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sábado, 18 de agosto de 2018

Quem consome quem?

   Aquele antigo questionamento sobre ¨ter ou ser¨, de vez em quando bate à porta para nos lembrar de como é que a coisa pode sair do controle e perder o sentido, sem que haja real percepção de para onde estamos indo com determinados comportamentos.

   A família espera a chegada de uma criança com ansiedade, e talvez por isso, começa a compra do enxoval que ultrapassa em muito a necessidade que aquele ser realmente vai usar. Mesmo que permanecesse 10 anos com aquele corpinho de recém nascido, provavelmente o que foi comprado não seria usado. E são tantas compras feitas pelos pais que aquilo que é dado pelos parentes e amigos torna-se absolutamente desnecessário, aumentando o exagero. A criança, realmente, jamais usará a maior parte do que estará disponível, mas tudo é feito em nome do ¨não podemos deixar faltar nada¨.

   Existe ainda os que mantém o discurso de que ¨quero dar ao meu filho tudo o que não pude ter¨. E fica a pergunta: fez falta? O curioso é que o excesso é incontrolável, e mesmo assim, quanto mais recursos forem destinado a isso, melhor. Para algumas mães, é sinal de grande importância poder dizer que os filhos tem coisas que nunca usaram!  Criança não é objeto de consumo dos pais, embora haja uma cultura formada que ampara esse tipo de crença, e esse tipo de conduta vai deformar a maneira de a criança agir no meio social, ficando insuportáveis na medida em que não entendem ¨o outro¨ na medida em que o mundo gira em torno de si.     

   Quando os pais objetificam as crianças, a coisa vai mal. Aquela pequena criatura pode estar totalmente deslocada num determinado ambiente, mas ali é mantida porque o desejo dos pais prevalece, na concepção de que eles precisam mostrar a cria.

   Nesse caminho tortuoso, os brinquedos são , quase que totalmente, planejados e comprados pelos pais, servindo inclusive coo elemento de comparação de status no meio de amigos e parentes, mas nada é pensado em termos de servir para o desenvolvimento da criança. Para ela, caixas, garrafas pet, sucata em geral, fariam o mesmo efeito, mas os pais precisam oferecer brinquedos eletrônicos, carrinhos e motos com baterias elétricas, que não tem qualquer valor real para aqueles a quem se destinam, que os usam duas ou três vezes, abandonando em seguida porque não estão alinhados ao seu nível mental e portanto, aos seus interesses objetivos.

   Pais ficam orgulhosos contando que seus filhos em um iPod, sabendo usar das mais variadas maneiras, mas realmente essas crianças deveriam estar correndo, brincando de faz de conta... tudo o que a sociedade rejeita em nome do status e do alinhamento com aquilo que é aceito pelos pares.

   Em algum momento, começa a surgir um comportamento na criança que vai se agravando com o tempo, porque aquelas crianças que realmente não receberam a atenção necessária, aqueles bebês fofinhos que foram abraçados e beijados de zero até os dois anos, passam a ser ¨uns chatos¨, teimosos, não se submetendo totalmente às vontades alheias - mesmo e principalmente, dos pais. Mas o que teria acontecido? - perguntam-se aqueles que agora recebem o retorno daquilo que fizeram como ¨o melhor que podiam fazer¨.

   Ora, os pais não cresceram com os filhos até ali, não acompanharam, não tem uma dimensão do quanto a falta de uma ligação mais próxima e uma atenção dirigida podem resultar em modelos previsíveis de comportamento. E isso se grava quando a criança completa seus 7/8/9 anos de idade, acostumadas com o atendimento incondicional de suas vontades e com uma distância enorme dos pais - mesmo vivendo na mesma casa. Tornam-se um caos social, sem educação, sem interesses em jogos e brincadeiras compatíveis com seu nível de desenvolvimento, enfim, crianças tristes e sem socialização.

   Saramago disse que ¨seu filho está de empréstimo, porque ele NÃO É SEU. Precisamos tentar educar essa nova geração da maneira mais certa possível, porque sempre temos que ter em mente que adulto, não tem jeito. Não muda na essência.


sexta-feira, 23 de março de 2018

Onde começa a corrupção?

