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quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Matemática: dever da escola, na escola

  
Nunca é demais voltar ao tema “dever de casa” para que pais e professores sejam alertados de que essa atividade é lúdica, visando tão somente a “presença da escola” entre as crianças e jovens, durante o período em que permanecem em casa. Não se presta para ensinar nada, porque ensinar é papel que a escola desempenha.
   Numa longa reportagem do jornal O GLOBO (29 de agosto de 2011), é sugerido que as crianças não aprendem a matemática porque seus pais não os ajudam a fazer o dever de casa, chegando a dizer que: “lição de matemática tem que incluir pai e filho”. Ao contrário!!!! Lição de matemática tem que ser feita na escola! Isso porque os pais, na maioria das vezes, não têm formação adequada para essa tarefa. A missão dos pais é criar o ambiente de estudo, material  e tempo para que seus filhos realizem as tarefas. Não cabe a eles saber ensinar. O que não entendo é essa tentativa de transferência para os pais de uma obrigação específica da escola. Acredito que é porque os professores, não sabendo matemática, ficam impedidos de apresentar aos seus alunos o fantástico universo dessa matéria.
Sim, porque a vida É matemática. Tudo o que pensamos é matemática, e as escolas só têm que ensinar realmente isso: PENSAR
   Na experiência prática de direção de escolas, observo que a maioria dos professores não conhece os materiais básicos para o ensino da matemática e ficam centrados no lápis e papel. No entanto latas, pedras, caixas, folhas etc. podem ser usados. Não é preciso usar materiais formais e estruturados apenas. Os professores precisam ser mais bem treinados, porque deles parte a ação direta do ensino da matéria. Para os pais, a orientação deve ser geral sobre o ato de educar, não havendo necessidade de se desenvolver em uma matéria específica. Na prática, o pai deve conversar, ver filmes, jogar e passear com seus filhos. As tarefas de casa acabam sendo altamente desgastante para eles.
Tarefas para serem feitas em casa são recomendáveis, mas devem ser estruturadas para que os jovens possam realizar a atividade sem acompanhante. Nesse momento, precisamos trabalhar a independitização deles. Por que culpar as famílias por algo que é responsabilidade absoluta da escola? Reforço aqui que não é responsabilidade das famílias ensinar, e por isso chamo a atenção para que sejam responsabilizados aqueles a quem é dada a missão.
   Quando centramos o ensino de matemática nos algoritmos em vez de centrar no nível de desenvolvimento da criança, certamente não obtemos resultados adequados ou minimamente desejáveis de aprendizado. Se a criança não conservou o comprimento, não entenderá as medidas. Se não conservou o peso, não há como aprender como medi-lo. Volume então, nem pensar. E Piaget já deu todos esses indicadores para os educadores, através de avaliações simples que cada professor poderia fazer em sua sala de aula. Depois de ver o nível de compreensão de seus alunos, proporia situações problemas baseadas nisso. E aí sim, estaria cumprindo sua missão maior.
   O problema é ainda termos professores de matemática defendendo o ensino da tabuada... Mantendo-se perigosamente arraigados a um mudo que já passou. E passou há muito tempo! Entendam professores, que já estamos trabalhando com alunos das gerações X, Y, XY e em breve Alpha. Nativos digitais, que vão viver em mundo totalmente diferente.
   Abaixo, alguns materiais que podem tornar o ensino de matemática algo muito mais interessante para jovens e crianças. Vamos discutir mais sobre eles.




terça-feira, 5 de julho de 2011

A revolução redundante



Lendo e relendo artigos na internet, fico intrigada sobre qual o motivo da falta de elementos inovadores sobre Educação. Minha última surpresa foi com o material publicado em VEJA, onde Bill Gates aplaude o matemático do MIT, Sal Khan, que desenvolveu e mantém a KHAN ACADEMY e um site que oferece 2.400 vídeos sobre assuntos diversos, como Matemática, Ciências, Humanidades e exercícios preparatórios diversos. Seu mote é que, com esse acervo, está disponibilizando material “para você aprender o que quiser, quando quiser, no seu próprio ritmo”.
    Parece uma coisa revolucionária, mas é simplesmente a repetição do modelo de aula dada nas escolas tradicionais, com uma montanha de exercícios para passar de fase. Educação, como repito à exaustão, não é isso. Usar o computador com ferramenta educacional não é isso também. O que está sendo feito ali é criar um efeito multiplicador do ruim, e isso é grave, muito grave, principalmente quando tem o respaldo de um biliardário como Gates, “pai do Windows” e certamente um dos homens mais ricos e influentes do mundo. Mas como, ao que tudo indica, ninguém ainda sabe o que fazer com o poder extraordinário da internet, ocorre um surto de felicidade quando alguém se arrisca a lançar um produto que pareça fazer sentido.
    Nesse site (http://www.khanacademy.org), crianças e adolescentes encontram conteúdos que estão disponibilizados para qualquer um, a qualquer hora. A contraposição ao modelo vigente, segundo o texto, é de que ali as pessoas podem fazer seus horários, enquanto as escolas tem um modelo de dias e horas marcadas. Será que está achando que isso é a grande revolução educacional? Ao que tudo indica, sim, pois de resto não há diferença nenhuma: é conteúdo sendo “empurrado” de alguma forma, só que o aluno pode dizer a hora em que quer ser “adestrado”. Os exercícios são os mesmos que constam das atividades em sala de aula, e que podem ser encontrados nos livros didáticos mais tradicionais.
Ora, ora, ora,  “seu” Bill Gates. Não seria lógico imaginar que, dispondo de recursos tão poderosos quanto processadores I7, internet, multimídia, programas de produção gráfica 3D e tantos outros elementos tecnológicos (estamos falando de alguém do MIT, onde são criados os conceitos que depois se transformam em produtos pelos quais a maioria de nós vende a alma para poder comprar), pudessem ser montadas aulas maravilhosas? E que essas aulas deveriam ser minimamente interativas? Gostaria que entendessem que a ordem do dia é: nada de criança SÓZINHA no computador, porque para a criação, a falta de interatividade tira a função do mesmo. Ninguém, mas ninguém mesmo, vai trabalhar sozinho nesses tempos e nos tempos vindouros, pelo simples fato de que ninguém mais consegue ter 100% da competência necessária para enfrentar os desafios que vão se apresentando. O trabalho em equipe, colaborativo, cria as condições necessárias para a inovação. Nenhum de nós é mais inteligente do que todos nós! Isso é conhecido, mas ainda pouco praticado.
O que fica meio patético é essa festa que se faz em torno do “velho vestido de novo”. Na verdade, travestido, porque não é nem uma coisa nem outra e não acrescenta nada. A KHAN ACADEMY não é revolucionária, e não criou nada que possa se chamar digno de proporcionar EDUCAÇÃO.
O que há, na verdade, é a necessidade de discutirmos, incansavelmente, novas propostas para utilizar esse veículo fantástico que é a internet. Estamos usando um trator como se fosse uma enxada, perdendo o melhor que ele tem a nos oferecer. Colocar CONTEÚDO à disposição não é suficiente, se não criarmos modelos de uso para todo esse acervo formidável.
    Enquanto não fazemos isso, teremos o surgimento de muitos sites como o do matemático, usando recursos de avançada tecnologia para apresentar o mesmo de sempre, de outra forma. Isso é correr atrás do rabo. Isso é trabalhar com melhoria contínua, quando na verdade precisamos é de uma mudança de modelo estruturado. E uma outra coisa importante é que, quem vá fazer um trabalho educacional, tenha conhecimentos sólidos de pedagogia, psicologia, níveis de desenvolvimento mental, etc. Vocês já repararam como tem gente de todas as áreas opinando e criando coisas em Educação? Louvável, mas absolutamente inútil, na medida em que a grande maioria não sabe bem para onde está indo e o que quer ao final do processo, e por isso recria situações que não levam a lugar nenhum, ou pelo menos a nada de produtivo e eficiente.
    O site, em última análise, segundo pude constatar, “prepara as crianças para fazer exames”. Para quê, se esses vão acabar? Ninguém mais acredita nos resultados desses exames que são criados para dar forma a alguma coisa que não aconteceu. Ninguém mais acredita que, o fato de ter passado ou não em uma prova, determina se o indivíduo é capaz ou não, até porque as provas tratam de verificar apenas a capacidade mnemônica do indivíduo, ou seja, quanto conteúdo ele conseguiu decorar. A incongruência é grande, porque na hora que você procurar um médico, quer se consultar com que sabe o nome de todos os ossos do corpo humano ou com aquele que sabe analisar a situação e encontrar a solução? Erudito não é mais quem sabe declamar “Os Lusíadas” integralmente, mas sim quem pode criar um poema inédito e encantador.
    Ainda que repetitiva, insisto: temos que ensinar a PENSAR! Essa é a função mais nobre da inteligência.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

