Gostaria que todos os meus amigos prestassem atenção a esse documento, que faz parte de um grande movimento em prol da Educação no Brasil, que está se consolidando a partir das ações que estão descritas no mesmo.
Boa leitura,
Beta
Mostrando postagens com marcador educadores. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador educadores. Mostrar todas as postagens
sábado, 26 de outubro de 2013
segunda-feira, 30 de abril de 2012
Quem queremos formar?
![]() |
| Consciência do efeito formador de nossas ações sobre as crianças |
“Quem se propõe a educar admite, implícita e necessariamente, que a natureza humana, em seu sentido sociológico, é modificável; que a constituição progressiva da personalidade se processa com ampla plasticidade, permitindo ao educador interferir no processo, restando saber apenas a forma e a profundidade dessa intervenção; que se pode guiar o crescimento e a maturação para alguma “forma” que corresponda a determinado ideal de homem. Sendo ideal, esta “visão de homem” é aspiração que se apoia na constatação das possibilidades de aperfeiçoamento progressivo, visível na natureza em geral.” Lauro de Oliveira Lima – Educar para a Comunidade
Sabendo disso nós, os educadores e pais, devemos estar conscientes do efeito formador que nossas ações terão sobre as crianças e adolescentes. Os pais, pois, não podem, como os professores, desconhecerem os níveis de desenvolvimento pelos quais seus filhos passam para poder atender as solicitações que cada nível requer.
Vendo um bebe recém-nascido, tomamos consciência de que o desenvolvimento é gradual e lento. Temos que oferecer as condições e aguardar que a criança faça as assimilações e acomodações necessárias ao seu nível. Os bebes não sabem nem mamar ao nascer. Sabem sugar como um reflexo e devemos aguardar que aprenda a mamar mesmo sacrificando e muito sua mãe.
Sabemos que temos a constituição biológica que não vai ser alterada e que apenas vai interagir com o meio. As modificações vão ficar a cargo do psicológico e sociológico.
Para ter um bom encaminhamento do desenvolvimento, precisamos definir, de forma objetiva, que homem queremos formar, para que todo nosso esforço vá em uma só direção. Não devemos esquecer que esta visão devera ser traduzida em ações. Tudo que nós fazemos será observado pelas crianças que estamos educando. Não podemos ter pais transgressores com crianças em busca de desenvolvimento correto. As crianças vão copiar aquilo que elas estão vendo em seus pais e educadores. Daí a grande importância dos pais conhecerem cuidadosamente a ideologia das escolas que escolhem para seus filhos. A ideia inicial era que a escola apenas transmitia conhecimentos, daí não ter a menor importância a ideologia, mas hoje sabemos que a influencia das escolas é bem maior. As famílias não estão mais em casa educando seus filhos. Estão no mercado de produção e, muitas vezes, deixam ao encargo de terceiros esta educação e, quando são muito esclarecidos, a cargo das escolas.
Todas as pessoas que lidam com as crianças vão ter uma interferência em graus diferenciados na formação delas. Temos então que saber com quem nossos filhos vão conviver.
sexta-feira, 20 de maio de 2011
Carta Aberta para Professora
Carta aberta
Cara Professora Amanda Gurgel
Vi seu depoimento varias vezes. Ótimo denunciar. Quando a gente não corre o risco de perder o emprego, melhor ainda. Quando se ganha mais de 2.000,00 reais e não está na função, ainda mais. Sou educadora e crítica do sistema a mais de 30 anos. Meu pai, a mais de 50 vem criticando e trabalhando. Primeiro no serviço publico, ate ser aposentado pelo Ditador Castelo Branco nos idos de 1964. Depois, correndo o Brasil como “caixeiro viajante”, dando cursos onde o queriam por ter sido banido pelo golpe militar. Então acho que posso falar com isenção.
Você tem razão quanto às condições em geral das escolas e a falta de vontade política de nossos gestores, mas deixar os professores de fora e parecer que são pobres coitados tem uma grande diferença. Os professores não estão isentos. São os maiores culpados do estado em que nossa educação se encontra. Ao longo de minha vida ( e eu perguntei a meu pai que acaba de completar 90 anos, se também se havia presenciado), nunca vimos professores fazerem greve por treinamento e melhores condições de trabalho intelectual, como por exemplo a assinatura de uma revista, uma biblioteca que merecesse receber esse nome, livros atualizados e de bom nível, etc. É sempre a questão salarial, que é grave, mas não tão grave quanto o valor do salário mínimo de nosso pais. Todas as profissões que não são respeitadas são aviltadas em sua remuneração. Logo, temos que ser bons para poder ter a sociedade nos respeitando e lutando junto conosco . Você já notou que em todas as greves de professores a sociedade está contra a categoria? Será que estamos fazendo nosso trabalho? Por que as crianças não aprendem a ler.
Chega de desculpar o professor porque ganha mal, pois ele ganha mal porque trabalha mal. Vamos ser realistas e começar a pensar como mudar este circulo vicioso. ESTUDAR deveria ser a norma geral. Não faltar as aulas, outra norma. Não ficar cedido a outras funções outra, e assim poderia listar 10, 20 itens sobre nossos professores.
Escrevi uma matéria Professores: Promessas para 2011 e não vejo nada acontecendo. Vamos chamar atenção dos professores, ao invés de jogar toda a culpa nos gestores. Por que não tomamos “o pinhão na unha” – como se diz no nordeste- fazendo tão bem feito nosso trabalho que as atenções se voltem para nós, mas agora positivamente. Será que acreditamos mesmo que somos ótimos e que toda a sociedade esta em complô contra nós.
