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domingo, 26 de abril de 2015

Finanças na infância

Trabalhar com as crianças as noções de valores financeiros é de fundamental importância. Quando a criança aos 6/7/8 anos conserva o número começa ou deveria começar a sua vida financeira. É lógico que não é o que acontece. Os pais ou outros adultos continuam provendo às crianças de tudo e evitando que elas compartilhem da vida financeira da família. As crianças geralmente não gerenciam nenhum valor monetário e por isso mesmo pedem tudo para seus pais ou para outros adultos, a toda hora. O que está faltando para que as famílias entendam que a criança aprende através da ação? Não tem um dia determinado no qual ela saberá manejar os valores. Deve, desde cedo, ir manipulando pequenas quantias para o seu dia a dia até o dia em que realmente entre na sociedade.
Com que ela deverá aprender a lidar desde cedo? Com seu lanche, revistinhas, balas e pequenos desejos. O dinheiro deverá ser dado sempre como fruto de um esforço especial realizado pela criança. Na minha casa Papai estipulou que ganhávamos dinheiro ao ler e resumir livros. Ele pagava pela nossa produção intelectual. Quem mais lia tinha mais dinheiro e podia utilizá-lo da maneira que achasse melhor. Cada família pode organizar a forma de fornecer o dinheiro às crianças. Deixem que as crianças sintam que cada objeto tem um valor estipulado pela sociedade. E ela aprenderá a fazer trocas.
Vamos entender que as crianças não são objetos e fazem parte da família como um membro que deveria ser participante. Tudo o que as crianças têm é dado e escolhido pelos adultos sem que haja uma participação efetiva. O mundo infantil tem, também, o seu lado real. A criança ficar fora do sistema é justificado até o pensamento simbólico 4/5 anos, mas após esta etapa inicia-se lentamente a inserção social. Agora seu filho não pode mais fazer o que quer, bater nas pessoas, dizer coisas desagradáveis aos outros. Os pais que aceitavam que seus filhos reagissem batendo neles (pais) já começam a sentir que não é possível que isso continue acontecendo.
Educar uma criança tem várias vertentes e vejo que a parte financeira é a última coisa que os pais acham que deve ser trabalhada. As crianças não sabem nada sobre os valores. Elas não entendem de onde vem o dinheiro e o que fazer com ele. O usam apenas para resolver o problema imediato.  Temos que trabalhar o cofrinho, as trocas, doações e tudo o que se refere ao sistema financeiro.

Dê o dinheiro e todos os dias faça as contas com as crianças. O pensamento matemático está em funcionamento. Lembre-se que seu filho não sabe quem paga a água que é consumida em casa. Daí ele gastar sem a menor organização, não sabe que a energia elétrica que entra em sua casa também deverá ser paga. E o telefone? Esse ele acha que é mágico e está sempre a disposição dele. Iniciar esse trabalho bem cedo é muito importante para a formação do pensamento.

sábado, 27 de outubro de 2012

Gênio ??? É melhor procurar na garrafa.

A humanidade sempre se impressiona com pessoas que tem um diferencial marcante do ponto de vista intelectual, rotulando-as como gênios. Nos nossos tempos, a mídia vem buscando exemplos disso e fazendo grande alarde sempre que encontra alguém com essas características. Gênios existem na vida real ou são apenas encontrados em garrafas? Um modelo que chama a atenção é o fato de que, nas Olimpíadas de Matemática, observadores ficam atentos a alguns dos jovens que participam e dão o título de gênios àqueles que resolvem alguns dos problemas propostos pela instituição organizadora – que tem a missão de propô-los durante o evento. Há alguém que acredite que esses jovens tem algum diferencial? A resposta é sim, milhares ... e isso é lastimável.

