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segunda-feira, 16 de maio de 2011

"Ingnorância também é curtura"

"os livro foi emprestado..."

    Choque. Não é incomum, mas acho que estamos quase todos espantados com as notícias que estão atingindo todos os órgãos de imprensa sobre um livro, cheio de erros de português, assumidamente aceitos como normais pela autora e, pasmem ... distribuídos pelo Ministério da Educação! E não em modestas proporções, mas para quase meio milhão de alunos da rede pública.
     Mas não é só isso. Outros livros distribuídos pelo MEC já foram denunciados por erros absurdos de dados científicos.  Conselhos condenam Monteiro Lobato por racismo e retiram sua obra até que haja uma revisão da mesma para que o contexto seja explicado. Tiram Lobato e colocam “os livro ilustrado mais interessante estão emprestado”
Segundo o MEC, o livro está em acordo com os PCNs (Parâmetros Curriculares Nacionais) --normas a serem seguidas por todas as escolas e livros didáticos. E isso dá o que pensar:
1) Como o MEC seleciona os livros didáticos que distribui? E se seleciona, não é responsável por essa seleção?
2) Como é que compra milhões em livros sem garantir a qualidade.
    Embora tenha havido uma verdadeira comoção com esse fato – livros com erros de português avalizados como normais e contextualizados – o que realmente chama a atenção é a falta total de uma política educacional no Brasil. Os analfabetos, por exemplo, não despertam toda essa celeuma, e no entanto o analfabetismo é um problema extremamente grave e muito mais sério. Que mal há se as crianças receberem ou não os livros; eles não sabem ler mesmo, e os livros vão terminar o ano incólumes. E os alunos também. No entanto, o problema recai sobre o gasto abusivo com alguma coisa tão desnecessária para nossos estudantes tão necessitados. Efetivamente, seria melhor comprar livros de história para crianças, pois assim elas poderiam realmente ler e até levar para casa, quem sabe disseminando cultura e possuindo alguma coisa que vá, de fato, fazer diferença em suas vidas.
    Fico pensando também em quem conseguiu vender esse livro para o MEC? Especialistas altamente treinados e imersos nos meandros burocráticos e políticos, conhecedores do passo a passo  e experts em cumprir as etapas. Não necessariamente abnegados e devotados defensores do saber. Sim, porque a dificuldade em se colocar alguma coisa boa nesse processo é praticamente impossível, porque passar pela malha complexa que foi criada é muito difícil, diria mesmo que impraticável.
    Se o Ministério da Educação tivesse comprado alguns exemplares do livro “Por uma vida melhor”, da ONG Ação Educativa e entregue  a algumas escolas, para suscitar a discussão dentro das salas de aula, estaríamos frente a um mal menor – sempre um mal, mas menor. Ma distribuir para 4.236 escolas do país, sem que isso faça parte de um plano educacional maior, indo contra a tudo o que se ensina e pratica como sendo um padrão ... aonde querem chegar?
    O fato concreto é que isso praticamente empurra a prática do ensino de português para uma beco sem saída. Se já é difícil ensinar a norma culta, com um argumento contrário como esses, avalizado pelo próprio Ministério da Educação, que saída tem o professor senão aceitar tudo o que vier? Pode, não pode? Não, não pode. Um livro desses é um perigo social.  Será que as crianças de baixa renda querem falar assim? Lembrem-se que Piaget já tinha identificado que os bebês falam errado, mas buscam a linguagem socializada para serem compreendidos.
    Crianças de classes sociais mais desfavorecidas economicamente, tem vergonha de seus pais que “falam errado” porque não freqüentaram a escola. Ainda que a escola tenha todos os seus problemas, serve para alguma coisa ainda, e ensinar a ler e escrever deveria ser o básico e fundamental.
    O fato é que estamos sempre nos atendo a coisas pontuais – que são muitas – mas não  discutimos o ponto crucial disso tudo: não temos uma POLITICA DE EDUCAÇÃO. Enquanto estamos vendo essa gritaria, esquecemos de pressionar pela verdadeira grande solução dos problemas educacionais brasileiros. E os gestores vão mergulhando em suas estatísticas geradas pelos exames e mais exames que vão sendo impostos a alunos que, ao final, saem sem qualquer qualificação adequada ao mercado de trabalho atual e futuro.
    Ao final disso tudo, fica a nota de ironia. “Viver e Aprender”, nome da coleção, é bem diferente do que está no livro “Por uma vida melhor”, que não vai melhorar a vida de ninguém.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Novamente o politicamente correto e suas contradições