Por que tantos professores estão fora de suas funções? Por que os nossos alunos não nos respeitam? Ouço historias contadas por meu pai, quando estava em sala de aula em escola publica e era adorado e respeitado por seus alunos. Alunos que até hoje fazem homenagens a ele como seu eterno mestre. Será que os professores de hoje serão lembrados por seus alunos, não digo daqui a 50 anos, mas daqui a 5 anos?
Um abraço
Beta
Veja também a matéria que escrevi para os professores no início desse ano de 2011:
http://beta-escoladepais.blogspot.com/2011/01/professores-promessas-para-2011.html
segunda-feira, 16 de maio de 2011
"Ingnorância também é curtura"
![]() |
| "os livro foi emprestado..." |
Choque. Não é incomum, mas acho que estamos quase todos espantados com as notícias que estão atingindo todos os órgãos de imprensa sobre um livro, cheio de erros de português, assumidamente aceitos como normais pela autora e, pasmem ... distribuídos pelo Ministério da Educação! E não em modestas proporções, mas para quase meio milhão de alunos da rede pública.
Mas não é só isso. Outros livros distribuídos pelo MEC já foram denunciados por erros absurdos de dados científicos. Conselhos condenam Monteiro Lobato por racismo e retiram sua obra até que haja uma revisão da mesma para que o contexto seja explicado. Tiram Lobato e colocam “os livro ilustrado mais interessante estão emprestado”
Segundo o MEC, o livro está em acordo com os PCNs (Parâmetros Curriculares Nacionais) --normas a serem seguidas por todas as escolas e livros didáticos. E isso dá o que pensar:
1) Como o MEC seleciona os livros didáticos que distribui? E se seleciona, não é responsável por essa seleção?
2) Como é que compra milhões em livros sem garantir a qualidade.
Embora tenha havido uma verdadeira comoção com esse fato – livros com erros de português avalizados como normais e contextualizados – o que realmente chama a atenção é a falta total de uma política educacional no Brasil. Os analfabetos, por exemplo, não despertam toda essa celeuma, e no entanto o analfabetismo é um problema extremamente grave e muito mais sério. Que mal há se as crianças receberem ou não os livros; eles não sabem ler mesmo, e os livros vão terminar o ano incólumes. E os alunos também. No entanto, o problema recai sobre o gasto abusivo com alguma coisa tão desnecessária para nossos estudantes tão necessitados. Efetivamente, seria melhor comprar livros de história para crianças, pois assim elas poderiam realmente ler e até levar para casa, quem sabe disseminando cultura e possuindo alguma coisa que vá, de fato, fazer diferença em suas vidas.
Fico pensando também em quem conseguiu vender esse livro para o MEC? Especialistas altamente treinados e imersos nos meandros burocráticos e políticos, conhecedores do passo a passo e experts em cumprir as etapas. Não necessariamente abnegados e devotados defensores do saber. Sim, porque a dificuldade em se colocar alguma coisa boa nesse processo é praticamente impossível, porque passar pela malha complexa que foi criada é muito difícil, diria mesmo que impraticável.
Se o Ministério da Educação tivesse comprado alguns exemplares do livro “Por uma vida melhor”, da ONG Ação Educativa e entregue a algumas escolas, para suscitar a discussão dentro das salas de aula, estaríamos frente a um mal menor – sempre um mal, mas menor. Ma distribuir para 4.236 escolas do país, sem que isso faça parte de um plano educacional maior, indo contra a tudo o que se ensina e pratica como sendo um padrão ... aonde querem chegar?
O fato concreto é que isso praticamente empurra a prática do ensino de português para uma beco sem saída. Se já é difícil ensinar a norma culta, com um argumento contrário como esses, avalizado pelo próprio Ministério da Educação, que saída tem o professor senão aceitar tudo o que vier? Pode, não pode? Não, não pode. Um livro desses é um perigo social. Será que as crianças de baixa renda querem falar assim? Lembrem-se que Piaget já tinha identificado que os bebês falam errado, mas buscam a linguagem socializada para serem compreendidos.
Crianças de classes sociais mais desfavorecidas economicamente, tem vergonha de seus pais que “falam errado” porque não freqüentaram a escola. Ainda que a escola tenha todos os seus problemas, serve para alguma coisa ainda, e ensinar a ler e escrever deveria ser o básico e fundamental.
O fato é que estamos sempre nos atendo a coisas pontuais – que são muitas – mas não discutimos o ponto crucial disso tudo: não temos uma POLITICA DE EDUCAÇÃO. Enquanto estamos vendo essa gritaria, esquecemos de pressionar pela verdadeira grande solução dos problemas educacionais brasileiros. E os gestores vão mergulhando em suas estatísticas geradas pelos exames e mais exames que vão sendo impostos a alunos que, ao final, saem sem qualquer qualificação adequada ao mercado de trabalho atual e futuro.
Ao final disso tudo, fica a nota de ironia. “Viver e Aprender”, nome da coleção, é bem diferente do que está no livro “Por uma vida melhor”, que não vai melhorar a vida de ninguém.
sábado, 14 de maio de 2011
Educação Digital ou impressão digital...
