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domingo, 12 de fevereiro de 2012

Como proteger seu filho na medida certa (5)

Operatório Abstrato: socializando com responsabilidade


(continuação)


Operatório Abstrato- 10/11/12 anos em diante – Este período você já tem um adolescente que pode e deve realizar todas as atividades sozinho. Agora você deve discutir e mudar as regras junto com ele. Não deixe que aconteçam coisas que você ache que podem evoluir para a briga. Agora, tudo deve ser discutido. Só assim você terá realmente um adulto agindo de maneira responsável. Mas este jovem ainda precisa de proteção, mas sociológica. Ele ainda não entende o funcionamento da sociedade onde vive, como um todo, e pode muitas vezes cometer erros porque não sabe resolver os problemas que surgem. Oriente e discuta tudo que ele for fazendo.

O que eu quero deixar claro é que em cada idade você tem um filho diferente, que requer atenção totalmente diferenciada. Quando você estiver dizendo que ama seu filho, isso não quer dizer que ele pode fazer o que quer e da forma que achar melhor mesmo que prejudique os outros. Seu filho vai viver em sociedade, logo deve ser socializado.

(fim da séria de artigos sobre PROTEÇÃO)

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

A Escola e a Família




Existem alguns fenômenos que só são explicáveis depois de muita pesquisa sobre coisas que são óbvias. Um deles é o fato de a família (e portanto toda a sociedade) estar mudando constantemente ao longos dos anos, e a escola permanecer congelada em suas estruturas. Como isso pode acontecer? Por que existe essa combinação? A única explicação plausível para isso é que a família deixa, a cargo da escola, o que ela chama de educar. Uma espécie de “carta-branca” para fazer o que quiser, na medida em que ninguém sabe realmente o que fazer. O problema é que, definitivamente, a Escola não está habilitada para essa tarefa, e isso está ficando mais claro a cada dia.

A escola, ao longo de seu caminho, sempre foi uma transmissora de conhecimentos e quer continuar assim, mesmo com toda a tecnologia que tirou este papel que era só dela. A família por sua vez se reestruturou de diferentes formas e já não tem aquele modelo do século XIX, onde a mãe - a “rainha do lar”  - ficava em casa, com a tarefa de resguardar os filhos e transmitir as normas básicas de educação. Hoje as mães são tão profissionais quanto os pais e estão fora de casa tanto quanto a figura masculina. E os pais hoje não estão tão presentes, visto que o número de separações de casais é cada vez maior. Em outros casos, a chamada “produção independente” assumida pelas mulheres elimina a figura paterna do contexto doméstico. Então como organizar o novo papel da Escola em tempos de mudança?

A Escola agora tem que desenvolver as crianças e adolescentes para saberem pensar e buscar o conhecimento, que esta ao alcance nos meios eletrônicos. A Escola deve levar as crianças da total “dependência” a independentização. É um novo modelo, que ainda devera ser assimilado pelas famílias, que saíram em suas estruturas formatadas nos séculos XIX ou XX, mas ainda não conseguem ver a Escola com este novo papel. A mudança é muito difícil de ser aceita, por que o que conhecemos é  mais fácil de ser aceito, mesmo sabendo que não é o melhor.

Uma escola para os novos tempos deve ser um elemento criativo, modificador da criança e de sua família. E como a família tem uma enorme dificuldade em se modificar, a resistência a novos modelos se aplica a tudo, inclusive à escola. Ou até mais a ela, porque a família tenta, de todas as formas, manter o seu equilíbrio, mesmo que precariamente. Quando o modelo de escola exige uma maior participação dos pais no processo, a desconfiança de instala, porque o sistema tradicional quase que ignora a presença dos mesmos – salvo quando as coisas desandam em caráter irremediável. A família se sente sobrecarregada e ocupada o suficiente para despejar sobre a escola todas as responsabilidades quanto ao processo educacional – cognitivo e emocional – de seus filhos, mas isso não funciona, como pode ser facilmente constatado.

