Mostrando postagens com marcador desenvolvimento afetivo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador desenvolvimento afetivo. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Qual é o valor de brincar?

Os pais e professores sabem qual é o valor de brincar para as crianças? Tenho certeza que não. Numa pesquisa realizada no mundo inteiro foi verificado que as crianças brasileiras brincam menos de duas horas por dia fora de casa. O que está acontecendo? Não temos como valor natural as brincadeiras das crianças. Será que elas não precisam brincar? Piaget salienta a grande importância das sociedades infantis onde as crianças promovem trocas entre elas e promovem assim, o seu desenvolvimento.

As famílias estão tão ocupadas que não sentem a importância e acham mais seguro que seus filhos estejam em casa na companhia de TV ou dos computadores. O aprendizado infantil depende e muito dessas brincadeiras, não é um tempo desperdiçado. Nas brincadeiras as crianças vão se socializar e aprender regras. As brincadeiras estimulam o desenvolvimento moral das crianças. Os amigos estimulam a imaginação. Não esqueçam que essas experiências vão ser muito necessárias na vida adulta. Como podemos pensar em uma criança sem brincar? Impossível! O trabalho do adulto é o brincar das crianças. A tecnologia, os jogos virtuais têm seus papéis específicos, mas não podem competir com o brincar real. A outra criança é um estímulo insubstituível.  O brincar ao ar livre estimula, também o desenvolvimento físico e no esqueçam que a maioria das Escolas não deixam as crianças ao ar livre, nem estimulam os jogos. Será que esta nova geração não vai conhecer os jogos de rua? Será mais uma tarefa das escolas? Talvez, mas alguém tem que tomar a iniciativa. Quantos jogos de rua seu filho conhece? Faça essa pergunta e invista nesta ideia já.  Trabalhar os jogos tradicionais da humanidade é uma fórmula que sempre vai dar certo. Sempre convide para a sua casa alguns amigos dos seus filhos para que eles possam fazer trocas. Ninguém brinca sozinho. Cada criança é diferente da outra daí a riqueza do encontro. Aposte no brincar!

sexta-feira, 23 de março de 2012

Seguindo as Regras


O desespero de ter que tomar uma decisão sem saber como
   Fui cortar o cabelo. Peguei uma revista e fiquei aguardando enquanto o cabeleireiro fazia seu trabalho. De repente, uma entrada retumbante no salão: pai, mãe e duas crianças. A mais velha tinha uns 4 anos e a mais nova não mais do que dois anos. A mais velha gritava, chorava, esperneava e dizia o tempo todo que não queria cortar o cabelo. Enquanto isso, os pais se desgastavam dando explicações lógicas sobre as enormes vantagens de cortar o cabelo. Entre os vários argumentos um deles era de que não doía! E para provar isso ela, a mãe, iria cortar também, etc, etc. Mas nada demovia a criança de continuar seu escândalo. Num gesto desesperado, o pai prometeu que, quando saíssem do salão, iriam a uma loja de brinquedos e ela poderia comprar o que desejasse. E nada...
   Já perdendo a paciência, o pai entra em campo novamente com a afirmação de que, se ela não cortar o cabelo, vai para o castigo quando chegar em casa. E ... nada. Segue o escândalo, agora dois tons acima!
   Fiquei observando que todas as pessoas presentes no salão, clientes da casa, começam a ficar nervosas vendo aquela cena, mas os profissionais se mantêm distantes do conflito. Tudo descambando para um estresse total, num local e numa situação onde isso não seria realmente necessário ou conveniente.
   Tendo acabado meu corte de cabelo, aproximei-me da família e me apresentei. Perguntei se poderia auxiliá-los no problema e o pai imediatamente aceitou a ajuda. A mãe ainda ficou olhando com dúvidas quanto ao “milagre” que eu queria fazer, quando ela já tinha tentado de tudo.
   Expliquei a eles que a questão ali era de decisão. A criança estava sofrendo muito por não ter elementos para tomar uma decisão e eles, por serem um casal jovem, estavam inseguros frente a solução que iriam dar para aquilo. Ficavam explicando, explicando, e não decidiam realmente nada. Repassavam a responsabilidade para quem estava menos preparada para decidir, ou seja, a própria criança.
   Sugeri então que dessem uma ordem firme, colocando a criança no colo de um dos pais e sinalizando claramente a ação. O pai se colocou como agente ativo e, não dando nenhuma opção, deu ordem para iniciar o corte do cabelo. A criança rapidamente parou de chorar e o corte de cabelo pode ser feito, passando a ser alvo da curiosidade da própria criança.
   Conversei com a mãe sobre as Regras, explicando que até os 7/8 anos de idade, as ordens tem que vir de fora (Heteronomia) e que a criança fica insegura se tiver que decidir. Falei também que não prometessem brinquedos ou coisas semelhantes como premiação por algo que a criança teria que fazer por ser necessário. Presente devem ser oferecidos nas datas específicas onde fazem sentido, como aniversários, Natal, Páscoa, etc. Enfim, conversamos objetivamente sobre a questão.
   Caso resolvido, família feliz e agora entendendo como as crianças ficam felizes quando as ordens são dadas com calma e determinação. O mais interessante é que os profissionais do salão disseram que situações como essa são uma constante porque os pais não dão ordens e as crianças fazem sempre aquele escândalo para cortar o cabelo.
   Como orientação final, seja sempre firme quando a situação exigir, para proporcionar segurança as crianças. Se elas sentirem que seus pais ou os adultos que as acompanham estão seguros, terão a maior tranquilidade em seguir as orientações decididas por eles.