RECUPERAR É MAIS DO QUE EMPURRAR PARA FRENTE

Somos uma nação criativa, disso não temos a menor dúvida. Mas criatividade, quando utilizada para fazer coisas boas dá resultados maravilhosos, e o contrário também é verdadeiro. Quando mal utilizada, a criatividade é uma arma terrível.  Temos exemplos disso o tempo todo, e um deles é o assunto que quero tratar.
Trata-se da “Recuperação”, que surgiu para que as crianças recebessem uma revisão de tudo que havia sido “dado” e as crianças não tinha “recebido”. Mas nas escolas em geral virou prova de 2ª. chamada para dar as notas que os alunos precisavam para passar.

Numa escola piagetiana, qual a maneira de lidar com isso? Lidamos com a construção do conhecimento através do desenvolvimento da inteligência. Nesse ponto de vista, uma criança que tenha se saído bem em uma prova não necessariamente desenvolveu as estruturas necessárias para continuar seu desenvolvimento. Estamos atentos, portanto, ao desenvolvimento das estruturas cognitivas, e não somente a quantidade de conteúdo que o aluno tenha “absorvido”. Por exemplo: numa prova temos questões somente de conteúdos e muitas de estruturas cognitivas. Se a criança responde bem às que ela pode decorar e não se sai bem naquelas que identificam a  construção dessas estruturas cognitivas, é evidente para nós que a necessidade de retomar com ela aquelas questões.

Esta atividade não significa um castigo e sim um privilegio de rever com tranqüilidade o processo, identificando onde estão as possíveis falhas no desenvolvimento cognitivo.

No entanto, o que vemos é que o conceito mudou nas escolas em geral. E para que não haja confusão, vamos mudar esse nome para não acompanharmos um conceito errado. Não queremos que a criança associe o termo “recuperação”, aplicado em condição plena na Chave do Tamanho, como uma maneira de produzir nota para “passar de ano”. Não existe promoção por exposição de conteúdo, tão somente. Evolui-se na medida em que as estruturas cognitivas evoluam e possam entender o mundo no nível de percepção máximo para aquela fase do desenvolvimento mental. O resto é paródia.

 Fiquem atentos para o desenvolvimento global de seus filhos. Não deixem que eles se especializem. É muito importante que as crianças gostem das matérias em geral, de dançar, de musica, de artes. Todas estas atividades são muito importantes para que aconteça o desenvolvimento cognitivo.

A reversibilidade, que deve surgir os 7/8 anos, muitas vezes se atrasa porque a criança não dança. As danças coletivas exigem muito da reversibilidade das crianças (ver o ponto de vista do outro). Imaginem que este conceito seguirá pela vida afora de seus filhos, e será importante. Aliás, cada vez mais importante para o sucesso pessoal e profissional deles. Ninguém mais trabalha sozinho. Vamos todos estar em Dinâmica de Grupo permanente.

Estimulem seus filhos a fazerem esta revisão que não apenas de conteúdos, mas também de estruturas concretas e abstratas. Se uma crianças esta com uma defasagem no período concreto, terá enormes dificuldades de entrar no período das abstrações (11/12/13 anos). Muitos adultos não conseguem todas as estruturas abstratas e passam o resto de suas vidas trabalhando apenas com algumas. É o que Piaget chamou de compartimentalização, e que hoje os departamentos de recursos humanos identificam como ausência de competências – acarretando muitas vezes no insucesso para obtenção de empregos bem remunerados. O nosso grande esforço é tentar desenvolver todas as estruturas sem deixar lacunas. Sabemos que muitas pessoas ainda não compreendem totalmente o que significa isso, já que todo o sistema educacional de nosso país esta voltado para exames que não medem as estruturas no geral. Privilegiam os conceitos decorados, e é isso que vem atrasando o processo de desenvolvimento educacional frente ao mundo desenvolvido. Estamos no final em todas as listas de desenvolvimento e apenas na frente de alguns países africanos com um índice de pobreza chocante. Como se justifica uma economia tão desenvolvida com uma educação tão atrasada? Ficaremos para trás, não tenham duvidas. Já estamos contratando executivos da Europa e EUA por não temos, em nosso país, quem ocupe determinados cargos.