A sociedade mudou e as crianças hoje estão expostas a uma grande quantidade de informações, e sendo assim, novas regras e valores devem ser estabelecidas. Os direitos que as crianças adquiriram são ainda muito confusos para as famílias. Tem exageros e negligências, tudo misturado. Abandono e superproteção     aparecem juntos e misturados, muitas vezes dentro de uma mesma família.  Normalmente a superproteção é a descrença que a família tem nas crianças e adolescentes, ficando em cima, sem deixar que eles cresçam para a sociedade. O mesmo acontece nas Escolas que acham que as crianças precisam ser vigiadas, não deixando que se formem as sociedades infantis. Logo parece haver um complô entre as famílias e Escola para não deixar que as crianças se desenvolvam.

A família deve entender que seus filhos não são suas propriedades e os adultos não devem descarregar tensões e  frustrações quando estão lidando com eles. Devem saber administrar dificuldades, ansiedades, conflitos e resistências. São fatores que ocorrem e devem ver vistos e entendidos para serem resolvidos. As crianças não estão querendo concorrer com seus pais, mas estão querendo saber quais as ordens que são estabelecidas e quais devem realmente ser obedecidas. Deixem que as crianças demonstrem seus sentimentos. Os adultos também devem  demonstra-los  para que as crianças não achem que estas pessoas são super-mulher ou super-homem. Cuidado para não confundir a criança com sentimentos antagônicos.

Chegamos então ao grande impasse. Como mudar a Escola se a família procura um modelo arcaico que ela, seus pais e avós já conhecem? A sociedade é que através, se suas  exigências, vai obrigar a esta mudança. Esperamos que seja urgente esta demanda.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Infância inacabada


O homem é o animal com a infância mais longa em todas as espécies. Ele passa por vários períodos aonde vai completando seu desenvolvimento cognitivo e biológico. Quando mais desenvolvida é a sociedade, mais prolongada torna-se a infância. A complexidade social faz com que a espécie precise de mais tempo para completar seu desenvolvimento.
   Mas temos uma área que é muito prestigiada em nossa sociedade, sendo considerada paixão nacional: o futebol. Nesse universo paralelo, não há tempo para que os jovens realmente amadureçam para atuarem como jogadores. Cada vez mais cedo as crianças são levadas por seus pais para serem apresentados aos clubes, sempre sob o argumento de que "as crianças gostam". O fato é que, a partir do momento em que são iniciados nos times, começam a sustentar suas famílias. Tudo é investido nesses jovens, que certamente não tem ainda condição de escolha. Vi em uma reportagem da revista Época um quadro assinalando as idades onde os jovens já são considerados profissionais e esta idade esta cada vez menor. O que esta acontecendo? Pelé aos 15 anos, Maradona aos 9 anos,  Ronaldo aos 14 anos e  Messi aos 13 anos. Agora temos um total absurdo, na figura de um garoto, Leonel  Coira, que aos 7 anos está sendo negociado como jogador (Real Madrid).
Será que ninguém nota que estas crianças não completaram seu desenvolvimento e  no futuro problemas  inevitavelmente irão surgir? Eles não conseguem se equilibrar emocionalmente entre o sucesso fulminante, a quantidade extraordinária de dinheiro que recebem e uma vida incomum que passam a ter. Vejam o resultado de artistas mirins. Quase todos tornaram-se adultos problemáticos. Estes “craques” mirins tem uma grande chance de terem seu desenvolvimento deformado. O homem precisa de sua infância para que o equilíbrio aconteça na fase adulta.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

A arte de dizer NÃO!


