS achando que o mundo deve estar a seus pés. Não esqueça que o seu é um entre vários.

domingo, 17 de junho de 2012

Organização – Por dentro e por fora


A organização é um processo



Qual a importância da organização externa para o desenvolvimento das crianças? Os pais podem estar muito atarefados, mas devem dispensar algumas horas para que a casa esteja com uma organização mínima  para a vivencia das crianças. Não estamos falando em decoração, estamos falando em coisas no lugar. A classificação é uma fase do desenvolvimento das crianças. As crianças e adolescentes devem constantemente ajudar na organização de suas casas para sentir que são participantes. A casa também pertence às crianças.
Criar ambientes organizados é uma forma de educar. Estamos, quando criamos nossos filhos, constantemente educando e, em cada idade, surgem coisas diferenciadas.
Aos 2/3 anos as crianças podem guardar seus brinquedos e não entendem o coletivo por mais simples que pareça. Aos 4/5/6 anos já podem ajudar no coletivo. Coisas da casa que não pertencem a elas já podem ser organizadas por elas. Colocar a mesa, guardar os talheres, levar a roupa limpa para o armario e a suja para o cesto próprio. No guarda-roupa já pode entender onde algumas coisas são guardadas e começa a saber o que é de cada pessoa. No banheiro, já pode ao tomar banho, colocar a roupa suja no lugar e estender a toalha após o uso. Não se esqueça do tamanho das crianças, pois muitas vezes os cabides e outras prateleiras não são adequados a altura delas. A casa deve ser adaptada às crianças, pois se não forem, elas não podem ajudar, já que não sabem o que acontece no mundo dos “gigantes”. Veja o filme e leia o livro “Gulliver em Liliputt” e “A Chave do Tamanho” para saber como as crianças se sentem frente a um mundo onde nem uma maçaneta ela pode alcançar sem a ajuda de um adulto.
Faça o quarto de sua criança com moveis viáveis. Estantes e prateleiras aparentes onde eles possam colocar seus objetos e visualizar tudo que esta contido ali. Pode não ser a coisa mais bonita do mundo, mas é a mais pratica do ponto de vista da criança. O quarto deve crescer com elas, daí não ser necessário moveis definitivos logo que nascem. A harmonia é a regra. Veja onde a criança brinca e deixe espaço para isso. Faça da casa um lugar propicio as brincadeiras de seus filhos. Do mesmo jeito que você quer o seu espaço, computador, som e outros detalhes, as crianças precisam saber que existe locais para ela pintar, desenhar e ver os programas ou ouvir musica. Faça de sua casa uma coisa sonora. Musica para as crianças desde a mais tenra idade educa maravilhosamente seu ouvido. Para o desenvolvimento cognitivo elas precisam de luz, som e movimento. Mude constantemente as coisas do quarto delas de lugar. Não se esqueça do teto. Os bebes passam muitas horas olhando para o teto. Coloque móbiles com movimento e varie com cores e formas.
Não deixe que a desorganização externa reflita na organização interna de seu filho. Ate as operações concretas ,7/8 anos, as crianças são rigorosas nas classificações. Use isso para torna-las organizadas. Após os 10/11/12 anos as dificuldades serão maiores já que estão entrando nas abstrações e estes hábitos que não se formaram na idade adequada são difíceis e complicados de se organizarem.
O mundo tem ordem. Faca de sua casa um local agradável e organizado para as crianças viverem. Muitas vezes a mochila das crianças reflete a desorganização que ele vê em casa. Tudo misturado, cadernos rasgados, sujos e fora de ordem. Não tente que a organização da criança seja igual a do adulto. Então, quando a criança organizar e passar a outra tarefa, vá ate onde ela organizou e de uma pequena melhorada, sem mudar tudo, é lógico.