Educação é um produto muito estranho, porque embora seja vital e estratégico, parece que existe somente para cumprir um ritual. As pessoas pagam, mas não querem levar. Jamais você faria uma compra no supermercado e deixaria tudo no carrinho, depois de pagar. Com educação acontece isso. As famílias ficam revoltadas se a escola tentar dar mais do que havia se comprometido. Veja, estou dizendo oferecer MAIS!!!

É claro que a vida das famílias é organizada pelas prioridades e tempos dos adultos. E os adultos, em geral, vivem num mundo de comportamentos típicos da Era Industrial quando deveriam estabelecer prioridades a partir de valores da Era da Informação ou da Era da Biotecnologia. Valoriza-se muito ainda o conceito de “linha de produção”, com tempos e movimentos bem demarcados, para que as coisas acontecem com uma previsibilidade absoluta. Mas isso acabou. Caros e queridos pais: isso não está acontecendo nem na sua vida nem na de seus pares! O trabalho mudou, as relações mudaram, o mundo virou de cabeça para baixo... e não podemos viver na ficção do passado. Existe uma maneira de educar para o futuro, para o mundo em que nossos filhos vão viver. Um mundo dinâmico, instável e evolutivo, com desafios permanentes e demandas ainda não imaginadas. Não vamos mandá-los para esse mundo portando apenas um boletim de notas azuis, porque isso não vai ter o menor valor. Vamos encaminhá-los preparados para uma situação de “abertura para todos os possíveis”, porque isso sim irá garantir a sobrevivência deles.

terça-feira, 28 de junho de 2011

Quem transgride realmente?

Quando estamos estudando a Construção  da Moral e da Ética ficamos sempre centrados nas crianças e não costumamos ir a fonte de onde deve ter surgido aquele  comportamento  certo ou indesejado.
As crianças começam a perceber a moral muito cedo, aos 3/4 anos, passando a notar a existência de regras. A família não costuma trabalhar com elas, até porque as crianças nesta fase despertam muito interesse (são engraçadas) e com isso muitos comportamentos são aceitos para depois serem reprimidos, o que não dá certo. Até os 7/8anos as crianças dependem da ética dos adultos, e ai fica o problema.  Muitos destes adultos seguem regras morais, obedecendo porque estão sendo vigiados pelas leis da sociedade e não por uma ética interior. E as crianças vêem estas contradições aparecerem o tempo todo nos comportamentos das pessoas que estão a seu lado. Temos que ensinar moral e cobrar ética dos adultos para podermos construir a mesma estrutura em seus filhos e alunos. Os professores têm este comportamento ético frente a seus alunos? Quando ameaçam, o que vocês acham que esta acontecendo? Falta de ética. As regras morais servem para todos? Deixam as crianças se expressarem para que não tenham que fingir? Estão voltados a levar as crianças da pura heteronomia (regras vem de fora) para a autonomia (criarem as regras)? Não, o professor quer sempre mandar e isso ele acha que é autoridade, mas na verdade é autoritarismo. Ele quer ser o chefe e não o líder, já que a liderança é  emergencial. Quando ele não é o melhor, a liderança passa de mão. No ensino médio, o professor deveria estar totalmente fora do grupo para  ver acontecer a liderança entre  seus alunos, verificando se criou homens livres. Mas ao contrário, está no quadro-negro colocando conteúdos e ridicularizando os que não conseguem acompanhá-lo, trazendo revolta e bullying. As crianças aprendem tudo, principalmente comportamentos. A grande maioria de nossos alunos guarda na lembrança um professor, e olhe lá. Muitas vezes só tem recordações tristes da escola. Outro dia meu filho que está no ensino médio me surpreendeu, no Facebook (estão todos em rede), dizendo que estava saindo da prisão ia ao banho de sol e já voltaria para a tortura. Fiquei assustada e comentando com um grande amigo que também viu o que ele dizia, comunicou a audiência em geral (já que os adolescentes acham que estão falando para um pequeno grupo e não para o mundo), que este garoto não estava em Bangu I,II ou III. Estava na escola. Mas que escolas são estas onde  os jovens se sentem prisioneiros?  Será que não tem outra forma de fazer escola? Tem sim. Só falta vontade política para fazê-la. Os jovens precisam gostar de ir a escola. Estas escolas onde se dá AULA EXPOSITIVA em pleno século XXI, como se estivéssemos no século XIX, não é mais possível. Achei triste a vivência de meu filho, mas vendo uma charge do Quino (Mafalda),  onde o Filipe sai de casa com uma mochila, que “transforma” em colchonete usando a imaginação dá para entender o que estou dizendo. Outras charges desse brilhante cartunista reproduzem a visão de crianças que, em sua imaginação, transformam a escola em um forno crematório, sua professora em agente da SS nazista, etc. Logo o problema não e só do meu filho. Muitas crianças e adolescentes devem ter esta visão de seu ambiente escolar. Não podemos continuar como policiais que gerenciam a moral das crianças. Temos que ter ética, para que nossos alunos venham a construí-la. Sejamos parceiros do conhecimento de nossos alunos. O que desejam os pais para os filhos? Ate uma certa idade 7/8/9 anos dizem eles que é a felicidade, e depois descambam para a produtividade de qualquer forma. Os pais que estavam preocupados com bem-estar passam a ficar preocupados com desempenho. A escola faz o papel do bem-estar até a primeira infância (jardim da infância) e depois visa apenas o desempenho (conteúdos).
Martin Seligman, em um artigo para a revista “American Psychology” diz: ”Sou inteiramente a favor do bom desempenho, do sucesso, da disciplina e da alfabetização literária  e numérica. Mas imagine se as escolas pudessem, alem disso, oferecer a seus alunos os princípios e as limitações para a busca do bem-estar. Teríamos  indivíduos e famílias mais felizes, melhores instituições e um mundo melhor.”
Temos então que concluir que os pais querem das escolas todas as punições que eles não conseguem impor. Porque eles não conseguem dizer o NÃO? Estão ocupados demais em ganhar dinheiro e não sentem que faz parte do “ser pai” educar seus filhos. Quando a criança transgride uma regra é geralmente apoiada pela família. Por exemplo: quando a criança telefona do banheiro da escola usando seu celular, geralmente não é para nenhum colega e sim para seus pais. E eles atendem! Se ninguém atendesse ao telefone como eles  falariam? Quando as crianças ou adolescentes são flagrados cometendo um delito, seus pais correm para socorrê-los dizendo que são simples crianças, mesmo os jovens já tendo 13/14/18 anos. Será que não deveriam passar por tomada de consciência dos seus atos? Os pais não deixam. E isso vai repercutir em atos cada vez mais graves na vida adulta.
As escolas têm que sofrer reformulações urgentes para fazer parcerias com as famílias, ajudando-as a educar seus filhos em conjunto. A escola tem que ser um ambiente alegre e feliz. Temos que trazer as crianças e adolescentes realmente para dentro da escola. Conseguir fazer o aluno gostar da escola e de seus professores deveria ser uma meta a ser perseguida intensamente.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