Negar pode ser complicado. A mãe, geralmente quer passar essa atividade para o pai. E vice-versa. Mas é importante frisar que uma educação liberal não se caracteriza pela possibilidade de a pessoa fazer o que quer. Na família, como na escola, devem ser estabelecidas as regras básicas que irão promover a convivência.
Quando a criança não tem regras em casa, vai sofrer muito na escola até conseguir adaptação às regras que lhe serão impostas. As famílias ficam com a impressão errônea de que, quando mais velhas, as crianças vão aprender as regras sociais, e vão deixando a vida correr solta, seguindo a idéia do inatismo. No entanto, como não se aprende sem experimentação, o resultado é que as crianças chegam a fase adulta totalmente sem regras. Tornam-se aquelas jovens adultos que acham que o mundo está ao seu inteiro dispor. São adolescentes que não tem condições de conviver com os avós, parentes e até mesmo com os amigos.  Estão sempre querendo ser atendidos. Como conviver com outros jovens?
Muitas vezes são eles (imaturos) que determinam as regras em suas casas, ficando os pais reféns das deliberações de jovens que ainda não tem condições de decidir e tudo em nome do amor. Ao chegarem ao mercado de trabalho, acham que devem ser recebidos como na família e se consideram verdadeiros dirigentes das empresas. Eles decidiam tudo em suas casas, mas no mundo real, em seu trabalho, repetem o modelo e não seguem orientações de pessoas que ele deveria obedecer... desconsideram o valor do “outro”  porque se acham geniais.
Os pais, como os professores, têm que praticar a autoridade, pois quando ela falta na família, reflete diretamente na escola. Muitos pais sem autoridade usam escolas repressoras para colocar parâmetros aos jovens, o que não e um bom modelo, pois eles ficam bem mais revoltados por achar que tem alguma coisa errada já que no seio da família ele não tem regras.
Os pais precisam ter atitudes coerentes para dar a sua prole a segurança necessária para o desenvolvimento.  As crianças precisam saber que quem esta no leme sabe para onde esta levando o barco. Se o barco esta a deriva, isso gera uma grande insegurança e mostra aos jovens que eles podem também decidir já que ninguém sabe  onde vai.
As crianças e adolescentes devem estar comprometidos com sua família, assim como a família esta comprometida com eles. Os limites devem ser colocados desde a mais tenra idade. Hábitos  devem ser criados quando a criança é ainda um bebê.
Todos devem ter funções em casa para sentir que não são hospedes, mas sim figuras participantes. Uma vez decidida uma regra, esta não poderá mudar, até porque a criança espera que isso aconteça e leva tempo para  incorporá-la.  Se a todo o momento mudamos as regras, eles não sabem como acompanhá-las.  A tarefa de educar as crianças é diária, daí a decisão da paternidade ser uma decisão complexa e definitiva.
Estas regras servem para todas as áreas do desenvolvimento: dormir, alimentar-se, estudar, brincar. Tudo deve estar contemplado com regras bem definidas. Não fique repetindo as regras. Uma fez dada a regra faça com que seja cumprida, mesmo sem a sua presença. As crianças não devem obedecer só  com a presença dos pais, elas tem que interiorizar as regras.  Nunca sinta culpa pelas decisões que tomou. Você ama seu filho, logo fez o que era melhor e o que você sabia naquele momento. Tente ler sobre o que você não tem conhecimento.

