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quarta-feira, 22 de junho de 2011

Aluno: um astronauta de velocípede

   Para muitos profissionais, mudar de equipamento de trabalho pode ser muito difícil, mas para alguns, mudar o conceito de uso de equipamentos pode ser quase impossível, porque o salto do machado para a serra a laser passa a ser incompreensível, embora o resultado final seja madeira cortada.
   E a grande pergunta é como resolver a questão da introdução do computador na escola. Há uma tendência a encarar isso como um enigma. Ainda não se chegou a uma conclusão sobre como utilizá-los, e no mais das vezes repete-se a questão de tentar utilizar os computadores para reproduzir aulas tradicionais, o que não gera qualquer resultado. Computadores podem ser grandes aliados dos professores, desde que utilizados como apoio ao desenvolvimento mental dos alunos, fornecedores dos dados que serão trabalhados, ferramentas de suporte a solução de problemas e desenvolvimento de projetos. Ou podem ser um instrumento de tortura para crianças e adolescentes que tenham que repetir as mesmas ações enfadonhas numa janela que dispara o usuário a um mundo fantástico, e à velocidade da luz.

   Se utilizado em sua real função – armazenagem e disponibilidade integrada de informações – disponibiliza os dados que podem então ser processados pelo professor e seus alunos, economizando um tempo enorme na busca e aumentando o campo de acesso a informação. Computador, como a calculadora, não é material didático em si, e isso precisa ser entendido. Ele é equipamento, ferramenta, ou seja lá o nome que se queira dar. E isso vale também para o EAD (Ensino a Distância), que comete o pecado original no momento em que reproduz, tal e qual, uma aula tradicional num ambiente digital. Isso potencializa o péssimo em termos pedagógicos.
    Lauro de Oliveira Lima disse em seu livro Mutações em educação segundo Mcluhan : “AS ESCOLAS ESFORÇAM-SE PARA SUSTAR A EVOLUÇÃO – A PRÓPRIA ESSÊNCIA DA VIDA. MAS A VIDA SE REBELA E TERMINA ENCONTRANDO MEIO DE FICAR FIEL A BIOGÊNESE, A PSICOGÊNESE E A SOCIOGÊNESE. CADA CRIANCA QUE NASCE INICIA NOVA HUMANIDADE.”
    Todos que lidam com informática  sabem que não e possível  utilizá-la como os professores pensam. Nossos professores não chegaram nem a “galáxia de Gutenberg”, que é utilizar o livro como um instrumento, quanto mais utilizar o computador. Eles não sabem ainda para que  servem essas máquinas. Ficam muito irritados com seus alunos que acham que o computador é apenas um brinquedo.
    Don Tapscott disse: “A inteligência está na rede”... e os professores onde estão? As crianças/adolescentes estão nas redes de relacionamento e as usam como se não houvesse nada a aprender por ali. As escolas não sabem nem o que seus alunos fazem com estes contatos. Quanto mais utilizá-los na aprendizagem.
    Precisamos com urgência dizer a nossos alunos como a internet pode ser utilizada para aprender sem torná-la tão chata quanto as escolas. A internet viabiliza a colaboração em massa e, diz Tapscott, “não vivemos na era da informação. Estamos na era da colaboração. A era da inteligência conectada”. Coitado de nossos professores, que mal sabem usar um telefone celular, quanto mais se conectarem em rede para fazer uma videoconferência, uma aula onde estes aparelhos venham a ganhar o seu papel como instrumentos de aprendizagem.
    Não adianta introduzir tecnologia se não mudar a pedagogia reinante nas salas de aula. É possível ver uma sala de aula com uma lousa interativa e o professor junto a ela dando uma aula expositiva. Quem deveria estar agindo seriam os alunos. Eles usando a lousa trocando informações com seus colegas. É preciso urgentemente formar os professores para o que as crianças/adolescentes já sabem e já vivenciam.  Toda a tecnologia devera ser utilizada em grupos, nada de deixar a escola continuar com sua pedagogia da individualidade. Se cada um tiver seu computador, não precisam ir à escola, podem se conectar em suas casas. Logo a escola seria o ambiente rico em interações.
    A escola sempre pode usar tecnologias e nunca fez. Porque agora todos estão preocupados com o computador? O livro ainda não atingiu a todos na Escola, e o que adiantaria trocá-lo pelo “tablet”? É a mesma coisa. O que temos que mudar é a forma de “dar” aula. A Dinâmica de Grupo é muito mais revolucionária do que um computador na sala de aula. Os professores é que devem entender que não tem mais conteúdos a oferecer a seus alunos. Esta tudo disponibilizado em rede, nos bancos de dados, em portais, etc. Vamos desenvolver as crianças para que, sozinhos, eles possam buscar o conhecimento.
E urgente a revolução dentro das escolas. Acordem professores e gestores.

sábado, 14 de maio de 2011

Educação Digital ou impressão digital...

