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domingo, 18 de outubro de 2015

2021 ... o ano sem professores ...

O ano é 2021 ... 

Até lá, 40% dos professores devem se aposentar na rede pública e a entrada não vai ser suficiente segundo as pesquisas porque a procura é cada vez menor para esta carreira. Será que ninguém quer mais ser professor? Será que o desinteresse político chegou aos jovens que buscam carreiras mais glamorosas e que trazem melhor resultado financeiro? Pode ser, mas o Brasil já passou por situações bem mais críticas e vive uma realidade onde muitos não são formados nas disciplinas que lecionam.

Aqui temos que usar a opinião do Prof. Lauro de Oliveira Lima e usar um método a prova de professor. O professor será apenas um animador e os jovens vão aprender através de pesquisas e trocas (dinâmica de grupo) entre eles. Não podemos ficar esperando que a formação dos professores melhore pois não é rápido e podemos perder gerações nesta espera. Nos idos dos anos 50/60 papai corria o Brasil dando cursos da CADES para em pouco tempo formar os professores e assim manter vivo o sistema. Não seria a hora de retomar para acender a chama de nossa educação?

Os professores que estão para aposentar tem coragem de dizer que “estão deixando o sistema pior do que quando entraram”. Será que não entendem que eles foram a causa? O que você não fez? Se cada um faz a sua parte a mudança é estrutural. Não existe desculpa possível de um profissional dizer que não fez porque não pode. Quem o vigiou tão bem? Não é verdade. Não fez porque não sabia, não queria e achou que ninguém ia culpá-lo. Eu culpo sim. Cada professor tem sua culpa dentro de um sistema falido onde poderíamos estar formando grandes homens e estamos deixando sair uma massa de analfabetos funcionais e medíocres que nada acrescentam ao país.

O único culpado é o governo? Não. Todos nós temos uma participação efetiva. Fui ao CIEP, que hoje leva o nome do meu pai Lauro de Oliveira Lima, aqui no Rio de Janeiro (Rio das Pedras) e convidei os professores de cerca de 2600 alunos para fazer um curso de formação de professores que organizamos em nossa escola. Sabe quantos apareceram? Dois professores e uma auxiliar. O caso é grave. Professor passa em um concurso público e acha que não deve estudar mais e que é somente esperar a aposentadoria. Vocês já viram a corrida para ser professor das redes públicas? Será que querem mesmo ser professores ou não querem ter chefe e por sua vez responsabilidades. Quantas faltas? Quanta gente encostada. O sistema está em ruínas.

domingo, 28 de junho de 2015

A "não-doença" e sua cura!