terça-feira, 26 de julho de 2011

A Mãe Tigre e a Armadilha Educacional

O que causa tanto rebuliço com o livro da chinesa que se intitula “Mãe Tigre”, Amy Chua ? Fez um enorme estardalhaço nos EUA e agora, chegando ao Brasil, tem sido presença freqüente na mídia, que destaca pontos de vista radicais estabelecidos por ela como condições para educar suas filhas – e por conseqüência bons para toda a humanidade.
Na verdade, fica claro que chegamos a um impasse. Ninguém sabe mais como educar seus filhos, constatando que o que faziam não está dando certo e as novidades que aparecem também não oferecem resultados. Numa situação assim, as chamadas “receitas de bolo” são vistas com bons olhos por quem está perdido. Num dado momento, os pais entenderam que educar seus filhos era oferecer a eles tudo o que eles queriam. É comum ouvir pais dizerem que “darão a seus filhos tudo o que não tiveram”. Isso não funciona, como está claro para a maioria nos dias de hoje. Se você, pai, não teve as coisas que quer dar a seu filho e ainda assim estudou, tem seu trabalho e constituiu sua família ... o que o faz achar que dar tudo as crianças vai torná-lo mais feliz e bem desenvolvido?
As opiniões da Mãe Tigre são lidas com avidez por quem quer uma fórmula. Algumas coisas são boas e outras são muito ruins, sendo preciso separar o joio do trigo para poder usar o que é positivo para a formação de filhos vitoriosos. Uma coisa interessante é que a autora está investindo de fato em suas filhas. Embora estabeleça coisas certas e outras erradas nesse modelo que utiliza, ela está investindo e participando ativamente na educação de suas filhas. E aí fica a primeira questão: será que os pais, em geral, estão realmente investindo em seus filhos ou estão apenas gastando dinheiro para que alguém faça a sua parte. Os filhos se tornaram apenas um centro de custos no orçamento familiar ou são a janela para o futuro, que merece toda a nossa atenção e cuidado?
   É fundamental decidir de forma clara o que seus filhos vão realizar até os 14/15/16 anos de idade, pois estão na fase da heteronomia, não sabendo ainda decidir, e podem fazer escolhas erradas – com a carta de arrependimento posterior e inevitável. Mas, não proteger em demasia, é fundamental, o que não acontece com a autora que adota a postura de impor suas vontades para levar as filhas à perfeição. Suas propostas para isso são exageradas e típicas de quem não entende de Educação, como por exemplo querer que as meninas tenham o primeiro lugar em suas escolas, sem discutir a escola e o critério de notas... No entanto, investir na Educação e acompanhar o ensino na busca do melhor padrão que possa ser oferecido é importante.
   Diversificar o conhecimento ampliando a visão de mundo e das possibilidades oferecidas é um fator importante para o desenvolvimento, e isso ela coloca de lado quando não atribui valor algum à Educação Física e ao Teatro. Essa falta de percepção da abrangência na formação pode estar relacionada a um fator cultural já que na China, as filhas (mulheres em geral) não são valorizadas tradicionalmente, sendo necessário que se destaquem de maneira excepcional para terem alguma oportunidade. Coisas que tragam satisfação pessoal, prazer mesmo, não precisam ser valorizadas no âmbito da formação delas, segundo a crença vigente em um país que está abrindo as janelas para o mundo.
   Embora não haja qualquer justificativa teórica para o que a autora diz, ela está no caminho certo em quase tudo o que fez com as filhas. A auto-estima, tão discutida e estimulada pelos americanos, acabou sendo exagerada na dosagem dada por eles, quando permite que as crianças façam tudo o que querem a título de não desenvolverem frustrações, quando se sabe que não é possível viver sem essas frustrações, que acontecerão mais cedo ou mais tarde. O ego dos filhos da sociedade americana são inflados a tal ponto que eles perdem a capacidade de fazer uma auto-avaliação de seus comportamentos já que se consideram muito bons ou ótimos em tudo o que fazem. Acham que são bons cônjuges, bons pais, bons profissionais, tudo sem estudar ou fazer nada para que isso seja uma realidade.
   Os pais e alguns mestres ainda acreditam, piamente, que a inteligência é inata, o que atrapalha em muito o projeto de desenvolvimento das crianças. Se a inteligência fosse inata, não seria necessário fazer nada, apenas esperar que ela apareça e dê seus frutos. As pessoas mais esclarecidas, que sabem que não é inata, reconhecem a necessidade  de provocar situações para que a criança desenvolva a inteligência. A mãe-tigre está fazendo exatamente isso: forçando a situação para que suas filhas se desenvolvam, não esperando que as coisas simplesmente aconteçam. Interessante ressaltar que o Professor Lauro de Oliveira Lima diz isso a mais ou menos 45 anos em seus livros, e o Brasil ainda não viu a excelência de resultados que podem ser obtidos.
   Posso apontar, no entanto, um erro grave cometido pela autora, qual seja o de não deixar que suas filhas convivam com outras famílias, pois isso é essencial para que as crianças desenvolvam coisas como a liderança, por exemplo, que é fundamental em todas as carreiras em que irão atuar. Convívio social é determinante, pois só assim as crianças aprende as regras sociais e tem oportunidade de desenvolver seus sistemas de defesa.
   É preciso que fique claro que para educar nossos filhos, temos que ter em mente as fases de desenvolvimento mental, podendo criar a visão que queremos para eles. Não aceitem manuais com receitas. Cada criança é única e é o seu meio social que vai determinar o seu desenvolvimento de maneira marcante. Nunca acredite em nada INATO, quando se trata de desenvolvimento da inteligência, mas saiba que as combinatórias que seus filhos vão fazer ao longo da vida dependem muito de você, porque entre os fatores mais observados pelos seus filhos estarão sempre a sua conduta e seus comportamentos.