O IMPONDERÁVEL THOR

Se há uma tendência natural de mentes em formação seguirem exemplos, estamos com sérios problemas. Durante uma semana, ouvi jovens achando formidável uma pessoa na mesma faixa etária ter a possibilidade de ir para São Paulo, num avião próprio, participar de uma festa e voltar para dormir em casa. Mesmo sem ler um único livro até o final, copiando resumos na internet para fazer as provas da escola, pode gastar em uma noite algo como 6 mil reais, que considera uma quantia modesta perto de valores como 60 mil gastos por alguns amigos numa farra. Ou ainda comentar sobre a satisfação que tem com seu corpo, que quando não está absolutamente adequado ao que ele considera perfeito, impede qualquer ação intelectual (sic) de sua parte.
    O grave nisso tudo é que, provavelmente, toda essa badalação em torno da figura de Thor de Oliveira Fuhrken Batista , primogênito do homem que ocupa a oitava posição entre os mais ricos do mundo, não passe de uma grande promoção feita para apoiar o lançamento de sua boate Pacha, que será inaugurada em outubro, na Gávea (RJ), ao custo de 11,5 milhões de reais.
    O fato é que, se nada há de errado em um país ter milionários desse porte, ainda assim, nas palavras da própria revista, a situação é absolutamente inusitada. Imponderável mesmo. Segundo o texto, “O universo por onde Thor gravita é, de fato, um mundo paralelo, onde a lógica tradicional se encontra em suspenso. Sua estréia à frente dos negócios acontece antes mesmo de ele ter concluído o curso superior – a matrícula do primeiro ano de economia do IBMEC foi trancada porque ele achou o ritmo muito puxado”. Ou ainda, mais adiante: “Ler, definitivamente, não está entre suas preferências. Gosta apenas de textos sobre carros e fisiculturismo”.
    É nesse mundo paralelo que vive o Imponderável Thor. Apenas para lembrar, imponderável é “aquilo que não tem peso considerável”, ou seja, o que é indigno de ponderação. E é por esse caminho que vemos outros tantos jovens ávidos por uma chance de repetir o modelo, sem as obrigações intelectuais que elevariam sua condição humana e social, tentando encontrar o atalho para os grandes prazeres, eliminando a necessidade dos sacrifícios que poderiam levar a isso.
    O que impressiona é uma revista como a VEJA/RIO, de grande circulação e impacto, tratar do assunto em seis páginas. O conteúdo é tão pífio e a extensão tão grande que realmente tudo leva a pensar numa bem orquestrada ação de marketing, elaborada por profissionais pagos a peso de ouro e com um investimento projetado na casa do milhão de reais. Não há qualquer outro motivo para uma matéria dessas assumir tão grande proporção. E devemos agradecer aos deuses do reino de Asgard, das lendas escandinavas, que não tenha sido veiculado na primeira página da revista principal.
    Bem, o fato é que ser o filho do homem mais rico do Brasil não o credencia como o bom exemplo que deva ser seguido por jovens. E ainda é preciso ver que embora a revista pretenda passar a imagem de que tudo dá certo na vida dele, não é assim que a coisa transcorre. Embora ter todo esse dinheiro possibilite a ele ser capa de revistas de grande circulação, falando de seus músculos e de seus tratamentos de beleza, isso não o credencia para ser um ícone aproveitável. Com 45 centímetros de bíceps, tudo o que se pode dizer é que ele provavelmente é fisicamente forte... mas e a inteligência desse rapaz? A quantas anda?
    Deve haver alguma coisa errada com quem, nessa idade, nunca leu um livro até o final. Não deve ser transformado em modelo uma pessoa que, sem maiores esforços, consegue gastar em uma noite o que a maioria dos brasileiros ganha em um trimestre ... e ainda acha pouco – segundo sua ótica, existem pessoas muito mais esbanjadoras do que ele. Onde estão os predicados morais desse jovem? O que passa pela cabeça dele, além daquilo que a reportagem diz? Alguém está preocupado com isso?
    A MORAL deveria ser uma coisa bem desenvolvida na idade dele, mas não existem sinais disso em seu discurso – ou no discurso montado para ele. Quando diz que é muito econômico nas suas noitadas, parece um disparate frente a realidade do país em que vive, mas isso não é salientado. Frente ao salário mínimo do país, é um total despautério sua colocação de que “a gente tem uma vida de luxo sim, mas não esbanjo dinheiro”.  Onde estão seu pai e sua mãe numa hora dessas, para informar a seu filho de que nesse Brasil enorme, existem pessoas que vivem na miséria mais absoluta, e tão excluídos que o Governo Federal está agora querendo montar um mutirão para saber onde estão! São pessoas que escapam a qualquer nível de controle social porque nascem, crescem, vivem e morrem sem uma certidão de nascimento, sem um registro, sem nada. Brasileiros que vivem em regiões tão remotas que não contam com qualquer assistência mínima. Consciência leva a melhoria do nível de moral, mas não é o caso. Assim, mesmo que de forma cosmética, não há menção de um trabalho social no seu discurso, e isso seria uma dádiva para um país que precisa tanto de distribuição de renda e de ações altamente eficazes no âmbito da responsabilidade sócio-ambiental.
    Uma bofetada no sistema escolar é saber que uma pessoa tão rica e com tanto poder na mão, pode ter passado por ele sem nunca ter lido um livro. E que se valeu do sistema supletivo para concluir aquilo que demanda anos de esforço para o comum dos mortais. Como é que ele chegou ao primeiro ano de Economia? Claro que ele deve ter achado muito puxado fazer o primeiro ano de faculdade, e por isso trancou a matrícula. Mas a lição que fica é a de que, tendo dinheiro, o sujeito “ou vai ou vai”, e que a falta de estudos não faz a menor diferença para ele nem para os seus pares ou mesmo seus pais. O fato é que não é possível um indivíduo ter chegado a universidade sem nunca ter lido um livro. Em um esquema educacional responsável, isso seria impossível.
    A situação é de um nonsense tão absoluto que os comentários ficam vazios. Comentar o nada, é o mesmo que enfrentar o vento. O perigo do vento é que, quando ele é muito poderoso, provoca destruição sem tamanho. O contrário também é verdade, ou seja, se o vento for forte, tiver direção e constância, pode empurrar navios por distâncias consideráveis, como aconteceu com os barcos vikings que, em determinada época, dominaram o mundo conhecido e descobriram novas terras e riquezas. É lastimável que o detentor do nome de um poderoso deus da mitologia daquele povo não use seu “martelo” para abrir caminho para o seu povo. Mas como culpá-lo? Ele é  o resultado de sua educação.
    Sem sombra de dúvida, existe um mercado de luxo para pessoas que ultrapassaram aquele ponto mágico dos bilhões em suas contas bancárias, e que esse mercado se alimenta do imaginário das pessoas comuns que veneram o poder oriundo dessa condição. É fato que apenas a ponta do topo da pirâmide social ali se encontra, minguados milhares de brasileiros que podem se dar ao luxo de comprar um carro de um milhão de dólares, uma aliança de 30 mil reais, um relógio de 50 mil reais ou coisas assim. O que não se pode é tornar uma pessoa sem qualquer formação consistente num ídolo para seus pares que estão na juventude, formando seu caráter e tomando como base o fato de que, mesmo não estudando, é possível ser feliz. No mundo para o qual estamos caminhando em velocidade crescente, nada mais falso do que isso. Salvo para os deuses de Asgard, como o Imponderável Thor.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