(veja a matéria do Jornal Nacional, que fala sobre a evasão no ensino médio clicando aqui Jornal Nacional (11 de março 2011)
É mais do que evidente que estamos na Era Digital, mas o curioso é que nossas escolas estão na Idade da Pedra Lascada ainda. Professores continuam DANDO AULA!!! Cuspe e giz. E ainda não ficou claro que os alunos não estão interessados nisso? Que é preciso utilizar novas metodologias para despertar o interesse pela escola? O índice de abandono no Ensino Médio dá bem a proporção que as coisas tomaram. Curiosamente, em todas as atividades humanas nos dias de hoje os clientes são os primeiros consultados ... menos na Educação. Continuamos a impingir às novas gerações coisas que nenhuma empresa no mundo teria a desfaçatez de fazer, porque certamente quebraria em menos de um ano, por mais poderosa que fosse.
E aí vou lendo o que está sendo proposto para trabalhar o digital nas escolas, e não entendo como é que se quer chegar a algum lugar com esse tipo de pensamento. Curiosamente, crianças e adolescente já estão todos em REDE, usando os mais diferentes gadgets para se conectar, conversar, comprar, vender, trocar, etc. Os professores, por outro lado (pesquisa recente) não sabem nem usar, rudimentarmente, o desktop (pasme, isso mesmo, aquele monstrengo que ocupava nossas mesas e inundava nosso espaço de fios!). Num mundo de Ipad, Ipod, MP15, celular com TV Digital, GPS, acesso 3G, WiFi e todo tipo de recurso portátil – para não falar de notebooks e netbooks – ainda tem professor que acha que informática é coisa fora do contexto de sua atividade.
E o que está sendo proposto? O Ministério da Educação insiste em dar computadores aos alunos e professores, criando um padrão de uso a partir de um programa intitulado “Aulas Digitais”. Ora, sem a formação dos docentes, não haverá quem utilize esses equipamentos no trabalho com crianças e adolescentes. Se não há uma metodologia de ponta, para que dispor de equipamentos digitais? O que será feito com esse monte de chips? Primeiro temos que mudar a metodologia de ensino, para depois introduzir a tecnologia em sala de aula. No mundo empresarial, segundo um amigo meu, ter um processo administrativo ruim é um caos, mas informatizar um processo administrativo ruim é ter “um caos à velocidade da luz”. Ou seja, o que era ruim, mas demorava para acontecer, torna-se ruim em fração de segundos. Uma venda mal feita, que podia ser corrigida ao longo do processo, passa a ser uma venda mal feita a cada minuto. O resultado disso é que a empresa quebra muito mais rápidamente quando informatiza processos arcaicos. No caso da Educação, não será diferente. A inutilidade de colocar operadores ineptos para conduzir aulas com equipamentos tecnologicamente avançados continuará sendo o desastre que se apresenta nos vários contextos em que isso acontece.
A necessidade de aplicação de tecnologia não pode ser negada, mas não podemos, ingenuamente, achar que ela, sozinha, é a solução para o nosso tão atrasado sistema educacional. Nosso problema mais grave continua sendo a formação do professor.
Instrumentalizar a escola com equipamentos digitais é caro. Eles precisam ser atualizados com freqüência, até porque são fabricados com a chamada “obsolescência programada”. Quando você acha que está no topo da cadeia, em pouco tempo já caiu. De “high end” para “low end” é um pulo. No entanto, o professor não passa quase nunca por atualizações e permanece como gestor do processo, e ninguém se toca que isso não dá resultado.
Por que será que não se treinam os professores? Imagino que por medo... Se houvesse uma política de mobilização dessa magnitude, seriam feitas mudanças tão radicais que os políticos, penso eu, ficam com medo de testar essa hipótese. Ninguém quer mudar tanto, até porque seria preciso uma alta capacidade de adaptação, de competência inovadora e de coragem. Mas o resultado seria outro, muito melhor do que os apresentados até então.
Computadores encantam a todos, mas não fazem uma revolução metodológica. Revolucionar seria dizer: não ensine nada, porque os conteúdos que você vai passar estarão armazenados nos sistemas de dados e muitos, em pouco tempo, estarão obsoletos. Uma verdadeira arrancada metodológica tem que ser feita com a utilização de Dinâmica de Grupo, para desenvolver o que realmente importa, que é a inteligência e a criatividade das crianças para que elas possam mudar o mundo a partir das informações e equipamentos que terá a disposição. Não podemos querer ainda que a cabeça de uma criança faça a mesma função de um HD de 1 terabyte. Não é para isso que dispomos de tantos recursos mentais. Vamos usar esse enorme potencial do cérebro para que as crianças possam ser criadoras de idéias.
É mais do que evidente que estamos na Era Digital, mas o curioso é que nossas escolas estão na Idade da Pedra Lascada ainda. Professores continuam DANDO AULA!!! Cuspe e giz. E ainda não ficou claro que os alunos não estão interessados nisso? Que é preciso utilizar novas metodologias para despertar o interesse pela escola? O índice de abandono no Ensino Médio dá bem a proporção que as coisas tomaram. Curiosamente, em todas as atividades humanas nos dias de hoje os clientes são os primeiros consultados ... menos na Educação. Continuamos a impingir às novas gerações coisas que nenhuma empresa no mundo teria a desfaçatez de fazer, porque certamente quebraria em menos de um ano, por mais poderosa que fosse.
