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domingo, 4 de março de 2012

Como tratar Crianças Hiperativas


   Hiperatividade é um tema recorrente entre pais e escolas. Fala-se muito a respeito, mas as vezes de forma equivocada. Antes de qualquer coisa, devemos saber o que é a hiperatividade e qual a maneira de diagnosticá-la em nossas crianças.
Não faça você mesmo um diagnostico. Leve para que um especialista, porque este tem todas as condições de testar e verificar o que efetivamente está acontecendo e poderá orientar um tratamento adequado. A hiperatividade tem vários graus, e cada um deles devera receber uma atenção diferenciada. Muitas vezes a atividade da criança pode ser confundida  com hiperatividade. Lembre que o déficit de atenção está sempre combinado com a hiperatividade.
As crianças hiperativas são inteligentes,  mas as vezes não rendem o suficiente devido a mudanças constantes de atividade e a falta de  centração  não deixa que eles concluam a tarefa, seja ela qual for.
   Normalmente, a hiperatividade é mais notada quando a criança já esta com 4/5/6 anos, devido a exigência de escolaridade e pelos pais já estarem buscando que a criança não faça mais tantos movimentos sensórios motores. Mas um bebe já pode revelar alguns sintomas. Observe a criança, mas sem preconceito. Tenha uma  visão critica e coloque seu filho sempre em contato com outras crianças. Não esqueça que o comportamento dos pais vai gerar o comportamento das crianças daquela família. Não podemos esquecer que o modelo pode ser reproduzido nas crianças, mesmo que ela não tenha nenhum comprometimento.
   É importante frisar que todos os transtornos podem ser tratados. Quando eles vem somados à hiperatividade, os pais e as escolas devem ser orientados para lidarem com estas crianças/adolescente. Não tente impedir que a criança ou adolescente com sintomas de hiperatividade se movimente, controlando a ação o tempo todo. A idéia é dar a ela atividades para que façam de sua movimentação  algo com resultado positivo. Lembre-se de observar com atenção para ver a duração das atividades de seu filho e faça com que ele receba atenção voltada para suas necessidades. As atividades para estas crianças devem ter uma duração de 5 a no máximo 10 minutos. Qualquer coisa além desse tempo não trará um resultado  satisfatório.
   Uma criança hiperativa deve receber ordens rápidas e curtas, e não tente ficar explicando a ela o por que das ordens dadas. Seja sucinto e objetivo. Não esqueça também de elogiar e evite brigar chamando atenção para o fato da criança demonstrar hiperatividade. Lembre que ela não consegue controlar sua agitação.
Se você esta se irritando muito com o comportamento de seu filho é hora de procurar um especialista. Volto a chamar atenção – não faca o diagnostico, deixe que um especialista o faça.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Como fazer para seu filho comer bem




