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terça-feira, 10 de julho de 2018

Liderança Emergencial


"Para haver competição - supõe McLuhan - é preciso haver similaridade entre os adversários e objetivos coincidentes. A extrema “especialização” tornará cada ser humano tão especial e único que, em vez de competição, haverá cooperação (complementaridade). É a ideia de Dinâmica de Grupo: a especialidade é do indivíduo; a cultura é do grupo." Lauro de Oliveira Lima





Dinâmica de Grupo -------------------------------------------
   Iniciar as crianças desde muito cedo na dinâmica de Grupo vai ser a solução para uma sociedade cooperativa e muito desenvolvida. Um grupo como dizia Teilhard De Chardin  tem algo que as partes não tem. Vamos colaborar com o crescimento social ensinando as as crianças a serem colaborativas. A competição é coisa do passado e não irá florescer mais.
   Todos os novos trabalhos precisam que as pessoas vejam os outros como seus parceiros. Tudo que realizamos em conjunto tem a responsabilidade distribuída. Devemos lembrar que a Liderança é Emergencial. Cada pessoa pode ser líder em algum momento da tarefa que está sendo executada. Deixar que cada um faça o melhor que sabe é de grande importância para cada tarefa. Escrevo bem sou o escritor, desenho bem sou o desenhista, coordeno bem sou o coordenador e assim por diante.
   As crianças fazem isso naturalmente, mas a medida que crescem começam a achar que devem estar em destaque a todo momento, orientadas que foram pelos adultos que as cercam. Deixando as sociedades infantis se desenvolverem veremos as lideranças. Quem melhor joga a bola é o chefe do time e pode não ser o chefe do trabalho de geografia.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Na Linha da Mediocridade


Novo ano escolar começando e a falta de esperança, também. Não temos mudanças substanciais. Troca de ministro e de cargos, mas nada muda no sistema geral e não saímos da linha da mediocridade. Se o Brasil começar agora a colocar a educação entre suas prioridades, mesmo assim estaremos atrasados para competir com o mundo globalizado. A visão dos administradores é muito distorcida. Ficamos empolgados com alguns poucos que passam nos exames e se classificam e os milhares que não conseguem parece que não existem. Mesmo os que passam nas provas feitas pelo sistema têm notas muito baixas se comparados aos outros estudantes do mundo. Não conseguimos chegar nem perto dos países desenvolvidos. Mesmo os melhores alunos estão se nivelando por baixo ficando na linha da mediocridade. Os nossos alunos que aparecem nos exames internacionais estão junto dos piores alunos dos países desenvolvidos. Temos que enfrentar este problema de frente. Não adianta fazer exames nacionais e dizer que melhoramos se comparados aos estudantes do mundo somos os piores.
Quais as soluções que devemos pensar? A primeira delas seria a vigilância que deveria ser exercida sobre os professores. Ocorre em muitos países e os nossos professores além de mal formados não prestam contas de seu trabalho, não são cobrados pela produtividade ninguém sabe o que estão ensinando dentro das salas de aula e os resultados apresentados pelos alunos não são considerados como ineficiência dos seus professores. Quem são a maioria dos professores? São os profissionais que ninguém mais quer no mercado. Quem acompanha os currículos que foram propostos? Ninguém. Os livros podem terminar o ano em branco que não haverá nenhuma punição nem avaliação do que não foi feito.
Devemos ir a caça de mestres brilhantes como fez Taiwan que reuniu em seus quadros de docentes algumas das melhores cabeças do país. No Brasil ficamos falando que os salários são a causa, mas os salários do nosso país são muito baixos para todos os profissionais ficando apenas uma nata com salários diferenciados. A melhora do salário tem que ser buscada, mas em conjunto com a melhora dos profissionais que se dedicam ao ensino.
Já temos metodologia científica que deveria ser ensinada a nossos professores. Eles estão ainda no século XIX e não adotaram nem o uso de livros, nem a dinâmica de grupo. Continuam dando aula expositiva e levando até 15 minutos de uma aula para fazer a chamada. Quantos minutos dura realmente uma aula? Alguém sabe? Perdemos muito tempo com a organização e disciplina.

Vamos treinar nossos professores e colocar nossa escola no século XXI.

sábado, 15 de março de 2014

Programa "Bolsa Inteligência"

