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sábado, 12 de maio de 2018

Crianças sem palavras

Economia de palavras ... ou melhor, pobreza de vocabulário mesmo. Fico me perguntando frequentemente, porque as crianças estão usando tão poucas palavras para se expressar e fico preocupada com nossa sociedade se deparando com enormes problemas de comunicação no futuro. Isso está associado também a falta de conhecimento sobre as coisas mais simples, que deveriam ter sido “descobertas”, mas permanecem na zona cinza do desconhecimento. É caso, por exemplo, dos animais. Num mundo cada vez mais interessado no assunto, na diversidade da fauna, nas relações ecológicas, me deparo com o fato de que a grande maioria não conhece centenas de animais – quando muito, dezenas apenas. E aqui estamos falando da identificação simples, sem nenhuma ciência, apenas a identificação imediata do indivíduo. No entanto, as crianças não sabem os nomes de insetos, aves e mesmo mamíferos que eram conhecidos (havia contato com eles) e que hoje são grandes desconhecidos da maioria. No caso das aves, a coisa é mais grave ainda. Sabem o que são algumas espécies e generalizam as restantes como se “ave” fosse uma espécie, mesmo com a evidente diferença entre todas elas.
Peixes então, coitados, são apenas “peixes”! Que eles estão sem referência de mundo é uma realidade, e isso não é bom. Nada bom. E estamos aqui falando das coisas mais simples, de fácil identificação. Quando observamos o uso dos verbos, advérbios, etc., aí sim, é uma pobreza total. Ficam sem poder interpretar um texto, quando leem, e o pior, chegam as Universidades por caminhos outros como apenas replicar conhecimentos decorados e sem qualquer relação com o desenvolvimento da inteligência.
Um elemento importante para esse desenvolvimento está na conversa entre pais e filhos, programas que estejam assistindo e coisas assim. Quando você vê uma criança repetindo frases feitas, que não tem qualquer significado maior para elas, é mal sinal, até porque usam mesmo sem contexto. Pode parecer engraçadinho em algum momento, mas a continuidade do processo leva a uma dificuldade enorme futuramente, na comunicação mais elementar. E isso vale para os relacionamentos, para o trabalho, nas amizades, enfim.
Outro dia observei meu neto saindo do restaurante ele tem 3 anos e disse ao garçom “Até breve”. Fiquei atenta para descobrir onde ele tinha ouvido e aprendido a expressão. Não tive surpresa: vinha de um desenho que ele costuma assistir no iPad. Empregou corretamente, mas não sabe o que significa até por que não tem ainda esta temporalidade. Este é o problema. As pessoas acreditam nesta fala “aprendida” (psitacismo = fala de papagaio). Temos que perguntar: o que quis dizer? É uma Tomada de consciência para saber se o vocabulário é realmente da criança.
Até o período simbólico/Intuitivo 3/4/5/6 anos devemos explorar uma quantidade enorme de verbos (ações) e substantivos (coisas) para ampliar bastante o universo infantil. Contar as histórias é muito importante e conversar com a criança sem adaptar o vocabulário. As crianças devem ouvir a linguagem natural da família. Não adianta as crianças falarem línguas estrangeiras com um vocabulário pobre em sua língua materna. Está na moda ensinar as línguas estrangeiras e ter uma criança com um pobre vocabulário em todas elas.
Veja outro exemplo: as cores. As crianças sabem as primárias e, às vezes, as secundárias até 4/5 anos. Deveriam já saber as terciarias e um espectro bem maior. Normalmente não se referem as cores com desenvoltura.
O fato é que as crianças e jovens falam muito mal e tem um pequeno vocabulário. Vamos trabalhar a leitura com estas crianças e contar histórias.
Nota: conversando com um amigo do meio empresarial, fui informada que uma das coisas mais importantes hoje, na contratação, é saber se o entrevistado na seleção fala e escreve bem o português. Isso surgiu naturalmente do fato de termos profissionais competentes em áreas técnicas que não conseguem se expressar minimamente bem. E isso faz toda a diferença.

domingo, 4 de fevereiro de 2018

Prova: a provação

   Vou vendo o frenesi de jovens e, inevitavelmente, me pego pensando sobre o que é uma PROVA. No âmbito escolar, é claro. Estamos tão acostumados ao massacre que ninguém percebe que esse é um procedimento completamente falido e que não “mede” nada no final das contas. Todo o nosso sistema de ensino está baseado nessas avaliações sem sentido, e quem sofre o maior desgaste são as crianças e adolescentes.
   Como pode haver um “instrumento” de precisão tal que reprova por centésimos, na avaliação de desempenho intelectual de um ser humano? E ainda mais se aplicado por pessoas que, na maior parte das vezes, não tem qualquer embasamento científico…
   Para os pais, a sensação de que é a única maneira de verificar se os filhos serão ou não “alguém na vida”. E embora não se comprometam com o dia a dia dos estudos dos filhos, nunca cobrando nada sobre as tarefas escolares ou trabalhos, quando chegam as provas, resolvem ficar extremamente dedicados na avaliação do filhos. Muita confiança num sistema escolar que, no final das contas, não está resolvendo o principal problema que é o desenvolvimento da inteligência. O pai, por desconhecimento do tema, entra na mesma vibração de todo o processo, ou seja, quer nota e alta.
   Vai haver um momento na história da humanidade, em que uma reformulação de porte será feita, para que a escola chegue ao nível de avaliação do aluno de forma permanente, em cada tarefa realizada pelo aluno correspondendo a uma pequena avaliação que, somada a todas as demais, dirá ao final de um período sobre sua competência para seguir o caminho.
   UMA PROVA NADA MEDE. Um momento do processo não traduz a verdadeira competência do aluno. Somente a avaliação diária dos jovens é que vai refletir o seu desenvolvimento. Dá mais trabalho? Dá. Mas e daí? A escola está mexendo na base de uma vida inteira de milhões de seres humanos, o tempo todo.
   O desenvolvimento cognitivo precisa ser avaliado, mas isso esbarra em toda a formação de educadores, que são preparados para atuar numa linha reta, que ignora completamente a individualidade e os estágios evolutivos. Fica mais fácil avaliar o que foi “armazenado”, do que o que foi “desenvolvido”, e o absurdo torna-se valor e é institucionalizado. Armazenamento não é inteligência, e isso precisa ser dito de maneira repetida até o final dos tempos ou pelo menos até que mudem os critérios de avaliação nas escolas. Tudo o que é atualmente apresentado para ser “decorado” pode ser encontrado por meio de um smartphone na vastidão da internet, mas como se sabe, se os elementos não puderem ser organizados para um fim, não tem valor algum. Tanto que, pela seletividade natural do cérebro, visando evitar gastos energéticos maiores, o que não tem aplicação vai sendo rapidamente esquecido - e ainda bem que é assim. A decisão de valor estabelece o que vai ficar por mais tempo consumindo uma área nobre do órgão mais nobre dos seres humanos, e certamente o nome de todos os afluentes do Rio Amazonas não faz parte disso. Caso contrário você, leitor, saberia todos, porque certamente decorou isso.
   Uma prova ideal, seria aquela que propõe problemas lógicos, que devem ser pensados e sem estabelecer conteúdos específicos. Tudo o que o aluno for forçado a “aprender”, impede que ele invente ou descubra, e isso é de uma gravidade enorme porque o papel do jovem, na sociedade, é transformar, inventar e não reproduzir o que já foi estabelecido. As provas, sendo simples reprodução do conhecimento acumulado pela humanidade, não permitem esse movimento mental. E o conhecimento estará sempre à disposição de todos aqueles que precisem de informações para agir sobre o meio.
   Não estamos mais na condição de que, para perpetuar a informação, era preciso que a mesma fosse guardada na mente das pessoas, e que essas transmitissem de geração para geração exatamente a mesma coisa. Gutenberg, ao inventar o tipo móvel e a impressão em larga escala, tirou o trabalho de muita gente que vivia de repetir o mesmo. A consulta ao livro tornou o repetidor desnecessário. Hoje, a informação está disponível de uma maneira que nos afoga, em certos momentos. O que se espera é que o indivíduo possa tornar melhor o mundo, fazendo com que aquilo que sempre foi feito de uma determinada maneira, possa ser feito de maneira muito melhor, mais barata, com menor consumo de energia e disponível para acesso rápido.
   Ser criativo é a grande exigência do mundo nesse momento da história da humanidade e agora é tempo de pensar, de reinventar, de ser disruptivo, de avançar para fronteiras jamais imaginadas. O tempo em que ficamos ensinando o mesmo e fazendo provas para ver se aquele conteúdo “tinha entrado na cabeça “de nossos alunos, acabou. Professores, cuidado para não se tornarem desnecessários em algum momento, sem perceberem. Pais, estudem as opções de futuro para que seus filhos tenham chance de alcançar o sucesso no mundo em que eles irão viver. Escolas, parem de repetir o modelo fracassado e se reinventem para que tenhamos uma chance maior daqui a vinte anos. O Brasil também depende disso.