   Corrupção começa em cima? Ou em baixo? De onde vem essa praga que nos assola por todos os lados, e que parece impossível de ser eliminada? Uma das coisas que mais vemos é a reclamação dirigida contra os políticos, contra os governos, sejam eles quais forem, mas ela não nasce ali. Pode até florescer, encontrar campo fértil para seu desenvolvimento pleno, mas aquele não é o estágio inicial. Na verdade, as mesmas pessoas que reclamam em altos brados contra a corrupção são, em princípio, as geradoras de autorizações explícitas, quando não promotoras e incentivadoras da corrupção. Essa "doença social" tem início em casa, quando uma criança é subornada para fazer alguma coisa - ou deixar de fazer alguma coisa, quando recebe um "prêmio" (outra maneira de dizer "propina") ... Ora, premiar não é crime, mas é preciso que haja uma relação de mérito x valor, caso contrário a coisa desanda desde cedo. Percebam que as crianças já não obedecem mais os pais ou outros adultos pela heteronomia (ordem vem de fora), sabendo que podem barganhar, na medida em que alguma coisa será oferecida em troca de sua obediência.
   Pais e adultos estão, geralmente, sem paciência para educar, de fato, as crianças, e assim nada é levado até o limite onde a conversa poderia gerar uma experiência positiva, que no final das contas vai ser o balizador do comportamento futuro dessas crianças. Um caso clássico de que não há mais envolvimento na tarefa de educar é a fácil observação de pais que "fingem" não estar vendo o comportamento antissocial de seus filhos nos mais variados ambientes. Crianças pisam no pé de uma pessoa próxima, e os pais "não viram". Derramam o conteúdo de seus copos nas mesas de restaurantes e lanchonetes, mas os pais continuam suas conversas ao celular... A sensação geral é que as crianças estão ficando insuportáveis e socialmente inadequadas no convívio. Em alguns casos, crianças são vistas gritando com seus pais enquanto eles parecem não ouvir, não tomando qualquer providência a respeito.
   Quando acontece de existir uma pessoa, como eu, que está sempre disposta a educar, e que chama a atenção da criança, os pais ficam em posição de desculpas, e ainda assim não fazem nada com relação a questão principal: o comportamento do filho. Ao que tudo indica, ficam envergonhados com o "comportamento alheio", quando o alheio é o resultado da criação dos próprios - no limite,  deles mesmos.
 Na Escola, a observação do comportamento dos alunos identifica claramente o que se passa em casa. Por exemplo, as crianças pequenas apresentam, muitas vezes, um comportamento agressivo para com a professora, e se analisarmos mais a fundo, veremos que elas tem o mesmo comportamento com relação às mães, que tem em muitos casos, mesmo quando tentam corrigir os pequenos, são desqualificadas pelos pais na frente das crianças. Todas essas leituras vão moldando um comportamento que não se encaixa naquilo que queremos para nossa sociedade e para a vida de relação. É urgente que se chegue a um acordo sério sobre como levar adiante um trabalho integrado de educação dos filhos.
Toda essa enorme quantidade de informações que vão sendo observadas pelas crianças, formam um filtro perverso que é usado pela vida toda, e que com o crescimento da criança, só se agravam, porque estão firmes na mente. Aí vemos os casos dos adolescentes descontrolados e adultos amorais… e não sabemos porque isso acontece.
A corrupção é silenciosamente instalada em nosso sistema de avaliação das relações, desde quando um aluno copia o trabalho da internet e recebe como estímulo para isso um sorriso matreiro dos pais, que sabem o que está acontecendo mas permitem essa “esperteza” porque o objetivo final é a nota e a promoção de ano. A corrupção vai tomando forma quando transformam a mentira em algo válido, como por exemplo, quando é dito para a criança “não comentar” na escola algo que foi falado no ambiente familiar. Quando se obtém um atestado falso de saúde para justificar a falta do aluno, imaginando que isso passa despercebido dele. Não se engane: tudo isso é corrupção, e o pior, um aprendizado espetacular sobre como praticá-la sem medo.
As crianças estarão com seus pais quando eles “cortam caminho” pelo acostamento das avenidas e estradas, quando eles jogam lixo nas ruas, quando passam por sinais fechados, andam sem cinto de segurança, param em vagas destinadas a pessoas com necessidades especiais. E a coisa fica mais grave quando ocorre a transgressão (estacionar em vaga para deficientes) e justificar que pode porque é rapidinho. Vá somando tudo isso e veja o curso avançado que está sendo oferecido à criança ao longo de sua formação. Os resultados, todos conhecemos e abominamos … mas é preciso não criar o operador.
Tenha cuidado, esteja atento ao que você ensina ao seu filho, porque o mundo, cada vez mais, não será de corruptos - e isso não é utopia! Até porque ninguém aguenta mais tanto parasitismo instalado no organismo que denominamos sociedade. Pode ser muito difícil corrigir um adulto corrupto, mas certamente é bem mais fácil não levarmos uma criança até essa condição abjeta.
No final das contas, produzimos nossa própria safra de corruptos, que em algum momento serão os sanguessugas de todos os esforços que coletivamente fazemos, em prol de seu enriquecimento pessoal. Forme seres que sejam bem sucedidos por mérito, por criatividade, por uso produtivo e íntegro da inteligência e com lastro moral para entender o mundo que teremos pela frente, e você verá como vai ser desnecessário sair gritando por aí “Fora … (escolha o nome para colocar aqui). Educar é uma coisa extenuante, mas vale a pena.
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sábado, 23 de junho de 2012

Crescer dói, mas vale a pena!


