sábado, 6 de junho de 2020

Teste de Dupla Entrada ... último vídeo com a Beta


Caros amigos que acompanham esse blog, esse é o último vídeo gravado pela Professora Ana Elisabeth Santos de Oliveira Lima, a Beta. Foi pouco antes de seu falecimento inesperado em casa, conforme noticiamos no post anterior. Fazia parte de uma sequencia de vídeos que ela idealizou para ajudar os pais nesse período de pandemia, decorrente da COVID-19, que impossibilitou o ensino presencial e criou a necessidade de adaptação para o formato online, com todos os novos desafios daí decorrentes.
   A Beta pensou em como ajudar nesse momento, ensinando testes piagetianos de nível de desenvolvimento mental de maneira simples, mas efetiva para que os pais pudessem entender o momento da criança e o que poderia ser explorado naquela fase. Entendia ser muito difícil para quem não está afeito às atividades da escola, dosar e avaliar o aprendizado.
   Enfim, estamos privados de sua presença física, mas não de todo o trabalho de uma vida, que continuará sendo postado por aqui, dando continuidade ao esforço dessa Educadora maravilhosa, de seu pai Lauro de Oliveira Lima e sua mãe, Maria Elisabeth Santos de Oliveira Lima. A Escola "A Chave do Tamanho" é o grande repositório desse conhecimento e a comprovação pratica de sua efetividade.
   Continuaremos a trabalhar por essa bandeira da educação no Brasil.
Nelson Marques de Oliveira Junior
Fabiana Elisabeth Santos de Oliveira Lima (Betinha)
João Pedro Santos de Oliveira Lima
Equipe Chave do Tamanho

quinta-feira, 4 de junho de 2020

Falecimento de Ana Elisabeth Santos de Oliveira Lima - Beta


   Caros amigos, leitores desse blog, com imenso pesar informo que no dia de hoje, 4 de junho de 2020, faleceu nossa querida ANA ELISABETH SANTOS DE OLIVEIRA LIMA, a Beta. Vitimada por um enfarte, nos deixa presencialmente, mas não em espírito, porque sua força, determinação, coragem e sabedoria irão indicar os caminhos daqui para a frente.
   Construímos esse blog como válvula de respiro para tantas idéias que ela teve e chegamos a aproximadamente 300.000 visitantes ao longo desses anos. Nesse período, Beta cuidou de oferecer seu conhecimento aos pais, visando fornecer a informação necessária para apoiar o desenvolvimento das crianças de todas as formas possíveis.
   Vamos garantir que seu legado permaneça ativo, da melhor maneira que pudermos. Na postagem anterior, apresentamos o início de uma série de vídeos que ela planejou para continuar a luta, mesmo em meio a pandemia do novo Coronavírus que se instalou no mundo. Em particular, estava trabalhando para dar meios aos Pais da Escolinha "A Chave do Tamanho" que dirigiu desde a década de 1970, de conduzirem a Educação de seus filhos em parceria com a escola, mesmo nessa situação inusitada de ensino à distância que se tornou obrigatório. Há um novo filme que colocaremos no blog mais adiante.
   Seus filhos, Fabiana Elisabeth Santos de Oliveira Lima, a Betinha, e João Pedro Santos de Oliveira Lima darão, com o apoio de todos os amigos, colaboradores e parceiros, darão continuidade à Escola e aos projetos que vinham sendo elaborados cuidadosamente, e que não podem ser descartados por seu valor.
   De minha parte, sinto por demais o enorme vazio de quem compartilhou durante 50 anos, sonhos, angústias, alegrias, dores e glórias com a minha querida irmã de coração. Que possamos comemorar, no ano de 2021, com a realização de um congresso de educação de alto nível, os 100 anos de Lauro de Oliveira Lima e os 72 anos da Beta.