Em sã consciência, nenhum pai quer que o seu filho fique doente, é claro. Mas, venho identificando uma situação no mínimo estranha, que é a tentativa de alguns pais de encontrar, custe o que custar, uma doença moderna que possa estar acometendo seus filhos. Serve THDA, TDA ou qualquer outra dessas sopinhas de letras, tão ao gosto dos especialistas.
Gostaria de dizer alguma coisa a respeito, na tentativa de evitar essa SDBDNC (Síndrome de Busca de Doenças nas Crianças). A primeira coisa que identificamos nos pais que estão nessa busca, é que estabeleceram que o rendimento das crianças deve estar dentro de um padrão estabelecido por eles, e para isso comparam o de seus filhos com o de outras crianças que eles identificaram como "padrão"... E quem foi que disse que isso é uma maneira tecnicamente correta de estabelecer uma avaliação? Onde está escrito que uma pessoa pode "determinar o padrão", sem um conhecimento técnico ou científico sobre o assunto? Tudo não passa de "achismo", intuição ... ou seja lá o que for. O resultado é péssimo, no final das contas, visto que as causas de um determinado comportamento não desejável podem estar principalmente na má educação dada pela família - e aí o culpado assume a toga de juiz ou o jaleco de profissional de saúde para realizar o diagnóstico, com os resultados previsíveis.
A coisa se agrava quando, na escola, a criança está bem, agindo normalmente, dentro do esperado para seu nível mental, mas a família não suporta não fazer o papel de preocupada, querendo identificar alguma anomalia para poder encher a mesma de tratamentos e outras coisas. Isso não é bom para nenhuma das partes, e é preciso lembrar a análise errada da situação é tão ruim quanto não a analisar. Ou seja, é preciso estar atento, mas ter competência para avaliar as coisas corretamente.
As distorções comportamentais narradas pelos pais, ocorrem no ambiente doméstico, mas os mesmos querem que a escola "veja" esses "problemas", como se eles acontecessem durante o dia letivo - o que verdadeiramente não acontece! O ambiente é outro, as interações são diferentes, a estimulação e a motivação são completamente diferentes, enfim, é outro mundo. E em dois mundos diferentes, o que acontece em um não necessariamente acontece no outro, para o bem ou para o mal.
Entendo que o problema, via de regra, é da família, podendo muitas vezes uma doença já estar estabelecido cronicamente sem que ninguém consiga vê-la. Levam as crianças aos terapeutas que não se comunicam com a escola, se apropriam das informações dadas pela família (sejam elas quais forem). O que era um problema, vira uma confusão, e o prejuízo maior é sempre da criança.
Ora, isso tudo soa como falta de responsabilidade, porque se uma criança estiver, realmente, doente, precisa de diagnóstico e terapias, sim, mas precisa que isso seja compartilhado com a escola, visto que ali é o local de maior vivência deles. Mas como a Escola, em nossa sociedade, é altamente desmoralizada, não é dada a ela o crédito para que sejam levadas em consideração suas análises e avaliações sobre o comportamento infantil. Assim, a seriedade de todo um trabalho de anos não é reconhecida, a não ser que a escola "aceite a doença" que os terapeutas e pais determinaram que existe!
Refletindo sobre tudo isso, com a experiência de mais de 40 anos e toda a vivência que pesa sobre os meus ombros, só consigo imaginar, que de uma maneira transversal, as pessoas achem melhor identificar as "doenças" nas crianças, para que o fracasso só possa ser atribuído a elas e não aos pais. Assim, a culpa fica no "defeito de fabricação" com que a criança chegou ao mundo ... o que torna tudo mais fácil para os que têm o poder de disseminar a ideia.
No final, fica aquele discurso de que "nós somos ótimos, vencedores, campeões, mas infelizmente nosso filho tem isso, aquilo e aquilo outro, e não rende na escola...". Muitas crianças vão sendo "adoecidas" assim, e mesmo não precisando de tratamento, são levadas a terapeutas que passam longos anos procurando uma cura para uma não-doença!
A minha pergunta é se todos vão ficar calados, sem defender as crianças!? Ora, chega disso. O percentual de crianças doentes é mínimo se comparado ao de adultos doentes, e com essas doenças os adultos vão criando uma geração de crianças "doentes" de falta de atenção. Sim, porque criança sem atenção fica doente, criança perseguida fica doente, criança sem carinho fica doente, criança sem limites fica doente, e por aí vai. A grande maioria das "doenças infantis" são criadas pelos adultos que decidiram não educar às crianças. Ter filho é uma construção diária que gera um ser integral. Não existe uma fórmula pronta, mas o que se sabe é que eles são o resultado final da combinatória da família onde estão inseridos.
É difícil educar ??? É! Mas é possível. Todo dia, seu filho é outro filho, pois o desenvolvimento cognitivo e emocional é uma construção diária. A afetividade também obedece ao mesmo ritmo. Você quer ser um "bom pai"? Não se iluda... dá trabalho mesmo. Aprenda a conversar com ele, busque leituras a respeito, bem como reuniões e cursos disponíveis hoje em dia. Nunca se achem "experts" no assunto, porque isso não existe. Os comportamentos dos pais são muito diversificados e os ajustes terão que ser também amplos e atender uma gama enorme de maneiras de agir.
Mas, principalmente, identifiquem o que vocês querem para seus filhos, porque se o que vocês querem são só notas boas na caderneta, isso não vai resolver o problema deles no futuro. Aprender a ser pai é tarefa difícil, mas vale a pena. Vou continuar a falar sobre isso em um próximo artigo.

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sábado, 6 de junho de 2015

Evolução ou Revolução?


