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quinta-feira, 21 de abril de 2011

Lauro de Oliveira Lima está na moda

  
Mil novecentos e setenta e um. Jornal do Brasil entrevista Lauro de Oliveira Lima. Ele é a moda, está na moda. Dois mil e onze. Quarenta anos depois. Pesquisando nos arquivos da “Chave do Tamanho”, localizo e releio a matéria e... Lauro está na moda, totalmente na moda. Nada mudou em nosso país quanto a Educação. Temos mais escolas, alunos dentro delas, ninguém aprende nada, muitas reprovações e professores que não ensinam. Outros que não sabem como ensinar. o sistema não cria nada, só reproduz, e vai ficando cada vez mais importante implantar a criatividade como o grande esquema de ação na área educacional brasileira.
Vamos ver o que nos diz essa matéria de quarenta anos atrás. Uma das máximas que fica em destaque é a seguinte:
DIGA COMO É O EXAME E TE DIREI COMO É O SISTEMA ESCOLAR.
 Lauro de Oliveira Lima

Lauro mostra como mudam os nomes, mas nada de substancial muda na educação.

Alguns pensamentos de Lauro:

1) “A juventude é naturalmente mutante, e a educação tradicional é reprodutiva e alienante.”
Porque os pais não questionam este tipo de educação? Eles acham que educação tem que ser daquele jeito como ele entende que aprendeu. As mudanças do mundo não atingem as famílias.

2 ) ”Um belo dia minha filha chega e diz:”vou fazer a prova de recuperação”. Eu já estava meio desligado da sistemática e perguntei: como é que é?” ... “É uma prova lá, de uma matéria que eu não passei”. Quer dizer:  prova de segunda época  virou recuperação. “Ou seja, muda só o nome, pois tudo é uma dramatização.”
A recuperação surgiu para que as crianças tivessem um acompanhamento paralelo e pudessem  realmente colocar em dia as atividades em relação ao seu grupo. O que acontece é que nada é feito, e ai as crianças voltam à escola para fazer outra prova, apenas para passarem de ano. A idéia é que passem, mesmo sem nada saber. São as famosas estatísticas que estão na ordem de prioridade principal
.
3) “Se você comparar o curso primário (fundamental) do Brasil com o francês, o nosso, inteiro, não corresponderia a um ano de escolaridade na França. Dos professores, 60% são mal formados e a maioria não tem o ginasial (segunda fase do fundamental) completo. Em muitos Estados,  ganham a metade do salário-mínimo e até acham razoável, pois  sabem que não estão fazendo nada, não tem aspiração ou critério profissional.”
Tem alguma coisa nesta fala que não seja absolutamente verdadeira? Quantos anos se passaram, mas isso não abala um país sem memória. Sem desenvolvimento educacional continua do mesmo jeito. Será que não tem alguém que denuncie?

4) ”Ai começa a examinose. Ela determina os padrões de ensino. Discutir se tem redação , se tem cruzinhas, é irrelevante, pois do ponto-de-vista do vestibular (ou ENEM) está certo. Qualquer mecanismo que degole é bom. E lógico que esse tipo de prova seleciona um certo tipo de gente. Aliás esse e um problema grave de epistemologia que ninguém nunca analisa.”

Todo o sistema só fica pensando em examinar. Ninguém quer saber de educar e acompanhar 
meticulosamente as crianças e adolescentes para  saber o que devem e o que podem estudar. Exame geral,  passou vai adiante, não passou fica para a próxima vez. Será que ninguém desconfia que não esta dando certo?
5) ”Quando todo o sistema se aglutina num exame, tudo para trás funcionará em função dele. Estes meninos que se preparam para o vestibular e entram nos cursinhos, encontram tudo imitando o vestibular. E é  só pegar um livro do primário, que lá já esta a múltipla escolha.”

O sistema continua assim porque os pais, logo no início da formação escolar, orientados pelo reacionarismo do sistema, procuram escolas que trabalham na linha do sucesso no vestibular. Não questionam esse modelo de avaliação nem a sua permanência, já que há quarenta anos ele prevalece como padrão.  No entanto, não é possível que ele persista porque por maior que seja o interesse econômico em sua manutenção, ainda assim ele não é solução para um mundo em transformação como o que vivemos. Um Brasil do futuro não incorpora soluções paliativas como essa. Ou vamos para o embate verdadeiro, com soluções adequadas e resultados globais, ou não nos sustentaremos como país emergente e potência mundial do amanhã.
Por essas e por tantas outras é que reitero que Lauro de Oliveira Lima, do alto de seus 90 anos comemorados no último dia 12 de abril de 2011, continua inteiramente na moda, e suas opiniões permanecem totalmente atuais. Nada mudou ... e a pergunta é: por quê?
Beta