domingo, 16 de julho de 2017

Organizando as crianças

Como organizar as crianças se os adultos não têm a menor organização? Toda a organização externa vai se refletir na organização interna. As coisas sempre devem voltar aos seus lugares. São as operações de classificação e seriação que devem ser exploradas.
A organização tem que ser trabalhada sempre em todos os níveis de desenvolvimento. Existem, também, vários níveis de organização. Para cada estádio há um nível de cobrança para a organização.
Vivemos em uma sociedade onde as coisas não funcionam por falta de organização. Cada coisa que se desorganiza, na sociedade, leva muitas outras coisas com ela.             O pensamento lógico necessita de muita organização então não diga que você é desorganizado, mas muito logico. A organização faz parte da lógica.
Quando você perde alguma coisa sua procura deve ser feita com lógica e logo encontrará o objeto, se você faz uma procura aleatória poderá achá-lo ou não. As crianças até 7/8 anos fazem essa busca. Hoje já temos especialistas em organizar casas. Tudo em seus lugares para que na vida agitada das famílias tudo possa ser encontrado, mas em geral as crianças não estão sendo trabalhadas para isso.
Em casa sempre crio estratégias para organizar os brinquedos dos meus netos para que possam brincar e manter tudo organizado. Estou sempre criando locais para guardarem seus objetos (brinquedos). Tudo pode ser utilizado, mas depois tudo deve ser guardado nos locais apropriados.

Sugestões que criei. Caixotes e baús espalhados em vários pontos da casa. 

domingo, 28 de junho de 2015

A "não-doença" e sua cura!

Em sã consciência, nenhum pai quer que o seu filho fique doente, é claro. Mas, venho identificando uma situação no mínimo estranha, que é a tentativa de alguns pais de encontrar, custe o que custar, uma doença moderna que possa estar acometendo seus filhos. Serve THDA, TDA ou qualquer outra dessas sopinhas de letras, tão ao gosto dos especialistas.
Gostaria de dizer alguma coisa a respeito, na tentativa de evitar essa SDBDNC (Síndrome de Busca de Doenças nas Crianças). A primeira coisa que identificamos nos pais que estão nessa busca, é que estabeleceram que o rendimento das crianças deve estar dentro de um padrão estabelecido por eles, e para isso comparam o de seus filhos com o de outras crianças que eles identificaram como "padrão"... E quem foi que disse que isso é uma maneira tecnicamente correta de estabelecer uma avaliação? Onde está escrito que uma pessoa pode "determinar o padrão", sem um conhecimento técnico ou científico sobre o assunto? Tudo não passa de "achismo", intuição ... ou seja lá o que for. O resultado é péssimo, no final das contas, visto que as causas de um determinado comportamento não desejável podem estar principalmente na má educação dada pela família - e aí o culpado assume a toga de juiz ou o jaleco de profissional de saúde para realizar o diagnóstico, com os resultados previsíveis.
A coisa se agrava quando, na escola, a criança está bem, agindo normalmente, dentro do esperado para seu nível mental, mas a família não suporta não fazer o papel de preocupada, querendo identificar alguma anomalia para poder encher a mesma de tratamentos e outras coisas. Isso não é bom para nenhuma das partes, e é preciso lembrar a análise errada da situação é tão ruim quanto não a analisar. Ou seja, é preciso estar atento, mas ter competência para avaliar as coisas corretamente.
As distorções comportamentais narradas pelos pais, ocorrem no ambiente doméstico, mas os mesmos querem que a escola "veja" esses "problemas", como se eles acontecessem durante o dia letivo - o que verdadeiramente não acontece! O ambiente é outro, as interações são diferentes, a estimulação e a motivação são completamente diferentes, enfim, é outro mundo. E em dois mundos diferentes, o que acontece em um não necessariamente acontece no outro, para o bem ou para o mal.
Entendo que o problema, via de regra, é da família, podendo muitas vezes uma doença já estar estabelecido cronicamente sem que ninguém consiga vê-la. Levam as crianças aos terapeutas que não se comunicam com a escola, se apropriam das informações dadas pela família (sejam elas quais forem). O que era um problema, vira uma confusão, e o prejuízo maior é sempre da criança.
Ora, isso tudo soa como falta de responsabilidade, porque se uma criança estiver, realmente, doente, precisa de diagnóstico e terapias, sim, mas precisa que isso seja compartilhado com a escola, visto que ali é o local de maior vivência deles. Mas como a Escola, em nossa sociedade, é altamente desmoralizada, não é dada a ela o crédito para que sejam levadas em consideração suas análises e avaliações sobre o comportamento infantil. Assim, a seriedade de todo um trabalho de anos não é reconhecida, a não ser que a escola "aceite a doença" que os terapeutas e pais determinaram que existe!
Refletindo sobre tudo isso, com a experiência de mais de 40 anos e toda a vivência que pesa sobre os meus ombros, só consigo imaginar, que de uma maneira transversal, as pessoas achem melhor identificar as "doenças" nas crianças, para que o fracasso só possa ser atribuído a elas e não aos pais. Assim, a culpa fica no "defeito de fabricação" com que a criança chegou ao mundo ... o que torna tudo mais fácil para os que têm o poder de disseminar a ideia.
No final, fica aquele discurso de que "nós somos ótimos, vencedores, campeões, mas infelizmente nosso filho tem isso, aquilo e aquilo outro, e não rende na escola...". Muitas crianças vão sendo "adoecidas" assim, e mesmo não precisando de tratamento, são levadas a terapeutas que passam longos anos procurando uma cura para uma não-doença!
A minha pergunta é se todos vão ficar calados, sem defender as crianças!? Ora, chega disso. O percentual de crianças doentes é mínimo se comparado ao de adultos doentes, e com essas doenças os adultos vão criando uma geração de crianças "doentes" de falta de atenção. Sim, porque criança sem atenção fica doente, criança perseguida fica doente, criança sem carinho fica doente, criança sem limites fica doente, e por aí vai. A grande maioria das "doenças infantis" são criadas pelos adultos que decidiram não educar às crianças. Ter filho é uma construção diária que gera um ser integral. Não existe uma fórmula pronta, mas o que se sabe é que eles são o resultado final da combinatória da família onde estão inseridos.
É difícil educar ??? É! Mas é possível. Todo dia, seu filho é outro filho, pois o desenvolvimento cognitivo e emocional é uma construção diária. A afetividade também obedece ao mesmo ritmo. Você quer ser um "bom pai"? Não se iluda... dá trabalho mesmo. Aprenda a conversar com ele, busque leituras a respeito, bem como reuniões e cursos disponíveis hoje em dia. Nunca se achem "experts" no assunto, porque isso não existe. Os comportamentos dos pais são muito diversificados e os ajustes terão que ser também amplos e atender uma gama enorme de maneiras de agir.
Mas, principalmente, identifiquem o que vocês querem para seus filhos, porque se o que vocês querem são só notas boas na caderneta, isso não vai resolver o problema deles no futuro. Aprender a ser pai é tarefa difícil, mas vale a pena. Vou continuar a falar sobre isso em um próximo artigo.