Em Educação, não existe mágica – embora pareça que sim. Como é muito difícil entender a maneira como as pessoas aprendem, fica mais fácil acreditar que “acontece alguma coisa” e o sujeito que não sabia nada, acaba sabendo. Mas não é bem assim. De qualquer forma, nós brasileiros estamos trabalhando com uma ideia errada de que é possível “ir crescendo aos poucos” nessa área, para em algum momento chegar ao patamar dos países desenvolvidos. Essa posição esquece que o movimento do mundo é semelhante ao de uma escada rolante em termos de desenvolvimento, ou seja, os que estão entrando por último na escada vão, inevitavelmente, ficar atrás porque os que entraram primeiro estão lá em cima. E continuam subindo. Ter uma perspectiva de desenvolvimento passa por saber que isso é uma verdade inexorável.
A grande pergunta é: por que somos uma das dez maiores economias do mundo e estamos entre os últimos colocados no quesito Educação? Há uma relação entre esses dois fatos, mas não estamos trabalhando de maneira concreta para fazer com que os nossos resultados no campo da economia repercutam nas demais áreas. Há uma perda de foco no que é prioritário e isso tira do Brasil a sua condição de sustentabilidade, tão crucial nos tempos que teremos pela frente.
Um economista americano de nome Richard Murnane, grande nome da “educação baseada nas evidências”, diz com todas as letras que, além de ensinar alguns conteúdos para os alunos, precisamos principalmente ensina-los a aprender. Lauro de Oliveira Lima já dizia isso a 50 anos atrás, mas ao que tudo indica ainda não “pegou” essa idéia. Pode ser que, agora, esteja chegando a hora, já que alguns expoentes da educação estão pensando nessa linha. O fato é que APRENDER sempre foi e cada vez mais será uma necessidade permanente de todos nós e os conteúdos que são ensinados vão rapidamente perdendo a validade. A maioria dos conteúdos atualmente ensinados não são aplicáveis num mundo moderno, cheio de tecnologias e desafios, onde tudo está para ser inventado. E nós ainda ensinando coisas que são parte da história como sendo ferramentas de uso cotidiano. É meio criminoso isso, no final das contas. É como colocar uma pessoa que não sabe nadar num barco, sem colete salva vidas e dizendo para ele que não tem perigo, que o barco não vira, etc ... Só que, na hora do acidente, o que se vê é afogamento para todo lado. E vejam que, esse acidente, está programado. Vamos soltar as crianças e adolescentes no mundo equipados de que maneira? O que mais se vê é gente conseguindo trabalho com o que aprenderam fora das escolas, e não dentro delas... o que nos leva a pensar seriamente no perigo que isso representa.
Penso que conseguimos alguns avanços no Brasil, mas minha preocupação é  ver que os mesmos não estão relacionados de maneira direta ao desenvolvimento econômico, que para crescer e se sustentar vai precisar de muito mais do que o que vemos projetado para os próximos anos. O tal “ensino de qualidade” ainda é de uma subjetividade enorme, o que nos coloca frente a desafios críticos sem perspectiva de como enfrenta-los. Uma questão urgente é a necessidade de melhoria no desempenho dos professores, porque sem que eles estejam altamente treinados e capacitados a entender e trabalhar os desafios que se apresentam, não vamos ter a velocidade que necessitamos para andar mais rápido naquela escada rolante que mencionei no início.
Uma situação que me parece complicada é a filosofia por trás do Bolsa Família, tendo em conta que o recebimento da mesma está condicionado à permanência dos filhos das famílias de baixa renda na escola. Mas fica por aí: permanência. Isso não resolve o problema, já que as escolas que eles frequentam não são exatamente um modelo de ensino de qualidade. Mante-los ali é uma situação que não faz com que o nível das crianças suba, e elas não estarão preparadas para superar as dificuldades econômicas de seu meio. Melhor seria, conjuntamente, melhorar as escolas onde essas crianças estão “depositadas”. Dentro das escolas, as crianças já estão, mas o que fazer com elas lá dentro continua sendo o grande desafio.

O Bolsa Familia e um programa que condiciona a permanência dos filhos das famílias de baixa renda na escola, mas so a permanência não resolve o problema já que as escolas onde eles estão não são boas, logo não fazem com que suba o nível das crianças para superar as dificuldades  econômicas da família. O problema então e melhorar as escolas onde estão “depositados”. Dentro da escola as crianças já estão, mas o que fazer com elas e o grande desafio.
Temos alguns problemas básicos a serem superados:
1. Levar as crianças a escola (o “Bolsa Família” faz isso);
2. Levar o professor a se dedicar e não faltar ao trabalho (a formação faz isso);
3. Melhorar a qualidade da escola (capacitar o professorado para o desenvolvimento das crianças);
4. Escolher um modelo novo de Escola – onde o centro será a criança e seu desenvolvimento e os conteúdos fiquem a serviço do aluno. A escola como uma organização social;
5. Pais informados do novo modelo onde seus filhos estão inseridos.

Numa situação como essa, teremos  as “comunidades escolares”, como denominou Prof. Lauro de Oliveira Lima nos anos 1960. Os professores serão treinados para entenderem que não vão transmitir conteúdos e sim criar “situações-problema” onde as crianças construirão seus conhecimentos. Devemos lembrar que estas crianças são oriundas de famílias onde os pais não tiveram acesso a escolaridade e não sabem e não conseguem ajudar seus filhos. A obrigação fica por conta da escola, como deveria sempre acontecer. Como não podemos fazer todos os professores terem a mesma forma de transmitir os conhecimentos, devemos fazer através de um método onde as   próprias crianças construam seus conhecimentos.

Como trabalhar com os professores para que melhorem seu desempenho? Em primeira instancia podem ser oferecidos incentivos financeiros, mas temos que ajuda-los na sua capacitação para que consigam melhorar seu desempenho. Eles não podem fazer algo que não sabem. Apenas o financeiro não acrescenta conhecimentos aos professores. Precisam aprender a fazer.
Quando queremos mudar um sistema temos que ser radicais e mostrar aos professores que é possível, mesmo que pareça difícil, já que eles estão acostumados a uma rotina de que não pode haver mudanças.   “Sempre foi assim e é assim que tem que continuar” – parece ser o mote orientador da conduta do professor, imposto pelo sistema. Basta dizer que alguns deles continuam ditando lições e copiando no quadro.

 As salas de aula tem que ganhar uma nova configuração, coisa que os economistas não sabem. Somente trabalhando com educadores podemos ver como deve ser radical a mudança inclusive física das salas. Não devemos mais manter o modelo dos séculos passados onde as crianças ficavam em cadeiras individuais uma olhando para a nuca do colega da frente. É hora das mesas coletivas onde todos confrontam com todos.

Não podemos esquecer que os políticos vão logo pensar em quanto dinheiro devera ser investido e colocado para que sejam efetuadas as mudanças mas, ao contrário, o dinheiro deverá chegar depois.

A redução das turmas é fundamental no processo geral, mas de nada adianta se o professor continuar ditando aulas e fazendo as crianças copiarem. Se a aula é expositiva tanto faz ele ter 15, 30, 50 ou 100 alunos por turma. A turma deve ser reduzida para que a Dinâmica de Grupo entre nas salas de aula. A observação diária do professor sobre cada aluno passa a ser o substituto da famigerada “lista de presença” que toma tempo precioso de aula e não leva a nada. Em contrapartida, o professor passa a anotar o desenvolvimento de cada um de seus alunos.

Toda a educação devera estar voltada para profissões do futuro,  que não possam ser substituídas pelo computador. A grande coisa do futuro é a criação e resolução de problemas. Todos os problemas que o computador resolve já tem que estarem impressos em sua memória para que ele faça a combinatória, pois ele não inventa. Vai ficar para o homem a tarefa de inventar (criar). Trabalhar com as crianças será uma função privilegiada, bem como com os idosos.