E aí vou lendo o que está sendo proposto para trabalhar o digital nas escolas, e não entendo como é que se quer chegar a algum lugar com esse tipo de pensamento. Curiosamente, crianças e adolescente já estão todos em REDE, usando os mais diferentes gadgets para se conectar, conversar, comprar, vender, trocar, etc. Os professores, por outro lado (pesquisa recente) não sabem nem usar, rudimentarmente, o desktop (pasme, isso mesmo, aquele monstrengo que ocupava nossas mesas e inundava nosso espaço de fios!). Num mundo de Ipad, Ipod, MP15, celular com TV Digital, GPS, acesso 3G, WiFi e todo tipo de recurso portátil – para não falar de notebooks e netbooks – ainda tem professor que acha que informática é coisa fora do contexto de sua atividade.
E o que está sendo proposto? O Ministério da Educação insiste em dar computadores aos alunos e professores, criando um padrão de uso a partir de um programa intitulado “Aulas Digitais”. Ora, sem a formação dos docentes, não haverá quem utilize esses equipamentos no trabalho com crianças e adolescentes. Se não há uma metodologia de ponta, para que dispor de equipamentos digitais? O que será feito com esse monte de chips? Primeiro temos que mudar a metodologia de ensino, para depois introduzir a tecnologia em sala de aula. No mundo empresarial, segundo um amigo meu, ter um processo administrativo ruim é um caos, mas informatizar um processo administrativo ruim é ter “um caos à velocidade da luz”. Ou seja, o que era ruim, mas demorava para acontecer, torna-se ruim em fração de segundos. Uma venda mal feita, que podia ser corrigida ao longo do processo, passa a ser uma venda mal feita a cada minuto. O resultado disso é que a empresa quebra muito mais rápidamente quando informatiza processos arcaicos. No caso da Educação, não será diferente. A inutilidade de colocar operadores ineptos para conduzir aulas com equipamentos tecnologicamente avançados continuará sendo o desastre que se apresenta nos vários contextos em que isso acontece.
A necessidade de aplicação de tecnologia não pode ser negada, mas não podemos, ingenuamente, achar que ela, sozinha, é a solução para o nosso tão atrasado sistema educacional. Nosso problema mais grave continua sendo a formação do professor.
Instrumentalizar a escola com equipamentos digitais é caro. Eles precisam ser atualizados com freqüência, até porque são fabricados com a chamada “obsolescência programada”. Quando você acha que está no topo da cadeia, em pouco tempo já caiu. De “high end” para “low end” é um pulo. No entanto, o professor não passa quase nunca por atualizações e permanece como gestor do processo, e ninguém se toca que isso não dá resultado.
Por que será que não se treinam os professores? Imagino que por medo... Se houvesse uma política de mobilização dessa magnitude, seriam feitas mudanças tão radicais que os políticos, penso eu, ficam com medo de testar essa hipótese. Ninguém quer mudar tanto, até porque seria preciso uma alta capacidade de adaptação, de competência inovadora e de coragem. Mas o resultado seria outro, muito melhor do que os apresentados até então.
Computadores encantam a todos, mas não fazem uma revolução metodológica. Revolucionar seria dizer: não ensine nada, porque os conteúdos que você vai passar estarão armazenados nos sistemas de dados e muitos, em pouco tempo, estarão obsoletos. Uma verdadeira arrancada metodológica tem que ser feita com a utilização de Dinâmica de Grupo, para desenvolver o que realmente importa, que é a inteligência e a criatividade das crianças para que elas possam mudar o mundo a partir das informações e equipamentos que terá a disposição. Não podemos querer ainda que a cabeça de uma criança faça a mesma função de um HD de 1 terabyte. Não é para isso que dispomos de tantos recursos mentais. Vamos usar esse enorme potencial do cérebro para que as crianças possam ser criadoras de idéias.
segunda-feira, 2 de maio de 2011
Super-Homem fará escala no Brasil?
“Esperando o Super-Homem, documentário produzido por Bill Gates sobre o ensino público americano vem novamente aparecendo na mídia por ter sido demolidor para o sistema de ensino público americano. Já tinha escrito sobre esse filme aqui no blog, e fico me perguntando se, fazendo um filme correlato no Brasil, o que aconteceria com o nosso sistema de ensino?
No documentário de Bill Gates, o educador Geoffrey Canada mostra usa experiência na área e faz propostas para a mudança na maneira como os americanos devem preparar suas futuras gerações em termos de ensino. Sua proposta de trabalho já atinge 10 mil estudantes em uma área permeada de conflitos, em Nova York. Ele aponta como grande problema o trabalho do mal professor, acusando-o de ser o grande responsável pelo fracasso dos alunos – da mesma forma acontece entre nós, brasileiros, mas ninguém ainda se deu conta disso. O formidável no discurso de Canada, é que ele tem a coragem de falar dos professores nos USA, onde os sindicatos são os grandes patrocinadores de campanhas eleitorais, assumindo todos os riscos inerentes. E mais ainda, age de maneira positiva, responsabilizando individualmente aqueles que não têm compromisso com sua atividade profissional e retirando-os de sala de aula através de novos procedimentos administrativos. Ele rompe aquela situação morna de saber dos fatos e não agir. Ter produzir estatísticas que não levam a nada.
O fato é que ele está revendo as políticas públicas para mudar o curso das coisas, tendo idéias inovadoras que estão revolucionando o sistema de ensino público americano. Como se diz freqüentemente nos dias de hoje, está mudando o paradigma da educação pública americana.