"Ingnorância também é curtura"

"os livro foi emprestado..."

    Choque. Não é incomum, mas acho que estamos quase todos espantados com as notícias que estão atingindo todos os órgãos de imprensa sobre um livro, cheio de erros de português, assumidamente aceitos como normais pela autora e, pasmem ... distribuídos pelo Ministério da Educação! E não em modestas proporções, mas para quase meio milhão de alunos da rede pública.
     Mas não é só isso. Outros livros distribuídos pelo MEC já foram denunciados por erros absurdos de dados científicos.  Conselhos condenam Monteiro Lobato por racismo e retiram sua obra até que haja uma revisão da mesma para que o contexto seja explicado. Tiram Lobato e colocam “os livro ilustrado mais interessante estão emprestado”
Segundo o MEC, o livro está em acordo com os PCNs (Parâmetros Curriculares Nacionais) --normas a serem seguidas por todas as escolas e livros didáticos. E isso dá o que pensar:
1) Como o MEC seleciona os livros didáticos que distribui? E se seleciona, não é responsável por essa seleção?
2) Como é que compra milhões em livros sem garantir a qualidade.
    Embora tenha havido uma verdadeira comoção com esse fato – livros com erros de português avalizados como normais e contextualizados – o que realmente chama a atenção é a falta total de uma política educacional no Brasil. Os analfabetos, por exemplo, não despertam toda essa celeuma, e no entanto o analfabetismo é um problema extremamente grave e muito mais sério. Que mal há se as crianças receberem ou não os livros; eles não sabem ler mesmo, e os livros vão terminar o ano incólumes. E os alunos também. No entanto, o problema recai sobre o gasto abusivo com alguma coisa tão desnecessária para nossos estudantes tão necessitados. Efetivamente, seria melhor comprar livros de história para crianças, pois assim elas poderiam realmente ler e até levar para casa, quem sabe disseminando cultura e possuindo alguma coisa que vá, de fato, fazer diferença em suas vidas.
    Fico pensando também em quem conseguiu vender esse livro para o MEC? Especialistas altamente treinados e imersos nos meandros burocráticos e políticos, conhecedores do passo a passo  e experts em cumprir as etapas. Não necessariamente abnegados e devotados defensores do saber. Sim, porque a dificuldade em se colocar alguma coisa boa nesse processo é praticamente impossível, porque passar pela malha complexa que foi criada é muito difícil, diria mesmo que impraticável.
    Se o Ministério da Educação tivesse comprado alguns exemplares do livro “Por uma vida melhor”, da ONG Ação Educativa e entregue  a algumas escolas, para suscitar a discussão dentro das salas de aula, estaríamos frente a um mal menor – sempre um mal, mas menor. Ma distribuir para 4.236 escolas do país, sem que isso faça parte de um plano educacional maior, indo contra a tudo o que se ensina e pratica como sendo um padrão ... aonde querem chegar?
    O fato concreto é que isso praticamente empurra a prática do ensino de português para uma beco sem saída. Se já é difícil ensinar a norma culta, com um argumento contrário como esses, avalizado pelo próprio Ministério da Educação, que saída tem o professor senão aceitar tudo o que vier? Pode, não pode? Não, não pode. Um livro desses é um perigo social.  Será que as crianças de baixa renda querem falar assim? Lembrem-se que Piaget já tinha identificado que os bebês falam errado, mas buscam a linguagem socializada para serem compreendidos.
    Crianças de classes sociais mais desfavorecidas economicamente, tem vergonha de seus pais que “falam errado” porque não freqüentaram a escola. Ainda que a escola tenha todos os seus problemas, serve para alguma coisa ainda, e ensinar a ler e escrever deveria ser o básico e fundamental.
    O fato é que estamos sempre nos atendo a coisas pontuais – que são muitas – mas não  discutimos o ponto crucial disso tudo: não temos uma POLITICA DE EDUCAÇÃO. Enquanto estamos vendo essa gritaria, esquecemos de pressionar pela verdadeira grande solução dos problemas educacionais brasileiros. E os gestores vão mergulhando em suas estatísticas geradas pelos exames e mais exames que vão sendo impostos a alunos que, ao final, saem sem qualquer qualificação adequada ao mercado de trabalho atual e futuro.
    Ao final disso tudo, fica a nota de ironia. “Viver e Aprender”, nome da coleção, é bem diferente do que está no livro “Por uma vida melhor”, que não vai melhorar a vida de ninguém.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Lauro de Oliveira Lima está na moda

  
Mil novecentos e setenta e um. Jornal do Brasil entrevista Lauro de Oliveira Lima. Ele é a moda, está na moda. Dois mil e onze. Quarenta anos depois. Pesquisando nos arquivos da “Chave do Tamanho”, localizo e releio a matéria e... Lauro está na moda, totalmente na moda. Nada mudou em nosso país quanto a Educação. Temos mais escolas, alunos dentro delas, ninguém aprende nada, muitas reprovações e professores que não ensinam. Outros que não sabem como ensinar. o sistema não cria nada, só reproduz, e vai ficando cada vez mais importante implantar a criatividade como o grande esquema de ação na área educacional brasileira.
Vamos ver o que nos diz essa matéria de quarenta anos atrás. Uma das máximas que fica em destaque é a seguinte:
DIGA COMO É O EXAME E TE DIREI COMO É O SISTEMA ESCOLAR.
 Lauro de Oliveira Lima

Lauro mostra como mudam os nomes, mas nada de substancial muda na educação.

