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segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Separação: maneiras para agir com lucidez

Como lidar com as crianças nessa hora...


   Convencionou-se que a separação de pais afeta as crianças de forma grave e irremediável, mas isso não é necessariamente uma verdade, quanto mais verdade absoluta. Na maioria dos casos, o relacionamento dos pais está tão desgastado que o fim da relação de alguma maneira traz calma e organização para o ambiente familiar, o que já é um ganho de qualidade de vida enorme para todos, mas principalmente para as crianças. As questões afetivas devem ser resolvidas de forma tão madura quanto possível, na medida em que, sem isso, as demais questões ficam pendentes. E não podem ficar pendentes soluções para as questões práticas da vida, como por exemplo as financeiras, na medida em que as crianças precisam estar amparadas para que a vida continue independente da decisão de seus pais quanto a viver ou não juntos. Não se pode confundir as duas coisas, como via de regra acontece, quando os pais colocam as crianças exatamente no meio do fogo cruzado, submetidas a situações para as quais não tem estrutura nem nível de desenvolvimento para compreender e suportar. As sequelas, nesse caso, são muitas. Criança tem que ser protegida, porque nada tem a ver com a relação de seus pais – por incrível que isso possa parecer para muitos – e, antes de mais nada, pais mesmo que separados, continuam a ser seus pais.
As crianças devem ser comunicadas da separação, muito embora elas provavelmente já saibam que isso vai  acontecer por conta da grande sensibilidade que tem.Pai e mãe devem conversar com elas, e colocar, com clareza, o que está acontecendo e o que vai acontecer dali para a frente. Importante saber que crianças até 4/5 anos não entendem tudo. Elas vão voltar a questionar, e devem ter suas perguntas respondidas quantas vezes for necessário. Depois dos 7/8/9 anos, tendo a criança chegado ao período Concreto do pensamento, vai entender bem melhor a situação, e já tendo um pouco da noção de tempo, vão sofrer mais um pouco ainda. Não ache natural a criança ficar calada, porque isso pode ser cômodo para os adultos que não querem mais falar sobre o assunto mas é péssimo para a criança. Falem e deixem que elas falem a vontade sobre a questão, mesmo que seja sofrido para quem as ouve, porque é nesse momento que elas fazem o chamado “jogo de liquidação”, que ajuda a resolver as coisas pelas quais elas estão passando. Evite, a todo custo, ficar com raiva e dizer para as crianças: “eu já falei”, “eu já expliquei” e coisas tais, porque ela sabe disso, mas quer ouvir novamente para ver se tem uma notícia diferente.
Tanto a casa da mãe, quanto a do pai, nessa nova fase da vida, devem ser organizadas visando as crianças, pois elas terão agora dois ambientes diferenciados para viver. No entanto, como a criança é única, evite que ela tenha coisas muito diferentes em cada uma de suas “novas casas”. Ela deve levar os brinquedos que queira e trazer de volta, de um lado para o outro, o mesmo acontecendo com as roupas e objetos pessoais. Isso deve acontecer até que ela se fixe em algumas coisas de cada casa.
Cuidado muito grande deve ser tomado para que ela não mude de nível social entre uma casa e outra, pois elas não entendem porque na casa do pai tem uma televisão maravilhosa e na da mãe a televisão antiga, sem a tecnologia que ela costuma ver quando visita o pai. E vice-e-versa.
 Importante também evitar “comprar” a criança, porque no futuro você vai ficar muito chateado de a criança ver você (pai ou mãe) como um banco. Dê afeto e deixe a criança conquistar tudo o que ela quer, porque a separação não torna as crianças em “pobres coitados”. Elas continuam com seus pais! Evitem falar mal do outro na frente da criança, porque vocês podem não gostar mais daquele que foi seu companheiro, mas a criança gosta e não queria, realmente, vê-los afastados. Não piore ainda mais as coisas...
   Finalmente, cuidado com aquela velha mania de “proibir” a criança de comentar a separação em seu ambiente, com os amigos, na escola e condomínios. Isso resulta em problemas, pode ter certeza.
Sei que é muito difícil para os adultos, mas é preciso que vejamos que as crianças tem todo uma vida pela frente, e nossa segurança e proteção é quem vão indicar os melhores caminhos para elas.