Estamos sempre pensando na evolução da educação, mas não é o caso. Não temos mais tempo para correr atrás dos resultados mundiais. Estamos muito aquém do que deveríamos em relação ao nível econômico do país no mundo. Agora temos que ser corajosos e propor uma revolução do sistema educacional. Temos que dizer NÃO a tudo que está aí, estabelecido. O que está sendo feito dentro da sala de aula parou no tempo e no espaço. Não adianta arrumar a escola, ela não tem salvação. Vamos virá-la de cabeça para baixo para encontrar novas soluções. Está tudo atrasado. Conteúdos do século passado, métodos de séculos atrás, prédios impróprios, currículos fora da era digital, móveis ainda individuais, livros que fazem referência a conteúdos sem aplicação real, etc., etc..... Ficaria enumerando tudo que tem dentro da escola e que não precisamos mais. O quadro negro ou verde ainda está lá. Acreditem!!!! E os professores são formados por uma academia que não reflete os tempos futuros. O que será que as crianças e adolescentes precisam aprender? E em que tempo? Os professores não sabem. Os gestores devem realizar urgentes mudanças que nem sequer se pensa que são importantes para o desenvolvimento da nação, para o desenvolvimento sustentável.
As crianças não aprendem tudo o que lhes é ensinado ou o esquecem após passar o reforço recebido na escola. Deixe as crianças de férias, faça as tarefas que elas fizeram e veja os resultados. São assustadores.
As crianças e principalmente os adolescentes não gostam das escolas e ninguém fica preocupado com esse fato porque acham que é um problema de cada um e nunca da instituição Escola. O tempo que eles dedicam à escola e às suas tarefas é mínimo e obrigatório. Querem ficar livres desse peso rapidamente. Escola é um peso para os jovens.
A má formação dos professores não permite que entendam o desenvolvimento de seus educandos e tentam ensinar, em vão, tudo o que receberam como currículo. A psicologia   genética está aí para ensinar o que e quando as crianças podem aprender, mas isso não é ensinado a nossos professores que continuam a repetir falas sem sentido para seus alunos. No final de cada período, por eles estipulados (bimestres, semestres ou ano), aplicam as “provas” a título de verificação do que não conseguiram ensinar.
Os exames tornaram-se mais importantes do que a aprendizagem em nosso país. Se os alunos fazem boas provas parece que aprenderam, mas se são confrontados no ano seguinte com a mesma avaliação verifica-se o desastre. Não aprenderam nada.
Os jovens saem da escola sem os conhecimentos mínimos necessários para a vida prática. Muitos não sabem ler. Ler é realmente interpretar algo escrito, não apenas juntar letras, fonemas e soletrar palavras. Escolhem suas carreiras baseados na ausência de algumas disciplinas como, por exemplo: matemática, física ou química. Quase não leem e não sabem escrever em sua língua materna. E pensar que passaram mais de 9 (nove) anos na Escola!
Será que os professores e os gestores da educação não notam que os longos currículos que são apresentados aos alunos não ficam retidos como conhecimento? São descartáveis por não terem aplicação real. Ao saírem da escola se livram dos exames e nunca mais vão precisar de muita coisa que “aprenderam” com tanto sofrimento.
Todas as escolas seguem o modelo fast food – Totalmente padronizadas. Quando fogem do padrão as escolas correm o risco de não ser aceitas pelos pais que não sabem como será o futuro e muitas vezes acham que esse tipo de escola deu certo para eles. Os pais não prestam muita atenção aos seus filhos, só sabem dos resultados parciais. O sofrimento que essas escolas provocam em seus filhos através das angústias e da depressão não são por eles analisadas.  Quantas crianças doentes, tomando remédios e com diagnósticos duvidosos que deveriam ser dados às suas escolas. Os pais mesmo estando no século XXI buscam escolas pelo conteúdo que oferecem, sabendo que as crianças e adolescente não vão fazer uso desses “conhecimentos”. Não estão ainda atentos ao desenvolvimento da inteligência já que acham que ela é inata. Doce ilusão!!!! Interessante que muitos pais não sabem nada sobre aquilo que estudaram no ensino fundamental ou médio e mesmo assim exigem que seus filhos sejam submetidos a essa tortura.
O Projeto Escolar para uma escola realmente do futuro deve estar baseado no desenvolvimento da Inteligência. Os conhecimentos estão aí, disponíveis em todos os meios digitais. Devemos realmente ensinar às crianças a ler. Criar o hábito de leitura será a grande formação.

