quinta-feira, 31 de março de 2011

Faculdade? Para que?


As mudanças estão aí, para quem quiser ver, e algumas são bem características desses tempos de transformações altamente dinâmicas. É o caso da mudança de pensamento que vem ocorrendo com relação a formação dos jovens. Nossa cultura sempre foi “bacharelesca”, onde a maioria das famílias, principalmente as de classe média, tinham como meta colocar seus filhos na universidade. Quem não o fizesse, não era bem visto na sociedade. A pressão era tão grande que um enorme contingente de jovens entrava na faculdade mesmo que depois se dedicasse a uma atividade totalmente diversa do curso que freqüentou.
No entanto, os jovens não estão mais querendo cursar uma faculdade, e tem seguido caminhos paralelos, guiados pelas indicações de mercado que são muito diferentes daquelas de 30 anos atrás. Mas, o que leva os jovens a tomar esse novo caminho?
Um dos motivos mais óbvios é que as grandes universidades não se reorganizam para atender as novas demandas por serem estruturas grandes e pesadas, que não tem velocidade para acompanhar as transformações em tempo real. A tomada de decisão interna para a criação de um novo curso a ser oferecido pode levar anos de discussões internas. Isso garante o continuísmo e paralisa a inovação. Como conseqüência, desestimula os potenciais alunos a cumprir um ritual absolutamente obsoleto em muitos casos.
Medicina, Direito e Engenharia são as carreiras ainda preferidas pelas famílias que estão pensando no futuro das carreiras de seus filhos baseadas em informações defasadas nos dias de hoje. Surgiram inúmeras outras carreiras e profissões que não existem para a Universidade. Novas áreas de trabalho vão aparecendo sem que haja respaldo universitário para elas, em decorrência dos fatores que vimos acima. Gastronomia e desenvolvimento de games não eram imaginados a dez anos atrás e no entanto são altamente atraentes para os jovens. A coisa está tão intensa e rápida que, de quando em vez, não sabemos mais o que é que o jovem está fazendo, porque o nome da profissão não existe ainda em nosso vocabulário.
Fiquei muito  impressionada com uma informação do Ministério do Trabalho Americano que diz que, antes de chegarem aos 40 anos, os estudantes de hoje terão passado por 10 a 14 tipos de trabalhos diferentes.  Muitas profissões ainda não foram nem criadas, o que torna mais difícil para os jovens tomarem  suas decisões. Como saber o que vai aparecer no mercado de trabalho?
Os pais vão ter que se habituar a discussões com seus filhos sobre posições que não passam pela formatura nas universidades.  Serão cursos tecnológicos, como redes de computadores, gestão ambiental ou logística e ainda empreendimentos próprios.
Escolas que orientam seus alunos olhando para o passado não são mais apenas omissas: são criminosas, porque condenam os jovens a um futuro sem esperança. Famílias que tomam por base para decisão sobre a formação de seus filhos usando os passos de seus pais, vão impor uma dificuldade adicional tremenda a eles, que terão que lutar em várias frentes ao mesmo tempo: resgatar o tempo perdido no aprendizado inócuo e fazer a curva de aprendizagem própria do momento em que vivem projetando o futuro em que viverão. É importantíssimo apresentar aos jovens as novas carreiras que se desenham para um futuro próximo e fazer com que estejam abertos para todas as possibilidades que irão surgir a sua frente. Eles tem o direito de receber essas informações e para que sejam atendidos, os educadores tem que estar bem informados sobre essas possibilidades. E tudo isso vai acontecer independente do sistema formal, porque a pressão de mercado é muito maior do que lentidão das entidades credenciadoras de competências.
Os criadores de inovações presentes no nosso dia a dia hoje, como os fundadores do Facebook, Twitter e Google, estimular os jovens a propor atividades diferenciadas. Ser criativo e inovador passou a ser fundamental. Ter velocidade de reação é determinante para o sucesso. Esse é um dos motivos porque acho, sinceramente, que todas as metodologias de ensino deveriam estar baseadas em Dinâmica de Grupo e no desenvolvimento da criatividade. No ambiente para o qual estamos indo em velocidades cada vez maiores, ser criativo é sinônimo de ser bem sucedido, em qualquer carreira que seja escolhida, principalmente naquelas que ainda vão surgir.

Um comentário:

Rogério disse...

Excelente texto. Muito bom mesmo. Criatividade e inovação têm que estar presentes em qualquer área de atuação; não só nas "nossas", minha de arquiteto, sua de pedagoga Piagetiana; educação não-tradicional-dinâmica. Lembrando que gente como Bill Gates, Steven Jobs e o Marc Fuckerberg, digo, Zuckerberg, nunca concluiu seus cursos superiores. As atividades humanas hoje estão em um nível de complexidade e diversidade não apreensível pelos pais e educadores/gestores de universidades. O que esperar do mercado de trabalho daqui a uma década, por exemplo!??????