Para o futuro só temos que ensinar inteligência, a Aprender a Aprender. Tudo que sabemos hoje pode rapidamente tornar-se obsoleto. Ler, escrever e as quatro operações podem ser um ponto de partida, mas não vão determinar o saber que a criança vai necessitar.  O que vai ser determinante é a forma com que ela vai usar os conhecimentos que obtém em qualquer site de busca. O pensamento matemático vai ser uma determinante. Não pense que fazendo o que você esta fazendo agora terá futuro dentro de 30 anos, pois a velocidade com que a tecnologia avança é fantástica.

Mudar é muito difícil mas já passou do tempo e temos que fazer. Vamos dar o “Bolsa Inteligência” porque assim teremos os resultados que precisamos e podemos chegar “lá em cima” de maneira concreta, em prazo menor e com mais suavidade para nossas crianças.

domingo, 9 de março de 2014

Foco – A tecnologia degrada nossa concentração?

Não é déficit de atenção, mas sim rejeição a atividades desinteressantes em sala de aula
Estamos em uma época onde todos se voltam para a tecnologia. Será verdade que ela tira a concentração das crianças? Não parece objetiva esta afirmação já que as crianças conseguem jogar por longos períodos e não parecem desconcentrados. A ideia de que os jogos concentram, mas que ensinam atitudes violentas como sugere Daniel Goleman (Inteligência Emocional) não tem uma fundamentação cientifica. Vocês podem imaginar como estariam as crianças que brincam com esses jogos?  Muitos adultos agressivos e sem limites na nossa sociedade nunca brincaram com os jogos ditos violentos. E muitas crianças que brincam no seu dia a dia são dóceis e amáveis com seus colegas de brinquedo e suas famílias.
Os exemplos que são citados para dizer que as crianças não se concentram em sala de aula sugere que as crianças ficam no celular e não prestam atenção no que o professor diz, mas quem disse que o professor deve dizer (dar aulas) alguma coisa? As crianças devem estar em atividade com as outras crianças em permanente dinâmica de grupo que será muito mais atraente do que qualquer telefone ou tablet. “O outro” provoca muito mais desafios. Os adultos não são companheiros para as crianças, mas devem ser os animadores que trazem as provocações. O professor que ainda acha que deve “dar aulas” esta totalmente fora da nova era. Não podemos aceitar que que uma criança fique em uma sala recebendo aulas sem estar em atividade.
A criança esta em desenvolvimento e precisa de ações para que seu desenvolvimento aconteça. As aulas atuais estão apenas baseadas na percepção e não é mais assim que a aprendizagem se da. Aprendemos fazendo. Daí as crianças precisarem de atividades dinâmicas.
Ter foco é fundamental, e as crianças tem. Vejam um bebe brincando de verter água em uma piscina ou tanque de areia. Podem ficar muitos minutos na maior concentração.
O que anda sem foco são as escolas, que querem que as crianças fiquem durante horas sentadas ouvindo uma professora falar sobre um assunto sem o menor interesse para os jovens. Vamos buscar o foco para voltar a tornar as tarefas de interesse real das crianças.
Os adultos vivem procurando manter o foco para produzirem mais e melhor em suas tarefas profissionais. O que faz com que percam o foco? Não gostar do que fazem é um dos motivos conhecidos. O mesmo ocorre com as crianças.
Por isso estamos concluindo que não existe o déficit de atenção como são diagnosticadas muitas crianças. O que existe são atividades desinteressantes que não provocam a inteligência das crianças.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Serão da Chave - Novembro 2011




   Noite na Chave do Tamanho e dia de reunião de pais. Para nós esse é um momento de encontro festivo. Recebemos os pais para conversar sobre o nível de desenvolvimento de seus filhos e apresentar as avaliações que foram realizadas no período.
   Não deixamos de exercitar com os pais algumas das tarefas que fazemos com as crianças.      Neste serão, trabalhamos em dinâmica de grupo fazendo mini grupos e painel integrado. O assunto desta dinâmica, como não poderia deixar de ser, foram enigmas. Eles resolviam em mini grupo depois apresentavam o resultado no painel integrado.
Tivemos as noticias gerais, que são comunicados aos pais. Festa do final de ano que terá como tema os “Saltimbancos”, e falamos também da noite do pijama, pedindo aos pais para que incentivem as crianças que ainda não conseguem dormir fora de casa a virem participar.    Passeio Geral também foi tema das conversas. Vamos passar um dia juntos em um sitio para ver o relacionamento geral das crianças.
    Dentro da orientação geral, o tema ficou em torno dos “limites”, que detalhou as reais vantagens para o desenvolvimento das crianças quando os pais sabem colocar limites. Falamos sobre a Heteronomia, mostrando que as ordens devem vir de fora até os 11/12 anos e só após este período, e que devem ser iniciadas as discussões sobre como vão ser formuladas as regras. Foi muito produtivo falar sobre os níveis das falas das crianças. Os pais devem entender que o dialogo que eles tanto prezam só vai aparecer após o período concreto, que se inicia por volta dos7/8 anos. Conversar com as crianças é de fundamental importância.