   Seu filho tem que crescer. Não importa que ele seja o seu “baby”, pois é o mais novo ou único. Não tem jeito: ou cresce ou cresce. O crescer não é somente relacionado à estatura, mas sim ao psicológico, principalmente. A cada fase do desenvolvimento, você deve ir exigindo progressivamente comportamentos diferenciados e, dependendo das dificuldades que tenham para realizar a tarefa solicitada, você vai dosando cuidadosamente, mas sem pena.
   Aos 3-4 anos seus filhos já compreendem uma serie de regras e não precisam que você faça tudo para eles. Alimentação deve estar no domínio deles. Vestir as roupas, algumas com alguma dificuldade, mas devem sempre tentar. Deitar, levantar já esta a cargo da própria criança. Não faca seu filho ficar dependente de vocês. Mesmo que seja gostoso fazer tudo para eles, é importante que eles caminhem sempre na direção da independência. Afinal, não somos eternos e ainda que fossemos, a regra da vida é preparar para voar e não carregar pela eternidade afora.
   Aos 7 anos, quando iniciam as operações concretas, o mundo já esta nas mãos deles. Lembrem que a maioria dos adultos com quem nós convivemos, tem este tipo de pensamento e por serem grandes (adultos fisicamente) nós damos muitas missões que não pedimos a nossos filhos por acha-los incompetentes para tal. Eles já podem fazer tudo que se refere ao mundo concreto. Arrumar, lavar, utilizar muitas coisas na cozinha, atender  telefone, fazer anotações e por ai vai a extensa lista de tarefas possíveis.
   Por que então os pais ficam atrás de seus filhos para que estudem, não fique no computador o dia inteiro ou falando ao telefone? As crianças, não tendo tarefas e obrigações, ficam dependendo que seus pais deem as ordens e acompanhem seu desempenho. As tarefas de casa (dever de casa) são um martírio para os pais que acham que é obrigação deles e que, se não se dedicarem, as crianças e adolescentes não vão conseguir realiza-las. Ora,  estas tarefas são das crianças e adolescentes e só a eles cabe a responsabilidade. Porque as crianças e adolescentes não tem em casa um cronograma com as tarefas a realizar? Parece que são bichinhos de estimação. Eles são seres inteligentes e devem participar ativamente de suas casas. Eles vão sentir que fazem parte da comunidade familiar à medida que tenham obrigações.
   Os pais conseguem aguentar que suas crianças não façam nada em casa, achando ate normal e interessante que a mãe ou a auxiliar da família realizem todas as tarefas ligadas as crianças, mas  quando vão se tornando adolescentes começam as brigas para que façam o que nunca aprenderam. Não se aprende sem fazer. Para Piaget “no inicio está a ação.” O adolescente fica revoltado por não entender porque agora querem que ele tenha obrigações e realize tarefas.
   Tudo que vemos em nossos filhos adultos é resultado do que realizamos desde a primeira infância. Tudo da sociedade devera ser aprendido, então vamos ensinar. Faça uma tabela com as tarefas de rotina. Os adultos organizados tem esta lista interiorizada. As crianças não conseguem sem visualizar e o tempo todo ter um feedback de como realizou.
   Deixe que suas crianças aprendam a acordar sozinhas, tomar café e fazer os preparativos para a escola. Tudo que você faz é colocado na sua “conta”, ou seja, é sua função e não da criança. Isso tira delas uma enorme experiência de vida. É muito bom ter um bebe em casa, mas ele tem que tornar-se adulto custe o que custar. Vamos deixa-los crecer.

domingo, 17 de junho de 2012

Organização – Por dentro e por fora


A organização é um processo



Qual a importância da organização externa para o desenvolvimento das crianças? Os pais podem estar muito atarefados, mas devem dispensar algumas horas para que a casa esteja com uma organização mínima  para a vivencia das crianças. Não estamos falando em decoração, estamos falando em coisas no lugar. A classificação é uma fase do desenvolvimento das crianças. As crianças e adolescentes devem constantemente ajudar na organização de suas casas para sentir que são participantes. A casa também pertence às crianças.
Criar ambientes organizados é uma forma de educar. Estamos, quando criamos nossos filhos, constantemente educando e, em cada idade, surgem coisas diferenciadas.
Aos 2/3 anos as crianças podem guardar seus brinquedos e não entendem o coletivo por mais simples que pareça. Aos 4/5/6 anos já podem ajudar no coletivo. Coisas da casa que não pertencem a elas já podem ser organizadas por elas. Colocar a mesa, guardar os talheres, levar a roupa limpa para o armario e a suja para o cesto próprio. No guarda-roupa já pode entender onde algumas coisas são guardadas e começa a saber o que é de cada pessoa. No banheiro, já pode ao tomar banho, colocar a roupa suja no lugar e estender a toalha após o uso. Não se esqueça do tamanho das crianças, pois muitas vezes os cabides e outras prateleiras não são adequados a altura delas. A casa deve ser adaptada às crianças, pois se não forem, elas não podem ajudar, já que não sabem o que acontece no mundo dos “gigantes”. Veja o filme e leia o livro “Gulliver em Liliputt” e “A Chave do Tamanho” para saber como as crianças se sentem frente a um mundo onde nem uma maçaneta ela pode alcançar sem a ajuda de um adulto.
Faça o quarto de sua criança com moveis viáveis. Estantes e prateleiras aparentes onde eles possam colocar seus objetos e visualizar tudo que esta contido ali. Pode não ser a coisa mais bonita do mundo, mas é a mais pratica do ponto de vista da criança. O quarto deve crescer com elas, daí não ser necessário moveis definitivos logo que nascem. A harmonia é a regra. Veja onde a criança brinca e deixe espaço para isso. Faça da casa um lugar propicio as brincadeiras de seus filhos. Do mesmo jeito que você quer o seu espaço, computador, som e outros detalhes, as crianças precisam saber que existe locais para ela pintar, desenhar e ver os programas ou ouvir musica. Faça de sua casa uma coisa sonora. Musica para as crianças desde a mais tenra idade educa maravilhosamente seu ouvido. Para o desenvolvimento cognitivo elas precisam de luz, som e movimento. Mude constantemente as coisas do quarto delas de lugar. Não se esqueça do teto. Os bebes passam muitas horas olhando para o teto. Coloque móbiles com movimento e varie com cores e formas.
Não deixe que a desorganização externa reflita na organização interna de seu filho. Ate as operações concretas ,7/8 anos, as crianças são rigorosas nas classificações. Use isso para torna-las organizadas. Após os 10/11/12 anos as dificuldades serão maiores já que estão entrando nas abstrações e estes hábitos que não se formaram na idade adequada são difíceis e complicados de se organizarem.
O mundo tem ordem. Faca de sua casa um local agradável e organizado para as crianças viverem. Muitas vezes a mochila das crianças reflete a desorganização que ele vê em casa. Tudo misturado, cadernos rasgados, sujos e fora de ordem. Não tente que a organização da criança seja igual a do adulto. Então, quando a criança organizar e passar a outra tarefa, vá ate onde ela organizou e de uma pequena melhorada, sem mudar tudo, é lógico.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Como fazer para seu filho comer bem