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sábado, 16 de maio de 2015

Movimentos Sociais

Estamos em um período crítico de movimentação em nosso país. Quase ninguém sabe para que lado andar. E nós, educadores, como ficamos para orientar e falar com as crianças e adolescentes? As crianças pouco notam a sociedade. Vivem em suas sociedades infantis, mas os adolescentes já deveriam ter uma preocupação social. Os ânimos estão muito acirrados e fica difícil pender para a direita ou para a esquerda. Será que ainda existem? O importante é analisar tudo que está acontecendo e que cada caso é um caso. O que queremos para nosso país é de importância vital. Nunca confundir isso com nossos desejos individuais. Temos que saber perder no individual para ganhar no coletivo. Essa é a regra para viver em sociedade. Ainda não temos esta cultura, mas chegaremos lá educando as crianças para a cooperação.
Nas ruas temos que dizer o que estamos sentindo e apontar soluções gerais. Sempre que radicalizamos corremos o risco de propor soluções insatisfatórias para a grande massa. Cada um sabe um pouco e temos que aprender a conviver com os contrários. Os efeitos das soluções encontradas vão levar algum tempo para aparecer. As mudanças devem ser estruturais e cada um de nós é responsável por uma parte dessas mudanças. Se você não mudar nada vai acontecer. Você quer mudar? Sabe o que esta mudança vai acarretar na sua vida? Pequenas mudanças vão gerar um grande movimento social, mas cada um de nós tem que começar. Você pode deixar de usar o seu carro um dia por semana? Pode economizar a água que gasta em casa? E a energia elétrica? Assim tente fazer uma lista de mais ou menos 20 coisas que serão da sua responsabilidade. Esse movimento pode parecer pequeno, mas vai tornar cada um de nós mais responsável por mudar a estrutura da sociedade. Não são somente as grandes causas que transformam. O que você faz com seu lixo? Você tem ideia de quanto lixo produz? São tantas as perguntas que passaríamos dias listando.

Vamos às ruas, mas com a consciência de que não são os outros que devem fazer ou mudar e sim nós. Inclusive em nossos pensamentos. Quantas vezes cheios de preconceitos criticamos os preconceitos dos outros!

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Ler Histórias para Crianças

Até quando? Sempre! Não termina nunca. Devemos sempre ler histórias para as crianças e adolescentes. O que vai variar são os temas e a complexidade das histórias.
Esse é um tempo de afeto onde os pais estão próximos de suas crianças. Será que conseguiremos tempo para contar o mundo todo às crianças? Escolha os livros e vá    contando-os gradativamente. Faça um programa de leitura e suas crianças vão lhe agradecer. Escolha livros adequados para a idade da criança e veja a possibilidade de abordar o desenvolvimento moral através dos mesmos.
Faça perguntas depois da leitura mas não as transforme num interrogatório e também faça os seus comentários. Não espere da criança a compreensão total do que foi lido. A mensagem será compreendida aos poucos. Crie um horário permanente para a leitura. Deixe as crianças a vontade para perguntar e não as canse. Elas não têm o mesmo tempo que o adulto. As crianças têm um tempo de concentração de mais ou menos 10/15 minutos até os 7/8 anos. Depois você pode ficar um pouco mais. Termine a leitura quando a criança ainda está interessada. Fantasie bastante o que está lendo até essa idade. Após os 7/8 anos as histórias devem estar ligadas ao medo, ao mistério e na adolescência aos romances. Não esqueça que os clássicos são sempre uma boa pedida. Faça uma lista do que quer que seu filho conheça e assim terá o seu guia.
Lembre-se que tudo depende de um hábito e se você criou esse hábito na infância terá os frutos na adolescência.
Sejam pais contadores de história. Vejam se as escolas têm esta preocupação. O pensamento simbólico vai depender dessas histórias. Ampliem o mundo de suas crianças. Não deixem passar nenhum dia sem contar uma história. O desenvolvimento da inteligência de sua criança vai agradecer.

A pergunta frequente é: Que livros escolher? A literatura universal está toda a sua disposição. A literatura brasileira oferece muitas coisas maravilhosas. Para o início tudo que tenha ação, depois dos dois anos, para os simbólicos, a magia, depois os mistérios, o terror também e    bem-vindo. Sinta o interesse das suas crianças. Não fique muito tempo. Não esqueça de Monteiro Lobato!

quarta-feira, 2 de julho de 2014

O mundo não acaba, mas sua profissão pode desaparecer


                É preocupante imaginar que sua profissão pode desaparecer. Se você não tem essa preocupação, é hora de começar a verificar se isso já não está acontecendo. Conheço vários casos de pessoas que não ficaram desempregadas nas últimas décadas, mas foram inviabilizadas por conta disso. Deixaram de ser relevantes e economicamente ativas simplesmente porque o que sabiam fazer não tinha mais qualquer importância. Os sintomas são claros e em primeiro lugar vem o declínio de quanto estão dispostos a pagar a você pelo seu conhecimento. Paulatinamente, você vê as consequências disso na perda do “status quo”, quando seu padrão de vida não pode mais ser mantido e aquilo que era plenamente aceitável no seu projeto de vida vai ficando distante, inalcançável. Em certo momento, até mesmo a sobrevivência entra em jogo. É sempre bom lembrar do caso dos datilógrafos, que eram essenciais no mundo dos negócios e que foram deixando de ter importância até o momento em que viram as próprias máquinas de escrever deixarem de ser fabricadas. E não estamos falando de um passado distante, mas das décadas de 1970 e 1980. Surgiram os digitadores, que pouco a pouco foram desaparecendo na medida em que todos iam dominando a técnica de escrever usando meio digital, tornando irrelevante a contratação dos mesmos. O interessante é que em vários casos não acontece o desaparecimento completo, mas simplesmente a perda de valor que acaba por tornar a atividade inviável.
                E isso vem acontecendo o tempo todo, só que se nos últimos vinte anos ficou claro que as coisas iam mudar, para os próximos vinte anos não temos mais nem sequer a ideia aproximada do que vai ser ter uma profissão. O que se sabe é que, seja qual for a profissão, vai precisar de criatividade, inteligência, energia, capacidade empreendedora, aceitação do grau de risco e velocidade de adaptação incomum. E se sabemos disso, porque continuamos ensinando coisas que não terão a menor relevância para as futuras gerações? Veja onde se posiciona sua profissão no ranking – qualquer ranking – nos dias de hoje e pense no que você espera para a formação de seu filho.
                É preciso parar de obrigar as crianças a decorarem coisas que estão armazenadas e disponibilizadas em repositórios de peta bytes de capacidade. Precisamos é que elas saibam como utiliza-las para criar uma nova realidade. Você consegue imaginar que seu filho possa almejar, num futuro muito próximo, uma profissão que dependa de decoreba? Qualquer coisa que esteja lidando com armazenamento de informações está hoje pronta e sendo abastecida por quantidades diárias que seriam impossíveis de decorar. Não estamos mais lidando com o valor do “conhecimento entruchado” mas sim do manejo de dados, da articulação de memórias digitais para a produção de valor.
                Qualquer nova profissão vai precisar de ideias novas, de criatividade para fazer de uma maneira melhor aquilo que atenda as demandas da humanidade. Repetir ou copiar o que já existe está fadado a perda de valor visível e consequentemente de remuneração condigna, e é claro que você não compraria alguma coisa que não tivesse a melhor condição de atende-lo. Pode ser que você esteja formando seu filho de uma tal maneira que, no futuro, você próprio evitaria contrata-lo por não ver valor naquilo que ele faz.
                Noto que pessoas que tiveram poucas oportunidades de estudo buscam para seus filhos modelos de ensino “tradicionais”, justamente porque não conseguiram entender  a dimensão dos próximos tempos e agarram-se àquilo que conhecem e que já foi um padrão consentido e aceito pela sociedade para “treinar” crianças para a vida que vinha pela frente. Os pais que não entendem o que é a criatividade e a inteligência não vêem valor nisso, mas a certeza que temos é que, se por algum longo tempo na história da humanidade você “era pago para fazer e não para pensar”, agora estamos no tempo em que os que vão realmente triunfar são aquelas “que são pagos para pensar e não para fazer”.
                As soluções estão sendo criadas para situações que não estavam no espectro de ocorrências na vida de uma pessoa, como por exemplo a comunicação. Li hoje que o ORKUT, uma rede social que fez um sucesso enorme entre brasileiros até algum tempo atrás, está para ser desativada pela Google, gigante mundial de buscas. Isso porque, em um momento da trajetória, surgiu outra rede que atendeu melhor aquilo que era demandado, o Facebook. Hoje, não estar no Facebook é quase um sacrilégio para quem tem uma vida social ativa, mas tem pouquíssimo tempo que está no ar, historicamente falando. E qual é a maior preocupação dessa rede? Que surja alguém que a suplante em eficiência, conveniência, comodidade, rapidez e privacidade, criando uma nova onda que arraste milhões de pessoas no mundo todo para uma nova maneira de interagir. E isso vale para redes de restaurantes, concessionárias de automóveis, hospitais, associações ... menos para a escola, que continua entrevada no seu modelo tradicional, com suas provas, sua avaliação individual, sua mecânica emperrada e obsoleta. Complicado imaginar que isso possa mudar, mas vai ser uma necessidade vital em mais algum tempo.
                Para Piaget, inteligência é a capacidade de resolver problemas, e isso é o futuro. Futuro esse que pertence às crianças, que tem o direito de poder optar. A responsabilidade pela omissão recairá sobre os ombros daqueles que utilizarem o recurso do avestruz, enfiando a cabeça no chão e evitando olhar para o que vem por aí.