Alguns pensamentos de Lauro:

1) “A juventude é naturalmente mutante, e a educação tradicional é reprodutiva e alienante.”
Porque os pais não questionam este tipo de educação? Eles acham que educação tem que ser daquele jeito como ele entende que aprendeu. As mudanças do mundo não atingem as famílias.

2 ) ”Um belo dia minha filha chega e diz:”vou fazer a prova de recuperação”. Eu já estava meio desligado da sistemática e perguntei: como é que é?” ... “É uma prova lá, de uma matéria que eu não passei”. Quer dizer:  prova de segunda época  virou recuperação. “Ou seja, muda só o nome, pois tudo é uma dramatização.”
A recuperação surgiu para que as crianças tivessem um acompanhamento paralelo e pudessem  realmente colocar em dia as atividades em relação ao seu grupo. O que acontece é que nada é feito, e ai as crianças voltam à escola para fazer outra prova, apenas para passarem de ano. A idéia é que passem, mesmo sem nada saber. São as famosas estatísticas que estão na ordem de prioridade principal
.
3) “Se você comparar o curso primário (fundamental) do Brasil com o francês, o nosso, inteiro, não corresponderia a um ano de escolaridade na França. Dos professores, 60% são mal formados e a maioria não tem o ginasial (segunda fase do fundamental) completo. Em muitos Estados,  ganham a metade do salário-mínimo e até acham razoável, pois  sabem que não estão fazendo nada, não tem aspiração ou critério profissional.”
Tem alguma coisa nesta fala que não seja absolutamente verdadeira? Quantos anos se passaram, mas isso não abala um país sem memória. Sem desenvolvimento educacional continua do mesmo jeito. Será que não tem alguém que denuncie?

4) ”Ai começa a examinose. Ela determina os padrões de ensino. Discutir se tem redação , se tem cruzinhas, é irrelevante, pois do ponto-de-vista do vestibular (ou ENEM) está certo. Qualquer mecanismo que degole é bom. E lógico que esse tipo de prova seleciona um certo tipo de gente. Aliás esse e um problema grave de epistemologia que ninguém nunca analisa.”

Todo o sistema só fica pensando em examinar. Ninguém quer saber de educar e acompanhar 
meticulosamente as crianças e adolescentes para  saber o que devem e o que podem estudar. Exame geral,  passou vai adiante, não passou fica para a próxima vez. Será que ninguém desconfia que não esta dando certo?
5) ”Quando todo o sistema se aglutina num exame, tudo para trás funcionará em função dele. Estes meninos que se preparam para o vestibular e entram nos cursinhos, encontram tudo imitando o vestibular. E é  só pegar um livro do primário, que lá já esta a múltipla escolha.”

O sistema continua assim porque os pais, logo no início da formação escolar, orientados pelo reacionarismo do sistema, procuram escolas que trabalham na linha do sucesso no vestibular. Não questionam esse modelo de avaliação nem a sua permanência, já que há quarenta anos ele prevalece como padrão.  No entanto, não é possível que ele persista porque por maior que seja o interesse econômico em sua manutenção, ainda assim ele não é solução para um mundo em transformação como o que vivemos. Um Brasil do futuro não incorpora soluções paliativas como essa. Ou vamos para o embate verdadeiro, com soluções adequadas e resultados globais, ou não nos sustentaremos como país emergente e potência mundial do amanhã.
Por essas e por tantas outras é que reitero que Lauro de Oliveira Lima, do alto de seus 90 anos comemorados no último dia 12 de abril de 2011, continua inteiramente na moda, e suas opiniões permanecem totalmente atuais. Nada mudou ... e a pergunta é: por quê?
Beta

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Leitura: O maior Programa Educacional


Todas as atividades escolares podem estar voltadas para a leitura. Os professores têm que entender que a imprensa já foi inventada e que agora são os livros e textos que devem circular em suas salas de aula e não mais sua fala, como os antigos professores na Grécia.
A leitura deve permear todas as disciplinas e não ficar restrita ao estudo da língua. Os professores devem conhecer o nível de desenvolvimento de seus alunos para poder propor os livros a serem lidos. O grande programa que as escolas devem desenvolver é o da leitura. Nada deve estar fora dela.
Nossa proposta na “Chave do Tamanho” é as crianças começarem a ler. Isso antecede aquele processo tradicional do aprendizado por meio de suas famílias. Os pais tem como tarefa contar pelo menos um livro por semana para seus filhos. Estes livros fazem parte da biblioteca do recanto (sala de aula) e vão passar por todos daquela turma. Serão discutidos através de fichas simples inicialmente,  em complexidade crescente.
Todos os livros devem ser selecionados de acordo com o nível das crianças. Em cada etapa do desenvolvimento, as crianças gostam de um tipo de literatura e este nível deve ser rigorosamente respeitado. As crianças, por exemplo, antes dos 9 anos mais ou menos, não entendem os livros de mistério. Livros com muitos personagens não são compreendidos pelas crianças de 5 anos, pois eles centram em um só personagem. Assim, temos características para todos os níveis.
Os professores devem estar preocupados (todos) com as leituras que seus alunos estão fazendo.
Nosso programa de leitura tem ainda um livro geral que todo o grupo deve ler durante o semestre ou o ano dependendo da idade ou do tamanho do livro. Damos o nome de livro do recanto (turma), que em nossa escola são  livros de Monteiro Lobato, que vão sendo lidos  por nossos alunos ao longo de seu desenvolvimento. Ao final do curso fundamental, leram toda a coleção. Esta leitura é também acompanhada por fichas elaboradas pela escola para que os professores possam provocar discussões com seus alunos sobre o tema que esta sendo tratado.
Mostramos então às famílias que o curso fundamental é um curso de leitura. Ao final de um ano as crianças devem ter lido pelo menos 38 livros, o que os coloca na frente de países mais letrados do mundo que chegam a ler 21 livros.
Todas as escolas deveriam ter uma pequena biblioteca, o que em nosso país alcança apenas cerca de 30% das instituições. A escola deveria virar em torno das bibliotecas. Como podemos pensar em bibliotecas se temos 14 milhões de analfabetos e um numero maior ainda de analfabetos funcionais? É simples: vamos inserir as bibliotecas em nosso sistema e promover, através destes leitores, a alfabetização  dos que estão a margem do sistema.
Devemos propor ao Ministério de Educação que temos que organizar bibliotecas, pois o que fizeram  é uma Biblioteca Virtual – que é uma biblioteca digital que esta sendo desativada por falta de uso (www.dominiopublico.gov.br). Ora, o problema é que as crianças tem que começar criando o hábito de leitura e tendo acesso aos livros para depois irem buscar, através dos computadores, os livros digitais. Nossos governantes não entendem de educação nem de crianças e querem propor programas. Não dão certo. Nem os professores fazem uso do programa que foi elaborado! Fico imaginando quanto custou aos cofres públicos. Onde está a divulgação? Por que fizeram esta escolha? Temos que parar de fazer programas pedagógicos sem perguntar a pedagogos se vão funcionar. Os economistas tem que voltar a dar instruções em suas áreas.

