quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Anorexia: a ditadura da estética e suas consequências


Os americanos, através de pesquisas, constataram que a anorexia é a doença psiquiátrica que mais mata no mundo e agora chegou à infância. Antes esta doença estava centrada nos adultos e adolescentes, mas as famílias começaram a ter a mesma preocupação agora com a infância. Vemos agora pais muito centrados na aparência e a alimentação de seus filhos. Isso era comum apenas com bebês, mas agora eles têm preocupação inversa com as crianças. Antigamente os bebês tinham que ser gordos (os famosos “bebês Johnson”).
Mas temos idéia de como uma criança ou adolescente pode chegar a uma doença como essa? Vamos analisar pelo ponto de vista psicológico. As crianças até os 7/8 anos estão totalmente dentro de uma fase psicológica onde a sociedade não a influencia diretamente, mas a partir desta idade, começam a ter reflexos da sociedade em seu comportamento, daí o bullying começar a acontecer e dai a anorexia, que é a idéia de que o indivíduo tem que ficar cada vez mais magro para atender aos anseios da sociedade. Para os jovens o padrão determinado socialmente é o da magreza exagerada. Este padrão começa dentro da família, que é a primeira influência social, depois indo para os amigos que fazem pressão através de comentários que desafiam as crianças a se tornarem magras dentro de um padrão pré-estabelecido pela mídia. A anorexia é a doença que leva o paciente a não se alimentar, podendo até chegar, em casos mais críticos, à morte.
Antigamente acometia os adolescentes de 12 a 20 anos e agora já aparece na infância, em crianças abaixo de 10 anos, logo no período onde a criança e o pré-adolescente mais precisam de matéria prima para seu desenvolvimento cognitivo (neurônico) e ósseo, para poder crescer. O adolescente precisa ganhar peso para não ter seu desenvolvimento comprometido, mas ao contrário disso, emagrece o que se torna altamente perigoso. Diagnosticar uma criança anoréxica é muito difícil, porque ela não informa precisamente para o médico os dados de uma forma objetiva. Por exemplo, a criança pode comer um pequeno pedacinho de bolo e não comer uma folha de alface por achar que o pedacinho é muito menor do que a alface. Não entende o fator calórico. O Hospital das Clinicas, em São Paulo, criou um setor para cuidar desses casos (Protad). Este setor está voltado apenas para esta área de atendimento, visando facilitar os diagnósticos e evitar que os pais façam longas peregrinações sem obter resultados.
A maioria das dietas consideradas normais evolui para as dietas patológicas. Significa dizer que o adolescente ou criança começa a dieta com a finalidade de perda de peso, às vezes voltada para a saúde (colesterol, diabetes) e torna-se compulsiva para atingir um patamar extremo que realmente não deveria ser a meta. A criança ou adolescente doente, mesmo se vendo no espelho, não nota sua magreza. Quer sempre mais. Acho estranho que alguns médicos coloquem o problema com de origem genética, o que a meu ver, se fosse verdadeiro, já teria devastado boa parte da humanidade. A entropia já teria desorganizado a espécie, fosse genética esta doença. Acho que devemos ter um olhar muito mais psicológico, pois crianças muito pequenas não sofrem deste mal, o que seria normal em um caso genético. Elas só começam a apresentar a doença quando fatores psicológicos e o sociológicos influem em suas vidas. O grupo social é de extrema importância para determinar qual o modelo deve ser seguido.
As crianças e adolescentes vêem seus pais falando em dietas, exercícios, emagrecimento a todo custo e os modelos sociológicos também são todos voltados para este padrão. A mídia dá um reforço total à magreza, trazendo para os jovens a idéia de que os gordinhos são sempre doentes e feios. Assim, todos querem se magros.
As crianças e adolescentes estão sempre preocupados com a opinião de seus colegas que colocam apelidos de “baleias”, “gorducho”,”fofinho” , “beluga” e outros sinônimos pejorativos para GORDO. Isso nada mais é que um tipo de bullying, que nós educadores temos que combater. A cura não é somente médica, mas também psicológica, visando colocar o doente consciente do que esta acontecendo. Os sintomas são bastante parecidos com os apresentados pelas crianças e adolescentes que estão sofrendo o bullying.
1. Tristeza, isolamento;
2. Autoestima alterada;
3. Mudança de hábitos alimentares;
4. Deixam de sair com amigos;
5. Deixam de comer o que gostam por um longo período de tempo;
6. O momento da refeição vira um trauma, sacrifício;
7. Os animais da casa começam a engordar (eles dao suas refeições aos animais);
8. As crianças deixam de ganhar peso, só perdem;
9. Evitam comer alimentos que acham que “engordam”;
10. Não falam em emagrecer.

A família tem que ter muita sensibilidade para perceber quando a dieta é patológica e levar rapidamente sua criança ou adolescente para receber cuidados médicos e psicológicos A família também deve ser assistida para poder compreender o que fazer e não agravar o problema.

Um comentário:

Claudio Vilela disse...

ESSE ASSUNTO PRECISA SER TRATADO COM SERIEDADE, POIS EU LEMBRO DE UMA FRASE QUANDO CRIANÇA QUE UM CERTO Adulto disse: criança é muito pequeno pra ter problemas.

isso é a maior mentira e ignorância que eu já ouvi.

vamos prestar mais atenção em nossos filhos, sobrinhos e outras crianças que não tem que as cuide.