Beta

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Férias: tem coisa boa para se fazer!



- Não fique sozinho em casa no computador ou televisão. Convide amigos para jogar ou ver algum filme.
-Marque passeios com seus amigos ou vá a cursos de desenho, culinária, teatro. Veja tudo que tem na sua cidade.
-Não deixe de ir ao teatro e no final faca um resumo junto com seus amigos.
-Programe uma caminhada ecológica. Conhecer áreas de sua cidade ainda não muito exploradas. Tem grupos promovendo.
-Marque um passeio ao Centro e Lugares históricos de sua cidade. Conhecer sua cidade deve ser uma obrigação.
-Separe um caderno ou use o computador para diariamente registrar o que você realizou naquele dia. DIARIO. Ou ainda, poste no Twitter, Facebook, Orkut ou monte um blog sobre suas férias!
-Em casa aproveite para ajudar em tarefas que você nunca faz. Trocar uma lâmpada, colocar um quadro na parede, colocar a roupa na maquina para lavar. Aproveite para aprender tarefas comuns na sua casa. Um dia você vai estar em um lugar onde vai ser muito útil
-Faca a lista de compras de sua casa e aproveite para ir ao supermercado fazer as compras. Aprenda como comprar. É outra coisa que tem valor a vida inteira. Quanto mais liberdade você tiver, mais importante vai ser saber como se cuidar.
-Ir ao cinema e obrigatório. Escolha um bom filme e marque com os amigos. Pelo menos 2 junto com você para formar um grupo.
-Veja quais as exposições que estão disponíveis e escolha uma para você ver. Sempre com amigos.
-Leia pelo menos um livro. Veja o que os amigos estão lendo para vocês comentarem.
-Plantar e trabalhar com a terra é muito interessante. Escolha uma planta e faça um jarro bem diferente para sua casa. Se estiver sem idéias, vá até o meu blog http://newcountryhome.blogspot.com e veja que coisas maravilhosas você pode fazer.
Boas férias e retorne feliz para a Escola.
Beta