Não sabe o que ensinar? Provoque as crianças com perguntas e enigmas. Elas, certamente sabem o que é aprender. Vamos para o Futuro.

sábado, 15 de março de 2014

Programa "Bolsa Inteligência"

Em Educação, não existe mágica – embora pareça que sim. Como é muito difícil entender a maneira como as pessoas aprendem, fica mais fácil acreditar que “acontece alguma coisa” e o sujeito que não sabia nada, acaba sabendo. Mas não é bem assim. De qualquer forma, nós brasileiros estamos trabalhando com uma ideia errada de que é possível “ir crescendo aos poucos” nessa área, para em algum momento chegar ao patamar dos países desenvolvidos. Essa posição esquece que o movimento do mundo é semelhante ao de uma escada rolante em termos de desenvolvimento, ou seja, os que estão entrando por último na escada vão, inevitavelmente, ficar atrás porque os que entraram primeiro estão lá em cima. E continuam subindo. Ter uma perspectiva de desenvolvimento passa por saber que isso é uma verdade inexorável.
A grande pergunta é: por que somos uma das dez maiores economias do mundo e estamos entre os últimos colocados no quesito Educação? Há uma relação entre esses dois fatos, mas não estamos trabalhando de maneira concreta para fazer com que os nossos resultados no campo da economia repercutam nas demais áreas. Há uma perda de foco no que é prioritário e isso tira do Brasil a sua condição de sustentabilidade, tão crucial nos tempos que teremos pela frente.
Um economista americano de nome Richard Murnane, grande nome da “educação baseada nas evidências”, diz com todas as letras que, além de ensinar alguns conteúdos para os alunos, precisamos principalmente ensina-los a aprender. Lauro de Oliveira Lima já dizia isso a 50 anos atrás, mas ao que tudo indica ainda não “pegou” essa idéia. Pode ser que, agora, esteja chegando a hora, já que alguns expoentes da educação estão pensando nessa linha. O fato é que APRENDER sempre foi e cada vez mais será uma necessidade permanente de todos nós e os conteúdos que são ensinados vão rapidamente perdendo a validade. A maioria dos conteúdos atualmente ensinados não são aplicáveis num mundo moderno, cheio de tecnologias e desafios, onde tudo está para ser inventado. E nós ainda ensinando coisas que são parte da história como sendo ferramentas de uso cotidiano. É meio criminoso isso, no final das contas. É como colocar uma pessoa que não sabe nadar num barco, sem colete salva vidas e dizendo para ele que não tem perigo, que o barco não vira, etc ... Só que, na hora do acidente, o que se vê é afogamento para todo lado. E vejam que, esse acidente, está programado. Vamos soltar as crianças e adolescentes no mundo equipados de que maneira? O que mais se vê é gente conseguindo trabalho com o que aprenderam fora das escolas, e não dentro delas... o que nos leva a pensar seriamente no perigo que isso representa.
Penso que conseguimos alguns avanços no Brasil, mas minha preocupação é  ver que os mesmos não estão relacionados de maneira direta ao desenvolvimento econômico, que para crescer e se sustentar vai precisar de muito mais do que o que vemos projetado para os próximos anos. O tal “ensino de qualidade” ainda é de uma subjetividade enorme, o que nos coloca frente a desafios críticos sem perspectiva de como enfrenta-los. Uma questão urgente é a necessidade de melhoria no desempenho dos professores, porque sem que eles estejam altamente treinados e capacitados a entender e trabalhar os desafios que se apresentam, não vamos ter a velocidade que necessitamos para andar mais rápido naquela escada rolante que mencionei no início.
Uma situação que me parece complicada é a filosofia por trás do Bolsa Família, tendo em conta que o recebimento da mesma está condicionado à permanência dos filhos das famílias de baixa renda na escola. Mas fica por aí: permanência. Isso não resolve o problema, já que as escolas que eles frequentam não são exatamente um modelo de ensino de qualidade. Mante-los ali é uma situação que não faz com que o nível das crianças suba, e elas não estarão preparadas para superar as dificuldades econômicas de seu meio. Melhor seria, conjuntamente, melhorar as escolas onde essas crianças estão “depositadas”. Dentro das escolas, as crianças já estão, mas o que fazer com elas lá dentro continua sendo o grande desafio.

O Bolsa Familia e um programa que condiciona a permanência dos filhos das famílias de baixa renda na escola, mas so a permanência não resolve o problema já que as escolas onde eles estão não são boas, logo não fazem com que suba o nível das crianças para superar as dificuldades  econômicas da família. O problema então e melhorar as escolas onde estão “depositados”. Dentro da escola as crianças já estão, mas o que fazer com elas e o grande desafio.
Temos alguns problemas básicos a serem superados:
1. Levar as crianças a escola (o “Bolsa Família” faz isso);
2. Levar o professor a se dedicar e não faltar ao trabalho (a formação faz isso);
3. Melhorar a qualidade da escola (capacitar o professorado para o desenvolvimento das crianças);
4. Escolher um modelo novo de Escola – onde o centro será a criança e seu desenvolvimento e os conteúdos fiquem a serviço do aluno. A escola como uma organização social;
5. Pais informados do novo modelo onde seus filhos estão inseridos.

