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sexta-feira, 20 de maio de 2011
Carta Aberta para Professora
Carta aberta
Cara Professora Amanda Gurgel
Vi seu depoimento varias vezes. Ótimo denunciar. Quando a gente não corre o risco de perder o emprego, melhor ainda. Quando se ganha mais de 2.000,00 reais e não está na função, ainda mais. Sou educadora e crítica do sistema a mais de 30 anos. Meu pai, a mais de 50 vem criticando e trabalhando. Primeiro no serviço publico, ate ser aposentado pelo Ditador Castelo Branco nos idos de 1964. Depois, correndo o Brasil como “caixeiro viajante”, dando cursos onde o queriam por ter sido banido pelo golpe militar. Então acho que posso falar com isenção.
Você tem razão quanto às condições em geral das escolas e a falta de vontade política de nossos gestores, mas deixar os professores de fora e parecer que são pobres coitados tem uma grande diferença. Os professores não estão isentos. São os maiores culpados do estado em que nossa educação se encontra. Ao longo de minha vida ( e eu perguntei a meu pai que acaba de completar 90 anos, se também se havia presenciado), nunca vimos professores fazerem greve por treinamento e melhores condições de trabalho intelectual, como por exemplo a assinatura de uma revista, uma biblioteca que merecesse receber esse nome, livros atualizados e de bom nível, etc. É sempre a questão salarial, que é grave, mas não tão grave quanto o valor do salário mínimo de nosso pais. Todas as profissões que não são respeitadas são aviltadas em sua remuneração. Logo, temos que ser bons para poder ter a sociedade nos respeitando e lutando junto conosco . Você já notou que em todas as greves de professores a sociedade está contra a categoria? Será que estamos fazendo nosso trabalho? Por que as crianças não aprendem a ler.
Chega de desculpar o professor porque ganha mal, pois ele ganha mal porque trabalha mal. Vamos ser realistas e começar a pensar como mudar este circulo vicioso. ESTUDAR deveria ser a norma geral. Não faltar as aulas, outra norma. Não ficar cedido a outras funções outra, e assim poderia listar 10, 20 itens sobre nossos professores.
Escrevi uma matéria Professores: Promessas para 2011 e não vejo nada acontecendo. Vamos chamar atenção dos professores, ao invés de jogar toda a culpa nos gestores. Por que não tomamos “o pinhão na unha” – como se diz no nordeste- fazendo tão bem feito nosso trabalho que as atenções se voltem para nós, mas agora positivamente. Será que acreditamos mesmo que somos ótimos e que toda a sociedade esta em complô contra nós.
Por que tantos professores estão fora de suas funções? Por que os nossos alunos não nos respeitam? Ouço historias contadas por meu pai, quando estava em sala de aula em escola publica e era adorado e respeitado por seus alunos. Alunos que até hoje fazem homenagens a ele como seu eterno mestre. Será que os professores de hoje serão lembrados por seus alunos, não digo daqui a 50 anos, mas daqui a 5 anos?
Um abraço
Beta
Veja também a matéria que escrevi para os professores no início desse ano de 2011:
http://beta-escoladepais.blogspot.com/2011/01/professores-promessas-para-2011.html
domingo, 2 de janeiro de 2011
Carta Aberta a Presidente Dilma Roussef sobre Educação
Caríssima Presidente Dilma,
Ouvi com muito interesse os primeiros pronunciamentos da Senhora e notei a mudança em sua fala quanto a Educação. Espero me sentir assim como quem acordou de um sono agitado com sonhos ruins, porque estamos muito fracos na educação e isso esta sendo dito e repetido por todos, mas sem providências objetivas. Como sou educadora fico querendo colaborar de alguma forma para que nosso país não fique fora do padrão de desenvolvimento do mundo mais desenvolvido.