Brasil, 04 de junho de 2020
Nelson Marques de Oliveira Junior

domingo, 10 de maio de 2020

Coisas para fazer na quarentena: LEITURA COM OS PAIS


Nesses tempos difíceis de isolamento social e paralisação da maioria das atividades, estou criando uma série de pequenos vídeos para os pais. A situação impede o funcionamento das escolas e mesmo o trabalho dos pais e isso os convoca para uma atividade que, para a maioria, é bastante complexa. Educação é uma atividade que vai demandar novos conhecimentos para aqueles que cuidam, e é isso que estamos tentando oferecer agora. Meios de superar a quarentena com resultados positivos nessa área. 

sábado, 22 de junho de 2019

Eucaliptos e Jequitibás

   Saiu no Diário de Mogi, no dia 16 de junho de 2019, matéria  de João Anatalino, escritor e advogado, que faz menção a um pensamento do Professor Lauro de Oliveira Lima, a partir do qual faz uma análise da educação moderna.
   Emoção em ver essa citação e a lembrança mantida por muitos dos pensamentos do Mestre Lauro. Segue abaixo o texto, e ao final, o link para que o mesmo possa ser visto no original, no site do jornal.

EUCALIPTOS E JEQUITIBÁS
João Anatalino

Reporto-me a uma matéria publicada pelo Chico Ornelas em O Diário, falando do meu velho amigo e mestre Percy Benedicto de Siqueira. Percy foi um grande e verdadeiro educador. Como Lauro de Oliveira Lima disse, a educação moderna é uma floresta onde derrubam-se velhas árvores seculares, que nasceram sozinhas, por milagre da natureza, e no seu lugar replanta-se a floresta com árvores de corte, como são os pinheiros e os eucaliptos. Desaparecem os jequitibás, as perobas, os mognos e outras espécies nobres. É uma pena. A morte abate nossas árvores mais nobres e são poucas as que nascem com a mesma virtude para substituí-las. Até porque estas não podem ser plantadas em série nem são passíveis de ser cultivadas artificialmente. Elas precisam de habitat peculiar para nascer e desenvolver suas vocações. Não é na floresta petrificada da produção em massa e do lucro a todo custo que elas vicejam e crescem. Educadores são como as árvores nobres da floresta, verdadeiras entidades especiais que possuem uma alma, uma tradição, uma história, que se liga ao ambiente em que vivem, e influem, de forma decisiva, nele.

Que me perdoe quem não entender a analogia, mas é assim que eu vejo o educador. Sua importância não está no conjunto de informações que ele reúne para passar aos seus alunos, mas na relação de simbiose que ele mantém com eles, que verdade seja dita, são discípulos mesmos e não simplesmente alunos. Esse profissional nada tem a ver com o professor das nossas modernas escolas e universidades, que não por culpa deles, é bom que se diga, mas por força de um sistema que transformou o conceito de educação em créditos que o aluno tem que obter numa certa disciplina, hoje só se preocupam em cumprir um programa sem alma. Se entendermos bem essa analogia, não será difícil entender também porque hoje nossos alunos estão tão indisciplinados, desmotivados e rudes, e os nossos professores tão infelizes e desanimados com suas profissões.
Da minha parte, tenho saudades da Geraldina Porto, da Clara Coelho, do Ari Silva, da Aracy Steiner, do Ephaphas Ennes, da Terezinha Langlada e outros verdadeiros educadores que cruzaram o meu caminho.  Em nome deles saúdo todos os verdadeiros educadores do mundo, profissionais ou não, pois educador não é profissão, é vocação, missão, apostolado. Da mesma forma que hoje terçamos armas para conservar as árvores nobres, seria de bom alvitre preservar os verdadeiros educadores. Esses são, como dizia Lauro de Oliveira Lima, os jequitibás que nunca poderão ser substituídos por eucaliptos.

Veja a matéria no site https://www.odiariodemogi.net.br/eucaliptos-e-jequitibas/?fbclid=IwAR2v13D79gnJBtcNO06YrLZHBHpKk6gfv9dN-wLuHeQsyVOnyoZ70Qvn7wc


sábado, 18 de agosto de 2018

Quem consome quem?

   Aquele antigo questionamento sobre ¨ter ou ser¨, de vez em quando bate à porta para nos lembrar de como é que a coisa pode sair do controle e perder o sentido, sem que haja real percepção de para onde estamos indo com determinados comportamentos.

   A família espera a chegada de uma criança com ansiedade, e talvez por isso, começa a compra do enxoval que ultrapassa em muito a necessidade que aquele ser realmente vai usar. Mesmo que permanecesse 10 anos com aquele corpinho de recém nascido, provavelmente o que foi comprado não seria usado. E são tantas compras feitas pelos pais que aquilo que é dado pelos parentes e amigos torna-se absolutamente desnecessário, aumentando o exagero. A criança, realmente, jamais usará a maior parte do que estará disponível, mas tudo é feito em nome do ¨não podemos deixar faltar nada¨.