Beta

Tablets nas Escolas Públicas



O ministro da Educação, Fernando Haddad esta mandando  fazer um estudo para  utilização  dos  tablets (computadores portáteis  sensíveis  ao toque) para serem utilizados nas escolas publicas. Diz ele que a tecnologia está muito distante ainda das salas de aula.
Será que tem importância o uso desta tecnologia quando os alunos nem aulas tem e não tem ainda um moderno sistema pedagógico? Será que não é uma forma de disfarçar o problema que temos na educação? Os professores já são usuários desta tecnologia? Não, não são. Quase nenhum deles, pode-se dizer, realmente fazem o uso adequado dos equipamentos mais usuais, necessitando de treinamentos em massa para que sejam usuários básicos, usando computadores em suas rotinas de trabalho. Não estamos falando em serem programadores e criadores de material.  Eles raras vezes utilizam para planejarem  suas aulas ou fazerem atividades para seus alunos. A grande maioria não acessa as redes de relacionamento em que seus alunos já são usuários assíduos.
Quais os programas das Secretarias de Educação visando a utilização real dos computadores? Dar computadores não causa nos professores a idéia de que tem que utilizá-lo no dia a dia. Os alunos estão bem mais adiantados neste e em vários outros quesitos, em relação a seus professores. Temos que nos comprometer primeiro com o treinamento dos professores para depois eles repassarem esta tecnologia para a sala de aula. Será que ela é um fator determinante? Temos que fazer um longo caminho para atingirmos este programa. Nossos professores não sabem sequer prender a atenção de seus alunos para transmitir conhecimento. Vejam o índice de repetência. Não são as crianças que não querem aprender, são os professores que não sabem ensinar. Nossos alunos estão sem interesse pelas escolas
Os professores estão tão fora do sistema que não vêem o bullying acontecendo em suas salas de aula. Onde eles estão? Estão concentrados em falar aos alunos, “transmitindo” conteúdos que os alunos não recebem.
Temos que fazer um mutirão gerenciado pelo nosso Ministro para ensinar nossos professores a ensinar. Não podemos nos desviar do caminho. Treinamento já. Estamos correndo o risco de ficar com a carreira tão esvaziada que, num futuro próximo, não teremos professores.
Pergunte se os alunos gostam das escolas? Qual o professor preferido? Como são tratadas as crianças com necessidades especiais?
Don Tapscott diz “Não vivemos na era da informação. Estamos na era da colaboração. A era da inteligência conectada.” Será que estamos preparados para isso no nosso sistema escolar? Não. Estamos atrasados por uns 50 anos e não há mais tempo. Já perdemos a corrida com a China. Vamos ficar sentados dando computadores que ninguém sabe utilizar? Na época da corrida espacial os EUA estavam atrás da União Soviética. Fizeram então um movimento radical chamando cientistas da Suíça para organizarem o programa de ciências e assim ficarem competitivos. Chegaram a Lua. E nós, o que estamos fazendo para recuperar o nosso triste sistema educacional? Nossos alunos não sabem nada e nossos professores também não. O que fazer?
Treinar os professores é fazer uma avaliação nos nossos currículos e programas.

Beta

domingo, 20 de março de 2011

MAS, O QUE É O “DEVER DE CASA”...???

    “Dever de Casa” é uma expressão antiga. Pode ter mudado de nome, usando novos termos como “tarefa”, “trabalho de casa”, coisas assim, mas sua estrutura continua a mesma: crianças e jovens exercitando, ou seja, repetindo o que já fizeram em sala de aula. Para uma escola moderna, isso é tem muito pouco sentido.
    Professores que privilegiam os métodos mais antigos acham que é necessário aplicar exercícios como dever de casa para que as crianças fixem o aprendizado. Isso acontece porque, normalmente, nos cursos de formação de professores, são dadas aulas específicas só para aprender como promover essa tal fixação.  Para quem não conhece as teorias de Piaget, isso faz sentido. Quem conhece sabe que não são necessários esses cansativos e enfadonhos trabalhos domésticos. Se o professor ensinou,  crianças e adolescentes sabem resolver qualquer coisa ligada aquele conhecimento. O que sobra então para ser feito em casa?
    Na verdade o que falta é a PESQUISA, maiúscula mesmo. E essa pesquisa deve estar voltada para o cotidiano, ligando as crianças às mídias – jornais, revistas, internet, TV, etc.  Qual a grande dificuldade para que isso aconteça? Normalmente, a falta de atualização dos professores, que não assinam periódicos ou semanários e que ainda não sabem usar o computador e suas incomensuráveis possibilidades. E ainda por uma visão fechada do mundo.Essa é uma das muitas dificuldades que a escola vai ter que suplantar se quiser realmente fazer o que se chama de Educação.
    O fato é que nossos alunos devem ser levados a observar a sociedade onde vivem como um todo. O caminho que fazem de casa para a escola, o bairro, a cidade... Até chegarem ao mundo. A cidade, por exemplo, precisa ser explorados em todos os ângulos, atributos, defeitos e qualidades. As crianças não podem ficar restritas a sua casa, condomínio ou shopping como normalmente acontece.
Coisas ótimas para serem feitas: entrevistas com parentes, vizinhos, comerciantes. Assinatura de revistas com foco bem localizado na sua área geográfica (pequenos jornais de bairro, etc.), trabalhos de grupo sobre personagens. Fazer um diário escrevendo sobre sua vida pessoal para melhorar o entendimento sobre como as coisas acontecem e como são seus contatos com a família e amigos. Todo o material trabalhado em casa deveria ter uma utilização muito importante na sala de aula, garantindo assim o interesse na continuidade.
Temos que ser criativos para que nossos alunos tenham prazer em estudar. O mundo se renova a cada dia e só a escola se mantém atrasada a mais de um século. Vamos avançar de uma vez.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Educar é diferente de ensinar