sábado, 1 de outubro de 2011

As Tarefas domésticas como base para responsabilidades



Deixe a criança praticar para aprender

Uma coisa que já conhecida de todos é que só aprendemos fazendo. Mas não é isso que se vê na prática, principalmente quando os pais que seus filhos vão aparecer um dia, sabendo fazer coisas que eles não deixaram as crianças praticarem.  Sem fazer, não há como aprender, e mágica … bem, essa não existe no desenvolvimento humano.
Em geral, as crianças não sabem fazer nada em casa e não tem qualquer tarefa objetiva pela qual receba alguma remuneração. Isso tira a possibilidade de a criança achar que aquela casa é “sua”, como a maioria dos pais deseja, mas sem uma ação direta sobre o objeto, não há como criar essa relação.
Minha sugestão é que as tarefas domésticas sejam divididas entre todas as pessoas que moram na casa, fazendo com que as crianças se sintam úteis sabendo que algumas atividades dependem dela. O pior sempre acontece quando criamos nossos filhos como se fossem pessoas que nada fazem e apenas são um “peso” para os pais e outros adultos.
A babá é um perigo nessa conjuntura, porque pode deixar seu filho sem desenvolver qualquer capacidade. Experimente deixar seu filho fazer todas as coisas que ele já tem condições de realizar. Acredite nele, e ele vai fazer sempre mais. Quando tiver alguma dúvida quanto a capacidade dele, deixe-o fazer e fique olhando, com calma e paciência, para não frustrar a criança. Faça poucas correções, porque a criança sempre faz o melhor que ela pode.
Recomendo também que você tire de seus planos dar uma mesada para as crianças, na medida em que não faz sentido ganharem dinheiro sem ter nenhuma obrigação. Ligue sempre a remuneração a uma tarefa, e você verá como, no futuro, elas serão agradecidas por isso. Esse é o modelo vigente nas relações humanas, e quanto mais cedo ela entender isso, mais facilmente viverá no mundo, seja ele qual for, porque aprendeu desde a infância. Lembre-se: tudo o que sabemos e aprendemos só se desenvolve através da ação.
Qualquer tarefa, para as crianças, é uma brincadeira (jogo) e é muito importante que os pais não caiam na situação de querer passar alguma coisa como difícil e trabalhoso - esse é o julgamento dos adultos e não o das crianças. Deve ser um prazer para a criança a realização das tarefas, e para isso não deixe que elas caiam na rotina. Façam sempre coisas diferentes.
Não tente ser perfeito nem espere de seus filhos a perfeição, porque a grande motivação desse exercício é proporcionar as crianças situações de desenvolvimento. Erramos muitas vezes em virtude do nosso envolvimento emocional, daí a necessidade de tentar ver a situação sempre “de fora”. Uma oura maneira é ouvir pessoas que possam dar sugestões isentas e positivas.
Tente ser o melhor e ser feliz, tornando seus filhos felizes, mas não esqueça nunca que eles vão viver em sociedade e não apenas dentro de suas casas. Deixem que eles conheçam o mundo e as responsabilidades. É muito importante que nossos filhos conheçam outras realidades (outras famílias) com seus defeitos e qualidades.
Nossa função primordial é fornecer elementos para que nossos filhos aprendam a desenvolver o auto-conhecimento. Como disse o filosofo grego  Thales a coisa mais difícil que existe é “Conhecer a si próprio.”

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Nosocômio ou manicômio?