   Uma das tarefas mais difíceis e desgastantes para a família pode ser a de fazer as crianças comerem. Evidentemente, ninguém pode fazer uma criança comer a força, despejando “goela abaixo” o alimento, como se tentou fazer, sem sucesso, durante muito tempo. Se não acontecia exatamente assim, pelo menos essa era a ameaça que se ouvia durante as refeições. Mas o que fazer quando surge essa dificuldade?
   Em primeiro lugar, desde a mais tenra idade não fique “enfiando” comida na boca da criança. Inverta a situação e espere que ela reclame (choro, movimentos molares) pedindo alimento. Todos os que cuidam da criança devem saber essa regra e cuidar para que a criança não esteja constantemente satisfeita. Em segundo lugar, e também fator determinante, ofereça alimentos dos mais diversos sabores e cores. Não misture alimentos de vários sabores e permita à criança degustar, para que ela possa definir do que gosta ou não. Sopa, por exemplo, é um dos problemas clássicos nessa relação, porque não tem um sabor definido, específico, o que gera uma série de problemas de rejeição como pode ser visto nas inúmeras charges da Mafalda, por exemplo. A sopa deve ter um sabor individual, e você deve ir fazendo sopas de um legume de cada vez, acompanhando a receptividade da criança. Não acredite que a percepção dela é igual a dos adultos que a cercam. Certamente, a criança poderá gostar de coisas que talvez ninguém mais da casa goste. Deixe-a provar. Quando  começar a comer as famosas “papinhas”, coloque tudo separado no prato para que ela veja as cores dos alimentos (vermelho, verde, laranja) e faça suas associações. Cores são muito importantes nos pratos das crianças e devem ser muito usadas, porque são estimulantes. Outra coisa importante é que a criança está crescendo e os alimentos devem evoluir com esse desenvolvimento. Se você der sempre alimentos batidos (liquidificados) ela não vai exercitar a mastigação e não vai reconhecer a textura dos alimentos, perdendo grande parte da experiência que no futuro vai ser determinante na alimentação.
   Vale também a regra de que, na alimentação, como na vida, quem cuida não deve fazer tudo da atividade, porque vai eliminar a necessidade de o outro fazer. Deixe que a criança coma sozinha, mesmo que suje tudo, que jogue alimentos fora do prato e dê a impressão de que a refeição está sendo desperdiçada, porque ela precisa aprender e o melhor meio de aprender é fazendo. Jean Piaget diz: “no começo esta a ação”. Tão logo a criança queira sentar, já pode receber a colher na sua mão para utiliza-la como ferramenta para o ato de comer. Como o primeiro esquema organizado é a boca, ela certamente vai levar tudo nessa direção e por conta disso já poderá se alimentar. A fome vai gerar fontes de conhecimento, alto interesse e desenvolvimento. Quem estiver perto da criança, acompanhando seu desenvolvimento ao cuidar dela, vai ver a passagem que fará dos alimentos líquidos, pelos pastosos, chegando por fim aos sólidos, naturalmente. Deixe sua criança experimentar tudo, e assim ela vai conhecer os alimentos, fazer suas opções, determinar seus gostos e ampliar seu espectro de possibilidades nutricionais.
   Importante também não fazer do momento da alimentação uma “guerra”, permitindo  que seja apenas o que é: uma função normal do organismo. No Período Intuitivo, aos 5/6/7 anos, as crianças começam a pensar na quantidade de alimento, fazendo muitas vezes a opção pela quantidade em detrimento da qualidade. Quando você achar que ela está comendo demais, espalhe o alimento no prato, porque ela, não tendo a conservação da substância, acha que tem muita comida ali. Se ela tem dificuldade para comer, junte tudo no centro do prato, porque ela achará que tem pouca comida e vai se dispor a ingerir o que for oferecido com menos resistência.
    Enfim, alimentar a criança é mais fácil do que parece, mas exige a participação da família. Ajuda muito também a criança comer junto com outras crianças. Não proíba alimentos, porque eles se tornam imediatamente objeto de desejo. Deixe que ela prove de tudo. O problema da proibição é que, em algum momento, ela verá crianças comendo coisas que você proibiu, e certamente vai tentar comer também, mesmo que escondida. Ofereça coisas diferentes, desde muito cedo. Não deixe de organizar pelo menos uma refeição por dia  com toda a família, porque essa é uma hora importante tanto para a alimentação quanto para o relacionamento entre todos, proporcionando trocas, encontros, conversas, atualização de novidades. E importante prestar atenção a tudo o que está sendo falado nesses momentos.
Por último, fica uma recomendação crucial: não deixe seu filho fazer as refeições na televisão, no quarto ou no computador, porque esses não são ambientes adequados para criar o hábito de alimentar-se. A mesa traz organização necessária aos seus filhos. Arrume a mesa com cuidado e peça a ajuda deles nessa organização. Também é importante ter alimentos variados numa refeição para que eles possam ter uma experiência alimentar renovada. Os alimentos oferecidos devem ser únicos para toda a família. Oferecer alimentos específicos que a criança quer, visando agradá-la, é um desserviço ao processo. Para aproveitar a boa vontade que as crianças tem naturalmente, peça a colaboração delas para ajudar na cozinha. Elas gostam muito disso, descobrem outro mundo e exploram com prazer as possibilidades.
E fica aqui uma observação que ajuda muito: quando a criança não comer no horário da refeição normal, não substitua esta por guloseimas para mante-la alimentada. Esse tipo de comportamento cria um hábito diferenciado que você gostaria de normatizar. Você estará jogando contra os bons hábitos de seu filho se fizer isso.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