quinta-feira, 28 de abril de 2011

As raízes do Bullying



Ninguém é preconceituoso... ou pelo menos não diz isso em público. É sabido que preconceito é coisa velada e talvez seja por esse motivo que achamos que não o temos ou ainda que a grande maioria não seja preconceituosa. Existem as leis que proíbem e hoje criou-se também a condição do politicamente correto, patrulhando de maneira intensiva as manifestações contrárias ao que se convencionou como certo para a vida em sociedade. No entanto, o íntimo de cada pessoa pode esconder uma rejeição a determinado tipo de comportamento, e aí a lei não pega.  Mas o comportamento permanece, mesmo que não manifesto de maneira ostensiva.
Os preconceitos são transmitidos às crianças, e elas, até os 4/5 anos de idade, vão formando sua concepção do mundo com base neles. Não conseguem ainda discutir a questão, mas pelo reforço que é dado no dia a dia pela família, vão acreditando cada vez mais firmemente que opiniões preconceituosas fornecidas são as opiniões corretas. Quantas vezes você já viu uma família, em tom de brincadeira, falar de preconceitos graves sem saber que estão formando, em suas crianças, verdades absolutas.
Já dissemos em outros artigos, e repetimos aqui para que isso fique muito claro, que a MORAL é desenvolvida, ou seja, não há um padrão pré-estabelecido que venha no DNA de seu filho ou filha. Assim como treinamos as crianças, inadvertidamente muitas vezes, a serem preconceituosas, podemos educá-las para não terem preconceitos. Adultos preconceituosos podem ser controlados, mas não vão mudar suas opiniões. Já as crianças podem não desenvolver preconceitos, se os pais e educadores tiverem em mente que não expondo as mesmas a valores distorcidos, estarão preparando cidadãos para um futuro livre dessas mazelas. Nos adultos, os preconceitos são muitas vezes camuflados e, são esses mesmos preconceitos que, quando vem à tona, dão origem ao tão falado bullying. E o bullying acontece sempre tomando por base um preconceito. Observe algumas das causas: gordo, alto, feio, tímido, baixo, voz fina, etc. São sempre valores diferentes daqueles estabelecidos por uma sociedade que preconiza modelos ideais. Essa é a razão pela qual o bullying não está centrado apenas nas escolas. Ele está presente em qualquer lugar que congregue pessoas, como condomínios, locais de trabalho, etc.  Entre os adultos, muitas vezes são tomados como “brincadeiras” – de mau gosto, mas apenas “brincadeiras”.  Com os jovens, que ainda não são muito bons em dissimulação, soa mais como violência mesmo.
Embora seja um fenômeno mundial, o bullying tem características próprias em cada país. No Brasil, ocorre dento da sala de aula, enquanto em outros países acontece nos corredores  e em pátios, fora das vistas dos professores. É claro que por acontecer fora de aula não é justificável que fique fora do controle dos educadores, mas no Brasil a coisa é feita sob as vistas dos mesmos, e parece que os mestres não vêem isso acontecer. Como pode ser isso? Só encontro resposta na hipótese de que, como eles não sabem lidar com o assunto e não o consideram como obrigação sua ... ignoram qualquer ocorrência desse tipo. Consideram-se transmissores de conhecimento e nada mais. Não estão ligados aos seus alunos por vínculos outros que não sejam os formais, impostos pelo sistema. Isso não é Educar. É preciso que sejam treinados, tanto quanto os pais, para identificar agredidos e agressores, agindo antes que a situação assuma proporções incontroláveis, como temos visto nesses últimos tempos.

Um exemplo de como observar e agir pode gerar excelentes resultados aconteceu na Noruega, nos anos 1980, quando foi identificado um alto índice de suicídios entre crianças que haviam sofrido bullying. Uma séria de ações integradas em um programa foram levadas a cabo, e esses índices caíram certa de 50%, segundo fontes do governo daquele país.
Onde houver gente reunida, haverá preconceito, e potencialmente o bullying. Isso se dá porque as pessoas não conseguem, em muitos casos, conviver com as diferenças naturais existentes na sociedade. Quando mais globalizamos, eliminando as barreiras de comunicação, maior a proximidade de múltiplas formas de viver, agir e pensar e todos ficam cada vez mais próximos, o que cria enormes dificuldades para aqueles que têm preconceitos.  Preconceituosos são pessoas que tiveram seu desenvolvimento compartimentalizado, e podem ter tido uma certa evolução cognitiva, mas tiveram seu desenvolvimento moral congelado. Preconceitos são modelos rígidos que se repetem. Não existe nenhuma flexibilidade no preconceito.
Existe uma maneira de trabalhar os preconceitos? Sim, existe. A forma mais efetiva é trabalhar com as crianças em Dinâmica de Grupo, colocando todas em contato com todas, através de técnicas estruturadas, quando elas vão descobrindo seus colegas sem nenhum tipo de distinção. Ali elas tomam consciência que não importa a cor, tipo, religião, sexo e isso abre possibilidades inúmeras. Surge então a colaboração e todos podem ajudar a todos.
Uma coisa que sempre preocupa é o fato de que as famílias de vítimas de bullying não notam que as crianças tem preconceitos, e isso se explica facilmente pelo fato de que ambos, crianças e pais, comungam os mesmos valores. Os pais, inadvertidamente ou não, passaram para seus filhos os preconceitos que eles carregam e entendem que isso é normal, porque é a base de seus próprios valores.
Como os pais não notam que existe alguma coisa errada se seu filho:
-chega a casa com uniforme rasgado;
-material rasgado, sujo ou faltando;
-nem um amigo telefona ou  convida o filho para sair ou estudar;
-parece triste ou desanimado;
-perde o interesse pelos estudos;
-não quer ir à escola;
-sempre antes de ir a escola esta com dores de cabeça ou de barriga;
-tem falta de apetite;
-tem baixa auto-estima (se acha feio, gordo etc.);
- tem insônia;
-crise de choro sem motivo aparente.
O que será que esta acontecendo com seu filho? Será  que tudo isso parece aos pais uma coisa normal? Não seria nenhum desses fatores um motivo para ir conversar na escola e fazer uma estratégia para resolver o problema que se abate sobre esta criança ou adolescente?
A escola precisa saber para poder providenciar junto com as famílias do agredido e dos agressores uma providencia imediata.
A escola deve começar trabalhando em grupo e discutindo os preconceitos para que as relações melhorem. Deve mostrar que esta sabendo e não concorda com o que esta acontecendo. Tem que ter cuidado para não expor ainda mais o agredido.
A família do agredido pode promover encontros com o controle de adultos entre as crianças e adolescentes para que sejam vistos em outra posição  e a escola pode e deve promover encontro entre as famílias sem a presença das vitimas.
Um programa consistente deve ser desenvolvido para a construção da moral para que os preconceitos diminuam e, por conseguinte o bullying.