Os caminhos convencionais não estão se apresentando como solução para os problemas que surgem a toda hora nesse campo, e sua aplicação tem-se mostrado lenta e ineficiente. O mundo vem buscando alternativas, exatamente porque o que se convencionou chamar de Educação não está atendendo ao que hoje se apresenta como mercado. Nós, aqui no Brasil, poderíamos sair cantando pneu, até porque estamos na estaca zero em termos educacionais. Poderíamos fazer algo inusitado e sair bem na frente dos países que, antes de criar alguma novidade, estão tentando consertar o que não está dando certo. Seria uma vantagem competitiva formidável essa.
O nosso grande problema é essa mania de produzirmos propagandas elaboradas, com números impressivos, para tapar o sol com a peneira. Provavelmente, as camadas mais pobres da população acredita nisso, porque sua realidade é de tal forma difícil que, tendo algum lugar para levar seus filhos, onde eles sejam alimentados e estejam seguros no horário em que os pais estão trabalhando, já é uma benção. Mas isso vai formar os profissionais do futuro? Claro que não. No nosso sistema educacional, o que é considerado muito bom ainda é muito ruim...
Quando notou-se que a escola tinha um alto índice de repetência, criou-se a aprovação automática. Alunos não querem assistir aulas e por isso adoram os professores que não querem dar aulas. Mesmo quando alguns professores dão aulas, não tem domínio sobre seus alunos. Ninguém se pergunta como é que um profissional de ensino pode dar aula numa turma com 40 ou 50 alunos, de idades variadas e em vários estágios de desenvolvimento mental...?
Fica difícil...
quinta-feira, 21 de abril de 2011
Lauro de Oliveira Lima está na moda
Mil novecentos e setenta e um. Jornal do Brasil entrevista Lauro de Oliveira Lima. Ele é a moda, está na moda. Dois mil e onze. Quarenta anos depois. Pesquisando nos arquivos da “Chave do Tamanho”, localizo e releio a matéria e... Lauro está na moda, totalmente na moda. Nada mudou em nosso país quanto a Educação. Temos mais escolas, alunos dentro delas, ninguém aprende nada, muitas reprovações e professores que não ensinam. Outros que não sabem como ensinar. o sistema não cria nada, só reproduz, e vai ficando cada vez mais importante implantar a criatividade como o grande esquema de ação na área educacional brasileira.
Vamos ver o que nos diz essa matéria de quarenta anos atrás. Uma das máximas que fica em destaque é a seguinte:
DIGA COMO É O EXAME E TE DIREI COMO É O SISTEMA ESCOLAR.
Lauro de Oliveira Lima
Lauro mostra como mudam os nomes, mas nada de substancial muda na educação.
Alguns pensamentos de Lauro:
1) “A juventude é naturalmente mutante, e a educação tradicional é reprodutiva e alienante.”
Porque os pais não questionam este tipo de educação? Eles acham que educação tem que ser daquele jeito como ele entende que aprendeu. As mudanças do mundo não atingem as famílias.
2 ) ”Um belo dia minha filha chega e diz:”vou fazer a prova de recuperação”. Eu já estava meio desligado da sistemática e perguntei: como é que é?” ... “É uma prova lá, de uma matéria que eu não passei”. Quer dizer: prova de segunda época virou recuperação. “Ou seja, muda só o nome, pois tudo é uma dramatização.”
A recuperação surgiu para que as crianças tivessem um acompanhamento paralelo e pudessem realmente colocar em dia as atividades em relação ao seu grupo. O que acontece é que nada é feito, e ai as crianças voltam à escola para fazer outra prova, apenas para passarem de ano. A idéia é que passem, mesmo sem nada saber. São as famosas estatísticas que estão na ordem de prioridade principal
.
3) “Se você comparar o curso primário (fundamental) do Brasil com o francês, o nosso, inteiro, não corresponderia a um ano de escolaridade na França. Dos professores, 60% são mal formados e a maioria não tem o ginasial (segunda fase do fundamental) completo. Em muitos Estados, ganham a metade do salário-mínimo e até acham razoável, pois sabem que não estão fazendo nada, não tem aspiração ou critério profissional.”
Tem alguma coisa nesta fala que não seja absolutamente verdadeira? Quantos anos se passaram, mas isso não abala um país sem memória. Sem desenvolvimento educacional continua do mesmo jeito. Será que não tem alguém que denuncie?
4) ”Ai começa a examinose. Ela determina os padrões de ensino. Discutir se tem redação , se tem cruzinhas, é irrelevante, pois do ponto-de-vista do vestibular (ou ENEM) está certo. Qualquer mecanismo que degole é bom. E lógico que esse tipo de prova seleciona um certo tipo de gente. Aliás esse e um problema grave de epistemologia que ninguém nunca analisa.”
Todo o sistema só fica pensando em examinar. Ninguém quer saber de educar e acompanhar
meticulosamente as crianças e adolescentes para saber o que devem e o que podem estudar. Exame geral, passou vai adiante, não passou fica para a próxima vez. Será que ninguém desconfia que não esta dando certo?
5) ”Quando todo o sistema se aglutina num exame, tudo para trás funcionará em função dele. Estes meninos que se preparam para o vestibular e entram nos cursinhos, encontram tudo imitando o vestibular. E é só pegar um livro do primário, que lá já esta a múltipla escolha.”
O sistema continua assim porque os pais, logo no início da formação escolar, orientados pelo reacionarismo do sistema, procuram escolas que trabalham na linha do sucesso no vestibular. Não questionam esse modelo de avaliação nem a sua permanência, já que há quarenta anos ele prevalece como padrão. No entanto, não é possível que ele persista porque por maior que seja o interesse econômico em sua manutenção, ainda assim ele não é solução para um mundo em transformação como o que vivemos. Um Brasil do futuro não incorpora soluções paliativas como essa. Ou vamos para o embate verdadeiro, com soluções adequadas e resultados globais, ou não nos sustentaremos como país emergente e potência mundial do amanhã.