A Escola e a Família




Existem alguns fenômenos que só são explicáveis depois de muita pesquisa sobre coisas que são óbvias. Um deles é o fato de a família (e portanto toda a sociedade) estar mudando constantemente ao longos dos anos, e a escola permanecer congelada em suas estruturas. Como isso pode acontecer? Por que existe essa combinação? A única explicação plausível para isso é que a família deixa, a cargo da escola, o que ela chama de educar. Uma espécie de “carta-branca” para fazer o que quiser, na medida em que ninguém sabe realmente o que fazer. O problema é que, definitivamente, a Escola não está habilitada para essa tarefa, e isso está ficando mais claro a cada dia.

A escola, ao longo de seu caminho, sempre foi uma transmissora de conhecimentos e quer continuar assim, mesmo com toda a tecnologia que tirou este papel que era só dela. A família por sua vez se reestruturou de diferentes formas e já não tem aquele modelo do século XIX, onde a mãe - a “rainha do lar”  - ficava em casa, com a tarefa de resguardar os filhos e transmitir as normas básicas de educação. Hoje as mães são tão profissionais quanto os pais e estão fora de casa tanto quanto a figura masculina. E os pais hoje não estão tão presentes, visto que o número de separações de casais é cada vez maior. Em outros casos, a chamada “produção independente” assumida pelas mulheres elimina a figura paterna do contexto doméstico. Então como organizar o novo papel da Escola em tempos de mudança?

A Escola agora tem que desenvolver as crianças e adolescentes para saberem pensar e buscar o conhecimento, que esta ao alcance nos meios eletrônicos. A Escola deve levar as crianças da total “dependência” a independentização. É um novo modelo, que ainda devera ser assimilado pelas famílias, que saíram em suas estruturas formatadas nos séculos XIX ou XX, mas ainda não conseguem ver a Escola com este novo papel. A mudança é muito difícil de ser aceita, por que o que conhecemos é  mais fácil de ser aceito, mesmo sabendo que não é o melhor.

Uma escola para os novos tempos deve ser um elemento criativo, modificador da criança e de sua família. E como a família tem uma enorme dificuldade em se modificar, a resistência a novos modelos se aplica a tudo, inclusive à escola. Ou até mais a ela, porque a família tenta, de todas as formas, manter o seu equilíbrio, mesmo que precariamente. Quando o modelo de escola exige uma maior participação dos pais no processo, a desconfiança de instala, porque o sistema tradicional quase que ignora a presença dos mesmos – salvo quando as coisas desandam em caráter irremediável. A família se sente sobrecarregada e ocupada o suficiente para despejar sobre a escola todas as responsabilidades quanto ao processo educacional – cognitivo e emocional – de seus filhos, mas isso não funciona, como pode ser facilmente constatado.

A sociedade mudou e as crianças hoje estão expostas a uma grande quantidade de informações, e sendo assim, novas regras e valores devem ser estabelecidas. Os direitos que as crianças adquiriram são ainda muito confusos para as famílias. Tem exageros e negligências, tudo misturado. Abandono e superproteção     aparecem juntos e misturados, muitas vezes dentro de uma mesma família.  Normalmente a superproteção é a descrença que a família tem nas crianças e adolescentes, ficando em cima, sem deixar que eles cresçam para a sociedade. O mesmo acontece nas Escolas que acham que as crianças precisam ser vigiadas, não deixando que se formem as sociedades infantis. Logo parece haver um complô entre as famílias e Escola para não deixar que as crianças se desenvolvam.

A família deve entender que seus filhos não são suas propriedades e os adultos não devem descarregar tensões e  frustrações quando estão lidando com eles. Devem saber administrar dificuldades, ansiedades, conflitos e resistências. São fatores que ocorrem e devem ver vistos e entendidos para serem resolvidos. As crianças não estão querendo concorrer com seus pais, mas estão querendo saber quais as ordens que são estabelecidas e quais devem realmente ser obedecidas. Deixem que as crianças demonstrem seus sentimentos. Os adultos também devem  demonstra-los  para que as crianças não achem que estas pessoas são super-mulher ou super-homem. Cuidado para não confundir a criança com sentimentos antagônicos.

Chegamos então ao grande impasse. Como mudar a Escola se a família procura um modelo arcaico que ela, seus pais e avós já conhecem? A sociedade é que através, se suas  exigências, vai obrigar a esta mudança. Esperamos que seja urgente esta demanda.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Mágicos dias mágicos ...