(veja a matéria do Jornal Nacional, que fala sobre a evasão no ensino médio clicando aqui Jornal Nacional (11 de março 2011)
É mais do que evidente que estamos na Era Digital, mas o curioso é que nossas escolas estão na Idade da Pedra Lascada ainda. Professores continuam DANDO AULA!!! Cuspe e giz. E ainda não ficou claro que os alunos não estão interessados nisso?  Que é preciso utilizar novas metodologias para despertar o interesse pela escola? O índice de abandono no Ensino Médio dá bem a proporção que as coisas tomaram. Curiosamente, em todas as atividades humanas nos dias de hoje os clientes são os primeiros consultados ... menos na Educação. Continuamos a impingir às novas gerações coisas que nenhuma empresa no mundo teria a desfaçatez de fazer, porque certamente quebraria em menos de um ano, por mais poderosa que fosse.
E aí vou lendo o que está sendo proposto para trabalhar o digital nas escolas, e não entendo como é que se quer chegar a algum lugar com esse tipo de pensamento. Curiosamente, crianças e adolescente já estão todos em REDE, usando os mais diferentes gadgets para se conectar, conversar, comprar, vender, trocar, etc. Os professores, por outro lado (pesquisa recente) não sabem nem usar, rudimentarmente, o desktop (pasme, isso mesmo, aquele monstrengo que ocupava nossas mesas e inundava nosso espaço de fios!). Num mundo de Ipad, Ipod, MP15, celular com TV Digital, GPS, acesso 3G, WiFi e todo tipo de recurso portátil – para não falar de notebooks e netbooks – ainda tem professor que acha que informática é coisa fora do contexto de sua atividade.
E o que está sendo proposto? O Ministério da Educação insiste em dar computadores aos alunos e professores, criando um padrão de uso a partir de um programa intitulado “Aulas Digitais”. Ora, sem a formação dos docentes, não haverá quem utilize esses equipamentos no trabalho com crianças e adolescentes. Se não há uma metodologia de ponta, para que dispor de equipamentos digitais? O que será feito com esse monte de chips? Primeiro temos que mudar a metodologia de ensino, para depois introduzir a tecnologia em sala de aula. No mundo empresarial, segundo um amigo meu, ter um processo administrativo ruim é um caos, mas informatizar um processo administrativo ruim é ter “um caos à velocidade da luz”. Ou seja, o que era ruim, mas demorava para acontecer, torna-se ruim em fração de segundos. Uma venda mal feita, que podia ser corrigida ao longo do processo, passa a ser uma venda mal feita a cada minuto. O resultado disso é que a empresa quebra muito mais rápidamente quando informatiza processos arcaicos. No caso da Educação, não será diferente. A inutilidade de colocar operadores ineptos para conduzir aulas com equipamentos tecnologicamente avançados continuará sendo o desastre que se apresenta nos vários contextos em que isso acontece.
A necessidade de aplicação de tecnologia não pode ser negada, mas não podemos, ingenuamente, achar que ela, sozinha, é a solução para o nosso tão atrasado sistema educacional. Nosso problema mais grave continua sendo a formação do professor.
Instrumentalizar a escola com equipamentos digitais é caro. Eles precisam ser atualizados com freqüência, até porque são fabricados com a chamada “obsolescência programada”. Quando você acha que está no topo da cadeia, em pouco tempo já caiu. De “high end” para “low end” é um pulo. No entanto, o professor não passa quase nunca por atualizações e permanece como gestor do processo, e ninguém se toca que isso não dá resultado.
Por que será que não se treinam os professores?  Imagino que por medo... Se houvesse uma política de mobilização dessa magnitude, seriam feitas mudanças tão radicais que os políticos, penso eu, ficam com medo de testar essa hipótese. Ninguém quer mudar tanto, até porque seria preciso uma alta capacidade de adaptação, de competência inovadora e de coragem. Mas o resultado seria outro, muito melhor do que os apresentados até então.
Computadores encantam a todos, mas não fazem uma revolução metodológica. Revolucionar seria dizer: não ensine nada, porque os conteúdos que você vai passar estarão armazenados nos sistemas de dados e muitos, em pouco tempo, estarão obsoletos. Uma verdadeira arrancada metodológica  tem que ser feita com a utilização de Dinâmica de Grupo, para desenvolver o que realmente importa, que é a inteligência e a criatividade das crianças para que elas possam mudar o mundo a partir das informações e equipamentos que terá a disposição. Não podemos querer ainda que a cabeça de uma criança faça a mesma função de um HD de 1 terabyte. Não é para isso que dispomos de tantos recursos mentais.  Vamos usar esse enorme potencial do cérebro para que as crianças possam ser criadoras de idéias.