sábado, 8 de janeiro de 2011

Chegou a Hora H

 Chegou a hora.
Nosso Ministro da Educação, Fernando Haddad,  vai conversar com a Presidente e expor  um plano de educação. Vamos alertar ao ministro para coisas que talvez não estejam sendo pensadas e precisam ser revistas.
1)    Década do Professor – Fantástico, e já era hora. Mas vamos aqui dar uma contribuição sobre o que fazer. Não adianta fazer uma prova nacional. Já sabemos que os professores estão fracos e que a formação deixa a desejar. Vamos incrementar o treinamento. Só pode começar a trabalhar com crianças e adolescentes quem passar por um curso de reciclagem de 2 meses (intensivo). Programa feito pelas maiores cabeças do país e disponibilizado para que a categoria profissional possa definir o que será estudado. Estudo básico de pedagogia. É fundamental aprender a dar aula usando Dinâmica de Grupo, por ser o que existe de mais avançado em termos de técnica de trabalho. Vamos fazê-los dar aulas, filmar e promover uma grande troca de experiências pelo país afora. Do Amazonas ao Rio Grande do Sul cada professor poderá ver seus colegas treinando, o que serve para a grande “tomada de consciência” do que está sendo realizado.
2)    Ensino Médio em tempo integral – Vamos pensar: teremos um problema de evasão escolar nessa fase,  já que os alunos já estarão preocupados com o trabalho e as famílias que procuram as escolas publicas tem esta demanda, devido questões economicas. Temos que pensar com clareza que o horário integral deverá estar voltado para as séries preliminares do ensino fundamental. Por que não colocar o ensino profissionalizante dentro da carga horária já existente? É totalmente viável a redistribuição de horário para esta atividade.
3)    Como atrair os melhores para a educação? O Ministro não respondeu e precisamos de uma colocação objetiva. Temos que pagar melhor é claro! Mas não é só. Precisamos dar condições de trabalho para que os professores possam ter uma dedicação objetiva. Não deixar ficar algo massificado. O professor deve ser visto como único e formador de opinião. Confiar na formação que deve ser dada a eles e retribuir, através de uma biblioteca básica da área em todas as escolas, para promover leituras.
4)    Prova Nacional – Pode ser feita como uma forma de dar a largada para o aperfeiçoamento, mas deve ser mais rápido. Por que perder um ano (2012)? Vamos à luta, porque não temos tempo a perder. Um ano na vida dos adultos equivale a 3/4 anos na vida das crianças. Vamos iniciar pequenos projetos em cada escola. Vamos eleger os diretores, fazer grupos de estudo com professores coordenadores de cada área dentro das escolas. Vamos levar os pais a contribuírem com  suas experiências– conhecer e serem conhecidos pelos educadores de seus filhos.
5)    Vamos começar a redigir manuais de instrução para os professores. Lá eles teriam, além do conteúdo para cada nível, as atividades que obrigatoriamente devem ver colocadas para os alunos em todas as fases do desenvolvimento.

Este é um breve apelo de uma Professora que vem fazendo escola a mais de 40 anos e acha que está na hora de todos darem sua contribuição para que nosso pais possa enfrentar as adversidades que virão inevitavelmente, se continuarmos a nos desenvolver sem infra-estrutura educacional.


Ana Elisabeth Oliveira Lima

sábado, 11 de dezembro de 2010

As Idéias Vivem em Bandos

“A história se repete” é um conceito usado freqüentemente, e de fato se repete. Quando a mídia traz matéria sobre o que seriam “inovações”, mas que na verdade são conceitos conhecidos a mais de 40 anos, vejo que o mote tem lá sua razão. Dinâmica de Grupo  no Brasil tem uma história interessante. Meu pai, Lauro de Oliveira Lima, criou um método de treinamento que aplicou em todo o Brasil, nas mais diversas empresas e entidades, com resultados poderosos para a produtividade e a qualidade organizacional. Makro, Universidades Federais, jornais, uma infinidade de organizações fizeram treinamentos com ele e os gestores daquela época, que implementaram a cultura de DG em suas organizações, até hoje são unânimes em falar dos excelentes resultados que tiveram.
A experiência brasileira no setor foi tão bem sucedida, que posteriormente dei continuidade a divulgação dessa poderosa ferramenta com apresentações feitas no México, num encontro internacional promovido pela UNESCO sobre o tema, bem como em outros eventos nacionais e internacionais dos quais participei. Hoje, trabalho com Dinâmica de Grupo tanto na Escola “A Chave do Tamanho” quanto em projetos para empresas de vários portes, em diversas regiões do Brasil.