Quem não gosta de se sentir motivo de uma homenagem? Esse é o grande motivo de promovermos um dia mágico para as crianças no 12 de outubro. Nesse dia, não são os presentes caros que importam, mas sim a celebração. Fazer um dia mágico, especial, com festas, passeios e um grande encontro familiar para as crianças criará neles uma impressão especial e inesquecível, que levarão para a vida adulta com muito carinho. É fácil eternizar uma boa lembrança e não devemos fugir a isso, em nome das nossas lembranças e em homenagem às nossas crianças.
As festas infantis são muito importantes, entre outras coisas para que seus filhos, no futuro, possam e saibam comemorar com os filhos deles, renovando o amor que receberam de seus pais. Recomendo sempre coisas como passear com as crianças, fazer os seus presentes e proporcionar uma linda mesa preparada pela e para a família.
A história da humanidade é repleta de celebrações e evocações rituais que buscavam proporcionar a fertilidade, nascimentos bem sucedidos, reflorescimento das plantas e aumento do rebanho. Em outros casos, os ritos de passagem eram feitos para celebrar a transição entre o menino e o homem ou a regularidade das estações do ano. Muito disso tudo se perdeu, mas ainda podemos ritualizar coisas que façam a infância ser vivida como deve.  E esse feriado infantil dá a eles um poder todo especial, pois serão o centro das atenções e podem pedir coisas especiais. Se as coisas forem bem planejadas, terão conseqüências duradouras para o resto de suas vidas. E para que a gente possa dimensionar a importância desse momento, vemos muitas crianças esperando por todo o ano para repetirem essa experiência fantástica. Não podemos ignorar isso.
Os sentimentos proporcionados por esses dias mágicos permanecem em nosso inconsciente e serão transmitidos às futuras gerações, e o significado é simbólico e específico. No passado, tínhamos algumas comemorações semanais, como almoços dominicais da família, quando as crianças aprendiam, com seus parentes, as relações estabelecidas, ganhando segurança emocional a partir do que viam. Tios, avós e primos estavam presentes naquele momento, e todas as situações que podiam ser vistas – brigas, brincadeiras, provas de afeto – traziam às crianças a idéia de um conjunto de pessoas que estariam sempre a protege-la. Hoje, ela conta basicamente com os pais, num ambiente circunscrito ao lar em que vivem,  o que torna as comemorações especiais, mesmo que em dias esparsados, se torne tão importante. A criança tem poucas comemorações, pois a sociedade atualmente está muito mais voltada para  a o resultado comercial e não emocional da festa. Um exemplo da carência de momentos especiais para as crianças são as festas de aniversário de atualmente. Mudamos o modelo, o contexto, o cenário, a logística, mas não mudamos o fato de que tem que ter festa, porque isso é uma exigência das crianças, e elas esperam que aconteça e não abrem mão disso. Seja lá como for.
Nesses dias especiais, o que acontece é guardado de forma muito especial, gerando recordações que serão trazidas a tona na vida adulta, ainda que essa vida traga  a eles algumas privações e lembranças não tão boas. Então, acho que seremos sensatos se providenciarmos  bons dias especiais para nossos filhos, mesmo que os que tenhamos vivido não tenham sido de todo agradáveis. Os acontecimentos felizes que proporcionarmos a eles compensará, de alguma forma, os que não tivemos.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

O PAI pode estar atrasado



   No convívio com famílias, principalmente com as crianças, estou percebendo uma situação que me chama a atenção pelo inusitado: a perda de “prestígio” dos pais (os elementos masculinos dos casais). Será que nossa sociedade está se firmando como matriarcal?  Por exemplo, no dia das Mães, as crianças se mobilizam, vão para a escola felizes para as tarefas de preparar presentes que serão dados em festas cheias de emoção. Revistas e jornais se desdobram para fazer reportagens de alto conteúdo emocional, com fotos belíssimas de cenas repletas de amor, carinho, proteção, ternura, cuidados, etc.
   No dias dos Pais, a mesma mídia é muito mais contida. Os espaços são limitados, as matérias falam mais sobre aqueles pais que efetivamente agem como tal, dando a eles uma característica diferenciada. Ser PAI, na acepção do termo, parece ser uma situação especial, o que nos leva a imaginar que, na maioria, os homens não atendem, em média, a essa condição. Cheguei a ler uma matéria que  enaltecia o fato de alguns pais estarem “assumindo” seus filhos mesmo que tardiamente, indo aos cartórios de registro para alterar a documentação das crianças, que inicialmente estavam registradas somente em nome da mãe. Uma espécie de resgate da paternidade, mesmo que tardiamente.
Achei importante fazer essas colocações, ainda que sem juízo de valor nesse momento, principalmente para chamar a atenção para um fato que vai se repetindo e para o qual eu, como educadora e diretora de escola, tenho que estar atenta, visto que essas ocorrências estão no DNA da família, sempre em transformação.
   Nas separações de casais, fato corriqueiro nos dias de hoje, muitas vezes os pais se sentem desobrigados emocionalmente quanto a criação das crianças do ponto de vista afetivo. Suprem as carências básicas, dão pensão, fornecem elementos de sobrevivência e até condições de vida acima da média. As crianças ficam aos cuidados da mãe, que mantém o contato direto e o vínculo emocional com todo o processo de desenvolvimento da criança. Desse fato, vão surgindo novas leituras da parte daqueles que dependem dos adultos para sobreviver tanto física quanto emocionalmente – nossos filhos. Por conta de coisas assim, as mães muitas vezes tratam com menor intensidade e cuidado a imagem dos pais, distantes ou pela separação ou por condições de trabalho. Já presenciei vários casos em que a criança diz que não convive com os pais, embora more na mesma casa. Quando questionada sobre o assunto, a resposta é: “meu pai trabalha muito”. Essa é a leitura da criança, embora do ponto de vista social o acordo seja outro. O fato é que, a ausência do pai, torna a mãe o elemento chave de todo o processo de formação de uma criança.
   A questão é pensar em como isso altera toda a estrutura de vida futura e de relações familiares, porque certamente acontecerão eventos mais adiante que serão decorrência direta do processo ao longo do tempo. E lá na frente, não vai adiantar reclamar. Depois de construído... não haverá meios de reverter o quadro. Será uma opção trocar a criação do seu filho pelo trabalho? Por que fica com a mãe a responsabilidade de criar os filhos pelo menos até a adolescência?
   Sozinha nessa tarefa, ela faz um modelo sem contrapontos, sendo que posteriormente entra a figura paterna para criar os constrangimentos. Não é possível esquecer que, na adolescência, muito da personalidade já estará formada e, do ponto de vista do desenvolvimento mental, esses adolescentes já estarão entrando na fase final desse processo, que são as Abstrações.
   Em um determinado momento, os pais são normalmente requisitados para colocar ordem onde a mãe, por qualquer motivo, falhou. E normalmente isso não se dá através do afeto, mas sim pela repressão. Frente a isso, não é difícil entender porque as crianças e adolescentes desviam toda sua atenção para as mães. Por essas razões, discutir o papel da família é fundamental, porque ele vem sendo bastante modificado nos últimos tempos em virtude das transformações da própria sociedade.
Finalmente, os pais vão precisar fazer um grande esforço para continuar a ter um papel maior do que o de provedor. Vai ser preciso resgatar o afeto de seus filhos. E isso toma tempo, requer atenção e exige empenho. É um trabalho que não pode ser postergado, porque quando houver a intenção de assumir essa função, pode já ser tarde demais.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Monteiro Lobato e a formação de uma família