segunda-feira, 30 de maio de 2011

O nosso tempo e os nossos filhos


    
Educar filhos nunca foi uma coisa fácil, em toda a história da humanidade. Mas educar, é educar mesmo, e não fazer de conta que...
    E nos dias de hoje, a experiência tem mostrado que, na grande maioria das vezes, vamos reduzindo o tempo para essa atividade tão importante, que poderá gerar frutos maravilhosos ou terrivelmente amargos. Senão vejamos.
      Quando as crianças estão no Período Sensório Motor (de 1 a 2 anos e seis meses de idade), os pais se dedicam, tem tempo e querem saber tudo o que seus filhos fazem. O gasto com esses cuidados é quase ilimitado. Vi no Facebook, recentemente, comentários sobre babás ganhando R$ 5.000,00 (cinco mil reais), o que significa que os pais estão pagando isso para uma pessoa que vai cuidar de seus filhos, nessa fase em que são bebês. Mas o tempo passa.
       E na medida em que o tempo passa, os pais vão ficando, curiosamente, com menos tempo para essa importante atividade. Vai escolher uma escola que não cobre muito sua presença, que tenha um preço mais em conta, enfim, que sirva apenas para a permanência da criança durante um período do dia, porque acreditam piamente que ela não tem nada aprender dos dois anos e meio até aproximadamente os cinco anos (do Período Sensório Motor até o início do Período Intuitivo).
    Em seguida, os pais ficam preocupados com a Alfabetização e por conta disso a escola ganha novamente destaque como elemento importante no processo. É um modelo seguido frequentemente e preocupa porque os pais, por não saberem exatamente o que é desenvolvimento mental, deixam de trabalhar a questão durante o período mais importante, levando-a a não desenvolver seus potenciais de maneira plena. Por exemplo, o Sensório Motor e o Simbólico são essenciais no processo, porque o primeiro vai ser reciclado nas operações concretas, e o segundo, de 2 anos até 5 anos,  vai ser muito importante para as operações abstratas. Todo o desenvolvimento vai estar calcado no Sensório Motor (ação) e todos os outros períodos vão precisar desta base para continuar sua trajetória. E os pais, comumente, decidem pela escola em que a criança vai estudar calcados em parâmetros totalmente aleatórios, o que leva a muitos erros e enganos que irão cobrar seu preço mais a frente. Pais e Mães deveriam trabalhar em conjunto nessa hora, para poderem analisar todas as variáveis – ou pelo menos um número grande delas. Fica sob a responsabilidade da mãe essa decisão, o que é no mínimo uma crueldade para com um dos pares, que carregará para toda a vida a glória ou  a culpa pela escolha. E na hora da escolha, não vai ser uma “cozinha branquinha” que garantirá como será o desenvolvimento de seu filho e, portanto, suas chances no futuro.
    Seguem o caminho e ai entram  no ensino fundamental. Não sabendo o que é ou não importante, os pais procuram saber agora quantos conteúdos seu filho esta “aprendendo” a cada bimestre. Tudo é medido pelo bimestre (quando ocorrem as provas). Não querem mais saber se a criança gosta da escola, ou se esta adequada a seu filho. O que mais querem é uma escola considerada “forte”, aquela que diz que a criança com 7 anos, por exemplo, vai aprender a divisão, operação abstrata que só será entendida realmente aos 10/11 anos, se o desenvolvimento tiver ocorrido com sucesso.
 Vamos em frente e, na 2ª. fase do fundamental, aí é o pai quem escolhe, geralmente baseado no julgamento que ele faz da escola com relação aos exames futuros (Vestibular ou ENEM). Mas ele não sabe que essas escolas estão longe de ser modelos internacionais. Nosso ensino em geral, está abaixo da critica. Mesmo as consideradas escolas de elite. Por isso não temos a formação de cientistas. Onde estão nossos prêmios Nobel? Mas os pais estão perguntando é se ele vai passar no vestibular! Será que todos têm que ir até a Universidade? E a Universidade é realmente Universal? E os que não conseguem, vão ficar fora do contexto e da sociedade?
Mas finalmente, aos trancos e barrancos, chegam ao Ensino Médio. Os da classe média e alta, pois os das classes  populares já abandonaram a escola por absoluta falta de utilidade para eles do que aprendem nesses cursos, que não levam a nada.
Os que ficam começam a andar por sua própria conta, porque os pais não têm mais nenhum tempo para eles, preferindo fazer apenas a verificação dos boletins, como se isso fosse uma base de diagnóstico confiável. Não tem a mínima idéia sobre o comportamento de seus filhos em sala de aula, se estão dormindo a maior parte do tempo, ou conversando ou mesmo se ausentando das aulas. Não sabem que desafiam os professores, que passam boa parte do tempo combinando a balada da noite ou o churrasco de final de semana. E alguns, nem sequer os boletins tem tempo de ver, para ter uma idéia das notas, mesmo que isso não signifique grande coisa. No final do ano, se o filho não passou para a série seguinte, recorrem a uma escola “mais fácil”, onde finalmente vão ver o filho passar – de um jeito ou de outro.
O que a gente observa, com muita freqüência, são adolescentes abandonados, já que as escolas deixam de promover reuniões de pais para que os professores possam trocar idéias com a família. Os adolescentes vão percebendo que ninguém cobra nada deles. E quando cobra, partem para  o vale tudo da “cola” ou da cópia de material de outros. Normalmente, no cotidiano, os adolescentes não estão levando sequer aquele material escolar básico (livros e cadernos) para a escola, já que são totalmente inúteis e desnecessários para eles. Os livros didáticos solicitados pela escola no inicio do ano chegam inteiramente sem uso ao final do mesmo, e quase nenhum pai vê, porque não está prestando atenção a isso ou praticamente nada do que está acontecendo. Ao que parece, o fato de terem “cumprido a sua obrigação de pais”, comprando o material determinado pela escola, liquida com todas as demais obrigações. Se o professor conseguir, o aluno usa... e não há nada menos verdadeiro do que isso.
O professor, com 30 ou 40 alunos dentro de sala de aula, não tem idéia do que está acontecendo ali, porque está escrevendo no quadro (verde, negro, digital) enquanto os alunos estão ali, naquela festa, entregues a própria sorte.
Pais existem, em quantidade, que não sabem que seus filhos bebem, fumam, usam drogas ou roubam. Por incrível que pareça, não tem idéia nem sobre a opção sexual de seus filhos. São pais que acham que, a essa altura da vida, já fizeram tudo que podiam ou deveriam fazer para seus filhos, e é aí que mora o problema maior: nossos filhos são para toda a vida! E precisam ser atendidos em todas as fases.
E tudo isso que foi dito acima não é um relato baseado em fatos que ocorrem na escola pública. Não, são acontecimentos rotineiros de escolas particulares, que se dizem de excelência, e que prestam serviço a pais que se dizem responsáveis e atentos aos seus filhos.
Não deixem a coisa andar do jeito largado, porque haverá inevitavelmente o dia em que a pergunta vai surgir: onde foi que eu errei???