Recentemente li uma excelente matéria publicada na Revista GALILEU baseada no livro “De onde vêm as boas idéias - A história Natural da Inovação”, de Steven Johnson, que tem lançamento previsto para o Brasil para meados de 2011, onde o autor analisou importantes invenções dos últimos 700 anos, passando pela teoria darwinista e pelo surgimento da web. Entre outras coisas interessantes, uma que considerei particularmente importante foi a noção de que “inovação não é coisa de gênio”. Isso é ótimo de ver, porque para quem estuda Piaget em profundidade, fica claro que não existem gênios. Isso contraria muitas crenças populares, que procuram explicar o desempenho excepcional de alguns indivíduos como dons inatos ou capacidade cerebral sobrenatural. Na falta de coisa melhor, fica essa explicação no imaginário coletivo. Mas, certamente, isso não existe.
Quando alguém chega um nível de desenvolvimento mental antes dos outros, não quer dizer que é melhor do que os outros. Apenas é mais rápido. Quando todos aqueles que estão no mesmo contexto de comparação chegarem ao mesmo nível de desenvolvimento mental, desaparece a vantagem obtida pela rapidez, porque todos estarão igualados naquele nível.
As inovações nascem de ambientes que favorecem a comunicação, e esse é o motivo pelo qual Dinâmica de Grupo tem grande importância para que ocorram fatores facilitadores para a criação. Dinâmica de grupo trata da confrontação das idéias, da empatia (ver as coisas do ponto de vista do outro), da tomada de consciência de que existem outras idéias além das suas. Da abertura para todos os possíveis.
Para ter um filho genial, por exemplo, junte-o a outros que pensem juntos, como um único cérebro. Isso provoca situações inesperadas que geram idéias sensacionais. Em nosso mundo de hoje, dificilmente teremos criações individuais geniais, sendo mais prováveis que não tenhamos mais Einsteins, Da Vinci´s ou Darwin´s, pois a globalização colocou o mundo de tal maneira interconectado que ao invés de longos esforços individuais para atingir o ponto da criação o que vemos são situações de complementaridade, onde (a) e (b) vêem algo em (c) e realizam juntos algo que não havia sido ainda imaginado. E tem funcionado bem, em todas as áreas. Deixar as pessoas pensarem e fundamental e desafiá-las também. Uma pessoa muito criativa colocada em um ambiente estéril, provavelmente vai aderir a “não produtividade” que o ambiente sugere.
As idéias são gestadas, como tudo em biologia, daí ser preciso dar muita importância a criatividade e promover o conceito entre as crianças e adolescentes. Importante que disponham de  cadernos ou laptops para anotarem idéias , pensamentos, leituras, descobertas e invenções. Devem reler constantemente o que escreveram para que haja a possibilidade de reformulação. Assim,  estas simples anotações viram  formulações cientificas. As anotações não precisam ser ordenadas, organizadas ou seqüenciais. São simplesmente notas que depois irão servir à reflexão.
As idéias são sempre combinatórias de várias outras,  daí ser tão importante ler, mas ler tudo que aparece e sobre estas leituras formular idéias próprias (combinatórias). Fazer questões sobre o que está sendo lido para que as conclusões sejam inovadoras.
T.Chardin  já disse que “ o grupo tem algo que as partes não tem”, mas o que isso quer dizer? O grupo pensa melhor do que cada um de seus membros isoladamente. Por isso as empresas e escolas que promovam o encontro das crianças e profissionais em grupo terão seu potencial altamente desenvolvido, pois a gestação de idéias é inevitável. Os grupos conseguem, pelo agrupamento de idéias, tirar conclusões que um só elemento talvez chegasse, mas em muitos mais anos de trabalho isolado. O grupo e rápido.
Para ter idéias, as crianças precisam chegar às  conservações e reversibilidade, isto é, pensar do ponto de vista do outro (iniciam por volta dos 7/8 anos). Este tipo de pensamento é que permite que mudemos de paradigma, ou seja, mesmo que estejamos pensando de uma forma podemos mudar a maneira como vemos o problema, usando nossa disciplina intelectual para isso. Assim podemos chegar a novas soluções que não haviam sido pensadas.
As idéias estão no mundo e só precisam se juntar, e isso pode ser feito com o uso de  Dinâmica de Grupo. Com isso,  as idéias  tomam um caminho novo que não estava previsto.  No mundo das idéias não existe o erro, por isso é importante trabalhar com as crianças e adolescentes no sentido de se lançarem sem medo, pois tudo que concluírem poderá ser aproveitado. O erro é simplesmente um estágio de gestação que será modificado a cada nova descoberta. As idéias devem ser comunicadas a todos e num ambiente aberto, onde todos opinam em tudo. Quando mais  especializado é um indivíduo, menos idéias tem.  Devemos ouvir todos em todas as áreas para poder construir o novo,  que vem exatamente do livre pensar.
O método psicogenético é a tradução deste pensamento, na medida em que as crianças e adolescentes estão constantemente sendo desafiadas a pensar de forma diferente sobre tudo o que já foi pensado. Um exemplo disso é entender que já esta escrito nos livros que o corpo humano se divide em três partes (cabeca, tronco e membros); proponha que o grupo encontre outra maneira de dividi-lo e explique por que. Estes desafios descongelam o pensamento e dizem aos jovens que, no pensar, vale tudo.