   Uma das tarefas mais difíceis e desgastantes para a família pode ser a de fazer as crianças comerem. Evidentemente, ninguém pode fazer uma criança comer a força, despejando “goela abaixo” o alimento, como se tentou fazer, sem sucesso, durante muito tempo. Se não acontecia exatamente assim, pelo menos essa era a ameaça que se ouvia durante as refeições. Mas o que fazer quando surge essa dificuldade?
   Em primeiro lugar, desde a mais tenra idade não fique “enfiando” comida na boca da criança. Inverta a situação e espere que ela reclame (choro, movimentos molares) pedindo alimento. Todos os que cuidam da criança devem saber essa regra e cuidar para que a criança não esteja constantemente satisfeita. Em segundo lugar, e também fator determinante, ofereça alimentos dos mais diversos sabores e cores. Não misture alimentos de vários sabores e permita à criança degustar, para que ela possa definir do que gosta ou não. Sopa, por exemplo, é um dos problemas clássicos nessa relação, porque não tem um sabor definido, específico, o que gera uma série de problemas de rejeição como pode ser visto nas inúmeras charges da Mafalda, por exemplo. A sopa deve ter um sabor individual, e você deve ir fazendo sopas de um legume de cada vez, acompanhando a receptividade da criança. Não acredite que a percepção dela é igual a dos adultos que a cercam. Certamente, a criança poderá gostar de coisas que talvez ninguém mais da casa goste. Deixe-a provar. Quando  começar a comer as famosas “papinhas”, coloque tudo separado no prato para que ela veja as cores dos alimentos (vermelho, verde, laranja) e faça suas associações. Cores são muito importantes nos pratos das crianças e devem ser muito usadas, porque são estimulantes. Outra coisa importante é que a criança está crescendo e os alimentos devem evoluir com esse desenvolvimento. Se você der sempre alimentos batidos (liquidificados) ela não vai exercitar a mastigação e não vai reconhecer a textura dos alimentos, perdendo grande parte da experiência que no futuro vai ser determinante na alimentação.
   Vale também a regra de que, na alimentação, como na vida, quem cuida não deve fazer tudo da atividade, porque vai eliminar a necessidade de o outro fazer. Deixe que a criança coma sozinha, mesmo que suje tudo, que jogue alimentos fora do prato e dê a impressão de que a refeição está sendo desperdiçada, porque ela precisa aprender e o melhor meio de aprender é fazendo. Jean Piaget diz: “no começo esta a ação”. Tão logo a criança queira sentar, já pode receber a colher na sua mão para utiliza-la como ferramenta para o ato de comer. Como o primeiro esquema organizado é a boca, ela certamente vai levar tudo nessa direção e por conta disso já poderá se alimentar. A fome vai gerar fontes de conhecimento, alto interesse e desenvolvimento. Quem estiver perto da criança, acompanhando seu desenvolvimento ao cuidar dela, vai ver a passagem que fará dos alimentos líquidos, pelos pastosos, chegando por fim aos sólidos, naturalmente. Deixe sua criança experimentar tudo, e assim ela vai conhecer os alimentos, fazer suas opções, determinar seus gostos e ampliar seu espectro de possibilidades nutricionais.
   Importante também não fazer do momento da alimentação uma “guerra”, permitindo  que seja apenas o que é: uma função normal do organismo. No Período Intuitivo, aos 5/6/7 anos, as crianças começam a pensar na quantidade de alimento, fazendo muitas vezes a opção pela quantidade em detrimento da qualidade. Quando você achar que ela está comendo demais, espalhe o alimento no prato, porque ela, não tendo a conservação da substância, acha que tem muita comida ali. Se ela tem dificuldade para comer, junte tudo no centro do prato, porque ela achará que tem pouca comida e vai se dispor a ingerir o que for oferecido com menos resistência.
    Enfim, alimentar a criança é mais fácil do que parece, mas exige a participação da família. Ajuda muito também a criança comer junto com outras crianças. Não proíba alimentos, porque eles se tornam imediatamente objeto de desejo. Deixe que ela prove de tudo. O problema da proibição é que, em algum momento, ela verá crianças comendo coisas que você proibiu, e certamente vai tentar comer também, mesmo que escondida. Ofereça coisas diferentes, desde muito cedo. Não deixe de organizar pelo menos uma refeição por dia  com toda a família, porque essa é uma hora importante tanto para a alimentação quanto para o relacionamento entre todos, proporcionando trocas, encontros, conversas, atualização de novidades. E importante prestar atenção a tudo o que está sendo falado nesses momentos.
Por último, fica uma recomendação crucial: não deixe seu filho fazer as refeições na televisão, no quarto ou no computador, porque esses não são ambientes adequados para criar o hábito de alimentar-se. A mesa traz organização necessária aos seus filhos. Arrume a mesa com cuidado e peça a ajuda deles nessa organização. Também é importante ter alimentos variados numa refeição para que eles possam ter uma experiência alimentar renovada. Os alimentos oferecidos devem ser únicos para toda a família. Oferecer alimentos específicos que a criança quer, visando agradá-la, é um desserviço ao processo. Para aproveitar a boa vontade que as crianças tem naturalmente, peça a colaboração delas para ajudar na cozinha. Elas gostam muito disso, descobrem outro mundo e exploram com prazer as possibilidades.
E fica aqui uma observação que ajuda muito: quando a criança não comer no horário da refeição normal, não substitua esta por guloseimas para mante-la alimentada. Esse tipo de comportamento cria um hábito diferenciado que você gostaria de normatizar. Você estará jogando contra os bons hábitos de seu filho se fizer isso.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