domingo, 3 de junho de 2012

Inteligência e Conhecimento



As pessoas ainda confundem muito inteligência e conhecimento. Podemos ter uma pessoa muito inteligente sem conhecimentos e outra com muitos conhecimentos, mas pouco inteligente. O que faz esta diferença e que a inteligência serve para resolver problemas (qualquer um) enquanto o conhecimento fica restrito ao seu campo.
No mundo moderno precisamos muito de pessoas inteligentes já que os conhecimentos vão estar a disposição virtualmente. Todas as operações serão realizadas pela inteligência.
A inteligência é a capacidade de resolver problemas. E são os problemas que vão ser apresentados às crianças e adolescentes durante toda a vida. No trabalho não temos duvida que tudo estará ligado a solução de problemas. Ninguém vai querer, de um profissional, que ele saiba os afluentes do rio Amazonas, mas certamente, vão querer que ele resolva um problema que precisa de solução para que o trabalho se desenvolva.
Ficamos então pensando na perda de tempo que são escolas ensinando coisas que logo estarão obsoletas e que os jovens não vão necessitar em seu desenvolvimento profissional.
As escolas, em geral, estão centradas unicamente no conhecimento, devido ao conceito de que desenvolvem  educação. Só a inteligência vai dar o sentido geral da educação, como uma criação livre de personalidade e da sociedade, sendo que esta liberdade não pode cair no descaminho. É isso que vai acontecer caso não se defina uma orientação de para onde caminhar. Não se aceita hoje, dentro dos padrões modernos de educação, a não diretividade. As crianças tem necessidade, para seu desenvolvimento, da diretividade que vai aos poucos, lá pelo período das abstrações (10/11/12 anos), atingindo a autonomia.
Sentimos então que, para o desenvolvimento da inteligência, precisamos inicialmente da estimulação e em segundo lugar a disciplinação . A inteligência vai buscar a liberdade e ela não esta em um lugar. A liberdade vai ser percebida pelos indivíduos a certa altura do desenvolvimento. Vai sendo construída gradativamente.
Então, educar pela inteligência é ajudar a criar, é a anti-rotina e o anti-imobilismo. Se você acredita e quer isso para seus filhos, deixe que eles desenvolvam suas inteligências para servir a humanidade.
Quando você esta pensando na alimentação das crianças, entende perfeitamente o que cada idade pode receber como alimento, mas quando estamos falando de conhecimentos perdemos os parâmetros para pensar que a criança pode aprender qualquer coisa em qualquer tempo. Piaget em seus estudos foi claro e oferece aos educadores os parâmetros de como a criança aprende e o que compreende a cada etapa do desenvolvimento.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Meu artigo na revista Residência Pediátrica (Sociedade Brasileira de Pediatria)

Recentemente fui convidada a escrever um artigo para a Revista RESIDÊNCIA PEDIÁTRICA, da Sociedade Brasileira de Pediatria, e foi com prazer que publiquei material com o título DESENVOLVIMENTO INFANTIL, que coloca à disposição para os leitores do blog com exclusividade.
Nesse artigo, abordo muitos dos temas que tenho insistentemente tratado no blog, em conferências, palestras e aulas no Brasil e no exterior, sempre com um enfoque piagetiano e baseada nos estudos do Professor Lauro de Oliveira Lima a respeito. Acredito que seja um assunto que muito interessa pais, professores, gestores escolares, pediatras e quem quer que tenha como missão e responsabilidade o cuidado com as crianças, principalmente nas primeiras fases do seu desenvolvimento, tornando-as efetivamente viáveis para o mundo que temos pela frente, seja qual for o desdobramento que venha a acontecer.
   Abaixo, a íntegra do artigo, bem como links de referência.

(para ler no original, no site da SBP, clique aqui)



Suplementos Vol. 1(Supl.1) nº 1 - Jan. / Abr. / 2011
Páginas 32 a 34
Desenvolvimento infantil
Children development

Autores: Ana Elisabeth Santos de Oliveira Lima


Descriptores: afeto, desenvolvimento humano, inteligência, poluição do ar, saneamento básico.

Keywords: affect, air pollution, basic sanitation, human development, intelligence.

Resumo:
Várias vertentes devem ser avaliadas quando se estuda o desenvolvimento humano. Particularmente, no que diz respeito à inteligência da criança, a estimulação e interação são fundamentais. Nesse sentido, destaca-se o papel da mãe e do convívio com outras crianças. Piaget identificou fases do desenvolvimento, correlacionando-as com as faixas etárias. Deve-se enfatizar que, além do estímulo, também há necessidade de afeto, atenção e apoio e que pais, responsáveis e professores são essenciais nesse processo. O estabelecimento de limites com afeto e coerência também são parte integrante e essencial no desenvolvimento da criança. Para que ela possa usufruir plenamente da atenção e do afeto dispensados, faz-se necessário o cuidado com saúde. Assim, a de falta de saneamento básico e a poluição do ar podem prejudicar o desenvolvimento infantil. Além disso, a proteção contra acidentes e injúrias também são determinantes para que a criança possa ser atendida na sua totalidade.