Beta

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Moral e a vida diária

O Complexo do Alemão é manchete diária, e o passo a passo de sua ocupação tem sido visto mundialmente por milhões de pessoas. Estou acompanhando atentamente todos os passos, e como moradora do Rio de Janeiro, formando minha opinião e desejando ver a situação resolvida da melhor maneira possível. Minha observação vai além do que diz a televisão, buscando saber qual a opinião que vai se formando nas redes sociais, em particular no Facebook. Essa rede social é composta por pessoas de bom nível social e intelectual, como é amplamente divulgado, mas constatei que, nesse extrato, o nível de moral tende a ser muito baixo.
Reparei uma alta manifestação de MORAL DO DEVER nos comentários que li, e só para lembrar aos meus leitores, esse nível de moral este presente nas crianças entre 7/8 anos, com a máxima de “olho por olho, dente por dente”. Muitos dos membros do Facebook, adultos, hoje profissionais liberais ou executivos que passaram pelos vários degraus educacionais oferecidos pelo sistema (fundamental, médio e universitário), certamente não tiveram sua moral desenvolvida no decorrer desses cursos. Provavelmente aconteceu o de sempre: isso não foi cuidado e portanto não aconteceu. Já disse mais de uma vez em matérias aqui no blog, que a MORAL não se desenvolve “naturalmente”, sendo um processo difícil mesmo quando estimulado. O exercício maior e mais complexo é se colocar no lugar do “outro”, enxergando a realidade do ponto de vista “dele”. Para viver isso, é preciso muita dinâmica de grupo, muita socialização, muita conversa, muita interação. Caso contrário, o que acontece é o indivíduo receber o conceito pronto, incorporá-lo e utilizá-lo nas mais diversas situações. Preconceitos, crenças e valores deturpados nascem daí – e todas as suas conseqüências.
É de se perguntar, numa hora dessas, como  as pessoas com um baixo nível de moral podem viver plenamente suas profissões, sejam elas quais forem. Provavelmente a resposta não incluirá nada de pleno, com prejuízos sérios para quem quer viver a vida num julgamento isolado de valores sem sentido.
Pessoas com baixo nível de moral tem a maior dificuldade para trabalhar em grupo, pois é preciso desenvolvimento moral para que haja cooperação – que está ligada ao mais alto nível de desenvolvimento. E sentimos, por conta disso, a falta de moral em todas as áreas da sociedade.
No futebol, por exemplo, os jogadores batem, simulam faltas, entregam o jogo, enfrentam os juízes, desacatam seus treinadores, desafiam a torcida. Isso para falar apenas dos elementos mais diretamente envolvidos com a indústria do futebol. E o sistema vai sendo contaminado. O valor do jogo vai sendo deixado de lado para que outros valores surjam, e sempre envolvendo uma moral baixa que estimula as variações menos louváveis de comportamento.
Tudo vai sendo tolerado até o ponto em que acontece o descrédito total das instituições e é aí que a cosia fica complicada. Uma pesquisa recente da Fundação Getúlio Vargas sinalizou que o nível de descrédito maior é o do Judiciário. O nível de crédito mais alto é o das Forças Armadas. Imagine você o julgamento moral de uma sociedade que não está dando valor ao desenvolvimento da Moral, e que é conduzida a pensar na força como o grande elemento de solução para todos os males. Por favor, pense no perigo que isso representa. O tecido social vai sendo esgarçado até o rompimento, e nesse momento a gente chama o “Capitão Nascimento”? E isso por si só resolve? Não, uma choque de força é pontual. Quem dá sustentação à sociedade é a moral. A moral do indivíduo, a moral da comunidade, da sociedade, do Estado. Senão ... o Capitão Nascimento vai cansar de tanto resolver problemas pontuais que não dão o rumo certo a sociedade.
Aceitar que o tráfico nasce e cresce sozinho é falta de visão. Ele se entranha quando pessoas de várias classes sociais consomem droga e financiam o seu crescimento. Os pais lenientes são sócios do tráfico. Os adolescentes viciados são sócios do tráfico. A pessoa que sabe que em seu edifício existe uma boca de distribuição de droga e não denuncia é sócia da boca. O alienado que não sabe do que estamos falando é sócio do tráfico. Por ação ou omissão, somos mais ou menos responsáveis. Quando vemos a coisa atingir a dimensão que chegou é que tomamos consciência que já foi longe demais. A solução que alguns dão é o extermínio puro e simples. “Passa bala neles”, dizem alguns. “Por que não mataram os traficantes em fuga?” perguntam outros. Houve uma certa indignação com o fato de a polícia e as forças armadas não terem aproveitado o momento da fuga dos bandidos da Vila Cruzeiro para o Morro do Alemão para arrasarem tudo com fogo total.
Cuidado meus amigos, a exposição no Facebook é grande. Parece que há no pensamento coletivo uma idéia de que somos vítimas, quando na verdade somos atores diretos desse drama que se desenrola sob nossos narizes. Vamos aproveitar a rede para discutir a questão sob todos os aspectos, sem deixar que nossos sistemas de proteção façam prevalecer a idéia de que eliminar a pobreza significa exterminar fisicamente os pobres – até porque isso não acontecerá numa sociedade capitalista com uma péssima distribuição da riqueza que produz. Viver em condomínio fechado não é a solução, porque acabamos todos criando pequenas prisões e sistemas de isolamento, o que ainda piora mais as coisas. Vamos pensar juntos em como aumentar as oportunidades dos indivíduos.
É urgente educar este povo e isso não significa apenas dar escolaridade, entendida como vários anos dentro de uma escola que nada representa. Precisamos educar com “letras maiúsculas”, ensinar a discutir, pensar com moral para analisar os fatos que estão a sua volta. A escola tem que se tornar um ambiente de crescimento intelectual e afetivo, onde os jovens queiram estar junto com seus educadores bem preparados, que por sua vez  também queiram estar educando de verdade estes jovens.
Este ambiente deve ser bonito, limpo e confortável. Direitos inalienáveis de todos os cidadãos.
O que chama  a atenção é ver jovens das classes mais abastadas considerando os outros jovens esses das favelas, como vagabundos e bandidos a priori.Por que será que isso acontece? É lógico que são preconceitos de uma classe social contra a outra. Temos bandidos e vagabundos em todas as classes sociais. Muitas vezes o jovem de classe media alta, que até os 20 anos não trabalha sendo mantido por seus pais, que financiam as festas, universidades e viagens, não acham que são vagabundos. O fato de ter toda a sua estrutura de vida custeada, inclusive as mordomias, fazem com que acreditem que estão em uma situação diferente. É o caso de fazermos uma revisão do significado da palavra “vagabundo”. O jovem que esta vendendo bala ou limpando os carros nos sinais é  considerado por ele como vagabundo ou bandido ...  mas eles estão trabalhando!!!! Por que esta qualificação? Seus pais os condicionaram a interpretar desta forma aqueles que são necessitados e que, por ausência de governo, estão nas ruas, sem escolas e alimentação, já que o salário de seus pais não dá para a sobrevivência da famíli.
O processo de transformação é longo e sistêmico, mas tem que começar. Vamos ensinar MORAL a todos os jovens de todas as classes sociais. Vamos tentar, através da moral que se estabeleça no mais alto nível, reduzir o fosso que separa a sociedade em guetos. Vamos resolver, através da moral, o alto custo social da distribuição de renda que nos dias de hoje é perversa, cruel e assassina.
 Vamos dar sentido maior à vida.
Beta

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

A Procura da Escola Ideal


A Veja Rio publicou esta semana uma lista de dez perguntas que ajudam a decidir.