                Há muito a ser feito na área de Educação (com E maiúsculo) e o tempo está acabando.

sábado, 15 de março de 2014

Programa "Bolsa Inteligência"

Em Educação, não existe mágica – embora pareça que sim. Como é muito difícil entender a maneira como as pessoas aprendem, fica mais fácil acreditar que “acontece alguma coisa” e o sujeito que não sabia nada, acaba sabendo. Mas não é bem assim. De qualquer forma, nós brasileiros estamos trabalhando com uma ideia errada de que é possível “ir crescendo aos poucos” nessa área, para em algum momento chegar ao patamar dos países desenvolvidos. Essa posição esquece que o movimento do mundo é semelhante ao de uma escada rolante em termos de desenvolvimento, ou seja, os que estão entrando por último na escada vão, inevitavelmente, ficar atrás porque os que entraram primeiro estão lá em cima. E continuam subindo. Ter uma perspectiva de desenvolvimento passa por saber que isso é uma verdade inexorável.
A grande pergunta é: por que somos uma das dez maiores economias do mundo e estamos entre os últimos colocados no quesito Educação? Há uma relação entre esses dois fatos, mas não estamos trabalhando de maneira concreta para fazer com que os nossos resultados no campo da economia repercutam nas demais áreas. Há uma perda de foco no que é prioritário e isso tira do Brasil a sua condição de sustentabilidade, tão crucial nos tempos que teremos pela frente.
Um economista americano de nome Richard Murnane, grande nome da “educação baseada nas evidências”, diz com todas as letras que, além de ensinar alguns conteúdos para os alunos, precisamos principalmente ensina-los a aprender. Lauro de Oliveira Lima já dizia isso a 50 anos atrás, mas ao que tudo indica ainda não “pegou” essa idéia. Pode ser que, agora, esteja chegando a hora, já que alguns expoentes da educação estão pensando nessa linha. O fato é que APRENDER sempre foi e cada vez mais será uma necessidade permanente de todos nós e os conteúdos que são ensinados vão rapidamente perdendo a validade. A maioria dos conteúdos atualmente ensinados não são aplicáveis num mundo moderno, cheio de tecnologias e desafios, onde tudo está para ser inventado. E nós ainda ensinando coisas que são parte da história como sendo ferramentas de uso cotidiano. É meio criminoso isso, no final das contas. É como colocar uma pessoa que não sabe nadar num barco, sem colete salva vidas e dizendo para ele que não tem perigo, que o barco não vira, etc ... Só que, na hora do acidente, o que se vê é afogamento para todo lado. E vejam que, esse acidente, está programado. Vamos soltar as crianças e adolescentes no mundo equipados de que maneira? O que mais se vê é gente conseguindo trabalho com o que aprenderam fora das escolas, e não dentro delas... o que nos leva a pensar seriamente no perigo que isso representa.
Penso que conseguimos alguns avanços no Brasil, mas minha preocupação é  ver que os mesmos não estão relacionados de maneira direta ao desenvolvimento econômico, que para crescer e se sustentar vai precisar de muito mais do que o que vemos projetado para os próximos anos. O tal “ensino de qualidade” ainda é de uma subjetividade enorme, o que nos coloca frente a desafios críticos sem perspectiva de como enfrenta-los. Uma questão urgente é a necessidade de melhoria no desempenho dos professores, porque sem que eles estejam altamente treinados e capacitados a entender e trabalhar os desafios que se apresentam, não vamos ter a velocidade que necessitamos para andar mais rápido naquela escada rolante que mencionei no início.
Uma situação que me parece complicada é a filosofia por trás do Bolsa Família, tendo em conta que o recebimento da mesma está condicionado à permanência dos filhos das famílias de baixa renda na escola. Mas fica por aí: permanência. Isso não resolve o problema, já que as escolas que eles frequentam não são exatamente um modelo de ensino de qualidade. Mante-los ali é uma situação que não faz com que o nível das crianças suba, e elas não estarão preparadas para superar as dificuldades econômicas de seu meio. Melhor seria, conjuntamente, melhorar as escolas onde essas crianças estão “depositadas”. Dentro das escolas, as crianças já estão, mas o que fazer com elas lá dentro continua sendo o grande desafio.

O Bolsa Familia e um programa que condiciona a permanência dos filhos das famílias de baixa renda na escola, mas so a permanência não resolve o problema já que as escolas onde eles estão não são boas, logo não fazem com que suba o nível das crianças para superar as dificuldades  econômicas da família. O problema então e melhorar as escolas onde estão “depositados”. Dentro da escola as crianças já estão, mas o que fazer com elas e o grande desafio.
Temos alguns problemas básicos a serem superados:
1. Levar as crianças a escola (o “Bolsa Família” faz isso);
2. Levar o professor a se dedicar e não faltar ao trabalho (a formação faz isso);
3. Melhorar a qualidade da escola (capacitar o professorado para o desenvolvimento das crianças);
4. Escolher um modelo novo de Escola – onde o centro será a criança e seu desenvolvimento e os conteúdos fiquem a serviço do aluno. A escola como uma organização social;
5. Pais informados do novo modelo onde seus filhos estão inseridos.

Numa situação como essa, teremos  as “comunidades escolares”, como denominou Prof. Lauro de Oliveira Lima nos anos 1960. Os professores serão treinados para entenderem que não vão transmitir conteúdos e sim criar “situações-problema” onde as crianças construirão seus conhecimentos. Devemos lembrar que estas crianças são oriundas de famílias onde os pais não tiveram acesso a escolaridade e não sabem e não conseguem ajudar seus filhos. A obrigação fica por conta da escola, como deveria sempre acontecer. Como não podemos fazer todos os professores terem a mesma forma de transmitir os conhecimentos, devemos fazer através de um método onde as   próprias crianças construam seus conhecimentos.

Como trabalhar com os professores para que melhorem seu desempenho? Em primeira instancia podem ser oferecidos incentivos financeiros, mas temos que ajuda-los na sua capacitação para que consigam melhorar seu desempenho. Eles não podem fazer algo que não sabem. Apenas o financeiro não acrescenta conhecimentos aos professores. Precisam aprender a fazer.
Quando queremos mudar um sistema temos que ser radicais e mostrar aos professores que é possível, mesmo que pareça difícil, já que eles estão acostumados a uma rotina de que não pode haver mudanças.   “Sempre foi assim e é assim que tem que continuar” – parece ser o mote orientador da conduta do professor, imposto pelo sistema. Basta dizer que alguns deles continuam ditando lições e copiando no quadro.

 As salas de aula tem que ganhar uma nova configuração, coisa que os economistas não sabem. Somente trabalhando com educadores podemos ver como deve ser radical a mudança inclusive física das salas. Não devemos mais manter o modelo dos séculos passados onde as crianças ficavam em cadeiras individuais uma olhando para a nuca do colega da frente. É hora das mesas coletivas onde todos confrontam com todos.

Não podemos esquecer que os políticos vão logo pensar em quanto dinheiro devera ser investido e colocado para que sejam efetuadas as mudanças mas, ao contrário, o dinheiro deverá chegar depois.