   Existe ainda os que mantém o discurso de que ¨quero dar ao meu filho tudo o que não pude ter¨. E fica a pergunta: fez falta? O curioso é que o excesso é incontrolável, e mesmo assim, quanto mais recursos forem destinado a isso, melhor. Para algumas mães, é sinal de grande importância poder dizer que os filhos tem coisas que nunca usaram!  Criança não é objeto de consumo dos pais, embora haja uma cultura formada que ampara esse tipo de crença, e esse tipo de conduta vai deformar a maneira de a criança agir no meio social, ficando insuportáveis na medida em que não entendem ¨o outro¨ na medida em que o mundo gira em torno de si.     

   Quando os pais objetificam as crianças, a coisa vai mal. Aquela pequena criatura pode estar totalmente deslocada num determinado ambiente, mas ali é mantida porque o desejo dos pais prevalece, na concepção de que eles precisam mostrar a cria.

   Nesse caminho tortuoso, os brinquedos são , quase que totalmente, planejados e comprados pelos pais, servindo inclusive coo elemento de comparação de status no meio de amigos e parentes, mas nada é pensado em termos de servir para o desenvolvimento da criança. Para ela, caixas, garrafas pet, sucata em geral, fariam o mesmo efeito, mas os pais precisam oferecer brinquedos eletrônicos, carrinhos e motos com baterias elétricas, que não tem qualquer valor real para aqueles a quem se destinam, que os usam duas ou três vezes, abandonando em seguida porque não estão alinhados ao seu nível mental e portanto, aos seus interesses objetivos.

   Pais ficam orgulhosos contando que seus filhos em um iPod, sabendo usar das mais variadas maneiras, mas realmente essas crianças deveriam estar correndo, brincando de faz de conta... tudo o que a sociedade rejeita em nome do status e do alinhamento com aquilo que é aceito pelos pares.

   Em algum momento, começa a surgir um comportamento na criança que vai se agravando com o tempo, porque aquelas crianças que realmente não receberam a atenção necessária, aqueles bebês fofinhos que foram abraçados e beijados de zero até os dois anos, passam a ser ¨uns chatos¨, teimosos, não se submetendo totalmente às vontades alheias - mesmo e principalmente, dos pais. Mas o que teria acontecido? - perguntam-se aqueles que agora recebem o retorno daquilo que fizeram como ¨o melhor que podiam fazer¨.

   Ora, os pais não cresceram com os filhos até ali, não acompanharam, não tem uma dimensão do quanto a falta de uma ligação mais próxima e uma atenção dirigida podem resultar em modelos previsíveis de comportamento. E isso se grava quando a criança completa seus 7/8/9 anos de idade, acostumadas com o atendimento incondicional de suas vontades e com uma distância enorme dos pais - mesmo vivendo na mesma casa. Tornam-se um caos social, sem educação, sem interesses em jogos e brincadeiras compatíveis com seu nível de desenvolvimento, enfim, crianças tristes e sem socialização.

   Saramago disse que ¨seu filho está de empréstimo, porque ele NÃO É SEU. Precisamos tentar educar essa nova geração da maneira mais certa possível, porque sempre temos que ter em mente que adulto, não tem jeito. Não muda na essência.


terça-feira, 10 de julho de 2018

Liderança Emergencial


"Para haver competição - supõe McLuhan - é preciso haver similaridade entre os adversários e objetivos coincidentes. A extrema “especialização” tornará cada ser humano tão especial e único que, em vez de competição, haverá cooperação (complementaridade). É a ideia de Dinâmica de Grupo: a especialidade é do indivíduo; a cultura é do grupo." Lauro de Oliveira Lima