RESPONSABILIDADE: ASSUMA A SUA


Você chega em casa, cansado de um dia de trabalho, todas as aporrinhações do mundo batendo à sua porta, e vem seu filho e diz que precisa conversar. Você senta no sofá e se coloca a disposição para o papo.
- Olha, tomei algumas medidas para tornar minha vida do jeito que eu quero, e vou falar agora sobre as coisas que tenho em mente. Preparado?
- Pode falar filho.
- Primeiro, não tomo mais remédio para bronquite. O gosto é ruim, e eu acho que é melhor tomar o remédio de reumatismo da vovó que tem sabor cereja.
- Certo filho, que mais.
- Não vou mais a fisioterapia porque acho que o braço que eu quebrei está bom, e inclusive vou tirar o gesso hoje na banheira, como vi na internet.
- Certo filho, você é quem sabe.
- E vou passar um tempo na casa de um amigo que mora num quilombo para entender umas coisas que não consegui entender. Não me esperem para o Natal.
- Tá bom filho, você decide. A responsabilidade é sua.
Fácil assim não é mesmo? Mas imagino que as coisas não se desenrolassem dessa maneira, porque as decisões estariam sendo tomadas por alguém que, aos 10 ou 12 anos não teria condições de medir as consequências de seus atos.
No entanto, ao contrário do que poderia acontecer a 20 anos atrás, tenho visto muitos, mas muitos pais mesmo, deixando os filhos decidirem sobre a escola em que vão estudar. É uma transferência de responsabilidade grave, porque a mesma determina o futuro dos filhos sendo que eles não tem a menor condição de fazer a opção mais adequada. Seria o mesmo que permitir que as coisas se desenrolassem como no diálogo acima, ou mesmo obrigar a criança a escolher seu médico. Nosso papel como pais e responsáveis é exatamente o de suprir aquilo que as crianças não tem condições de fazer. Por isso existe a figura jurídica do “abandono de incapaz”, quando expomos crianças a situações que elas não podem resolver sózinhas e ficam em risco de vida por conta disso.
A diferença entre deixar uma criança trancada no carro quando se vai às compras e permitir que ela decida sobre seu futuro num momento em que não tem condições, é praticamente nenhuma. Até porque, depois de tomado o caminho, anos depois, quando se constatar o desastre, será tarde demais para tentar consertar qualquer coisa.
O fato é que, normalmente, reagimos rapidamente e de forma eficaz quando vemos alguma coisa física, como uma fratura ou machucado, ou mesmo uma tosse ou febre. No entanto, quando estamos lidando com o sofrimento psicológico, as reações são mais lentas ou mesmo inexistentes. E o sofrimento existirá, em algum momento, se a criança fizer a opção, e não o adulto. Se nós já erramos bastante por falta de conhecimento, de tempo, de interesse objetivo, imagine alguém que não tem elementos minimos para tratar do assunto com consistência?
Bem, como educadora, recomendo enfaticamente a postura firme nessa hora, com uma decisão madura e orientada dos pais. A falta de valores e determinação vai acarretar em problemas, mais cedo ou mais tarde. Chega a hora em que temos, como pais, que ser firmes e dizer “você vai fazer isso”! Caso contrário, fica até mais fácil dizer ao filho, quando tudo der errado, “foi você quem decidiu”. Mas vamos e venhamos: isso é não assumir a responsabilidade e ter que arcar com as consequências do mesmo jeito.
Vamos escolher para nossos filhos e dizer a eles que temos a convicção do que é o melhor para eles naquele momento. Escola não é ítem de consumo como roupa ou sapato, mas sim o elemento mais importante na formação deles. É na escola que ele vai desenvolver coisas essenciais, como a MORAL ou a ÉTICA. Só a educação tem o poder transformador em uma sociedade. Não escolha a escola apenas pela aparência, mas principalmente veja a ideologia.