Abstract:
Several aspects should be evaluated when studying human development. Particularly with regard to intelligence, its development needs stimulation and interaction with other subjects. In this sense, the role of the mother and contact with other children are of utmost importance. Piaget identified stages of development and correlated them with children age groups. Besides the stimulus, there is also a need for affection, attention and support. Parents, guardians and teachers are essential in this process. Setting limits with affection and consistency are an essential part in the development of the child. To ensure that the child will benefit from the received attention it is necessary to ensure that the child is receiving the necessary health care. Thus, the lack of basic sanitation and air pollution can also harm the child development. In addition, protection against accidents and injuries are also crucial for the child healthy development.

O QUE SIGNIFICA O DESENVOLVIMENTO DE UMA CRIANÇA?

Cada especialidade tem sua visão a respeito do assunto, como no caso dos médicos, que estão preocupados com o crescimento saudável do organismo físico, por exemplo. Porém, essa não é a única vertente que precisa ser avaliada, pois um organismo é mais do que estrutura tangível. Há algo interno, intangível, resultante da maturação das estruturas físicas e que responde pelo nome de Inteligência.

Qualquer pessoa responsável pelo desenvolvimento de crianças, como os pais, em primeira instância, deveria saber que seus filhos vão passar por um processo longo de desenvolvimento da inteligência, e que este desenvolvimento não atingirá o potencial máximo possível se não for estimulado. Por mais que ele ache que seu filho é o mesmo todos os dias, o que acontece internamente é absolutamente dinâmico e evolutivo. As fases do desenvolvimento da inteligência vão se complexificando, paulatinamente, até os 18 anos, aproximadamente. Isso resulta dizer que, se a estrutura do filho do ponto de vista orgânico vai crescendo e proporcionando novas possibilidades motoras, do ponto de vista interno, sua inteligência também faz um caminho complexo, com pequenos saltos possíveis que, em certos momentos, chegam a ser impressionantes. De repente, seu filho começa a fazer perguntas que até o dia anterior eram impensáveis. Esse é o sinal de que mudou de estádio mental. Sinal de que a inteligência está evoluindo.

Desenvolvimento, como disse mais acima, é decorrência de estimulação e, nesse caso, vai necessitar de interação. Inicialmente, essa interação se faz com a mãe, mas evolui para algum adulto em pouco tempo e, finalmente, por volta de um ano, chega a outras crianças. E é nesse ponto que as coisas vão se tornando interessantíssimas, desde que as mães não tentem substituir o convívio criança x criança por algo como uma redoma de vidro impenetrável, onde só ela possa atuar. Jean Piaget, brilhante epistemólogo suíço que dedicou sua vida ao estudo do desenvolvimento da inteligência, diz que “o melhor brinquedo para uma criança, é outra criança”. Melhor fazem os adultos, a partir do momento em que essa relação se torna possível, que permaneçam como provedores, mas permitam essa interação que oferece resultados mágicos para o desenvolvimento de seus filhos.

O primeiro período do desenvolvimento da inteligência, segundo Piaget, é o Sensório-Motor. No final desse período, por volta dos dois anos de idade, o Homem já é o animal mais inteligente da escala zoológica. Estará adquirindo a permanência do objeto (agora sabe que as coisas, ao sumirem de seu campo de visão, permanecem no mundo), faz reações circulares (repetição de movimentos que se iniciaram involuntariamente) e começa a falar.

Damos um enorme valor ao momento em que a criança começa a falar, mas não podemos perder de vista que as AÇÕES são mais importantes ainda. Tudo vem da ação. Devemos propor às crianças que estão na fase Sensório-Motora coisas por meio do “fazer”.

No período seguinte, que vai até os 3/4/5 anos, temos o período Simbólico. Aí, as imagens estarão em construção acelerada, a fala passa a ser determinante para a comunicação, a criança percebe o espaço e precisa das outras crianças de maneira especialmente intensa. Quase uma fome de relacionamento. A socialização é determinante para o desenvolvimento infantil.