Dinâmica de Grupo -------------------------------------------
   Iniciar as crianças desde muito cedo na dinâmica de Grupo vai ser a solução para uma sociedade cooperativa e muito desenvolvida. Um grupo como dizia Teilhard De Chardin  tem algo que as partes não tem. Vamos colaborar com o crescimento social ensinando as as crianças a serem colaborativas. A competição é coisa do passado e não irá florescer mais.
   Todos os novos trabalhos precisam que as pessoas vejam os outros como seus parceiros. Tudo que realizamos em conjunto tem a responsabilidade distribuída. Devemos lembrar que a Liderança é Emergencial. Cada pessoa pode ser líder em algum momento da tarefa que está sendo executada. Deixar que cada um faça o melhor que sabe é de grande importância para cada tarefa. Escrevo bem sou o escritor, desenho bem sou o desenhista, coordeno bem sou o coordenador e assim por diante.
   As crianças fazem isso naturalmente, mas a medida que crescem começam a achar que devem estar em destaque a todo momento, orientadas que foram pelos adultos que as cercam. Deixando as sociedades infantis se desenvolverem veremos as lideranças. Quem melhor joga a bola é o chefe do time e pode não ser o chefe do trabalho de geografia.

sábado, 12 de maio de 2018

Crianças sem palavras

Economia de palavras ... ou melhor, pobreza de vocabulário mesmo. Fico me perguntando frequentemente, porque as crianças estão usando tão poucas palavras para se expressar e fico preocupada com nossa sociedade se deparando com enormes problemas de comunicação no futuro. Isso está associado também a falta de conhecimento sobre as coisas mais simples, que deveriam ter sido “descobertas”, mas permanecem na zona cinza do desconhecimento. É caso, por exemplo, dos animais. Num mundo cada vez mais interessado no assunto, na diversidade da fauna, nas relações ecológicas, me deparo com o fato de que a grande maioria não conhece centenas de animais – quando muito, dezenas apenas. E aqui estamos falando da identificação simples, sem nenhuma ciência, apenas a identificação imediata do indivíduo. No entanto, as crianças não sabem os nomes de insetos, aves e mesmo mamíferos que eram conhecidos (havia contato com eles) e que hoje são grandes desconhecidos da maioria. No caso das aves, a coisa é mais grave ainda. Sabem o que são algumas espécies e generalizam as restantes como se “ave” fosse uma espécie, mesmo com a evidente diferença entre todas elas.
Peixes então, coitados, são apenas “peixes”! Que eles estão sem referência de mundo é uma realidade, e isso não é bom. Nada bom. E estamos aqui falando das coisas mais simples, de fácil identificação. Quando observamos o uso dos verbos, advérbios, etc., aí sim, é uma pobreza total. Ficam sem poder interpretar um texto, quando leem, e o pior, chegam as Universidades por caminhos outros como apenas replicar conhecimentos decorados e sem qualquer relação com o desenvolvimento da inteligência.
Um elemento importante para esse desenvolvimento está na conversa entre pais e filhos, programas que estejam assistindo e coisas assim. Quando você vê uma criança repetindo frases feitas, que não tem qualquer significado maior para elas, é mal sinal, até porque usam mesmo sem contexto. Pode parecer engraçadinho em algum momento, mas a continuidade do processo leva a uma dificuldade enorme futuramente, na comunicação mais elementar. E isso vale para os relacionamentos, para o trabalho, nas amizades, enfim.
Outro dia observei meu neto saindo do restaurante ele tem 3 anos e disse ao garçom “Até breve”. Fiquei atenta para descobrir onde ele tinha ouvido e aprendido a expressão. Não tive surpresa: vinha de um desenho que ele costuma assistir no iPad. Empregou corretamente, mas não sabe o que significa até por que não tem ainda esta temporalidade. Este é o problema. As pessoas acreditam nesta fala “aprendida” (psitacismo = fala de papagaio). Temos que perguntar: o que quis dizer? É uma Tomada de consciência para saber se o vocabulário é realmente da criança.
Até o período simbólico/Intuitivo 3/4/5/6 anos devemos explorar uma quantidade enorme de verbos (ações) e substantivos (coisas) para ampliar bastante o universo infantil. Contar as histórias é muito importante e conversar com a criança sem adaptar o vocabulário. As crianças devem ouvir a linguagem natural da família. Não adianta as crianças falarem línguas estrangeiras com um vocabulário pobre em sua língua materna. Está na moda ensinar as línguas estrangeiras e ter uma criança com um pobre vocabulário em todas elas.
Veja outro exemplo: as cores. As crianças sabem as primárias e, às vezes, as secundárias até 4/5 anos. Deveriam já saber as terciarias e um espectro bem maior. Normalmente não se referem as cores com desenvoltura.
O fato é que as crianças e jovens falam muito mal e tem um pequeno vocabulário. Vamos trabalhar a leitura com estas crianças e contar histórias.
Nota: conversando com um amigo do meio empresarial, fui informada que uma das coisas mais importantes hoje, na contratação, é saber se o entrevistado na seleção fala e escreve bem o português. Isso surgiu naturalmente do fato de termos profissionais competentes em áreas técnicas que não conseguem se expressar minimamente bem. E isso faz toda a diferença.