Piaget, grande epistemólogo suíço (estudioso do conhecimento) sempre disse que gênios não existem. Esses jovens tem o mesmo desenvolvimento de milhares de outros, mas foram treinados para apresentar resultados. Fica a pergunta: o que queremos realmente do desenvolvimento humano? Como é a vida desses jovens? É a vida que consideramos integral ou apenas o resultado da aplicação do lema “pratique, pratique, pratique”. O resultado final é o de um treinamento massacrante e não um desenvolvimento completo. Os problemas a que são expostos não trazem criatividade, mas apenas memória.
Os grandes campeões dessas maratonas têm sido os orientais, mestres nos treinamentos, que trabalham com reforço da disciplina, manutenção do foco, repetição que leve à “perfeição” na hora de executar um modelo de trabalho.  Mas será que expostos a tudo isso, esses jovens se tornam capazes de resolver problemas da vida diária? É um teste decisivo verificar como se comportam em sociedade, saem em busca de experiências, se tem amigos. Não sei como vivem, mas posso supor que vivem em função de apresentar resultados esperados por quem os treina.
Importante levar em consideração, quando analisamos a situação como um todo, é que a matemática e a vida não são “fórmulas” ou “problemas fechados”, e isso é uma verdade cada vez mais reconhecida, num mundo em transformação. Houve um tempo em que o contexto permitia excelência na repetição de um problema, de tal forma que experiência era o resultado de vinte anos de repetição. Mas numa sociedade que acorda de manhã e já não tem certeza de que o que valia ontem a noite ainda é válido... sem criatividade, flexibilidade, capacidade de adaptação fica muito difícil de tocar adiante. Classificar, seriar e ordenar são fundamentos da matemática que vão refletir na vida das crianças e jovens. Como será que esses meninos entendem Ética e Moral? Isso seria muito interessante de investigar, porque teríamos uma dimensão do desenvolvimento global desses jovens Não existem gênios “compartimentalizados”, e acredito que TODAS as crianças podem ser rotuladas como “gênios”.
No caso da mídia, fica a necessidade de criar um fato “especial” numa matéria, quando pegam um desses meninos e pedem demonstrações de habilidade matemática. Acho que se sentem confortáveis, mostrando uma educação antiga, onde saber coisas era mais importante do que saber utilizar os conhecimentos aprendidos. Temos que ensinar os meninos a aprender, sempre. Ensinar a viver em sociedade. E até deixar claro que ter um conhecimento grande sobre alguma coisa e não compartilhar com os outros é totalmente irrelevante do ponto de vista do desenvolvimento do mundo em que vivemos. Se todo esse esforço é feito somente para ganhar uma medalha, fica a pergunta: e daí?

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Matemática: dever da escola, na escola

  
Nunca é demais voltar ao tema “dever de casa” para que pais e professores sejam alertados de que essa atividade é lúdica, visando tão somente a “presença da escola” entre as crianças e jovens, durante o período em que permanecem em casa. Não se presta para ensinar nada, porque ensinar é papel que a escola desempenha.
   Numa longa reportagem do jornal O GLOBO (29 de agosto de 2011), é sugerido que as crianças não aprendem a matemática porque seus pais não os ajudam a fazer o dever de casa, chegando a dizer que: “lição de matemática tem que incluir pai e filho”. Ao contrário!!!! Lição de matemática tem que ser feita na escola! Isso porque os pais, na maioria das vezes, não têm formação adequada para essa tarefa. A missão dos pais é criar o ambiente de estudo, material  e tempo para que seus filhos realizem as tarefas. Não cabe a eles saber ensinar. O que não entendo é essa tentativa de transferência para os pais de uma obrigação específica da escola. Acredito que é porque os professores, não sabendo matemática, ficam impedidos de apresentar aos seus alunos o fantástico universo dessa matéria.
Sim, porque a vida É matemática. Tudo o que pensamos é matemática, e as escolas só têm que ensinar realmente isso: PENSAR
   Na experiência prática de direção de escolas, observo que a maioria dos professores não conhece os materiais básicos para o ensino da matemática e ficam centrados no lápis e papel. No entanto latas, pedras, caixas, folhas etc. podem ser usados. Não é preciso usar materiais formais e estruturados apenas. Os professores precisam ser mais bem treinados, porque deles parte a ação direta do ensino da matéria. Para os pais, a orientação deve ser geral sobre o ato de educar, não havendo necessidade de se desenvolver em uma matéria específica. Na prática, o pai deve conversar, ver filmes, jogar e passear com seus filhos. As tarefas de casa acabam sendo altamente desgastante para eles.
Tarefas para serem feitas em casa são recomendáveis, mas devem ser estruturadas para que os jovens possam realizar a atividade sem acompanhante. Nesse momento, precisamos trabalhar a independitização deles. Por que culpar as famílias por algo que é responsabilidade absoluta da escola? Reforço aqui que não é responsabilidade das famílias ensinar, e por isso chamo a atenção para que sejam responsabilizados aqueles a quem é dada a missão.
   Quando centramos o ensino de matemática nos algoritmos em vez de centrar no nível de desenvolvimento da criança, certamente não obtemos resultados adequados ou minimamente desejáveis de aprendizado. Se a criança não conservou o comprimento, não entenderá as medidas. Se não conservou o peso, não há como aprender como medi-lo. Volume então, nem pensar. E Piaget já deu todos esses indicadores para os educadores, através de avaliações simples que cada professor poderia fazer em sua sala de aula. Depois de ver o nível de compreensão de seus alunos, proporia situações problemas baseadas nisso. E aí sim, estaria cumprindo sua missão maior.
   O problema é ainda termos professores de matemática defendendo o ensino da tabuada... Mantendo-se perigosamente arraigados a um mudo que já passou. E passou há muito tempo! Entendam professores, que já estamos trabalhando com alunos das gerações X, Y, XY e em breve Alpha. Nativos digitais, que vão viver em mundo totalmente diferente.
   Abaixo, alguns materiais que podem tornar o ensino de matemática algo muito mais interessante para jovens e crianças. Vamos discutir mais sobre eles.




segunda-feira, 27 de setembro de 2010

OS MATEMATICOS SABEM QUE A MATEMÁTICA FOI INVENTADA?