Numa situação como essa, teremos  as “comunidades escolares”, como denominou Prof. Lauro de Oliveira Lima nos anos 1960. Os professores serão treinados para entenderem que não vão transmitir conteúdos e sim criar “situações-problema” onde as crianças construirão seus conhecimentos. Devemos lembrar que estas crianças são oriundas de famílias onde os pais não tiveram acesso a escolaridade e não sabem e não conseguem ajudar seus filhos. A obrigação fica por conta da escola, como deveria sempre acontecer. Como não podemos fazer todos os professores terem a mesma forma de transmitir os conhecimentos, devemos fazer através de um método onde as   próprias crianças construam seus conhecimentos.

Como trabalhar com os professores para que melhorem seu desempenho? Em primeira instancia podem ser oferecidos incentivos financeiros, mas temos que ajuda-los na sua capacitação para que consigam melhorar seu desempenho. Eles não podem fazer algo que não sabem. Apenas o financeiro não acrescenta conhecimentos aos professores. Precisam aprender a fazer.
Quando queremos mudar um sistema temos que ser radicais e mostrar aos professores que é possível, mesmo que pareça difícil, já que eles estão acostumados a uma rotina de que não pode haver mudanças.   “Sempre foi assim e é assim que tem que continuar” – parece ser o mote orientador da conduta do professor, imposto pelo sistema. Basta dizer que alguns deles continuam ditando lições e copiando no quadro.

 As salas de aula tem que ganhar uma nova configuração, coisa que os economistas não sabem. Somente trabalhando com educadores podemos ver como deve ser radical a mudança inclusive física das salas. Não devemos mais manter o modelo dos séculos passados onde as crianças ficavam em cadeiras individuais uma olhando para a nuca do colega da frente. É hora das mesas coletivas onde todos confrontam com todos.

Não podemos esquecer que os políticos vão logo pensar em quanto dinheiro devera ser investido e colocado para que sejam efetuadas as mudanças mas, ao contrário, o dinheiro deverá chegar depois.

A redução das turmas é fundamental no processo geral, mas de nada adianta se o professor continuar ditando aulas e fazendo as crianças copiarem. Se a aula é expositiva tanto faz ele ter 15, 30, 50 ou 100 alunos por turma. A turma deve ser reduzida para que a Dinâmica de Grupo entre nas salas de aula. A observação diária do professor sobre cada aluno passa a ser o substituto da famigerada “lista de presença” que toma tempo precioso de aula e não leva a nada. Em contrapartida, o professor passa a anotar o desenvolvimento de cada um de seus alunos.

Toda a educação devera estar voltada para profissões do futuro,  que não possam ser substituídas pelo computador. A grande coisa do futuro é a criação e resolução de problemas. Todos os problemas que o computador resolve já tem que estarem impressos em sua memória para que ele faça a combinatória, pois ele não inventa. Vai ficar para o homem a tarefa de inventar (criar). Trabalhar com as crianças será uma função privilegiada, bem como com os idosos.

Para o futuro só temos que ensinar inteligência, a Aprender a Aprender. Tudo que sabemos hoje pode rapidamente tornar-se obsoleto. Ler, escrever e as quatro operações podem ser um ponto de partida, mas não vão determinar o saber que a criança vai necessitar.  O que vai ser determinante é a forma com que ela vai usar os conhecimentos que obtém em qualquer site de busca. O pensamento matemático vai ser uma determinante. Não pense que fazendo o que você esta fazendo agora terá futuro dentro de 30 anos, pois a velocidade com que a tecnologia avança é fantástica.

Mudar é muito difícil mas já passou do tempo e temos que fazer. Vamos dar o “Bolsa Inteligência” porque assim teremos os resultados que precisamos e podemos chegar “lá em cima” de maneira concreta, em prazo menor e com mais suavidade para nossas crianças.