terça-feira, 1 de maio de 2018

Emprego x Criatividade


Que os empregos, tal como conhecemos, estão acabando … todo mundo já sabe. Pode não ter visto, pode não ter sentido ainda no seu círculo de relações, mas já tem certeza de que o “bom emprego” do futuro não tem mais nenhuma relação com aquilo que conhecemos. A coisa vai acontecendo no mundo todo, mas as providências para se adequar a uma nova realidade ainda são poucas - praticamente nada - e fico me perguntando se vamos esperar o caos se instalar para então começarmos a fazer alguma coisa.
Dados recentes (30 de abril de 2018) do relatório produzido pela OIT (Organização Internacional do Trabalho), batizado de “Mulheres e Homens na Economia Informal” informam que os empregos informais já representam mais de 60% das vagas em todo o mundo. No total, são mais de 2 bilhões de pessoas sem contratos fixos ou carteiras assinadas. Os dados não consideram pessoas fora do mercado de trabalho.
No texto da pesquisa, é citado que: “A informalidade se altera fortemente quando observadas as condições socioeconômicas dos países. Enquanto nas economias mais ricas, a média de vagas informais fica em 18,3%, nas em desenvolvimento e de menor renda o índice salta para 79%. Ou seja, um trabalhador vivendo em uma nação com economias mais frágeis têm quatro vezes mais chances de ficar em um posto informal do que aqueles em áreas com melhores indicadores.”
O final do relatório fala dos perigos do crescimento da informalidade como base de sustentação de uma nação e recomenda “facilitar a transição para postos formais, garantindo direitos e seguridade social; promover a sustentabilidade de empresas que oferecem vagas de qualidade; e prevenir processos que sirvam como vetores de estímulo ao crescimento de empregos informais”. Mas há mais coisas a serem feitas. Muito mais.
No âmbito das ações individuais, temos sempre em conta que queremos o melhor para nossos filhos, mas a base de uma economia sustentável passa pelo desenvolvimento das gerações para que possam enfrentar os desafios que se colocam pela frente com inteligência, criatividade, capacidade de solução de problemas, abertura para novos possíveis. E não é o que vemos na Educação que é oferecida. Burocrática, estática, desmotivante, sem inspiração ou capaz de gerar o mínimo de motivação, o modelo de Escola que temos nos leva “para trás” e não para o futuro. Mas é no futuro que está a  realidade de nossos filhos.
Precisamos urgentemente educar para a CRIATIVIDADE, mas estamos no contrafluxo disso. Os pais e responsáveis ainda continuam buscando os sistemas de ensino cheios de conteúdos atrasados que são ensinados em apostilas sem qualidade científica. Decorar a Tabela Periódica dos Elementos não vai levar a lugar algum. Desenvolver produtos com os elementos existentes, ou descobrir novos elementos, mudam tudo na história de vida de uma pessoa.
   Os professores, pressionados pela máquina de moer carne da escola, foram formados em sua grande maioria por faculdades de “baixos teores”, não se atualizam, não querem grandes mudanças em seus programas de aula e tem uma má vontade enorme com a massa descomunal de conhecimentos que vai se apresentando a cada dia. É quase como virar as costas para o tsunami para não ver o que vem por aí. Mantendo os olhos na direção contrária … acreditamos que está tudo bem e que não vai acontecer nada. Até a onda chegar...
   Curiosamente, o valor do modelo educacional estava exatamente em formar o cidadão para o “mundo conhecido”, baseando-se em modelos tradicionais de trabalho onde a “experiência” era muito valorizada. E entenda-se por “experiência” o fato de que o ideal era ter feito, durante muitos anos, a mesma coisa. Ter 30 anos de profissão valia muito no mercado de trabalho. Mas isso vem caindo em desuso, porque o que se pretende é que o indivíduo seja capaz de fazer mudanças a cada passo de sua carreira. O que era considerado como “irresponsabilidade” tornou-se um elemento fundamental no processo de evolução do indivíduo. E não temos mais regras fixas embora estejamos o tempo todo tentando manter aquilo que conhecemos como o “padrão”. Ser criativo é demandado, mas a base educacional não privilegia isso em momento algum. Para se avaliar a criatividade, é preciso ser, antes de mais nada, criativo. E isso está em falta.