 Deu na Veja:  o economista Walter Williams diz que as” ações afirmativas prejudicam os negros ao reforçar estereótipos de inferioridade e defende a liberdade econômica como arma contra desigualdade racial”.
Acho que temos que pensar com isenção para não aderir simplesmente porque  é politicamente correto. Isso não existe. Temos que pensar em todos os casos e situações que se apresentarem a nossa frente. Este economista da Universidade George Manson, na Virginia, é claro e afirmativo nas suas opiniões e se opõe a varias regras que muita gente achava que não poderiam  ser discutidas. Ele se define como libertário radical e afirma que “A economia de mercado e o grande inimigo da discriminação”. O livre mercado é o melhor instrumento para vencer a desigualdade racial. É uma visão totalmente diferente de tudo que estava sendo pensado.
Ele diz:  “Cotas raciais no Brasil, um país mais miscigenado que os Estados Unidos, são um despropósito. Alem disso, forçam uma identificação racial que não faz parte da cultura brasileira. Forçar a classificação racial é mau caminho.” Defende que, ao invés de cotas, o país ofereça educação de qualidade para todos. Ele chama atenção de que não há igualdade racial absoluta e não acha que ela seja desejável,  já que existem diferenças entre negros e brancos, homens e mulheres e isso não deve ser um problema.
Gostei de ver um economista falando sobre um assunto que é um tabu, pelo menos no Brasil. Ele dá exemplos sobre quando não existiam cotas nos Estados Unidos e  os jogadores de basquete, que eram em maioria negros, se colocaram muito bem em seus times. Ele diz que 80% são negros e por quê? Porque são excelentes. O sucesso dos negros,  diz  ele, não se pode atribuir às cotas, já que nos Estados Unidos tiveram maior avanço de 1940 a 1960 e não como era esperado entre 60 e 80. Logo não são as ações afirmativas.
Importante é discutir e não somente aceitar por se tratar de postura “politicamente correta”.
Outra afirmação dele: “Os negros, em geral, estão muito melhor hoje do que há meio século. Mas os negros mais pobres estão piores”. Reclama e acha idiotice ser chamado de “afro-americano”. Ele coloca, com muita propriedade, que nem todos os africanos são negros. Termina colocando-se como um defensor radical da liberdade individual.

sábado, 23 de abril de 2011

O insanamente politicamente correto


Chegamos ao limite da insanidade da onda do politicamente correto.
Soube dia desses que as crianças, nas creches e escolas, não cantam mais O cravo brigou com a rosa.
 A explicação da professora do filho de um camarada foi comovente: a briga entre o cravo - o homem - e a rosa - a mulher - estimula a violência entre os casais. Na nova letra "o cravo encontrou a rosa/ debaixo de uma sacada/o cravo ficou feliz /e a rosa ficou encantada".
Que diabos é isso? O próximo passo é enquadrar o cravo na Lei Maria da Penha.
Será que esses doidos sabem que O cravo brigou com a rosa faz parte de uma suíte de 16 peças que Villa Lobos criou a partir de temas recolhidos no folclore brasileiro?
 É Villa Lobos, cacete!
 Outra música infantil que mudou de letra foi Samba Lelê .
 Na versão da minha infância o negócio era o seguinte: Samba Lelê tá doente/ Tá com a cabeça quebrada/ Samba Lelê precisava/ É de umas boas palmadas. A palmada na bunda está proibida. Incita a violência contra a menina Lelê.
 A tia do maternal agora ensina assim: Samba Lelê tá doente/ Com uma febre malvada/ Assim que a febre passar/ A Lelê vai estudar.
 Se eu fosse a Lelê, com uma versão dessas, torcia pra febre não passar nunca. Os amigos sabem de quem é Samba Lelê? Villa Lobos de novo. Podiam até registrar a parceria. Ficaria assim: Samba Lelê, de Heitor Villa Lobos e Tia Nilda do Jardim Escola Criança Feliz.
Comunico também que não se pode mais atirar o pau no gato, já que a música desperta nas crianças o desejo de maltratar os bichinhos.
 Quem entra na roda dança, nos dias atuais, não pode mais ter sete namorados para se casar com um. Sete namorados é coisa de menina fácil.
 Ninguém  mais é pobre ou rico de marré-de-si, para não despertar na garotada o sentido da desigualdade social entre os homens

Recebi este material e, como educadora, resolvi comentar pelo absurdo que representa. Já tivemos um conselho de educação querendo proibir as obras de Lobato por racismo, e agora as musicas cantadas há décadas pelas crianças estão sendo modificadas por total falta de sensibilidade quanto a seu conteúdo.
As crianças sempre cantaram as musicas com seu teor original e isso não gerou nenhum comportamento agressivo por parte delas. O simbolismo que é usado nas letras das musicas não provoca um comportamento. O que provoca comportamentos é o procedural (Ação). Vamos deixar as crianças cantarem suas musicas sem interferência dos adultos, que já estão cheios de preconceitos.
Estas músicas são tradicionais de nosso cancioneiro infantil. Se provocassem mudança de comportamento já teríamos varias gerações deformadas pelas musicas. Não devemos também esquecer que as crianças não analisam as letras como os adultos. Elas vêem a totalidade, sem analise detalhada. Logo, mesmo que a letra fosse fazer algum mal a elas, estaria fora do seu entendimento. As crianças são totalmente imunes a esse tipo de interferência no comportamento, e cuidados desse tipo são totalmente desnecessários. Ainda bem.