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sábado, 19 de maio de 2012

Documentário conta a vida de quatro universitários para inspirar estudantes


Caetano Altafin Cunha, ex-aluno da Chave do Tamanho


Juliana Deodoro, Especial para o Estadão.edu

Aos 16 anos, Wilian Cortopassi escreveu uma carta aos pais explicando porque iria sair de casa, em Contagem (MG), e se mudar para São José dos Campos, no interior paulista. “Estou disposto a dar a minha vida à ciência (...) e acho que chegou a hora de dizer o que eu penso e pelo que eu luto”, dizia o texto de 2006, deixado no criado-mudo ao lado da cama onde os pais dormiam. Wilian fez cursinho no Poliedro e, seis anos depois, está prestes a se formar em Química pela PUC-Rio. Também estudou durante dois anos no Instituto Militar de Engenharia (IME).

Wilian trocou Contagem pelo Rio para 'fazer a diferença'
Atualmente, Wilian desenvolve dez projetos de pesquisa, tem quatro artigos publicados em revistas internacionais e sonha em “fazer a diferença criando tratamentos de impacto global”, como diz. O mineiro é um dos protagonistas do documentário Romance de Formação, que estreia dia 11 de maio nos cinemas. Além dele, outros três estudantes mostram o dia a dia, os desafios e a busca por conhecimento em universidades de excelência no mundo. Caetano Altafin é bolsista da Harvard Law School. Victoria Saramago segue o sobrenome famoso, ainda que sem parentesco com o escritor José Saramago: é doutoranda em Literatura em Stanford. Fábio Martino estuda Música na Universidade de Karlsruhe, na Alemanha. Em comum, os quatro têm a dedicação aos estudos e o fato de se destacarem em suas áreas acadêmicas.

“Você não precisa sair do Brasil para fazer uma boa faculdade. É possível ter educação de qualidade por aqui”, afirma Wilian. Apesar de ser o único personagem do filme que não saiu do País, o mineiro afirma que muitas vezes se sente um estrangeiro entre os cariocas. “Todo ano minha família viajava para Guarapari (ES) e de repente eu estava morando em frente à praia”, conta. “Meu sotaque é diferente, minha cultura também. Sempre serei forasteiro.”

A escolha da diretora do documentário, Julia De Simone, por estes quatro estudantes foi, segundo ela, natural. Caetano e Wilian foram indicados pela Fundação Estudar, parceira na produção, da qual são bolsistas. Victoria era conhecida por amigos de amigos, e Fábio foi visto por eles em uma revista especializada de cultura como uma das promessas da música brasileira.

“Além de serem muito bem sucedidos em suas áreas, os quatro traziam cargas dramáticas importantes para se fazer um filme”, diz a diretora. Para ela, o maior desafio do documentário foi como abordar o tema educação. “Não é uma cena de amor, não é um carro explodindo, são pessoas sozinhas, lendo seus livros.”

A saída encontrada por Julia foi se aproximar, o quanto podia, das histórias dos quatro estudantes. Aos 29 anos, formada em História e com pós em Cinema numa escola de Barcelona, a diretora tentou se colocar no lugar de cada um dos personagens. “Eu poderia muito bem estar vivendo o que eles estão vivendo”, diz.

Identificação é o sentimento que Julia e Wilian acreditam que o filme irá causar no público. “Queremos trazer os estudantes para o cinema, sejam eles universitários ou do ensino médio. Abrimos um universo de opções e escolhas possíveis”, afirma a diretora. “Sempre coube ao documentário contar histórias de fracasso e o filme vem ocupar um espaço vazio de histórias de sucesso. A pergunta que fica é: o que é sucesso? Aonde isso vai nos levar? Tenho certeza apenas que o dia a dia é duro.”





segunda-feira, 2 de maio de 2011

Super-Homem fará escala no Brasil?


“Esperando o Super-Homem, documentário produzido por Bill Gates sobre o ensino público americano vem novamente aparecendo na mídia por ter sido demolidor para o sistema de ensino público americano. Já tinha escrito sobre esse filme aqui no blog, e fico me perguntando se, fazendo um filme correlato no Brasil, o que aconteceria com o nosso sistema de ensino?
No documentário de Bill Gates, o educador Geoffrey Canada mostra usa experiência na área e faz propostas para a mudança na maneira como os americanos devem preparar suas futuras gerações em termos de ensino. Sua proposta de trabalho já atinge 10 mil estudantes em uma área permeada de conflitos, em Nova York. Ele aponta como grande problema o trabalho do mal professor, acusando-o de ser o grande responsável pelo fracasso dos alunos – da mesma forma acontece entre nós, brasileiros, mas ninguém ainda se deu conta disso. O formidável no discurso de Canada, é que ele tem a coragem de falar dos professores nos USA, onde os sindicatos são os grandes patrocinadores de campanhas eleitorais, assumindo todos os riscos inerentes. E mais ainda, age de maneira positiva, responsabilizando individualmente aqueles que não têm compromisso com sua atividade profissional e retirando-os de sala de aula através de novos procedimentos administrativos. Ele rompe aquela situação morna de saber dos fatos e não agir. Ter produzir estatísticas que não levam a nada.
O fato é que ele está revendo as políticas públicas para mudar o curso das coisas, tendo idéias inovadoras que estão revolucionando o sistema de ensino público americano. Como se diz freqüentemente nos dias de hoje, está mudando o paradigma da educação pública americana.
Os caminhos convencionais não estão se apresentando como solução para os problemas que surgem a toda hora nesse campo, e sua aplicação tem-se mostrado lenta e ineficiente. O mundo vem buscando alternativas, exatamente porque o que se convencionou chamar de Educação não está atendendo ao que hoje se apresenta como mercado.  Nós, aqui no Brasil, poderíamos sair cantando pneu, até porque estamos na estaca zero em termos educacionais. Poderíamos fazer algo inusitado e sair bem na frente dos países que, antes de criar alguma novidade, estão tentando consertar o que não está dando certo. Seria uma vantagem competitiva formidável essa.
O nosso grande problema é essa mania de produzirmos propagandas elaboradas, com números impressivos, para tapar o sol com a peneira. Provavelmente, as camadas mais pobres da população acredita nisso, porque sua realidade é de tal forma difícil que, tendo algum lugar para levar seus filhos, onde eles sejam alimentados  e estejam seguros no horário em que os pais estão trabalhando, já é uma benção. Mas isso vai formar os profissionais do futuro? Claro que não. No nosso sistema educacional, o que é considerado muito bom ainda é muito ruim...
Quando notou-se que a escola tinha um alto índice de repetência, criou-se a aprovação automática. Alunos não querem assistir aulas e por isso adoram os professores que não querem dar aulas. Mesmo quando alguns professores dão aulas, não tem domínio sobre seus alunos. Ninguém se pergunta como é que um profissional de ensino pode dar aula numa turma com 40 ou 50 alunos, de idades variadas e em vários estágios de desenvolvimento mental...?
Fica difícil...