Por essas e por tantas outras é que reitero que Lauro de Oliveira Lima, do alto de seus 90 anos comemorados no último dia 12 de abril de 2011, continua inteiramente na moda, e suas opiniões permanecem totalmente atuais. Nada mudou ... e a pergunta é: por quê?
Beta
segunda-feira, 18 de abril de 2011
Tablets nas Escolas Públicas
O ministro da Educação, Fernando Haddad esta mandando fazer um estudo para utilização dos tablets (computadores portáteis sensíveis ao toque) para serem utilizados nas escolas publicas. Diz ele que a tecnologia está muito distante ainda das salas de aula.
Será que tem importância o uso desta tecnologia quando os alunos nem aulas tem e não tem ainda um moderno sistema pedagógico? Será que não é uma forma de disfarçar o problema que temos na educação? Os professores já são usuários desta tecnologia? Não, não são. Quase nenhum deles, pode-se dizer, realmente fazem o uso adequado dos equipamentos mais usuais, necessitando de treinamentos em massa para que sejam usuários básicos, usando computadores em suas rotinas de trabalho. Não estamos falando em serem programadores e criadores de material. Eles raras vezes utilizam para planejarem suas aulas ou fazerem atividades para seus alunos. A grande maioria não acessa as redes de relacionamento em que seus alunos já são usuários assíduos.
Quais os programas das Secretarias de Educação visando a utilização real dos computadores? Dar computadores não causa nos professores a idéia de que tem que utilizá-lo no dia a dia. Os alunos estão bem mais adiantados neste e em vários outros quesitos, em relação a seus professores. Temos que nos comprometer primeiro com o treinamento dos professores para depois eles repassarem esta tecnologia para a sala de aula. Será que ela é um fator determinante? Temos que fazer um longo caminho para atingirmos este programa. Nossos professores não sabem sequer prender a atenção de seus alunos para transmitir conhecimento. Vejam o índice de repetência. Não são as crianças que não querem aprender, são os professores que não sabem ensinar. Nossos alunos estão sem interesse pelas escolas
Os professores estão tão fora do sistema que não vêem o bullying acontecendo em suas salas de aula. Onde eles estão? Estão concentrados em falar aos alunos, “transmitindo” conteúdos que os alunos não recebem.
Temos que fazer um mutirão gerenciado pelo nosso Ministro para ensinar nossos professores a ensinar. Não podemos nos desviar do caminho. Treinamento já. Estamos correndo o risco de ficar com a carreira tão esvaziada que, num futuro próximo, não teremos professores.
Pergunte se os alunos gostam das escolas? Qual o professor preferido? Como são tratadas as crianças com necessidades especiais?
Don Tapscott diz “Não vivemos na era da informação. Estamos na era da colaboração. A era da inteligência conectada.” Será que estamos preparados para isso no nosso sistema escolar? Não. Estamos atrasados por uns 50 anos e não há mais tempo. Já perdemos a corrida com a China. Vamos ficar sentados dando computadores que ninguém sabe utilizar? Na época da corrida espacial os EUA estavam atrás da União Soviética. Fizeram então um movimento radical chamando cientistas da Suíça para organizarem o programa de ciências e assim ficarem competitivos. Chegaram a Lua. E nós, o que estamos fazendo para recuperar o nosso triste sistema educacional? Nossos alunos não sabem nada e nossos professores também não. O que fazer?
Treinar os professores é fazer uma avaliação nos nossos currículos e programas.
Beta
segunda-feira, 11 de abril de 2011
Aniversário de Lauro de Oliveira Lima
Essa semana, meu pai comemora seus 90 anos de existência. E por conta disso, estou recebendo várias manifestações e votos de felicidades, que gostaria de compartilhar com todos vocês. Uma delas vem do grande amigo Odorico Bemvindo, atualmente na Venezuela, que escreveu as linhas abaixo. Vou colocar aqui todas as mensagens recebidas por mim nesse momento de alegria.------------------------------------------------------------------------------
Date: Sun, 10 Apr 2011 12:03:14 -0400
Oi Beta, enviei esse pequeno texto aí embaixo a alguns comunicadores. É um texto bem concreto, fácil e rápido de ler. Sei que você está atuando muito mais nesse sentido mas sempre é bom aumentar um pouquinho a lista. Quem sabe?
Olha Beta, espero de coraçao que tudo nesta semana saia como ele merece e como você deseja.
Um beijo
Odo
Esta semana o Professor Lauro de Oliveira Lima faz seu aniversário 90. Além das merecidas homenagens, sabemos todos que a resolução de muitos dos nossos problemas passam pela educação. Revisar com esmero a grande obra desse ilustre professor cearense é algo que certamente vai nesse sentido. Não há, pois, porque não fazê-lo.
Oi Beta, enviei esse pequeno texto aí embaixo a alguns comunicadores. É um texto bem concreto, fácil e rápido de ler. Sei que você está atuando muito mais nesse sentido mas sempre é bom aumentar um pouquinho a lista. Quem sabe?
Olha Beta, espero de coraçao que tudo nesta semana saia como ele merece e como você deseja.