Beta

domingo, 24 de abril de 2011

Feriado ... tô ferrado!


Criança no feriado, sem escola, sem horário... problema na certa se você não enfrentar isso de frente. Mas, o que fazer?  É aquela criança, cheia de energia e disposição olhando para você e, se você não tiver alguma idéia, sua vida vai ficar bem difícil. Não adianta só abandonar a garotada em frente a televisão de plasma ou dos jogos de última geração. Vai ser preciso mais do que isso, porque afinal de contas, é feriadão e não apenas um fim de semana relativamente curto. E ainda que fosse, abandonar os meninos em frente a TV não é coisa que se deva fazer.
A sugestão é promover alguma atividade lúdica com a participação dos pais. Se você quiser escapar disso, pai ou mãe, a solução é convidar os amigos de seus filhos para serem parceiros nas brincadeiras. Criança precisa de criança, mas não deixe que elas fiquem entregues a si mesmas, porque as crianças são tudo, menos criativas. Podem tornar-se, se forem estimuladas nesse sentido.
Tenha um pouco de trabalho, planeje atividades e proponhas as mesmas ao grupo de crianças. Jogue com elas, porque isso é uma atividade muito interessante para todos os envolvidos. Aqui no blog, temos muitas sugestões de jogos, com indicação da idade em que eles devem ser jogados. Há um tipo de jogo ideal para cada idade, porque promove o interesse da criança em uma determinada fase do desenvolvimento mental. Os adultos podem iniciar a atividade participando ativamente, e gradativamente ir deixando espaço para as crianças brincarem sozinhas. Verifique se as crianças entenderam as regras do jogo e se estão, realmente, interessadas
É importante lembrar que “jogos” não são apenas aqueles de tabuleiro. Correr, saltar, descer no escorrega também são jogos que vocês podem organizar. Proponham “caminhos” como enigmas para as crianças resolverem. Passar sobre um pneu, andar em uma tabua, meio fio etc. são atividades que interessam as crianças de 1 ano ate os 7/8 anos. Use jogos de esconde / esconde, brincadeiras de roda, musicas. Use instrumentos para produzir sons. Explore todos os sentidos das crianças. Não esqueça as brincadeiras com água e areia.
Andar com a criança pela cidade é uma atividade interessante. Explore ruas e locais especiais de sua cidade. Não o shopping onde estão sempre. Não por ludicidade, mas para acompanhar seus familiares. O cinema e o teatro são atividades também a serem exploradas. Não se esqueça de, na saída destas atividades, de promover o que chamamos de “tomada de consciência”. Converse com a criança para saber o que ela entendeu. Peça que desenhe o filme ou a peça.  Use os lápis e papel (cera, hidrocor, lápis de cor).
Andar com a criança de mãos dadas é uma atividade lúdica, já que elas estão constantemente no carro e seus pais dirigindo sem poder dar a atenção que elas necessitam. Conversar e ouvir a criança é uma atividade importantíssima para ambas as partes.
Você pode promover em casa uma oficina de teatro (disponha roupas, maquiagens, sapatos e bijuterias) convidando alguns amigos de seu filhos e deixem eles brincarem. Depois peca para que apresentem para os pais o que conseguiram realizar. Lembro na minha infância esta era a atividade que mais adorávamos. No final do dia tínhamos sempre uma peça toda organizada e nossos pais, tios e avós estavam ali para assistirem o que realizávamos. Todos participavam. Fazíamos peça teatral, poemas, canções  e tudo era apresentado. As crianças, quando se estimuladas,  saem da TV e do computador.
Criem um pequeno horário para a leitura. Os que não sabem ler podem ficar olhando as figuras dos livros e desenhando o que acham que tem na historia. Contem historias, leiam para seus filhos. Mesmo os já adolescentes gostam de ouvir historias. Essa é uma forma de interesse que os pais demonstram pelos seus filhos. Só o tema (historia) é que muda.
As oficinas com sucatas também podem ser exploradas. Você pode não ter habilidades, mas promova que terá surpresas com o que suas crianças podem realizar.
Verifique o que tem em sua cidade para fazer com as crianças, mas esteja presente.

