quinta-feira, 2 de outubro de 2008

“A Chave do Tamanho, uma escola piagetiana”

Nos anos 70, surgiu no Rio de Janeiro com autorização de Jean Piaget, a primeira escola piagetiana orientada, pedagogicamente, por seu discípulo o professor Lauro de Oliveira Lima. A escola tinha como principal característica ser inovadora e promover o desenvolvimento da inteligência das crianças. Inicialmente o projeto estava centrado, nas primeiras etapas do desenvolvimento, a partir do sensório - motor até o período intuitivo - (1 ano até aos 6/7 anos) começando assim um trabalho pedagógico em um período que o professor Lauro, com sua vasta experiência, ainda não havia realizado. A “Chave” foi crescendo até atingir, o ensino médio, nos anos 90. Todo o trabalho baseado nas teorias de Jean Piaget foi desenvolvido para o Brasil e o exterior. Três congressos internacionais foram realizados pela nossa Escola para apresentar seu planejamento, difundindo assim, as idéias de Piaget e a prática pedagógica criada pelo Prof. Lauro, responsável pela introdução, no Brasil, de Piaget
Piaget, um epistemólogo suíço, estudou o desenvolvimento da criança, buscando compreender o primitivo (pretendia fazer um rápido estudo que durou cerca de 60 anos). Hoje, no Brasil, não se fala em pedagogia sem uma referência à Piaget junto ao trabalho do Professor Lauro.
O professor Lauro criou então, o método que denominou PSICOGENÉTICO aplicado na escola “A Chave do Tamanho” que tem como lema “educar pela inteligência” que enfatizando a “estimulação do desenvolvimento mental”, em oposição à memorização. O método consiste em adaptar cada atividade ao estágio de desenvolvimento em que a criança se encontra. O processo didático pode ser resumido da seguinte maneira:

a) Todo “conteúdo” é apresentado como uma situação-problema que deve ser resolvida pela criança (apelo à inteligência);
b) Toda “situação problema” é resolvida, em grupo, para que as crianças se estimulem, mutuamente, e aprendam a cooperar (comportamento moral e afetivo);
c) O aluno deve sempre “tomar consciência” dos mecanismos utilizados para realizar a atividade proposta (a “tomada de consciência” substitui o que se chamava, antigamente, de “fixação da aprendizagem”) permitindo ao aluno compreender como funciona seu pensamento;
d) Os resultados são apurados após observar os mecanismos mentais usados pelos alunos e não pelas performances e/ou acertos (o erro revela os mecanismos em jogo, no comportamento do aluno).


Ao entrar na escola, as crianças são avaliadas através dos instrumentos pedagógicos e testes desenvolvidos por Piaget que permitem identificar as noções de conservação, classificação, seriação, dentre outras com a finalidade de verificar o nível de desenvolvimento do aluno. Estas avaliações são feitas semanalmente. Caso haja necessidade, o aluno é transferido de grupo conforme seu desenvolvimento.

A equipe pedagógica acompanha, sistematicamente, o desenvolvimento individual e a socialização de cada aluno e mantêm reuniões com os pais e responsáveis para acompanhar, em conjunto, o processo educativo.

Os ex – alunos entraram nas mais diversas áreas do mercado de trabalho, com muito êxito (economia, administração, farmácia, arquitetura, medicina, literatura, filosofia, informática, artes, desenho industrial, robótica, biologia, esportes e projetos sociais, jornalismo, advocacia...) provando desta forma que a “Chave” prepara seus alunos para enfrentar os mais diversos desafios.

Ana Elisabeth Santos Oliveira Lima.
Psicopedagoga e Diretora do Centro Integrado Lauro de Oliveira Lima

www.jeanpiaget.com.br

2 comentários:

Andrea Garcez disse...

Beta,
Parabéns pelo blog. Espero que ele dê muitos frutos e que possamos ampliar os debates sobre a educação neste espaço. Não preciso dizer o quanto admiro você, o professor Lauro e a escola A Chave do Tamanho.
Um abraço,
Andrea

Luciana Lins Evangelista disse...

Beta, tenho orgulho em fazer parte da equipe da Chave, pois foi aqui formei a base de minha trajetória. Não é à toa, que após apresentar uma monografia, com o tema "O planejamento na escola piagetiana", recebi como feedback o fato de eu falar "na nossa escola..." sendo que esta não é a realidade. Ora, a Chave faz parte da minha vida, e assim eu acabo me sentindo um pouquinho parte dela também. Que pretensão, né? Bom, só quero explicitar aqui minha gratidão por você. Obrigada por tudo.
Escreva mais, o blog está muito interessante. Beijos, Luciana.