Thomas O´brien - Matemático
Se sabem, por que não deixam as crianças reinventarem? Se não sabem, não estudaram a epistemologia da matemática.
Matemática não pode ser ensinada, tem que ser construída.


Este e o objetivo do método psicogenético construído pelo Prof. Lauro de Oliveira Lima. Em 1980, Lauro trouxe ao Brasil vários piagetianos durante o  1º. Congresso Internacional de Educação Piagetiana, organizado por ele,  e entre estes convidados estava Thomas O’brien, um matemático americano que veio apresentar aos brasileiros seu trabalho baseado em Piaget.
 
Hoje tem livros publicados no Brasil e serve de referência  aos jovens matemáticos que queiram mudar a forma de apresentar esses conhecimentos às crianças e adolescentes.
A grande importância de um trabalho baseado nas teorias de Piaget vem do fato de levar em consideração a construção dos conhecimentos. Por exemplo, Piaget mostra em um livro inteiro como a criança constrói a noção de número que, antes dele, todos os estudiosos achavam que era inata, isto é, todas as crianças um dia entendiam a numeração e, ensinadas, fariam as operações. Chegam então os estudos realizados por Piaget para mostrar, com suas pesquisas, que se a criança não for trabalhada não vai adquirir o  número, substância, peso ou volume e todas as constâncias.

 
Qual a idéia fundamental de um professor piagetiano? Propor problemas, não oferecer soluções, pedir que os alunos resolvam de forma diferente. Não tem modelos, fórmulas nem exercícios numa matemática piagetiana, mas tem objetivos  e  uma rigorosa seqüência por causa dos níveis do pensamento.

 
Piaget descobriu as fases do desenvolvimento e isso é de fundamental importância para o ensino da matemática. Ensinar matemática é ensinar a pensar, por isso não podemos ensinar fórmulas e sim propor desafios. Enigmas. Fazer cálculos não é matemática, pois as máquinas e os computadores fazem. Matemática é resolver problemas. Não existe nesta disciplina, como sempre foi pensado, certo ou errado e sim nível de desenvolvimento. A cada nível a criança pode dar uma resposta diferente para responder a uma mesma pergunta. É isso e que vai provocar o conhecimento.

 
Todos os seres humanos devem saber matemática, porque ela é a própria forma de pensar. Estamos sempre a pensar classificando, seriando, ordenando. E isso é matemática. Vamos então mudar a forma de ver a temida matemática, pois as crianças deixam de gostar e os adolescentes detestam porque não são colocados para pensar e sim para reproduzir um modelo padronizado que obriga a decoreba. O homem não tem estrutura para decorar. Ele foi feito para pensar e desvendar os mistérios do universo.


O conteúdo completo da entrevista com o matemático Thomas O´brien pode ser lido no site da Revista Nova Escola. Vale a pena dar uma olhada. 

Beta

segunda-feira, 5 de julho de 2010

41a. Reunião Anual da Sociedade Jean Piaget (USA)


A reunião anual da Sociedade Piaget reúne cientistas sociais e pesquisadores de uma ampla gama de disciplinas que estão interessados no conhecimento e desenvolvimento.Trabalhos individuais e em simpósios e desenvolvimento cognitivo, linguagem e pensamento, e influências culturais no desenvolvimento educacional e assuntos relacionados são bem-vindos.

Os interessados em conhecimento e desenvolvimento são convidados a participar, independentemente da disciplina e seu Material não precisa abordar o tema do programa - de todas as observações são bem-vindos!

O tema do programa para este ano é:
APOIO CULTURAL PARA O DESENVOLVIMENTO CIENTÍFICO e raciocínio matemático
Organizadores: Richard Lehrer e Leona Schauble Vanderbilt University ()

Juntese aos cientistas sociais e educadores de todo o mundo, eles exploram novas pesquisas sobre o raciocínio matemático e científico, com especial atenção para os tipos de tarefas, conversar, ferramentas e notações que apoiar o seu desenvolvimento.

Maiores informações:

http://www.piaget.org/Symposium/2011/index.html