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Virando a carteira da sala de aula de ponta-cabeça

Ensinar a remar é uma coisa, ensinar a navegar é outra. 
   Olhando com atenção a Educação em nosso país, fica a certeza da enorme dificuldade que teremos para fazer alguma mudança na sua estrutura. E isso não é nada bom, na medida que o problema é estrutural mesmo. Estive recentemente em uma reunião acadêmica, com a presença de professores jovens que apresentavam as mudanças que estão fazendo nas salas de aula em que lecionam, e fiquei preocupada porque eles acreditam realmente que estão inovando, provocando situações inéditas, criando situações promissoras.
   Meu pai, Lauro de Oliveira Lima, chamava isso de “festividade pedagógica”, um grande happening que, ao final das contas, não muda nada no sistema. Isso porque toda essa barulheira se dá sobre um sistema velho e que não tem mais jeito. Não prepara ninguém para o que vem por aí e mesmo para o que já está sendo esfregado na nossa cara nos dias de hoje.
   Baseados no que sempre foi praticado, professores fazem um circo enorme para ensinar o mesmo “conteúdo programático” ... sem questionar se esse conteúdo deve ser ensinado. Ou mesmo se devemos “ensinar” alguma coisa!? Professores, mesmo em nossos dias, ainda acham que são os transmissores de conteúdos e que os programas distribuídos pelo Ministério da Educação devem ser obedecidos. Fico olhando e pensando: “mas não é possível que ainda seja assim!”.
   A Escola, como aí está, deve ser implodida, sem ficar pedra sobre pedra. As crianças não aprendem o que é ensinado e os professores continuam na mesma direção, como se nada de mal vissem nisso. O efeito maior que deveria estar sendo minimamente observado é o de que TODAS as crianças apresentam algum grau de dificuldade na aprendizagem.... Não seria a Escola que tem dificuldade em ENSINAR?
   Acredito que já passou da hora de pararmos para analisar o problema, diagnosticar as causas. Já sabemos tudo o que acontece mas ficou faltando achar as soluções reais. E olha que temos muitas! Mas o fato é que ninguém, seja lá qual for a razão individual, quer mudar o sistema. Nossos gestores acham que podem fazer uma “colcha de retalhos” e continuar com essa agonia indefinidamente, enquanto é fato que os jovens NÃO GOSTAM DA ESCOLA. E ainda são taxados de preguiçosos, indolentes, vagabundos ...
Analistas tentam encontrar meios paliativos, mas se deparam com a verdade: NÃO EXISTEM MEIOS PALIATIVOS PARA ESSA SITUAÇÃO. Para dar um arranco positivo nisso tudo, não podemos ficar concentrados num princípio equivocado, vencido e obsoleto. Precisamos virar a mesa e propor, através da psicogenética, um novo sistema.
O que está claro é que não adianta usar músicas para ensinar fórmulas, brincadeiras que alegram momentaneamente um dia enfadonho de aulas ou bichinhos fofos para ensinar Ecologia. Todas essas brincadeiras tentam melhorar uma situação perdida, baseada em “enfiar goela abaixo” das crianças e adolescentes o velho Currículo. Os professores deveriam ser convocados a avaliar o currículo à luz da Psicogenética (Níveis de Desenvolvimento) para saber o que as crianças podem aprender – ou seja, tem condições de aprender. E já existem muitos, mas muitos estudos mesmo, que podem auxiliar os profissionais de Educação nesse sentido.
E a sociedade? Está preparada para essas mudanças? Não creio, e acho mesmo que muitos ficarão assustados, em dúvida sobre se seus filhos estão sendo preparados ou não. Isso vem sendo inculcado no coletivo a partir dos conceitos de “escolas fortes” ou que se dizem assim, e que enfiam um monte de conteúdo, de forma forçada (decoreba) na cabeça de crianças e adolescentes. Dizem que essa é a condição de serem bem sucedidos socialmente, no futuro. Isso não é uma verdade, e o pior, é uma mentira que não pode ser comprovada de imediato, porque o resultado que eles prometem se dará daqui a 20 anos ou mais. Ou seja, vendem uma promessa falsa, não comprovável e isso parece ser um produto de alta aceitação. Não há como processar uma “escola forte” daqui a 20 anos, pelo fracasso na vida do então adulto. Provavelmente, não mais existirá a instituição que fez essa promessa, e se ainda existir, sempre terá o subterfúgio de dizer que o fracasso se deu por outros motivos sociais, que não o “ensino forte”.
Essa falta de checagem, essa subjetividade enorme que permeia a avaliação do ensino, a visão de longo prazo deturpada, tudo isso acaba por nos deixar hoje e sempre em condições de desvantagem frente a maioria dos países do mundo. E o que é pior: não faltam recursos materiais para dar o grande passo, mas sim a vontade política e a consciência intelectual de que ele é necessário para que o Brasil venha a ser uma potência de fato, mobilizada por mentes cada vez mais poderosas e instruídas.
É lastimável que assim seja, mas não desisto de falar sobre isso. Quem sabe um dia...