Um beijo
Odo
Esta semana o Professor Lauro de Oliveira Lima faz seu aniversário 90. Além das merecidas homenagens, sabemos todos que a resolução de muitos dos nossos problemas passam pela educação. Revisar com esmero a grande obra desse ilustre professor cearense é algo que certamente vai nesse sentido. Não há, pois, porque não fazê-lo.
--------------------------------------------------------------------------
domingo, 20 de fevereiro de 2011
Como ajudo na Educação de meu filho?
Como educadora, vou ficando preocupada quando leio na mídia artigos que insinuam aos pais que eles devem influenciar na aprendizagem de seus filhos. Pais, na sua esmagadora maioria, não estão preparados para isso. Mesmo aqueles que acumulam a função de pai a de professor reconhecem que aquela máxima do “santo de casa não faz milagre” prevalece nessa questão. Pai é pai e já tem uma enorme responsabilidade na formação da criança. Não queira acumular aquelas atividades para as quais não foi preparado, treinado, especializado. Vai dar problema, pode acreditar.
Estamos sendo convencidos, ao longo do tempo, de que auto-medicação é uma coisa perigosíssima. Ainda nos automedicamos principalmente pela dificuldade de acesso a médicos, o que explica a existência de inúmeros profissionais de outras áreas que se arriscam em receitar isso ou aquilo para tratarmos da nossa saúde. Sabemos que o ideal é um profissional preparado fazer o diagnóstico e em seguida receitar o medicamento. Estamos caminhando para isso. Mas se nossa saúde é tão importante, porque Educação não é? O que nos faz achar que podemos resolver um problema tão complexo de uma maneira tão simplória?
Não sendo o pai um profissional de Educação, o que ele pode fazer para que seu filho se desenvolva, cresça, aprenda, seja inteligente, etc?
Uma séria de coisas podem e devem ser feitas pelos pais. A primeira delas é A M A R seus filhos, dar condições intelectuais para seu desenvolvimento, fazer a escolha da escola de acordo com as mais novas metodologias existentes, não ter a preocupação de analisar a arquitetura do estabelecimento mas sim o que eles fazem ali dentro em termos de Educação. Coisas como estar junto a residência ou ter seu nome nos jornais ou televisão não são avalizadores de qualidade. Pode ser cômodo ter uma escola a uma quadra de casa, mas certamente pode ser desastroso no futuro, quando os resultados de anos de educação equivocada se apresentarem na forma de um fracasso escolar enorme para seu filho. Nem o ENEM deve servir de referencial absoluto, de chancela de valor.
Converse na escola, fale com pais que tenham seus filhos ali há mais tempo, veja quem são os ex-alunos, o que estão fazendo e como se sentiam quando eram alunos. Quais as lembranças marcantes de sua escolaridade. Esta é a pesquisa real que os pais deveriam fazer para tomar uma decisão tão grave para a vida de seus filhos. A educação é o que de mais importante podemos deixar a nossos filhos e por isso é necessário escolher muito bem onde ele vai obter o conhecimento que o acompanhará o resto da vida. Ali ele vai passar anos e anos, ali vai construir a primeira parte de uma longa historia de vida. A escola tem que ser vista com “E maiúsculo”, nunca como um local de aprendizagens acadêmicas somente. Lá estará sendo formado o caráter moral de seu filho e é esse que ficará por toda a vida. Mesmo quando você sai da escola, o que ali você viveu o acompanhará pelo resto da vida. Veja se os seus valores estão respeitados nesta escola.
O grande problema de quem depende da escola pública está no fato de que nenhuma das questões que citei mais acima pode ser analisada em profundidade. O pai vai escolher parcialmente a escola onde seu filho vai estudar, porque as questões que envolvem a escolha não estão disponíveis. Conseguir uma vaga já é uma coisa tão complicada, que dificilmente alguém se arrisca a tirar a criança por questões técnicas. Vai ser preciso um desastre para que os pais tomem decisões mais radicais – mas isso já é outra conversa. A escola pública que tem que atender uma diversidade muito grande de alunos e não oferece a capacitação e o treinamento do professorado para esta demanda desafiadora.
A escolha da escola é muito IMPORTANTE, sim. Você, com sua decisão, vai definir a personalidade, os valores, os conhecimentos, a cultura, as neuroses que se formarão em sua criança ao longo do desenvolvimento. O investimento em seus filhos não se resume a atividades extracurriculares (lutas, línguas, musica etc.). Coisa como a participação da família em passeios, museus, leituras de livros, jogos, brincadeiras são essenciais no processo de formação do indivíduo. Todas as atividades escolares devem ser executadas pelas próprias crianças e adolescente. Promova apenas o material e local agradável e especifico para que ela as realize. A escola é que deve estimular seus alunos a fazerem suas tarefas de casa, que deveriam ser sempre pesquisas sem exercitação (repetição do que já realizou). Tudo que é repetitivo deixa rapidamente de ser atraente para as crianças, porque já sabem que os conteúdos (dados) estão a disposição de qualquer um nos computadores. Que utilidade terá para uma criança do século XXI, saber “de cor” os afluentes do Rio Amazonas ou a Capital de algum país? Entrando no Google, em alguns instantes, ele pode ter o mapa detalhado desses países, além de imagem satélite e em alguns casos, poderá até passear pelas ruas dessa capital usando o sistema Google Street View. Ele precisa mesmo é saber pensar sobre a importância do Rio Amazonas na biodiversidade e quais as economias estão se desenvolvendo a partir dália. Saber porque isso está acontecendo e como afetara sua vida. As escolas particulares tem um desempenho diferenciado porque não temos no Brasil uma política real de educação, mas elas também não estão no patamar das escolas dos países ditos desenvolvidos. Continuam com a preocupação de colocar uma quantidade enorme de conteúdos desnecessários para as crianças decorarem. Alguns trabalhos específicos se caracterizam pela qualidade, mas são pouco conhecidos. Nosso país ainda esta buscando “conhecimentos” daí a corrida desenfreada para chegar no topo da pirâmide do PISA.