No Rio temos:
Filmes:
Hop- Rebelde sem Pascoa,
Rio
Em um Mundo Melhor
O Discurso do Rei
A minha Versão do Amor
( entre outros que você deve escolher e depois comentar com seus filhos. Nunca assista nada sem comentários.)

Culturais:
Espaço Cultural da Marinha;
Lagoa aventura;
Planetário da Gávea
Circo;

Teatro:
Homem que amava caixas;
Fala que é Amor;
Menininha
( entre outras pecas interessantes. Vale a mesma observação dos filmes.)

Não esqueças os parques, jardins e exposições. Não são comuns estas atividades para as crianças.
São algumas sugestões. Se você tem muitos filhos, a atividade é bem mais simples, pois eles fazem a festa juntos.

E lembre-se que Piaget nos diz: “O melhor brinquedo para uma criança é outra criança.”

quinta-feira, 31 de março de 2011

Coisas que ajudam a planejar o futuro

Intercâmbio é uma atividade com resultados impressionantes. Fundamental nos dias de hoje possibilitar aos jovens o convívio com outras culturas. Se em algum momento isso foi elemento de ampliação de conhecimento, hoje é essencial para viabilizar uma condição de julgamento da diversidade e permitir ampliação de rede de relacionamento global.
O intercâmbio tem sido uma porta adicional que permite que o jovem retarde sua entrada na universidade, e dá elementos para que ele conheça melhor outras formas de existir, de se realizar, de ganhar dinheiro e assumir um papel digno no mundo em que vive. Quando voltam de uma experiência como essa, os jovens repensam suas escolhas. Um fator importante também é que adquirem maior flexibilidade no aprendizado de idiomas que não podem ser ignorados nesses tempos de comunicação à velocidade do pensamento.
Acho que, no Ensino Médio, devemos propor para nossos alunos que façam um “plano de vida”. Apenas um esboço que sofrerá mudanças naturais, mas um documento que naquelas linhas gerais, estabeleça o que o jovem quer para a sua vida futura. As escolhas não são estabelecidas como definitivas, e claro, porque isso bloquearia todo o fluxo de criatividade nessa elaboração. E seria praticamente impossível estabelecer um caminho único, num mundo em permanente evolução. Mas é um exercício formidável para criar aquilo que pode ser a “coluna vertebral” de sua história em construção.
Outra coisa muito importante que devemos salientar para os jovens é que não existe “vocação”, e eles podem escolher qualquer profissão que desejem, porque se tiverem determinação vão se sair bem. Devem olhar para dentro de si e procurar enxergar aquilo que gostam de fazer, aquilo que fazem bem, aquilo que se sentem bem quando fazem. A tomada de consciência, nesse caso, é sobre aquilo que ele pode fazer, numa abertura maior do que a imposta pela vontade de terceiros.