A redução das turmas é fundamental no processo geral, mas de nada adianta se o professor continuar ditando aulas e fazendo as crianças copiarem. Se a aula é expositiva tanto faz ele ter 15, 30, 50 ou 100 alunos por turma. A turma deve ser reduzida para que a Dinâmica de Grupo entre nas salas de aula. A observação diária do professor sobre cada aluno passa a ser o substituto da famigerada “lista de presença” que toma tempo precioso de aula e não leva a nada. Em contrapartida, o professor passa a anotar o desenvolvimento de cada um de seus alunos.

Toda a educação devera estar voltada para profissões do futuro,  que não possam ser substituídas pelo computador. A grande coisa do futuro é a criação e resolução de problemas. Todos os problemas que o computador resolve já tem que estarem impressos em sua memória para que ele faça a combinatória, pois ele não inventa. Vai ficar para o homem a tarefa de inventar (criar). Trabalhar com as crianças será uma função privilegiada, bem como com os idosos.

Para o futuro só temos que ensinar inteligência, a Aprender a Aprender. Tudo que sabemos hoje pode rapidamente tornar-se obsoleto. Ler, escrever e as quatro operações podem ser um ponto de partida, mas não vão determinar o saber que a criança vai necessitar.  O que vai ser determinante é a forma com que ela vai usar os conhecimentos que obtém em qualquer site de busca. O pensamento matemático vai ser uma determinante. Não pense que fazendo o que você esta fazendo agora terá futuro dentro de 30 anos, pois a velocidade com que a tecnologia avança é fantástica.

Mudar é muito difícil mas já passou do tempo e temos que fazer. Vamos dar o “Bolsa Inteligência” porque assim teremos os resultados que precisamos e podemos chegar “lá em cima” de maneira concreta, em prazo menor e com mais suavidade para nossas crianças.

domingo, 9 de março de 2014

Foco – A tecnologia degrada nossa concentração?

Não é déficit de atenção, mas sim rejeição a atividades desinteressantes em sala de aula
Estamos em uma época onde todos se voltam para a tecnologia. Será verdade que ela tira a concentração das crianças? Não parece objetiva esta afirmação já que as crianças conseguem jogar por longos períodos e não parecem desconcentrados. A ideia de que os jogos concentram, mas que ensinam atitudes violentas como sugere Daniel Goleman (Inteligência Emocional) não tem uma fundamentação cientifica. Vocês podem imaginar como estariam as crianças que brincam com esses jogos?  Muitos adultos agressivos e sem limites na nossa sociedade nunca brincaram com os jogos ditos violentos. E muitas crianças que brincam no seu dia a dia são dóceis e amáveis com seus colegas de brinquedo e suas famílias.
Os exemplos que são citados para dizer que as crianças não se concentram em sala de aula sugere que as crianças ficam no celular e não prestam atenção no que o professor diz, mas quem disse que o professor deve dizer (dar aulas) alguma coisa? As crianças devem estar em atividade com as outras crianças em permanente dinâmica de grupo que será muito mais atraente do que qualquer telefone ou tablet. “O outro” provoca muito mais desafios. Os adultos não são companheiros para as crianças, mas devem ser os animadores que trazem as provocações. O professor que ainda acha que deve “dar aulas” esta totalmente fora da nova era. Não podemos aceitar que que uma criança fique em uma sala recebendo aulas sem estar em atividade.
A criança esta em desenvolvimento e precisa de ações para que seu desenvolvimento aconteça. As aulas atuais estão apenas baseadas na percepção e não é mais assim que a aprendizagem se da. Aprendemos fazendo. Daí as crianças precisarem de atividades dinâmicas.
Ter foco é fundamental, e as crianças tem. Vejam um bebe brincando de verter água em uma piscina ou tanque de areia. Podem ficar muitos minutos na maior concentração.
O que anda sem foco são as escolas, que querem que as crianças fiquem durante horas sentadas ouvindo uma professora falar sobre um assunto sem o menor interesse para os jovens. Vamos buscar o foco para voltar a tornar as tarefas de interesse real das crianças.
Os adultos vivem procurando manter o foco para produzirem mais e melhor em suas tarefas profissionais. O que faz com que percam o foco? Não gostar do que fazem é um dos motivos conhecidos. O mesmo ocorre com as crianças.
Por isso estamos concluindo que não existe o déficit de atenção como são diagnosticadas muitas crianças. O que existe são atividades desinteressantes que não provocam a inteligência das crianças.

sábado, 27 de julho de 2013

Separação dos Pais

É uma história já hoje antiga, mas a discussão que surgiu em torno da guarda das crianças vem mudando, porque o contexto geral está mudando também e as situações são muito diferentes daquelas dos primeiros tempos, quando separações tornaram-se mais frequentes.
Por exemplo, a guarda compartilhada - que sempre foi o modelo mais mais aceito - passou a ser refutada em diversos casos. Nesse tipo de acordo, os filhos ficavam com as mães, tendo os pais o direito de visita - normalmente quinzenal. Hoje, com a presença maciça das mulheres no mercado de trabalho, atuando nas mais variadas áreas, a coisa ficou mais complicada. Não temos a figura da cuidadora do lar, mas sim de uma mulher com múltiplas funções, inclusive a original, que deu margem aos acordos de outrora.
Assim, hoje, todos os fatores que envolvem o assunto devem ser discutidos de maneira muito completa, porque todos são primordiais para o bem estar das crianças que passam por esse processo na fase mais delicada de suas formações. Pensão, guarda, moradia, visitas, férias, visitas, escola, viagens … tudo é passível de discussão de acordo para se tentar chegar ao melhor para elas.
Mesmo não conseguindo conversar sobre suas relações, é muito importante que os pais tenham um diálogo maduro sobre o destino de seus filhos, porque as crianças não tem nada a ver com as desavenças pessoais de seus pais, que via de regra prejudicam a todos nos processos judiciais e na decisão final.
Compartilhar a guarda é muito importante, mas deve ser uma decisão lastrada em regras muito firmes e organizadas, para que as crianças tenham, realmente, duas casas onde tudo acontece dentro da normalidade. Em ambas as moradias, as crianças devem ter o espaço próprio, brinquedos, local para dormir tranquilamente e infraestrutura para cuidados essenciais. Ambientes totalmente diferentes, para a mesma criança, pode ser extremamente danoso, e principalmente o foco nesse arranjo tem que ser a criança, em ambas as casas, e não um reflexo do poder aquisitivo dos pais.
Crianças são seres altamente vulneráveis, e quando há um clima de incompatibilidade e conflito entre os pais, seria melhor que ambos fossem avaliados por profissionais para que seja avaliada a possibilidade de as crianças serem cuidadas em duas casas. Crianças não podem e não devem ficar à mercê das vontades dos adultos, caso contrário ficam inseguras, esperando o que vai ser decidido de suas vidas. Além disso, os pais tem que ter a noção clara de que as crianças amam os dois, e não tem condições de decidir com quem vão ficar - como tantas vezes é imposto a elas. E acreditem: mesmo os adolescentes vão sofrer muito se tiverem que optar.
Como disse acima, pais separados não são novidade em nossa sociedade, mas crianças equilibradas depois da separação estão sendo um caso raro. Conflitos, vaidades, jogos de poder e ódios latentes não podem ser superiores ao bem estar das crianças. Resolvam tudo pensando nelas, caso contrário as consequências serão muito ruins ao longo do tempo. E para o resto de suas vidas.