domingo, 23 de janeiro de 2011

Sistematizando a falta de inteligência

Não é possível que alguém em sã consciência defenda estes monstrengos, batizados de “Sistemas de Ensino”, que foram criados a titulo de ajudar os pobres professores despreparados. Segundo a visão de seus criadores, eles  devem se guiar por um manual com conteúdos medíocres  e pré-definidos, que substituiriam a incapacidade dos mestres em preparar uma aula digna do nome. É a teoria de “fabricar” alunos com conhecimentos homogêneos simplesmente pelo fato de oferecer essa sopa de preparo rápido, desrespeitando por completo o fato de que existem diferentes níveis mentais e esquemas de assimilação.
E fica de fora a questão: e os livros didáticos. Deveríamos usá-los, é claro, mas apresentando os mesmos em várias linhas para que nossos alunos entendam que existem pontos de vista diferentes sobre um mesmo assunto. O risco de não fazer isso é apresentar um mundo estereotipado, não dando oportunidades para o aluno “pensar”. A física pode ser analisada de vários pontos de vista. Centrada na Física Quântica, que sequer é citada nos manuais dos Sistemas de Ensino, ou  em outras linhas já muito estudadas. A Escola é a ultima na linha de atualização cientifica para muitos e os manuais dos “sistemas de Ensino” são os culpados pela falta de percepção da diversidade do mundo.
Não podemos confundir estes monstrengos com PLANEJAMENTO. É óbvio que nenhum professor pode entrar em sala de aula sem um rigoroso planejamento do que vai ser trabalhado com seus alunos. É  o que chamamos de SITUAÇÕES-PROBLEMA no Método Psicogenético de Lauro de Oliveira Lima. Mas os conteúdos devem ser pesquisados em varias fontes, incluindo aí a internet. Não se deve nem sequer adotar apenas um livro para toda a turma. Deveríamos, em uma turma de 30 alunos, oferecer pelo menos 5 livros diferentes para que as informações sejam cotejadas.
Os mestres devem ser treinados não para usar um ”sistema”, porque operar uma coisa como essas não é fazer Pedagogia. Um professor tem que saber  DAR AULA, ou seja,  fazer um planejamento, conhecer o nível de desenvolvimento intelectual de seus alunos, aplicar Dinâmica de Grupo nas atividades, etc. Estes manuais dos “sistemas de Ensino” não são novos livros, mas sim retalhos de livros antigos, reunidos em formatos esteticamente agradáveis mas sem qualquer compromisso real com o ato de ensinar. Quem os produz, acha que pode estabelecer o que  a garotada vai estudar e aprender.  Os verdadeiros manuais são os livros científicos, as publicações que tratam do estado da arte da ciência e é lá que se encontra  a fonte onde a juventude deve beber.
Uma grande falácia é  “julgar” que aula bem planejada é aquela que tem estes “sistemas “ como apoio. Essa é a situação do anti-planejamento, porque ali está “fechado”  o que deverá ser feito, sem nenhum espaço para criticas ou mudanças, que toda pessoa que já entrou em sala de aula sabe que se fazem necessárias. Uma pessoa que defende estes sistemas provavelmente nunca deu aulas para crianças de 3/4/5/6/7/8/9 anos. Tem que ter um planejamento rigoroso e com variáveis de mudanças caso a atividade não corresponda ao tempo ou ao nível das crianças. Estou falando apenas de alguns  níveis para não radicalizar, pois estes fatos acontecem em todos os níveis de desenvolvimento. Fazer estes “sistemas” é uma coisa que conduz a uma atitude totalmente arbitrária por parte do professor, até porque entrar em sala de aula para ensinar é uma coisa totalmente diferente e muito mais difícil do que isso que é proposto pelos tais sistemas. Outra grande mentira é dizer que só uns poucos privilegiados (provavelmente quem faz e vende estes “sistemas”) tem capacidade de criar boas aulas. Vocação é uma coisa que não mais é tratada nesse início do século XXI. Todos podem ensinar, se forem bem preparados para o magistério e se for dada a chance de criar.
Eu acho inacreditável que alguém que defende essa excrescência chamada de “sistema de ensino” possa ter o desplante de falar em “em provas que puxem pelo intelecto e não pela decoreba”. Olhem as apostilas e veja se há alguma coisa ali que tenha como base o desenvolvimento da inteligência? Só tem conteúdos cortados pela metade, para preparar os alunos para exames que eles acreditam que sejam o passaporte para o futuro. Acho que discutir este assunto é problema de SEGURANCA NACIONAL. Com gerações sendo preparadas com essa educação enlatada, o que teremos para o futuro? Como vamos enfrentar o mundo que vai se desenhando para os anos vindouros? Como vamos enfrentar os desafios AGORA!  Vamos denunciar para poder mudar. Só os administradores de escolas mais desavisados e que não querem desenvolver realmente a educação, tomam como base de ensino esses “sistemas”. Divisão de trabalho não é o que esta sendo dito. Isto é uma imposição dentro do trabalho intelectual do magistério.
Quanto mais o Brasil incorporar esses “sistemas”, mais estaremos próximos do ensino catastrófico que é citado.
Os municípios que adotaram estes “sistemas” estão à frente? Do ótimo ou do péssimo? Não adianta ser melhor do que o que é muito ruim. Vamos pensar todos juntos, vamos capacitar os professores e não torná-los idiotas que seguem uma cartilha desenhada em PowerPoint. Prefiro desenhos das crianças e adolescentes.
E finalmente, os produtores de sistemas de ensino chegam ao cúmulo de comparar um PROFESSOR a um piloto de Airbus. Sem querer desmerecer o piloto, sabemos que um Airbus só faz aquilo para o qual foi programado e o piloto pode seguir as regras religiosamente. Já um grupo de adolescentes dentro de uma sala é muito mais do que isso, porque fazem combinatórias que devem ser atendidas pelos seus professores.
Crianças e adolescentes pensam, movimentam-se, tem sentimentos (afetividade), logo precisam de um professor que use todas estas vertentes em seu planejamento
O novo professor é o estimulador da aprendizagem.
Para Piaget “TUDO QUE SE ENSINA A UMA CRIANCA IMPEDE QUE ELA INVENTE OU DESCUBRA”