O que os pais devem saber antes de escolher o colégio de seus filhos
1- Linha pedagógica e material - fazendo uma reflexão, chegamos à triste informação que no Brasil temos apenas três métodos pedagógicos em utilização. Ficamos admirados de considerarem o ensino tradicional como um método em si mesmo. Ele pode ser behaviorista, pois provoca estímulos e quer respostas determinadas. Então caracterizamos quatro métodos. Quanto a material pedagógico, a maioria destas escolas não tem um especificamente feito para suas metodologias. Temos, na Chave do Tamanho, um material todo graduado de acordo com o nível de desenvolvimento dos alunos, coisa que os livros didáticos e apostilas não conseguem, pois se baseiam apenas nos conteúdos programáticos e não no nível de desenvolvimento.
2 – Habilidades (Dia a Dia) – Modernamente, não se fala mais em habilidades e sim em inteligência, que engloba todas as habilidades possíveis. A idéia hoje é o desenvolvimento da inteligência e afetividade. Para fazer isso no dia a dia, é preciso ter a hora do planejamento, que na Chave está baseada em um Plano Anual, Semanal e Diário. Nenhum professor na Chave do Tamanho entra em sala de aula sem que seu planejamento tenha sido avaliado pela coordenação da escola. Isto dá uma unidade e um encadeamento das atividades, necessários dentro da teoria de Piaget, pois segundo ele, todo conhecimento é graduado e seqüenciado.
3 - Perfil dos ex-alunos – Aqui na “Chave do Tamanho” formam-se lideranças e pessoas altamente criativas. Nossos ex-alunos fazem parte de uma elite intelectual (diretores de cinema, artistas plásticos, diretores de faculdades em universidades internacionais (Espanha, EUA entre outras), pessoal de criação de grandes empresas italianas, americanas, designs de jóias, publicitários, economistas, médicos e escritores.
4 - Atividades extras -  são muitas, incluídas nas atividades curriculares como atividades musicais, artísticas, etc. Outras, como teatro, futebol e natação, são oferecidas fora do currículo normal. Estas atividades são propostas para facilitar as famílias, já que às vezes as crianças têm varias outras ocupações e achamos determinante que a criança tenha o mais importante, que é a atividade escolar e suas tarefas especificas para o dia seguinte (pesquisas). A vida da criança deve girar em torno da escola, e seu gancho com o social.
5 - Avaliação - A chave prioriza a avaliação diária dos alunos e para isso manter uma ficha onde os professores devem avaliar e anotar todas as ocorrências dos alunos. Além desta avaliação, trabalhamos com provas e todos os testes piagetianos visando obter o diagnóstico completo dos alunos. Não concordamos que apenas uma prova avalie todo o desempenho de um aluno e promovemos a recuperação paralela, se o aluno não atingir o desempenho esperado.
6 - Disciplina - Não podemos trabalhar educação com a idéia presente de suspensão ou expulsão, pois somos educadores e temos que trabalhar a moral dos alunos e a orientação da família para que não surjam situações que poderiam solicitar estas ações totalmente policiais. Os alunos, trabalhando em Dinâmica de Grupo, corrigem os comportamentos sem necessidade destas formas antigas e radicais de punição. É fundamental que os alunos amem sua escola, local onde passa o maior tempo produtivo da vida infanto/juvenil.
7 - Professores ou Corpo docente - Para Piaget, a maior formação deve estar dedicada aos alunos mais jovens. Todos os professores devem ter a formação universitária, mas a “Chave do Tamanho” não se contenta com isso e faz uma formação continuada, promovendo reuniões diárias para avaliação e orientação dos planejamentos de seu corpo docente. Trabalha também em Dinâmica de Grupo com seu corpo docente e funcionários em geral. Todos seus professores também têm que passar por um curso interno para a formação na metodologia da escola (Método Psicogenético). Todo mês de janeiro os professores entram em treinamento na escola.
8 - Idiomas - E fundamental a introdução de línguas estrangeiras na nossa visão. A “Chave do Tamanho”  trabalha o inglês do pré-escolar ate a 1a. fase do fundamental e, na segunda fase, além do inglês, introduz o alemão. Estimulamos nossos alunos a fazerem, depois deste período, intercâmbio para fixar a língua que foi aprendida. Sem essa vivência o ensino das línguas estrangeiras fica muito sem objetivos concretos. Estimulamos muito as famílias a manter o novo idioma com alta estimulação.
9 - Laboratórios – Na “A Chave do Tamanho” entendemos que o laboratório deve ser usado constantemente, e não em dias pré-marcados. Essa a razão porque além das aulas de ciêncais, várias outras se utilizam de laboratórios no dia a dia como línguas estrangeiras ou informática. A Chave possui salas ambientes para cada matéria. Línguas, matemática, português/literatura, historia geografia, artes, educação física. Todos os materiais relativos às disciplinas ficam em seu lugar especifico em cada uma dessas áreas. Os alunos circulam entre elas durante o dia de aula.
10 - Ambiente geral de jogos de mesa, de bola e playground são organizados para serem utilizados no tempo de pátio (recreio), onde os alunos estão constantemente assistidos pelos seus professores e coordenadores. Em todos os locais da escola, nossos alunos tem sempre um orientador da aprendizagem.

Em resumo veja se a escola que você esta escolhendo tem realmente uma metodologia, professores capacitados, dedicados e principalmente PLANEJAMENTO. Não podemos mais trabalhar na era do conhecimento com amadorismo, fazendo experiências ou adotando planos do século XIX. Procure, pergunte e encontre o melhor.

Beta
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segunda-feira, 11 de outubro de 2010

O METODO PSICOGENÉTICO (Fundamentos)

O Professor Lauro de Oliveira Lima chamou de "psicogenético" o método que criou a partir das teorias piagetianas. Nele, o processo pedagógico modifica-se sucessivamente, de acordo com o estádio de desenvolvimento mental (psicogênese).  O aluno é que determina como o professor deve apresentar as situações didáticas, pois, em cada estádio de desenvolvimento, ele  tem uma maneira diferente de aprender (esquemas de assimilação). A alfabetização, por exemplo, pode iniciar-se desde a mais tenra idade, se apresentarmos o material de leitura de acordo com os processos mentais que o aluno esta construindo naquele momento. O processo didático segue as seguintes linhas fundamentais:
a) todo  "conteúdo"  ou "lição" é apresentada em forma de  situação-problema, que deve ser resolvida pelo aluno (apelo a inteligência);
Prof. Lauro de Oliveira Lima
b) toda "solução de problema" é resolvida em grupo, para que os alunos se estimulem, mutuamente, e aprendam a cooperar (comportamento moral e afetivo);
c) o aluno deve sempre "tomar consciência" dos mecanismos de que utilizou para realizar a atividade proposta (a "tomada de consciência" substitui o que se chamava antigamente, de "fixação da aprendizagem" permitindo o aluno compreender como funciona a mente);
d) os resultados são apurados observando os mecanismos mentais usados pelos alunos e não pelas performances e/ou acertos (o erro revela os mecanismos em jogo no comportamento dos alunos).
Então como trabalhar com o método psicogenético? Mudando o ponto de vista do professor. Neste método quem trabalha são os alunos. O professor não fala: deixa que seus alunos falem através da dinâmica de grupo. O professor é um grande planejador que deve ter todos os conteúdos encadeados, para que o
conhecimento  aconteça.
Neste método, o melhor professor de uma criança é a outra, que acabou de aprender. Deixe que seus alunos falem. Ponha todos em circulo para que todos vejam todos. As técnicas de Dinâmica de Grupo são muitas e devem ser do conhecimento do professor orientador.
Beta