domingo, 18 de novembro de 2012

A Vida Pratica



O que você  tem feito pela vida pratica de seu filho? A vida pratica também deve ser ensinada, sempre com muito cuidado. Eles não sabem nada que acontece a volta deles em suas casas. Quem arruma a casa, lava a roupa, faz compras, cozinha, passa a roupa, entre tantas outras coisas. Observo sempre, com preocupação, que as crianças normalmente não têm obrigações em suas casas, vivendo como visitas. Isso não esta certo. As crianças são parte da comunidade e devem colaborar em tudo que já tenham condições de fazer. E como saber? Deixando que eles exercitem sob supervisão e fazendo as correções necessárias. Vejam todas as tarefas domesticas e dividam entre todos os membros da família, incorporando as crianças.
As crianças, via de regra, são tratadas como bibelôs da casa e, num determinado momento, veem seus pais ficarem irritados “com seus bebes inertes”, criados por eles mesmos e querendo que saibam fazer o que nunca foi ensinado. As crianças não podem ficar fora da sociedade, devendo participar como seres atuantes. Ir ao mercado é uma forma interessante de participação. Deixe eles saberem o que a família come e os preços dos alimentos, quais os produtos de limpeza, higiene, etc. Eles não sabem nem qual o sabonete que usam!. Recebem tudo pronto sem ter que tomar nenhuma decisão. As crianças tem como única função escolher os brinquedos que querem e não tem noção se a família pode ou não compra-los, já que tudo é resolvido sem que eles saibam como.
A cada fase do desenvolvimento as crianças já podem ter uma participação efetiva na vida familiar. Aos 3 / 4 anos já podem guardar seus brinquedos, organizar suas coisas a seu modo, mesmo que depois um  adulto faça a organização final. Mas por volta dos 7 anos, a criança já compreende quase tudo de sua casa e, o que não for solicitado, não vai ser aprendido e certamente não será realizado. Dar tarefas e educar para a vida é a única maneira de obter resultados nessa área, e tem que ser em família, porque a escola não trabalha essas situações praticamente nunca. Liste todas as tarefas da casa e veja que seus filhos, depois dos 7 anos, podem ajudar em quase tudo. Organizar as coisas, colocar a roupa na maquina de lavar, recolher a roupa suja, lavar uma louça entre outras tarefas. Quando isso não acontece, ficam os pais reclamando que as crianças deixam a roupa suja jogada no banheiro, a toalha molhada sobre a cama etc. Sabem porque isso acontece? Estas crianças são os "reizinhos" da casa e, não fazendo nada, não sabem o trabalho que estão dando a outros. Você sabe que as crianças podem fazer sua cama pela manhã? Podem ajudar a organizar o café da manha. Não subestime seu filho, até porque ele vai gostar de saber que você acredita nele.
Mostre a eles o quanto vocês gastam todos juntos: luz, gás, água e que tudo tem que ser pago para a sobrevivência da família. Você sabe que as crianças não tem noção de que a gasolina que o carro de vocês consome é paga? E que quando você desloca-se para leva-lo a algum lugar, gasta dinheiro?
Não dê mesada sem alguma responsabilidade. As crianças desde cedo devem aprender o que é uma remuneração. Mesmo que seja pouco, ele deve receber e aprender como gastar. Não reponha a mesada se ele gastou tudo de uma vez sem planejamento.
Ajude seu filho a conhecer o mundo em que vive, porque no final das contas, esse será o mundo dele.

sábado, 23 de junho de 2012

Crescer dói, mas vale a pena!


   Seu filho tem que crescer. Não importa que ele seja o seu “baby”, pois é o mais novo ou único. Não tem jeito: ou cresce ou cresce. O crescer não é somente relacionado à estatura, mas sim ao psicológico, principalmente. A cada fase do desenvolvimento, você deve ir exigindo progressivamente comportamentos diferenciados e, dependendo das dificuldades que tenham para realizar a tarefa solicitada, você vai dosando cuidadosamente, mas sem pena.
   Aos 3-4 anos seus filhos já compreendem uma serie de regras e não precisam que você faça tudo para eles. Alimentação deve estar no domínio deles. Vestir as roupas, algumas com alguma dificuldade, mas devem sempre tentar. Deitar, levantar já esta a cargo da própria criança. Não faca seu filho ficar dependente de vocês. Mesmo que seja gostoso fazer tudo para eles, é importante que eles caminhem sempre na direção da independência. Afinal, não somos eternos e ainda que fossemos, a regra da vida é preparar para voar e não carregar pela eternidade afora.
   Aos 7 anos, quando iniciam as operações concretas, o mundo já esta nas mãos deles. Lembrem que a maioria dos adultos com quem nós convivemos, tem este tipo de pensamento e por serem grandes (adultos fisicamente) nós damos muitas missões que não pedimos a nossos filhos por acha-los incompetentes para tal. Eles já podem fazer tudo que se refere ao mundo concreto. Arrumar, lavar, utilizar muitas coisas na cozinha, atender  telefone, fazer anotações e por ai vai a extensa lista de tarefas possíveis.
   Por que então os pais ficam atrás de seus filhos para que estudem, não fique no computador o dia inteiro ou falando ao telefone? As crianças, não tendo tarefas e obrigações, ficam dependendo que seus pais deem as ordens e acompanhem seu desempenho. As tarefas de casa (dever de casa) são um martírio para os pais que acham que é obrigação deles e que, se não se dedicarem, as crianças e adolescentes não vão conseguir realiza-las. Ora,  estas tarefas são das crianças e adolescentes e só a eles cabe a responsabilidade. Porque as crianças e adolescentes não tem em casa um cronograma com as tarefas a realizar? Parece que são bichinhos de estimação. Eles são seres inteligentes e devem participar ativamente de suas casas. Eles vão sentir que fazem parte da comunidade familiar à medida que tenham obrigações.
   Os pais conseguem aguentar que suas crianças não façam nada em casa, achando ate normal e interessante que a mãe ou a auxiliar da família realizem todas as tarefas ligadas as crianças, mas  quando vão se tornando adolescentes começam as brigas para que façam o que nunca aprenderam. Não se aprende sem fazer. Para Piaget “no inicio está a ação.” O adolescente fica revoltado por não entender porque agora querem que ele tenha obrigações e realize tarefas.
   Tudo que vemos em nossos filhos adultos é resultado do que realizamos desde a primeira infância. Tudo da sociedade devera ser aprendido, então vamos ensinar. Faça uma tabela com as tarefas de rotina. Os adultos organizados tem esta lista interiorizada. As crianças não conseguem sem visualizar e o tempo todo ter um feedback de como realizou.
   Deixe que suas crianças aprendam a acordar sozinhas, tomar café e fazer os preparativos para a escola. Tudo que você faz é colocado na sua “conta”, ou seja, é sua função e não da criança. Isso tira delas uma enorme experiência de vida. É muito bom ter um bebe em casa, mas ele tem que tornar-se adulto custe o que custar. Vamos deixa-los crecer.

domingo, 3 de junho de 2012

Inteligência e Conhecimento



As pessoas ainda confundem muito inteligência e conhecimento. Podemos ter uma pessoa muito inteligente sem conhecimentos e outra com muitos conhecimentos, mas pouco inteligente. O que faz esta diferença e que a inteligência serve para resolver problemas (qualquer um) enquanto o conhecimento fica restrito ao seu campo.
No mundo moderno precisamos muito de pessoas inteligentes já que os conhecimentos vão estar a disposição virtualmente. Todas as operações serão realizadas pela inteligência.
A inteligência é a capacidade de resolver problemas. E são os problemas que vão ser apresentados às crianças e adolescentes durante toda a vida. No trabalho não temos duvida que tudo estará ligado a solução de problemas. Ninguém vai querer, de um profissional, que ele saiba os afluentes do rio Amazonas, mas certamente, vão querer que ele resolva um problema que precisa de solução para que o trabalho se desenvolva.
Ficamos então pensando na perda de tempo que são escolas ensinando coisas que logo estarão obsoletas e que os jovens não vão necessitar em seu desenvolvimento profissional.
As escolas, em geral, estão centradas unicamente no conhecimento, devido ao conceito de que desenvolvem  educação. Só a inteligência vai dar o sentido geral da educação, como uma criação livre de personalidade e da sociedade, sendo que esta liberdade não pode cair no descaminho. É isso que vai acontecer caso não se defina uma orientação de para onde caminhar. Não se aceita hoje, dentro dos padrões modernos de educação, a não diretividade. As crianças tem necessidade, para seu desenvolvimento, da diretividade que vai aos poucos, lá pelo período das abstrações (10/11/12 anos), atingindo a autonomia.
Sentimos então que, para o desenvolvimento da inteligência, precisamos inicialmente da estimulação e em segundo lugar a disciplinação . A inteligência vai buscar a liberdade e ela não esta em um lugar. A liberdade vai ser percebida pelos indivíduos a certa altura do desenvolvimento. Vai sendo construída gradativamente.
Então, educar pela inteligência é ajudar a criar, é a anti-rotina e o anti-imobilismo. Se você acredita e quer isso para seus filhos, deixe que eles desenvolvam suas inteligências para servir a humanidade.
Quando você esta pensando na alimentação das crianças, entende perfeitamente o que cada idade pode receber como alimento, mas quando estamos falando de conhecimentos perdemos os parâmetros para pensar que a criança pode aprender qualquer coisa em qualquer tempo. Piaget em seus estudos foi claro e oferece aos educadores os parâmetros de como a criança aprende e o que compreende a cada etapa do desenvolvimento.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

A Chave do Tamanho na RIO+20


Na atividade "gol de bicicleta", torcedores de quatro times de futebol do Rio tentam ganhar uma disputa de quem produz mais energia pedalando


Foto: Giuliander Carpes/Terra

GIULIANDER CARPES
Direto do Rio de Janeiro
Um museu de ciências a céu aberto é a porta de entrada para a população carioca se engajar nos temas da Rio+20, Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, que ocorre de 20 a 22 de junho no Riocentro. Abriu nesta quinta-feira a Green Nation Fest, na Quinta da Boa Vista, evento que pretende chamar a atenção para a sustentabilidade com iniciativas interativas e sensoriais.