   Nunca é demais repetir que existe um diferença enorme entre EDUCAR e ENSINAR. Nosso sistema educacional não está voltado para o educar, e por incrível que pareça é totalmente dedicado a ensinar. Mas onde está a diferença e a incongruência?
   Para um aluno ser educado, não é suficiente que ele vá a aula para, no mais das vezes, obter conhecimentos estéreis e não relacionados. Transmitir conhecimento não é Educar. Quando muito, é Ensinar. O problema é que alguém ainda acredite, em pleno século XXI, que algum professor possa ter mais “conhecimento” acumulado que os meios digitais. O que restaria a um professor fazer seria Educar seus alunos. Trabalharia desenvolvendo a MORAL, criando cidadãos que realmente possam conviver em sociedade, elevando o nível social do ambiente que vivem.
   Aquele professor “lente”, orador, escritor de quadro negro, transmissor de conhecimentos … acabou e ele precisa receber treinamento para transcender essa missão que, se em algum momento foi útil, hoje é redundante e sem consequência. Disputar com a Wikipédia ou com a Google sobre quem sabe mais sobre alguma coisa, é besteira. Saber o que fazer com essas coisas acumuladas em bancos de dados de petabytes de capacidade, isso sim faz sentido.
   Importante ressaltar que “treinar professores” não é fazê-los frequentar aulas, seminários, workshops ou qualquer outra coisa que signifique oferecer mais conteúdos. Nesse momento, precisamos treiná-los em Dinâmica de Grupo, ou seja, em técnicas desenvolvidas cientificamente para conduzir os grupos de estudantes ao seu desenvolvimento mental pleno.
   Ainda hoje, a maioria dos professores tem no “poder” uma arma para atuar em sala de aula. Justificam isso frente as enormes dificuldades de comunicação, a indisciplina reinante, a falta de interesse do alunado, enfim … Mas a fórmula não é essa, e isso fica evidente no trabalho de alguns mestres que conseguem se fazer amados por seus alunos. Não são muitos, mas existem, e dão um exemplo formidável que deve ser seguido. O professor deveria ser amado pelos seus alunos, tornando-os seguidores. Os alunos devem gostar de suas matérias, e isso acontece na proporção direta do afeto que o professor transmite e que cria uma relação de alto nível. Afeto, interesse e desenvolvimento andam juntos.
    Mas quando vemos uma LDB (Lei de Diretrizes e Bases) da Educação Nacional baseada em salas de aula para transmissão de conhecimentos, fica claro que isso é ainda uma meta longínqua. Temos que modernizá-la, é claro, mas sabendo que não é a Lei que faz a escola, mas sim seus professores e gestores, que estão atrasado pelo menos em um século.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Um salto para trás - "homeschooling"


“Homeschooling” - você já ouviu falar disso? É o mesmo que “ensinar em casa”, ou coisa parecida. Isso já foi a única alternativa, a única maneira de as crianças obterem conhecimentos gerais, noções de matemática, de português, de geografia... Geralmente isso acontecia através de tutores ou de pais mais esclarecidos, mas certamente não poderia substituir um projeto educacional estruturado, tanto é assim que ao longo do tempo o que vimos foi a criação de um projeto de educação que inclusive tornou obrigatória, por lei, a presença da criança na escola.

O advento das cidades força a criação de um ambiente educacional onde a população possa formar as gerações futuras. Tenta-se padronizar o ensino, criam-se currículos, treinamentos de professores, etc. Nem tudo deu certo e hoje temos um sistema educacional muito ruim, mas ao invés de acabar com ele, devemos é lutar pela sua melhoria. Precisamos dar mais importância à Educação, sim. Com uma escola boa, sim. Com professores bem preparados, sim. Apagar o esforço da sociedade nesse sentido é voltar a uma sociedade que não tem mais espaço no mundo em que vivemos.

Foram feitas leis que obrigam as crianças a estarem por tempo determinado na escola. Por que alguns pais, ao invés de lutar por boas escolas para todos, preferem e lutam para educar seus filho em casa ? Educar é um exagero, porque o que eles estão fazendo e acreditam é em transmitir “conhecimentos” que decidiram ser  importantes para seus filhos. E o argumento é que querem que seus filhos sejam “os melhores”. Melhores com referência a que?

Mas, num modelo como esse, em que momento se dá o desenvolvimento MORAL das crianças? Sem socialização ela não se completa, porque esse desenvolvimento só se dá no encontro com os outros, em dinâmica de grupo. Estes  pais estão muito atrasados quanto a moral,  já que não enxergam a sociedade mas apenas seus filhos. Nós  temos que ver a sociedade como um todo.

Quando estes pais desobedecem  as  leis de forma tão declarada, estão ensinando a seus filhos que as leis não foram feitas para serem obedecidas. Por melhor que seja a intenção  deles, isso corrompe os valores na base da formação dessas crianças. E aí, no período em que seus filhos forem cursar uma universidade, querem que os mesmos entrem no sistema e respeitem as regras. E vai ser assim?  Claro que não.

Primeiro porque o que eles querem nessa fase é que os filhos tenham um diploma universitário, pois essa é uma exigência do mercado de trabalho. Mas que profissionais serão esses que entendem a alternativa a lei como uma possibilidade real?  Que não discutiram regras e valores durante sua formação. Seria mais coerente que seus pais não os levassem a trilhar também a universidade, optando por situações alternativas para ganhar a vida … e não  curvar-se ao sistema depois de tanta rejeição ao mesmo. Por que não radicalizam até o fim?

Gostaria de saber a formação desses pais que acham que conseguem ser melhores do que o sistema vigente em termos de educação. Certamente não serão especialistas, não tiveram treinamento, não estão focados nessa área. Podem até ser bem intencionados em suas propostas, mas se for para resolver um problema de baixa qualidade de ensino, porque não fundam uma escola e imprimem seus valores para serem aplicados por profissionais de verdade, treinados e estudados no assunto?

Um problema importante é que os pais que querem prescindir do sistema educacional - até o momento de aderir a ele - é que os mesmos não fazem a menor idéia de que as escolas não deveriam mais ser transmissoras de conhecimento, mas sim locais para o desenvolvimento pleno da inteligência. Saber coisas, mas não saber o que fazer com elas não é mais educar. E é isso que eles querem repetir, num modelo alternativo?

A luta por melhores escolas é grande e precisamos de todos os aliados para denunciar o que esta acontecendo em nosso sistema. Não precisamos de um modelo ultrapassado que, ainda por cima, seja a repetição de uma fórmula ineficiente.

Beta