terça-feira, 29 de junho de 2010

Alimentos - Vocabulário Piagetiano de hoje


ALIMENTOS
entropia informação estímulo
habilidade hipótese sistema aberto
acomodação teoria curiosidade
visão do mundo neopositivismo inovação
órgão dos sentidos atividade inibição
desinteresse perturbações exercício
estrutura esquema ultrapassagem

Deve-se distinguir a atividade das estruturas da atividade do sujeito. A atividade das estruturas é um processo primitivo que se inicia no bebê, antes mesmo da linguagem: é o que chamamos "alimentação dos esquemas". Alimentar um esquema consiste no fato de, encontrado (construído) um novo esquema (o esquema de jogar para longe um objeto, por exemplo), a criança tende a utilizá-lo não importa como. O esquema tende sempre a alimentar-se através de elementos que não se diferenciam muito do modelo original, provocando leves acomodações: toda estrutura, pois, comporta sempre a exigência de ultrapassagem." (Piaget).
Todo esquema tende a exercer-se. Tendemos a aplicar às situações as concepções que temos do mundo das coisas e das pessoas (mesmo que essa aplicação seja, apenas, processo mental ou verbal). Os olhos procuram a luz e o ouvido, os sons. Procuramos aplicar nossas "habilidades". Tendemos a usar os objetos que estão à nossa disposição. Não é, pois, o "estímulo" que põe o organismo em ação: são os esquemas que tendem a exercer-se, mesmo independentemente, de perturbações que provoquem necessidades de readaptação. Nisto, a teoria de Piaget se diferencia, fundamentalmente, da Psicologia em voga. Piaget chega a falar em "fome de estímulos" ("no começo, já estava a resposta"). Tudo isto significa, apenas, que o organismo (a mente) é um sistema aberto que precisa compensar, continuamente, as perdas (entropia). Nesta atividade, nesta aplicação dos esquemas a novas situações(curiosidade), cria-se a novidade (acomodação). Mas a aplicação dos esquemas obedece à estrita proximidade e semelhança das situações ("não se aprende nada inteiramente novo"). Se a situação é muito nova, a reação consiste ou na inibição do esquema, ou no desinteresse (a novidade absoluta equivale a uma incompreensão). "O meio não contém informações nenhuma" (Foerster): "para que haja informação, é preciso que o sujeito aplique seus esquemas aos objetos, transmitindo-lhes, assim, significação" (Piaget). Em outras palavras, é preciso que os objetos alimentem os esquemas. Daí a impossibilidade de "observação científica pura" proposta pelos neopositivistas toda observação supõe um esquema, uma hipótese, uma teoria ("um fato é apenas um fato"). A expressão "gostar de" (de música clássica, por exemplo) é uma forma corriqueira de dizer que os esquemas precisam ser alimentados. A privação absoluta de "alimento" desequilibra, totalmente, a homeostase do organismo (da mente), a tal ponto que o processo chega a ser usado pela polícia como método de tortura e desagregação da personalidade. "A alimentação dos esquemas não tem nada de "extrínseco" com relação ao meu ensaio de teoria: um esquema que não se alimentasse não teria nada de um esquema, pois é próprio do esquema assimilar o maior número possível de elementos."(Piaget).
Os órgãos dos sentidos (ouvido, olhos, etc.) são "esquemas" anátomo-fisiológicos que precisam ser "alimentados" (diz-se até que "o órgão que não se exercita atrofia"). O mesmo ocorre com nossas "habilidades" (esquema de comportamento) e com nossas "concepções"(teorias, provérbios, religião, etc.), embora, do ponto de vista mental, a alimentação possa ser puramente verbal ou afetiva (isto é, não implicar comportamentos objetivos e eficazes).