Numa área de 12 mil m², são esperados 4 mil visitantes por dia - a entrada é franca - que vão ter contato com os temas de sustentabilidade e aquecer para a Rio+20 de forma descontraída. Há desde mostra de cinema, passando por seminários até atividades lúdicas como imersão em ambientes climáticos do planeta em simulações de situações extremas como degelo, queimada e inundação.

"É um museu de ciências a céu aberto. São temas que as crianças já vêm trabalhando na escola e esse evento ajuda a reforçar esse trabalho com essas simulações mais práticas", diz a professora Marcia Gentile, da Escola A Chave do Tamanho, no Recreio dos Bandeirantes. Ela levou alunos da 4ª a 9ª série do Ensino Fundamental. "Estou indicando para que eles voltem aqui com os pais no final de semana para que possam multiplicar esse conhecimento que está sendo passado aqui."


Marcos Didonet, organizador do evento - que se estende até a próxima quinta-feira, 7 de junho -, afirma que investiu R$ 3,9 milhões no festival de sustentabilidade, além da ajuda de 40 parceiros. "A ideia é fazer o grande público prestar atenção à Rio+20. Sustentabilidade é um conceito amplo e as pessoas acham que não é com elas. Pretendemos fazer a conexão com a vida delas", afirma.

Uma das grandes atrações do evento é que cada visitante pode calcular a sua emissão de carbono para chegar até a Quinta da Boa Vista. As quantidades surpreendem quem nunca havia tido conhecimento da poluição envolvida em atividades rotineiras. César Rodrigues Cabral foi de carro da Barra da Tijuca até o parque, localizado em São Cristóvão, centro do Rio. A quantidade de carbono emitido: 1,67 kg.

"Nossa, não tinha nem ideia de que emitia tanto carbono. Se eu produzi tudo isso de carro, imagina quem vem para o evento de avião", se perguntou após dar o seu nome a uma muda de Canela da Restinga, uma das 60 mil árvores que serão plantadas no Parque Natural Municipal de Grumari, área de reflorestamento da cidade. A resposta para César veio de uma das voluntárias do evento: quem viajou de avião de São Paulo até o Rio emitiu mais de 86 kg de carbono.

Segundo os organizadores do Green Nation Fest, uma árvore normal costuma neutralizar 200 kg durante todo o seu ciclo de vida. E com a ajuda de um dos patrocinadores, todos os visitantes terão o seu consumo neutralizado em outra floresta, o que garante emissão zero de carbono do evento.

Como se não bastasse, as escolas que participam do Green Nation Fest concorrem a uma bolsa de estudos da Universidade Estácio de Sá. Até o final do evento, elas disputam um quiz com equipes de 40 alunos. Foram elaboradas 200 questões e o time que tiver melhor performance leva a bolsa. Ainda serão oferecidos 40 cursos livres para os alunos participantes.

Matéria publicada no Portal Terra em 31 de maio de 2012. Veja o artigo completo em http://invertia.terra.com.br/sustentabilidade/rio20/noticias/0,,OI5806481-EI20323,00-Museu+de+ciencias+a+ceu+aberto+e+porta+de+entrada+para+a+Rio.html

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Como proteger seu filho na medida certa (03)

Intuitivo: tenha paciência... espere a criança fazer
(continuação)

Intuitivo 4/5/6/7/8 anos – Esta é uma fase de transição, onde a criança quer fazer tudo sozinha e já acha que sabe. Não diga que tudo que ela faz está errado ou poderia ser melhor. As crianças dão o melhor delas e a visão do adulto e que já esta congelada e ver erros em uma fase que ainda esta em construção. Se você não deixar que eles realizem as tarefas não vão aprender. Só aprendemos fazendo. O grande trabalho aqui e observar a criança fazer e ter a paciência de esperar a realização da tarefa. Sempre que não ficar ótimo de a oportunidade da criança fazer novamente em outra ocasião.



quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Como proteger seu filho na medida certa (02)

Simbólico: começam a fazer as coisas sózinhas.

(continuação)

Simbólico – 1ano 6 meses até 3/4/5 anos - esta criança quer fazer as coisas sozinhas. Deve-se protege-la e estar por perto, mas deixe-a fazer tudo que já consegue, mesmo que você depois possa dar uma organizada. Deixe que ela se alimente. Dar os alimentos adequados faz com que ela possa realizar a tarefa. Deixe-a abrir embalagens. Nunca ofereça tudo muito organizado. Ofereça os talheres e deixe que ela mesma possa escolher o que vai usar. A mesma coisa deve acontecer com os brinquedos. Nunca deixe uma quantidade muito grande de opções, pois a criança não saberá escolher. Fale, conte historias, movimente a criança. Pegar na criança deve ser uma constante em todas as idades, porque ela precisa sentir o afeto através do tato. Não esqueça que ela ainda não compreende muito as palavras e seus sentidos ocultos.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Como proteger seu filho na medida certa (01)

Sensório Motor: como agir nesse período do desenvolvimento

Este e um fator determinante na vida das crianças e os pais, normalmente, não sabem o quanto proteger e em que medida. No inicio da vida as crianças estão totalmente vulneráveis e necessitadas da proteção dos que com elas convivem.  Mas gradativamente, devem ser levados à independentizacao, sendo esse um processo delicado em que os pais precisam ter noção de quando e como isso pode ser feito. A sugestão é ir deixando seu filho fazer, sozinho, tudo que ele já pode fazer. Comer, vestir algumas peças, calçar as meias e os sapatos, pentear os cabelos, etc. Não faça por ele aquilo que ele já tenha prazer em realizar. Para saber quando e ate quando deve durar esta proteção, você deve conhecer um pouco o desenvolvimento de seu filho. Observe algumas coisas sobre isso.
(vou postar em série, período a período, para que você possa identificar a fase que seu filho está passando e analisar as recomendações que faço).

Sensório Motor (nascimento ate 1 ano e 6 meses) – A criança necessita de total assistência, mas precisa que seja dada, gradativamente, alguma independência. Deixe a criança chorar pedindo o alimento quando muito bebê, porque é nesta hora que ela estará se manifestando e fazendo ligações neurônicas. Nesta primeira etapa, a atenção deve ser grande, mas a idéia de que a criança é o animal mais inteligente na escala zoológica não deve estar distante de seus pensamentos. Alimentar, fazer higiene não e só o que temos a fazer. Brinque, fale, coloque musicas para a criança ir ajustando todos os seus sistemas que estão descoordenados. Não sufoque a criança mantendo-a sempre no colo. Deixe-a em situações nas quais ela possa se movimentar. Se você sabe o nível de sua criança você estará protegendo-a.

CONTINUA NO PRÓXIMO POST

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Separação: maneiras para agir com lucidez

Como lidar com as crianças nessa hora...