Beta
Estamos sendo convencidos, ao longo do tempo, de que auto-medicação é uma coisa perigosíssima. Ainda nos automedicamos principalmente pela dificuldade de acesso a médicos, o que explica a existência de inúmeros profissionais de outras áreas que se arriscam em receitar isso ou aquilo para tratarmos da nossa saúde. Sabemos que o ideal é um profissional preparado fazer o diagnóstico e em seguida receitar o medicamento. Estamos caminhando para isso. Mas se nossa saúde é tão importante, porque Educação não é? O que nos faz achar que podemos resolver um problema tão complexo de uma maneira tão simplória?
Não sendo o pai um profissional de Educação, o que ele pode fazer para que seu filho se desenvolva, cresça, aprenda, seja inteligente, etc?
Uma séria de coisas podem e devem ser feitas pelos pais. A primeira delas é A M A R seus filhos, dar condições intelectuais para seu desenvolvimento, fazer a escolha da escola de acordo com as mais novas metodologias existentes, não ter a preocupação de analisar a arquitetura do estabelecimento mas sim o que eles fazem ali dentro em termos de Educação. Coisas como estar junto a residência ou ter seu nome nos jornais ou televisão não são avalizadores de qualidade. Pode ser cômodo ter uma escola a uma quadra de casa, mas certamente pode ser desastroso no futuro, quando os resultados de anos de educação equivocada se apresentarem na forma de um fracasso escolar enorme para seu filho. Nem o ENEM deve servir de referencial absoluto, de chancela de valor.
Converse na escola, fale com pais que tenham seus filhos ali há mais tempo, veja quem são os ex-alunos, o que estão fazendo e como se sentiam quando eram alunos. Quais as lembranças marcantes de sua escolaridade. Esta é a pesquisa real que os pais deveriam fazer para tomar uma decisão tão grave para a vida de seus filhos. A educação é o que de mais importante podemos deixar a nossos filhos e por isso é necessário escolher muito bem onde ele vai obter o conhecimento que o acompanhará o resto da vida. Ali ele vai passar anos e anos, ali vai construir a primeira parte de uma longa historia de vida. A escola tem que ser vista com “E maiúsculo”, nunca como um local de aprendizagens acadêmicas somente. Lá estará sendo formado o caráter moral de seu filho e é esse que ficará por toda a vida. Mesmo quando você sai da escola, o que ali você viveu o acompanhará pelo resto da vida. Veja se os seus valores estão respeitados nesta escola.
O grande problema de quem depende da escola pública está no fato de que nenhuma das questões que citei mais acima pode ser analisada em profundidade. O pai vai escolher parcialmente a escola onde seu filho vai estudar, porque as questões que envolvem a escolha não estão disponíveis. Conseguir uma vaga já é uma coisa tão complicada, que dificilmente alguém se arrisca a tirar a criança por questões técnicas. Vai ser preciso um desastre para que os pais tomem decisões mais radicais – mas isso já é outra conversa. A escola pública que tem que atender uma diversidade muito grande de alunos e não oferece a capacitação e o treinamento do professorado para esta demanda desafiadora.
A escolha da escola é muito IMPORTANTE, sim. Você, com sua decisão, vai definir a personalidade, os valores, os conhecimentos, a cultura, as neuroses que se formarão em sua criança ao longo do desenvolvimento. O investimento em seus filhos não se resume a atividades extracurriculares (lutas, línguas, musica etc.). Coisa como a participação da família em passeios, museus, leituras de livros, jogos, brincadeiras são essenciais no processo de formação do indivíduo. Todas as atividades escolares devem ser executadas pelas próprias crianças e adolescente. Promova apenas o material e local agradável e especifico para que ela as realize. A escola é que deve estimular seus alunos a fazerem suas tarefas de casa, que deveriam ser sempre pesquisas sem exercitação (repetição do que já realizou). Tudo que é repetitivo deixa rapidamente de ser atraente para as crianças, porque já sabem que os conteúdos (dados) estão a disposição de qualquer um nos computadores. Que utilidade terá para uma criança do século XXI, saber “de cor” os afluentes do Rio Amazonas ou a Capital de algum país? Entrando no Google, em alguns instantes, ele pode ter o mapa detalhado desses países, além de imagem satélite e em alguns casos, poderá até passear pelas ruas dessa capital usando o sistema Google Street View. Ele precisa mesmo é saber pensar sobre a importância do Rio Amazonas na biodiversidade e quais as economias estão se desenvolvendo a partir dália. Saber porque isso está acontecendo e como afetara sua vida. As escolas particulares tem um desempenho diferenciado porque não temos no Brasil uma política real de educação, mas elas também não estão no patamar das escolas dos países ditos desenvolvidos. Continuam com a preocupação de colocar uma quantidade enorme de conteúdos desnecessários para as crianças decorarem. Alguns trabalhos específicos se caracterizam pela qualidade, mas são pouco conhecidos. Nosso país ainda esta buscando “conhecimentos” daí a corrida desenfreada para chegar no topo da pirâmide do PISA.
Beta
Assinar:
Postagens (Atom)