domingo, 14 de outubro de 2012

“Uma Andorinha só Não Faz Verão”



Fico intrigada quando vejo uma reportagem falando de uma Escola em qualquer lugar do Brasil que esta “bombando”, isto é, conseguiu pontos no Ideb.  Não tem o menor significado para a construção geral do trabalho da Educação no país. Não é o caso de luxo ou localização, mas de treinamento dos professores.
Vamos rever o que realmente podemos fazer da educação de nosso país. Uma, duas ou cem escolas boas não podem satisfazer nossos olhos quanto ao sistema educacional. Todos os milhares de escolas é que devem mudar e ter o resultado inovador. O padrão da OCDE deve ser visto por nós como uma coisa viável e possível. Temos que ter soluções inovadoras e radicais. Podemos ser bem melhores do que somos e do que estamos fazendo. Vamos parar de ficar satisfeitos com o resultado de algumas poucas escolas em lugares específicos, onde um pequeno grupo de educadores consegue um resultado diferenciado. Se conseguiram, vamos levar estes profissionais a todos os recantos do pais para inovarem e demonstrarem o que estão fazendo. Seria um efeito multiplicador. Vocês conseguiram, ensinem aos seus colegas! Vamos todos juntos. Não queremos resultados que não possam ser trabalhados com outros grupos.
Qual a pesquisa que a secretaria de educação fez sobre esta escola para analisar os resultados obtidos? Se não fez, o resultado termina em si mesmo e não tendo função multiplicativa, não serve a Educação do Estado ou do país. O caso do Ciep Glauber Rocha, no Rio de Janeiro, da rede municipal é o da andorinha. Temos que analisar como foi conseguido este resultado. Vejam que a Escola esta localizada em área de risco. O que aconteceu? Seus alunos também não são de outra área. Logo aconteceu algo interno que poderia acontecer em outras escolas dos municípios brasileiros.
Estamos esperando um milagre ou temos que trabalhar e analisar o que esta acontecendo nestas que tiveram resultados tão diferenciados. Estes resultados vão continuar acontecendo?
Acho que estes resultados isolados servem apenas para que os políticos usem em suas campanhas não modificando o Sistema Educacional do país.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Comentário sobre o Dia dos Professores


O Odorico Bemvindo, lá da Venezuela, mandou um comentário a respeito da matéria desse blog referente ao Dia dos Professores, e como ela não conseguiu postar no próprio blog, em virtude problemas com sua máquina, resolvi colocar aqui, para conhecimento geral. Como sempre, obrigada Odorico.


"Beta, definitivamente deve haver um movimento nacional nesse sentido. As falhas são muitas, as carências também e os problemas são de primeira ordem. Mas temos de passar por cima disso tudo já, já. E o apoio moral ao professor é algo imprescindível.  O processo necessário rumo a uma educação digna e inteligente passa por aí, com certeza. E, obviamente, os pais, os cidadãos em geral devem e estão obrigados a participar dessa toma de consciência, que tanta falta faz ao desenvolvimento do ser humano. Até mesmo camisetas com inscrições alusivas são bem-vindas. Sei lá como seriam essas inscrições, creio que os próprios jovens saberão. De todos modos não vou ficar em cima do muro: “meu profe é uma boa”; “Eu ♥ meus professores”, “Professor, o Brasil agradece”, etc. Claro está que os alunos em seus recantos podem elaborar coisas que serão muito mais criativas, sem dúvida."   

sábado, 15 de outubro de 2011

Quem você seria sem um Professor?

Você comemorou o Dia do Professor?
Num mundo onde o tempo de nossos filhos é medido em nanosegundos, projetando uma velocidade de transformação cada vez maior, temos a certeza de que tudo estará passando por mudanças radicais o tempo todo. A única exceção é a Escola, que mantém um ritmo igual ao do Século XIX.


Nessas circunstâncias, o profissional-chave desse processo, o professor, foi perdendo visibilidade e importância ao longo do tempo e hoje, está muito desvalorizado na visão da sociedade, quando deveria ser exatamente o contrário. A família, que deveria ser muito ligada aos professores de seus filhos, está distanciada deles e uma maneira incompreensível, na medida em que esse conjunto, se funcionando de maneira harmônica, poderia promover o processo vital da educação de maneira eficiente e crucial para o equilíbrio de um mundo instável como o que estamos vendo.