Paracuru, Ceará. É noite. Reunidos na casa da vovó, toda a família se organiza. Éramos seis crianças que se reuniam para ouvir o papai lendo para nós os livros de Monteiro Lobato. Nessa época, nas férias, íamos para a casa de praia de Seu Alcides, pai de minha mãe e vivíamos com intensidade não só as brincadeiras proporcionadas por aquele local paradisíaco como também as diversões da noite, quando além das leituras de papai, reproduzíamos as histórias contadas.
Frederico (Fred), já falecido, irmão mais velho, era sempre o Pedrinho. Eu, a Narizinho. Giovana (Jó), sempre muito resmungona, obviamente encarnava com perfeição a Emília. Assim, brincávamos debaixo das mangueiras da propriedade durante o dia e, à noite, nos saraus, representávamos as aventuras de Lobato para os adultos, tanto os da família quanto aqueles que passavam as férias por lá, amigos da família. Sala lotada com vovô, vovó, Titia (Mirian), mamãe, papai e tantos outros. Não havia uma noite em que não apresentássemos uma pequena peça, tanto com as histórias de Lobato quanto com poesias declamadas com acompanhamento de músicas. Tudo preparado por nós, as crianças, tudo bem ensaiado e organizado para mostrarmos o que tínhamos feito durante o dia.
Claro que outros autores faziam parte de nosso repertório, como Maria Clara Machado, mas Lobato era parte de nossas vidas, de uma maneira tão intensa que certamente foi o mais encenado naquela doce época de nossas vidas. Acho que era a maneira familiar como papai lia e transmitia para nós aquelas aventuras maravilhosas. Monteiro Lobato sempre foi “da família”, amigo chegado sempre presente.
E conforme vou pensando sobre o assunto, mais lembranças me vem à mente. Por exemplo, é nítida a imagem de papai deitado numa rede do alpendre, após o almoço, e nós todos em volta, sentados no chão, ouvindo com atenção enquanto ele lia em voz alta. Ele fazia todas as falas e o silêncio era total. Não podíamos perder nada do que estava sendo contado naquela que era a hora mais importante do dia. A Mitologia nos chegava através dos Doze Trabalhos de Hércules e do Minotauro, e enquanto ele falava, ficamos nos perguntando sobre os deuses do Olimpo, o labirinto e tantas outras coisas. Tudo que Emília falava era motivo de perguntas e discussões, e papai não dava respostas preferindo ouvir tudo o que argumentávamos, estimulando o debate que, em determinados momentos ficavam emocionantes.
Quase todos nós, os irmãos, já liam naquela época. Ricardo e Laurinho ainda não. Lili ainda não havia chegado entre nós. Os que liam, devoravam os livros de Lobato para se municiar de mais elementos para as discussões e tudo isso acabava entrelaçando os assuntos e gerando dúvidas interessantes, que precisavam de apoio externo para serem resolvidas. Por exemplo, consultamos muito o papai para entender “A Chave do Tamanho” e a visão da guerra. Emília ora estava grande e poderosa, ora pequenina e amedrontada com um simples besouro. Tanta riqueza de informações impressionou tanto a todos nós que, muitos anos depois, no momento de dar nome a escola que estávamos fundando, o título desse livro foi unanimidade para batizar o empreendimento.
Muitos de nós aprenderam a gostar de História através dos livros de Lobato. A “História do Mundo para as Crianças” era uma maravilha de ser lida e sempre revisitada, mesmo quando já estávamos no “Ginasial”. Nesse livro encontramos muitas respostas e aprendemos muito sobre as invenções e os inventores. Papai, em um determinado momento de nossas vidas, instituiu um modelo para que nós pudéssemos ganhar nosso dinheiro das pequenas despesas de forma útil e proveitosa. Quem entregasse a ele um resumo do que tivesse lido, era remunerado. Isso gerou uma legião de leitores contumazes. Instituiu em nossa casa a idéia da leitura de forma muito positiva. Não era obrigatória, mas sim prazerosa. Quem mais lia, mais ganhava dinheiro e conseqüentemente era mais valorizado como alguém que fazia algo especialmente bom.
Tínhamos toda a coleção de Monteiro Lobato e achávamos que todo mundo tinha que ler aquelas historias. Eram histórias brasileiras e de forte apelo emocional. Gostávamos muito e cada novo livro lido era uma conquista para nos. Fred, meu irmão mais velho, leu muito tarde, mas nos contávamos a ele as historias que despertavam grande interesse. Laurinho ao contrario leu muito cedo e aprendeu com os irmãos mais velhos. Assim, logo estava lendo o Saci. Descobrimos quando ele começou a nos interrogar sobre a história.
Trocávamos muitas experiências de nossas leituras. Muito cedo começamos a ler tudo que aparecia e, em nossa casa, o presente mais valorizado era um livro. Começamos a conhecer o mundo através das grandes  coleções de literatura. Para se ter uma idéia, os seis irmãos tinham apenas uma única bicicleta, mas nenhum livro nos era negado. Meu pai sempre disse para minha mãe que estava experimentando suas teorias pedagógicas com seus filhos e de todo esse movimento surgiu a base de seu método pedagógico: a leitura.
Por conta de tudo isso, e apesar de todas as polêmicas que tem surgido, não me canso de escrever sobre a obra de Monteiro Lobato, um monumento a literatura que a 80 anos vem encantando gerações de brasileiros e formando pessoas cada vez melhores.
Vamos criar o habito de leitura nas criança que o resto eles fazem sozinhos. E principalmente, na formação desse hábito, não pode deixar de ser lida a obra de Monteiro Lobato, porque a partir dela e de seus leitores, teremos milhares de pessoas melhores.
Beta