Toda a discussão devera girar em torno da capacitação dos professores, estes sofredores que vem se arrastando dentro do sistema educacional sem socorro de quem governa. Eles são os formadores das novas gerações e se não estiverem preparados dentro daquilo que hoje se sabe ser a base de seu ofício, vamos naufragar. Falo muito de uma mudança de paradigma, de uma nova forma de fazer a Educação. Não podemos mais pensar em conteúdos, porque eles não são mais importantes como pareciam ate o século passado. Estão agora armazenados em grandes servidores digitais, ao alcance das crianças e adolescentes que podem acessar tudo com muita facilidade. Então, o que sobra? Desenvolver a inteligência, que nada mais é do que ensinar as crianças a aprender.
Precisamos fazer o Ministro da Educação compreender esta idéia central, a base da mudança. Não adianta correr desesperadamente atrás do modelo adotado pelas potências desenvolvidas, que já alcançaram o desenvolvimento desejado. Temos que inovar, ter um novo modelo porque só assim cortaremos caminho para atingir o desenvolvimento que temos em mente.
Acho que deveria ser proposto um grande debate sobre Educação, discutindo onde deveriam estar os investimentos que temos a disposição. E o que temos disponível é muito! Nunca houve tanto dinheirio para essa área. Pensar que 25% do orçamento de um município é destinado à Educação era coisa impensável, mas hoje é uma verdade. Verdade incomoda para muitos administradores, que ainda tacanhos em sua percepção de valor, gostariam muito de usar essa verba para outros fins, que certamente não nos levariam a lugar nenhum. Mas mesmo com todo esse dinheiro, ainda caminhamos claudicantes, quando deveríamos estar correndo desabaladamente para atingirmos a posição que merecemos no cenário mundial. O que pode ser feito? Muita coisa, minha cara Presidente. Por exemplo, treinamento de professores é relativamente barato, mas é preciso que eles sejam treinados para atingir o padrão adequado, e não apenas para cumprir tabela. Material pedagógico é sim, muito caro, mas não deveria ser o foco no momento, porque não estamos precisando de escolas cheias de computadores com professores praticamente analfabetos funcionais em informática. O programa do Ministério da Educação deveria se voltar radicalmente para o Ensino Básico. Só teremos ensino médio e superior passando pelo básico.
Por conta disso que narrei acima, Presidente, gostaria de propor 10 coisas que deveriam ser foco em seu plano de governo, amparando aquilo que é fundamental para nosso futuro. São elas:
1) Realizar um Programa de Alfabetização envolvendo toda a sociedade , principalmente as empresas;
2) Capacitação de professores partindo de Brasília e formando multiplicadores para todo o Brasil;
3) Formular um Programa Básico para o ensino fundamental para todo o Brasil, propondo um currículo mínimo para ser cumprido em tempo determinado (2 anos);
4) Fazer equipes de educadores para andarem pelo pais promovendo a integração e regulação do trabalho desenvolvido;
5) Trabalhar em todas as comunidades o material didático a ser aplicado;
6) Integrar todos os sistemas educacionais do pais em um só sistema;
7) Programar metas a serem alcançadas a cada bimestre avaliando e comparando;
8) Avaliação entre as escolas a cada semestre fazendo uma rede;
9) Direção nas escolas em modo Colegiado, para não correr o risco de centrar todo o trabalho apenas em uma vertente;
10) Separar nas escolas, com total clareza, o ensino Básico – Fundamental e o Ensino médio, criando para isso duas Diretorias dentro do estabelecimento.
Estas são alguma sugestões para serem discutidas, se quisermos um Plano Geral de Educação realmente eficaz.
Presidente, acredito firmemente que é muito importante pensar o Brasil como um todo, com um mesmo modelo educacional nacional. Os brasileiros de todas as regiões de nosso imenso país tem o direito de almejar a mesma capacidade intelectual. Não sendo dessa forma, discriminamos e inviabilizamos milhões, o que não se alinha com sua visão democrática.
Desde já, desejamos um bom governo e que a Senhora tenha sempre em mente que sem Educação, não haverá país de que se orgulhar no futuro. Futuro esse cada vez mais próximo.
Beta
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