Formação inadequada, atualização morosa, técnicas antigas aplicadas em um mundo novo, mercantilização (no pior sentido da palavra) do ensino, desprestígio político... são muitas as causas da perda de importância do professor para a sociedade. Mas é exatamente aí que precisamos pensar. Como permitir isso a um profissional que nos é essencial? Por que desprestigiar a pessoa que tem a responsabilidade de preparar nossos filhos para um mundo que nem sequer podemos imaginar? Por que manter distância dos problemas daqueles que passam a maior parte do dia com nossos filhos, cuidando deles e tentando ensinar aquilo que será a bagagem de sobrevivência deles na idade adulta?

Hoje é Dia dos Professores, e como gestora escolar, reparei que ninguém realmente se preocupou com isso. Os pais não falam sobre isso e as crianças sequer se lembram dessa data. Será que os professores não merecem nenhuma comemoração pelo seu dia? Tudo isso me fez lembrar da minha época como professora, quando alunos e pais promoviam verdadeiras festas nesse dia, me enchendo de presentes – inesquecíveis presentes, porque vinham de coração e não por obrigação. Quando foi que tudo isso acabou, e o dia do Mestre caiu no esquecimento? Por que isso aconteceu?

Vamos comemorar o dia dos Professores. Vamos valorizar os Mestres de nossos filhos, porque eles não são cidadãos menos importantes do que qualquer um de nós. Vamos valorizar a presença deles, entender suas dificuldades e criar uma relação de base positiva, tendo em conta que em primeira instância, serão eles os responsáveis por passar bons princípios aos nossos filhos, os que terão a missão de faze-los gostar de estudar, de ler, de criar e, enfim, de ser uma grande pessoa no futuro.
São eles que, muitas vezes, conhecem melhor nossos filhos, e dessa relação ficam boas lembranças que eles guardarão pela vida a fora. Você se lembra de algum professor da sua infância? Claro que sim. Ajude seu filho a ter essa doce recordação também, valorizando os professores que hoje estão presentes na vida dele.

Lembro que na minha época de professora dentro de sala de aula meus alunos e pais promoviam verdadeiras festas e me enchiam de presentes. Qual foi a mudança? Será  que estes cidadãos, são tão desqualificados? Todos os profissionais merecem um agrado e aqueles que estão diariamente com as crianças e adolescentes passam despercebidos?

Vamos valorizar o professor. Vamos fazer festa para eles. São esses profissionais que podem e vão levar as crianças a gostarem de estudar, ler e serem grandes pessoas no futuro. Esses são muitas vezes quem mais conhecem seus filhos. Você se lembra de algum professor de sua infância? Faca seu filho ter esta doce recordação.

Sugiro que você, pai e mãe, faça um movimento para que ressurja o afeto que se perdeu entre as crianças e seus professores. Presenteie e comemore o Dia dos Professores com seus filhos e seus mestres. Mande uma mensagem. Dê um abraço. É importante agora e será mais ainda na história de vida de seu filho. Valorize isso.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Materiais para ensinar Matemática



Depois de fazer o artigo sobre o ensino da matemática, resolvi  falar sobre materiais e como colocá-los na sala de aula. A idéia principal é criar atividades praticas para apresentar os conteúdos as crianças e adolescentes. Este material serve de base para o trabalho do professor, mas são somente alguns e  são estruturados. Uma coisa que o professor pode e deve, no seu dia a dia, é criar materiais relacionados com a vida da criança. Pegue o jornal e descubra com as crianças e adolescentes quais os temas matemáticos que temos ali colocados. Devem discutir e chegar através do debate a aplicação e generalização daqueles conteúdos.
Separei aqui alguns materiais e espero que os professores criem atividades para utilizá-los. As primeiras operações podem ser feitas com eles. De suas sugestões e envie para nosso blog. Tenha estes materiais ou criem outros para ter em sua sala de aula.

Aos pais eu peço que não achem que devem utilizar estes materiais para ensinar a seus filhos.

MATERIAL DOURADO


TANGRAM


MATERIAL CUISSINAIRE


TORRE DE HANÓI


FRAC SOMA


GEOPLANO


MEDIDAS




BLOCOS LÓGICOS




CLASSIFICAÇÃO