A palavra hospital vem do latim "hospes", que significa hóspede, dando origem a "hospitalis" e a "hospitium" que designavam o lugar onde se hospedavam na Antigüidade, além de enfermos, viajantes e peregrinos. Quando o estabelecimento se ocupava dos pobres, incuráveis e insanos, a designação era de"hospitium", ou seja, hospício, que por muito tempo foi usado para designar hospital de psiquiatria.
Estar em um hospital, hoje em dia, não tem praticamente nada do glamour de se sentir um hóspede – e em alguns casos, eles estão mais para “hospitium” do que para local de cura. Estou acompanhando meu pai, Lauro de Oliveira Lima, numa internação e vejo que atualmente, quando um idoso é internado, há uma idéia entre o corpo de atendimento de que, além de debilitado pela doença, o paciente ficou demente e não vai entender nada do que está acontecendo. O abandono é uma coisa impressionante! Por definição, para médicos e enfermeiros, idoso tem Alzheimer, e aí fica fácil tratas de quem não está, em princípio, entendendo nada.
Estando numa clínica particular, fiquei impressionada com a similaridade entre o sistema de saúde e o sistema educacional, na medida em que tanto o público quanto o privado padecem de uma falta enorme de estrutura, treinamento, envolvimento e comprometimento. Criou-se um modelo onde os funcionários fazem plantões em estabelecimentos diversos e com isso chegam, muitas vezes, cansados para começar uma jornada de seis horas ou mesmo de vinte e quatro horas. Mau humor, expressões como “estou fazendo o melhor que posso”, falta de treinamento, desleixo, falhas básicas, tudo isso é comum no dia a dia de um paciente internado. Para não dizer o pior, que sempre pode acontecer e para o que o acompanhante precisa estar atento. Isso acontece com professores que dão aulas de manhã a noite, diariamente, para compor seu salário e com profissionais de saúde, na mesma medida.  O modelo está errado, com certeza, em ambos os ambientes.
Uma coisa fácil de observar é que falta qualidade na preparação desses profissionais e isso chama a atenção para as falhas na formação dos mesmos. Além das aulas do curso de medicina, por exemplo, médicos deviam conhecer mais sobre psicologia, porque está mais do que provado que um relacionamento positivo entre cuidador e cuidado aumente em muito as possibilidades de cura. Dentistas deveriam estar atentos a isso, para diminuir os casos de odontofobia tão comuns nos dias de hoje, decorrentes de falta de sensibilidade desses profissionais no trato de crianças, gerando traumas irreversíveis e conseqüências previsíveis no âmbito da saúde bucal.
A impressão que dá é que o médico precisa ser apenas um burocrata com uma especialidade. Tive a experiência negativa de assistir um médico perguntando a uma acompanhante de paciente de CTI se ele já estava melhor, para poder dar alta. Ora, se o acompanhante pode decidir isso, para que  o médico então?
Algumas pessoas tentam explicar o que acontece de maneira simplista, dizendo que o médico, de tanto lidar com a doença, banaliza as ocorrências que assiste no dia a dia, mas isso não justifica o comportamento. Numa escola, por exemplo, quando recebemos uma criança, fazemos como se fosse a primeira porque sabemos que ela é única, um ser humano sobre nossa responsabilidade. O mesmo deveria acontecer na medicina: respeitar o doente como único ... mas não é o que acontece.
E olha que estou falando de hospital na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro, do qual espera-se excelência de atendimento. O que imaginar de um atendimento nos confins da Amazônia ou no sertão nordestino!?  Hospitais sem um gerente de projeto, com uma administração fria, pessoal sem empatia, todos tratados como números de um cadastro sem vida! Será que não percebem a necessidade de treinamento, de desenvolvimento de inteligência emocional?
É desesperador necessitar deste serviço, que mais se parece uma paródia tragicômica. Nada funciona. Alimentação não é controlada e limpeza nem se fala. Falta tudo porque não tem controle de qualidade. Vejam não estou falando de SUS. Esta é a rede privada. Não entendo a falta de controle também dos planos de saúde.
Curioso é que os médicos ficam sabendo dos pacientes através de uma tabela anotada pelos auxiliares de enfermagem (técnicos). Será que os médicos não deveriam olhar, eles mesmos, estes pacientes.
Deixando de olhar o problema da educação caímos no da saúde. Será que tem jeito nosso país? O ministro da saúde pede mais 40 e tantos milhões, mas não diz quais as providencias para sustar a sangria feita pelo roubo em sua área.  Será que ele acha que somos bobos e não vemos tudo que é roubado de sua pasta? Se ele estancar a sangria do roubo teremos muito dinheiro para trabalhar. O grande problema é a corrupção. Se a rede privada está assim...
O povo tem direito a saúde. Não é de graça porque são nossos impostos que custeiam o sistema. Estes senhores são todos nossos funcionários, embora achem que são “funcionários públicos”. Públicos de quem?