   Convencionou-se que a separação de pais afeta as crianças de forma grave e irremediável, mas isso não é necessariamente uma verdade, quanto mais verdade absoluta. Na maioria dos casos, o relacionamento dos pais está tão desgastado que o fim da relação de alguma maneira traz calma e organização para o ambiente familiar, o que já é um ganho de qualidade de vida enorme para todos, mas principalmente para as crianças. As questões afetivas devem ser resolvidas de forma tão madura quanto possível, na medida em que, sem isso, as demais questões ficam pendentes. E não podem ficar pendentes soluções para as questões práticas da vida, como por exemplo as financeiras, na medida em que as crianças precisam estar amparadas para que a vida continue independente da decisão de seus pais quanto a viver ou não juntos. Não se pode confundir as duas coisas, como via de regra acontece, quando os pais colocam as crianças exatamente no meio do fogo cruzado, submetidas a situações para as quais não tem estrutura nem nível de desenvolvimento para compreender e suportar. As sequelas, nesse caso, são muitas. Criança tem que ser protegida, porque nada tem a ver com a relação de seus pais – por incrível que isso possa parecer para muitos – e, antes de mais nada, pais mesmo que separados, continuam a ser seus pais.
As crianças devem ser comunicadas da separação, muito embora elas provavelmente já saibam que isso vai  acontecer por conta da grande sensibilidade que tem.Pai e mãe devem conversar com elas, e colocar, com clareza, o que está acontecendo e o que vai acontecer dali para a frente. Importante saber que crianças até 4/5 anos não entendem tudo. Elas vão voltar a questionar, e devem ter suas perguntas respondidas quantas vezes for necessário. Depois dos 7/8/9 anos, tendo a criança chegado ao período Concreto do pensamento, vai entender bem melhor a situação, e já tendo um pouco da noção de tempo, vão sofrer mais um pouco ainda. Não ache natural a criança ficar calada, porque isso pode ser cômodo para os adultos que não querem mais falar sobre o assunto mas é péssimo para a criança. Falem e deixem que elas falem a vontade sobre a questão, mesmo que seja sofrido para quem as ouve, porque é nesse momento que elas fazem o chamado “jogo de liquidação”, que ajuda a resolver as coisas pelas quais elas estão passando. Evite, a todo custo, ficar com raiva e dizer para as crianças: “eu já falei”, “eu já expliquei” e coisas tais, porque ela sabe disso, mas quer ouvir novamente para ver se tem uma notícia diferente.
Tanto a casa da mãe, quanto a do pai, nessa nova fase da vida, devem ser organizadas visando as crianças, pois elas terão agora dois ambientes diferenciados para viver. No entanto, como a criança é única, evite que ela tenha coisas muito diferentes em cada uma de suas “novas casas”. Ela deve levar os brinquedos que queira e trazer de volta, de um lado para o outro, o mesmo acontecendo com as roupas e objetos pessoais. Isso deve acontecer até que ela se fixe em algumas coisas de cada casa.
Cuidado muito grande deve ser tomado para que ela não mude de nível social entre uma casa e outra, pois elas não entendem porque na casa do pai tem uma televisão maravilhosa e na da mãe a televisão antiga, sem a tecnologia que ela costuma ver quando visita o pai. E vice-e-versa.
 Importante também evitar “comprar” a criança, porque no futuro você vai ficar muito chateado de a criança ver você (pai ou mãe) como um banco. Dê afeto e deixe a criança conquistar tudo o que ela quer, porque a separação não torna as crianças em “pobres coitados”. Elas continuam com seus pais! Evitem falar mal do outro na frente da criança, porque vocês podem não gostar mais daquele que foi seu companheiro, mas a criança gosta e não queria, realmente, vê-los afastados. Não piore ainda mais as coisas...
   Finalmente, cuidado com aquela velha mania de “proibir” a criança de comentar a separação em seu ambiente, com os amigos, na escola e condomínios. Isso resulta em problemas, pode ter certeza.
Sei que é muito difícil para os adultos, mas é preciso que vejamos que as crianças tem todo uma vida pela frente, e nossa segurança e proteção é quem vão indicar os melhores caminhos para elas.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

A Escola e a Família




Existem alguns fenômenos que só são explicáveis depois de muita pesquisa sobre coisas que são óbvias. Um deles é o fato de a família (e portanto toda a sociedade) estar mudando constantemente ao longos dos anos, e a escola permanecer congelada em suas estruturas. Como isso pode acontecer? Por que existe essa combinação? A única explicação plausível para isso é que a família deixa, a cargo da escola, o que ela chama de educar. Uma espécie de “carta-branca” para fazer o que quiser, na medida em que ninguém sabe realmente o que fazer. O problema é que, definitivamente, a Escola não está habilitada para essa tarefa, e isso está ficando mais claro a cada dia.

A escola, ao longo de seu caminho, sempre foi uma transmissora de conhecimentos e quer continuar assim, mesmo com toda a tecnologia que tirou este papel que era só dela. A família por sua vez se reestruturou de diferentes formas e já não tem aquele modelo do século XIX, onde a mãe - a “rainha do lar”  - ficava em casa, com a tarefa de resguardar os filhos e transmitir as normas básicas de educação. Hoje as mães são tão profissionais quanto os pais e estão fora de casa tanto quanto a figura masculina. E os pais hoje não estão tão presentes, visto que o número de separações de casais é cada vez maior. Em outros casos, a chamada “produção independente” assumida pelas mulheres elimina a figura paterna do contexto doméstico. Então como organizar o novo papel da Escola em tempos de mudança?

A Escola agora tem que desenvolver as crianças e adolescentes para saberem pensar e buscar o conhecimento, que esta ao alcance nos meios eletrônicos. A Escola deve levar as crianças da total “dependência” a independentização. É um novo modelo, que ainda devera ser assimilado pelas famílias, que saíram em suas estruturas formatadas nos séculos XIX ou XX, mas ainda não conseguem ver a Escola com este novo papel. A mudança é muito difícil de ser aceita, por que o que conhecemos é  mais fácil de ser aceito, mesmo sabendo que não é o melhor.

Uma escola para os novos tempos deve ser um elemento criativo, modificador da criança e de sua família. E como a família tem uma enorme dificuldade em se modificar, a resistência a novos modelos se aplica a tudo, inclusive à escola. Ou até mais a ela, porque a família tenta, de todas as formas, manter o seu equilíbrio, mesmo que precariamente. Quando o modelo de escola exige uma maior participação dos pais no processo, a desconfiança de instala, porque o sistema tradicional quase que ignora a presença dos mesmos – salvo quando as coisas desandam em caráter irremediável. A família se sente sobrecarregada e ocupada o suficiente para despejar sobre a escola todas as responsabilidades quanto ao processo educacional – cognitivo e emocional – de seus filhos, mas isso não funciona, como pode ser facilmente constatado.

A sociedade mudou e as crianças hoje estão expostas a uma grande quantidade de informações, e sendo assim, novas regras e valores devem ser estabelecidas. Os direitos que as crianças adquiriram são ainda muito confusos para as famílias. Tem exageros e negligências, tudo misturado. Abandono e superproteção     aparecem juntos e misturados, muitas vezes dentro de uma mesma família.  Normalmente a superproteção é a descrença que a família tem nas crianças e adolescentes, ficando em cima, sem deixar que eles cresçam para a sociedade. O mesmo acontece nas Escolas que acham que as crianças precisam ser vigiadas, não deixando que se formem as sociedades infantis. Logo parece haver um complô entre as famílias e Escola para não deixar que as crianças se desenvolvam.

A família deve entender que seus filhos não são suas propriedades e os adultos não devem descarregar tensões e  frustrações quando estão lidando com eles. Devem saber administrar dificuldades, ansiedades, conflitos e resistências. São fatores que ocorrem e devem ver vistos e entendidos para serem resolvidos. As crianças não estão querendo concorrer com seus pais, mas estão querendo saber quais as ordens que são estabelecidas e quais devem realmente ser obedecidas. Deixem que as crianças demonstrem seus sentimentos. Os adultos também devem  demonstra-los  para que as crianças não achem que estas pessoas são super-mulher ou super-homem. Cuidado para não confundir a criança com sentimentos antagônicos.

Chegamos então ao grande impasse. Como mudar a Escola se a família procura um modelo arcaico que ela, seus pais e avós já conhecem? A sociedade é que através, se suas  exigências, vai obrigar a esta mudança. Esperamos que seja urgente esta demanda.