terça-feira, 15 de junho de 2010

Bullyng - Continuação das perguntas


1) Como os pais podem identificar se o filho está sendo vítima de bullying? Que atitudes devem ser tomadas para lidar com o problema?
São muitas as características. Uma das principais é a tristeza, com a criança ou adolescente evitando participar de atividades e até mesmo não querendo ir a escola, clube ou descer ao playground no condomínio. Outra característica comum que pode ser observada é a tentativa de tirar dinheiro dos pais para comprar a amizade daqueles que são seus agressores. Ficar doente sem estar realmente. Apresentar baixo rendimento escolar, chegar em casa sistematicamente machucado ou com material sujo ou rasgado. Apresentar comportamento angustiado, arredio, ter pesadelos constantes, perder seus pertences ou dinheiro, evitar falar sobre o que esta acontecendo ou sobre os colegas ou amigos do condomínio. Nos casos mais graves, tentar ou cometer suicídio.
São várias as atitudes a serem tomadas. A primeira, e mais determinante, é conversar com a criança ou adolescente para ter certeza do que está acontecendo. Demonstrar sempre que está acreditando no relato feito, para que a criança ou adolescente não se sinta completamente intimidada. Todas as atitudes que forem tomadas devem ser relatadas à criança/adolescente antecipadamente, para que ele possa concordar ou não com as mesmas. Se não concordar, procurar professores, diretores, orientadores e pais dos agressores para expor a situação e propor uma solução. É fundamental não deixar a criança desamparada.


2) Qual a relação entre o bullying e a autoestima da criança/adolescente? Há como preparar nossos filhos para não serem vítimas de bullying?
Autoestima tem uma relação direta com os dois lados da questão: tanto do que sofre como do que pratica a agressão. Temos que observar se a vítima pertence a uma minoria por obesidade, por pertencer a um grupo étnico, por estatura divergente, (alto ou baixo), pelo uso de próteses como aparelhos, óculos ou deficiência física ou mental. O agressor também sofre de baixa autoestima, às vezes sofrendo abusos na família, sendo o bode expiatório. Ou vive sobre muita pressão, para tornar em realidade as fantasias impostas pela família.
Podemos preparar nossos filhos conversando com eles sobre suas emoções, atividades e acompanhando o que eles fazem. Elevando sua autoestima demonstrando nosso amor e dando ordens. A criança e o adolescente sentem o amor de seus pais quando estes dão as ordens claras e objetivas.


3) E quanto aos pais daqueles que praticam o bullying, como devem agir diante da atitude dos filhos?
Os pais dos agressores devem, primeiramente, acreditar nas ocorrências. Conscientes do fato, não devem agredir seus filhos, mas sim procurar entender que eles também precisam de auxilio. Devem demonstrar que sabem o que esta acontecendo, tentar identificar algum problema que esteja ocorrendo com seu filho, dar orientações e limites. Colocar que ele deve pedir desculpas a quem agrediu para começar a recuperação e elevar sua autoestima que também é muito baixa.

4) Como o professor deve agir diante do bullying?
Os professores devem ficar atentos e ao identificarem sinais de agressão, começar a fazer trabalhos em grupo para a tomada de consciência dos fatos. Também devem ser o elo com as famílias para que elas fiquem cientes dos fatos e possam agir sobre a situação que se apresenta. É muito importante o professor se comprometer, para que o agredido saiba que pode contar com ele, estando assim protegido.