As escolas tal como conhecemos, não tem a menor chance de formar profissionais para um mundo que sequer sabemos como será. Tal como desbravadores de mundos desconhecidos, temos que preparar nossos jovens com os meios para avançar, e não temos como dizer a direção. Os recursos são a inteligência e todos os seus desdobramentos possíveis. Essa é a mochila desses bravos do amanhã, porque se dermos nossas bússolas, mapas e convicções, falharemos em proporcionar uma jornada bem sucedida a eles.
   A informalidade vem de vários fatores, como a falta de oportunidades básicas, falta de políticas públicas, falta de uma linha de ação e investimentos na formação, mas tem como ponto final, mesmo quando o indivíduo tem condições de arcar com custos de educação, saúde, segurança, mobilidade e todos os demais, a ortodoxia do modelo de educação que é “comprado”. Modelo que não avança, mas fica para trás de tudo o que hoje tem significado de sucesso na sociedade do amanhã.
E finalmente, chega-se ao ponto de avaliar qual o “valor” real que seu filho terá no futuro. Como não fazer com que ele esteja no caminho dos mais de 13 milhões de desempregados que hoje, em 2018, pululam por dois anos num ambiente de angústia e incerteza, que em muitos casos deságua na depressão?
   Quando se vê o que a indústria tem a dizer sobre sua evolução, vamos entendendo um pouco mais sobre aptidões demandadas não no futuro, mas já, e que não são possibilidades concretas para a maioria. Como se sabe, um dos segmentos econômicos mais sensíveis às mudanças é a Indústria, sendo também o ambiente de melhores salários e condições de trabalho. Observar que chegamos à Indústria 4.0 é assustador em vários aspectos, porque o modelo é inteiramente novo. Uma das bases da nova indústria é “a organização do processo de produção baseada em tecnologia e dispositivos autônomos que se comunicam entre si ao longo da cadeia de valor”. Ou ainda “As diferenças entre indústria e serviços tornam-se menos relevantes conforme tecnologias digitais estão conectadas com produtos e serviços (híbridos), que não são nem bens nem serviços exclusivamente”.
   Não temos mais um modelo “fechado” em nenhuma área econômica, científica, técnica… temos todas as possibilidades em aberto. Valor passa a ser estar em condições de navegar nos possíveis e não nos conhecidos caminhos. E é claro que tudo o mais que a sociedade precisa vai continuar existindo, mas perdendo capacidade de gerar riqueza. É só observar as profissões que vão desaparecendo lentamente, até sua total extinção. Ou outras que mantém o nome mas não tem mais nada a ver com o que já foram um dia. Ser um profissional gráfico na atualidade não tem relação alguma com o gráfico de vinte anos atrás. E isso vale para uma quantidade enorme de profissões.
Assim, é recomendável observar com atenção o que estão fazendo com seus filhos, sob seu consentimento. Se você não tem certeza do que fazer, procure quem saiba. Se estão entrunchando as crianças com conteúdos, há algo de errado aí. Se a criatividade não é foco na educação de seu filho, cuidado. Só restará lugar para o criativo nos tempos que virão - e isso não é uma profecia, mas sim uma certeza (aliás, das poucas que podemos ter). Tenha como padrão de avaliação a condição de que seu filho esteja sendo preparado para a solução de problemas, a grande ferramenta para enfrentar o desconhecido por oferecer novas formas para se viver.
   Estar empregado será uma arte. Mas encontrar novas formas de trabalho e renda vai ser o grande desafio. A nova ordenação do mundo está por ser feita, e quem a fará são nossos filhos, netos e bisnetos. Vamos colaborar para que eles consigam ser mais do que repetidores de modelos ultrapassados, e que possam ser felizes, com qualidade de vida, em uma sociedade melhor.
   O tempo para isso está se esgotando.