Passada essa fase, vamos para o Período Intuitivo, que vai até os 5/6/7 anos, quando as crianças passam a ter certeza de tudo. Sua opinião não tem lógica, mas tem certezas. Começam a surgir os primeiros indícios das conservações (espaço, superfície, número) e a criança estará olhando o mundo com curiosidade. Sua causalidade está saindo do animismo (vida aos objetos) e evoluindo para uma forma mais artificialista. Do ponto de vista da Moral, não compreende ainda a mentira e acha que todos os atos devem ser revidados (olho por olho, dente por dente). Esse nível de pensamento é dominante em nossa sociedade porque as pessoas acham que podem conviver com isso sem grandes problemas. Mas é importante ressaltar que corresponde a moral de uma criança de 7 anos, aproximadamente, não mais.

A chegada às operações Concretas se dá por volta dos 7/8 anos, e é quando a estrutura sofre uma reviravolta, mudando totalmente. Surgem as Conservações e ele passa a entender o número (quantidade), substância, peso e volume entre outras coisas. É um momento de mudanças radicais, sendo o principal fator para isso a reversibilidade: a criança agora entende o ponto de vista do outro. Isso faz com que novas possibilidades surjam na socialização. Esse é um período longo, que leva ao nível mais alto de desenvolvimento que vai sendo construído aos poucos: as Operações Abstratas ou Formais. Muitas pessoas não atingem esse nível mental, porque é preciso um grande o esforço para chegar lá, mas, se chegar, o ser humano passa a ter do ponto de vista das Conservações, a transformação do Volume, o Acaso, a Probabilidade e a Atomização.

Importante frisar que existem testes para se verificar cada uma dessas etapas do desenvolvimento mental, e esse material foi criado por Jean Piaget. Hoje, utilizamos esse conhecimento para a aplicação de um método pedagógico (o Método Psicogenético).

Portanto, a idéia fundamental para que a criança se desenvolva plenamente é de que ela precisa, para isso, de afeto, atenção, apoio e estímulo. Pais, responsáveis e professores não podem esquecer de que os limites devem ser trabalhados no processo, porque uma criança, sem esses, torna-se insegura e passa a ter grande dificuldade de socialização. Limite tem influência direta no desenvolvimento da personalidade da criança.

A união de autoridade (não autoritarismo) e amor, de forma consistente e coerente, dá crédito aos pais junto à criança e permite uma relação saudável. É claro que a relação entre pais e filhos será sempre vertical – curiosamente, pais não são “amigos” dos filhos. As relações horizontais são das crianças com seus companheiros, e por isso é tão importante que eles existam em quantidade, na vida de relação de seus filhos.

Sabemos que todo o desenvolvimento cognitivo só será possível se a criança tiver recebido da sociedade em que está inserida os cuidados ambientais necessários. Como poderíamos trabalhar com uma criança doente, com vermes ou sem resistência. A falta de saneamento básico ou a poluição do ar são vetores ou mesmo causas de doenças. A proteção contra acidentes e injúrias também são determinantes para que a criança possa ser atendida na sua totalidade. Sabemos que as crianças, às vezes entregues a sua própria sorte, porque seus pais que necessitam deixá-los sem um atendimento adequado (creches e escolas), são vitimas fáceis. Sabemos que 30/40% das doenças pediátricas são decorrentes de fatores ambientais. Então, pais e professores, cuidar do ambiente é cuidar de seus filhos e alunos.

Enfim, quando você estiver preparando uma refeição saborosa para seu filho, cuidando de sua saúde física, não se esqueça de elaborar também maneiras de ele se “alimentar mentalmente”. Um ser humano integral é aquele que tem a possibilidade de atingir o seu mais alto grau de inteligência, na medida de todos os possíveis. Não impeça isso.


REFERÊNCIAS

1. Piaget J. Nascimento da inteligência da criança. 4. ed. Rio de Janeiro: Zahar, 1982.

2. Piaget J. Psicologia da criança. Rio de Janeiro, Bertrand Brasil, 1998.

3. Lima LO. Piaget: sugestões aos educadores. Petrópolis: Vozes, 1998.

4. Lima LO. Piaget para principiantes 2. ed. São Paulo: Summus, 1980.


Pedagoga, Psicopedagoga; Conferencista da Unesco, Instituto Piaget (Lisboa), Universidade de Hamburgo (Alemanha); Co-autora de “A Ma Mae” (no prelo); Autora de “Uma Escola Piagetiana”.