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

O PAI pode estar atrasado



   No convívio com famílias, principalmente com as crianças, estou percebendo uma situação que me chama a atenção pelo inusitado: a perda de “prestígio” dos pais (os elementos masculinos dos casais). Será que nossa sociedade está se firmando como matriarcal?  Por exemplo, no dia das Mães, as crianças se mobilizam, vão para a escola felizes para as tarefas de preparar presentes que serão dados em festas cheias de emoção. Revistas e jornais se desdobram para fazer reportagens de alto conteúdo emocional, com fotos belíssimas de cenas repletas de amor, carinho, proteção, ternura, cuidados, etc.
   No dias dos Pais, a mesma mídia é muito mais contida. Os espaços são limitados, as matérias falam mais sobre aqueles pais que efetivamente agem como tal, dando a eles uma característica diferenciada. Ser PAI, na acepção do termo, parece ser uma situação especial, o que nos leva a imaginar que, na maioria, os homens não atendem, em média, a essa condição. Cheguei a ler uma matéria que  enaltecia o fato de alguns pais estarem “assumindo” seus filhos mesmo que tardiamente, indo aos cartórios de registro para alterar a documentação das crianças, que inicialmente estavam registradas somente em nome da mãe. Uma espécie de resgate da paternidade, mesmo que tardiamente.
Achei importante fazer essas colocações, ainda que sem juízo de valor nesse momento, principalmente para chamar a atenção para um fato que vai se repetindo e para o qual eu, como educadora e diretora de escola, tenho que estar atenta, visto que essas ocorrências estão no DNA da família, sempre em transformação.
   Nas separações de casais, fato corriqueiro nos dias de hoje, muitas vezes os pais se sentem desobrigados emocionalmente quanto a criação das crianças do ponto de vista afetivo. Suprem as carências básicas, dão pensão, fornecem elementos de sobrevivência e até condições de vida acima da média. As crianças ficam aos cuidados da mãe, que mantém o contato direto e o vínculo emocional com todo o processo de desenvolvimento da criança. Desse fato, vão surgindo novas leituras da parte daqueles que dependem dos adultos para sobreviver tanto física quanto emocionalmente – nossos filhos. Por conta de coisas assim, as mães muitas vezes tratam com menor intensidade e cuidado a imagem dos pais, distantes ou pela separação ou por condições de trabalho. Já presenciei vários casos em que a criança diz que não convive com os pais, embora more na mesma casa. Quando questionada sobre o assunto, a resposta é: “meu pai trabalha muito”. Essa é a leitura da criança, embora do ponto de vista social o acordo seja outro. O fato é que, a ausência do pai, torna a mãe o elemento chave de todo o processo de formação de uma criança.
   A questão é pensar em como isso altera toda a estrutura de vida futura e de relações familiares, porque certamente acontecerão eventos mais adiante que serão decorrência direta do processo ao longo do tempo. E lá na frente, não vai adiantar reclamar. Depois de construído... não haverá meios de reverter o quadro. Será uma opção trocar a criação do seu filho pelo trabalho? Por que fica com a mãe a responsabilidade de criar os filhos pelo menos até a adolescência?
   Sozinha nessa tarefa, ela faz um modelo sem contrapontos, sendo que posteriormente entra a figura paterna para criar os constrangimentos. Não é possível esquecer que, na adolescência, muito da personalidade já estará formada e, do ponto de vista do desenvolvimento mental, esses adolescentes já estarão entrando na fase final desse processo, que são as Abstrações.
   Em um determinado momento, os pais são normalmente requisitados para colocar ordem onde a mãe, por qualquer motivo, falhou. E normalmente isso não se dá através do afeto, mas sim pela repressão. Frente a isso, não é difícil entender porque as crianças e adolescentes desviam toda sua atenção para as mães. Por essas razões, discutir o papel da família é fundamental, porque ele vem sendo bastante modificado nos últimos tempos em virtude das transformações da própria sociedade.
Finalmente, os pais vão precisar fazer um grande esforço para continuar a ter um papel maior do que o de provedor. Vai ser preciso resgatar o afeto de seus filhos. E isso toma tempo, requer atenção e exige empenho. É um trabalho que não pode ser postergado, porque quando houver a intenção de assumir essa função, pode já ser tarde demais.