terça-feira, 7 de setembro de 2010

Um belo golpe no Bullying - Karatê Kid 2010

Tenho como hábito ir toda semana ao cinema com meu filho mais novo, que esta com 16 anos. Ele escolhe o filme e vamos juntos assistir e discutir o que vemos. Não tem importância para mim qual filme ele escolhe, pois quero estar com ele e debater suas escolhas, idéias colocadas no filme, autor, diretor e o desempenho dos artistas. Ele esta aprimorando muito seu gosto pelo cinema e nesta ultima semana me surpreendeu quando disse que iríamos ver Karatê Kid 5. Eu não tinha lido nenhuma critica nem comentários, mas ele sim.

Fiquei admirada e perguntei se não havia outro filme para vermos, já que seu avô iria também, e ele esta com 89 anos - provavelmente não iria gostar. Eu estava pensando que íamos ver um daqueles filmes cheios de lutas sem sentido, sem explicação e onde, no final, o mocinho vence.


Foi uma surpresa total quando, ao começar o filme, vi que o mesmo tratava de um problema a que tenho me dedicado muito, que é o bullying. Uma colocação muito clara, mostrando outros ângulos da questão, como a participação negativa do adulto no processo, situação para a qual nunca chamamos atenção por parecer totalmente absurda, mas que infelizmente existe. Trata-se da situação em que é o adulto que orienta os adolescentes a provocarem o bullying contra outro adolescente, por motivos pessoais, visando atingir algum objetivo próprio e geralmente nefasto. Isso pode acontecer mais freqüentemente do que imaginamos, porque é comum pais competitivos doutrinarem seus filhos para que atinjam posições de topo, custe o que custar. Se competitividade não estiver ligada nesse processo à honra, ética, dignidade e respeito, a coisa pode degringolar como no caso do técnico da academia.


O filme mostra também uma vertente muito importante do problema, que é a falta de confiança que os filhos têm em seus pais, não dando chance para que eles ajudem na solução de um problema que se apresenta. Os jovens sempre acham que vão encontrar uma solução sozinhos, para um problema tão grave, que destrói ate sua autoestima. Eles realmente não têm noção da gravidade do que os acomete.

Traz também o compromisso com a disciplina, as regras e os valores da cultura chinesa. Mostra também um pouco a China e seu povo, com o movimento nas praças, onde praticam exercícios físicos disponíveis para qualquer idade. Sem glamour como era de se esperar do cinema.

Um dos pontos interessantes que tornam o filme particularmente emocionante é a dificuldade da aceitação de um negro numa sociedade oriental, seja no relacionamento com os colegas, seja com a menina pelo qual se interessa – e é correspondido. Embora havendo interesse da parte dela, a relação é demonizada pelos pais, tomando por base o padrão de disciplina chinesa e a concepção de que os ocidentais não possuem essa qualidade tão prezada entre os povos orientais. Como as semelhanças são elementos de atração, as diferenças gritantes como no caso do filme proporcionam um enredo muito bom. Tudo converge para o grande momento em que o “mocinho” tem que mostrar toda sua coragem em um momento da verdade. A reação do público acompanha esse clímax e culmina numa explosão de palmas, dando a dimensão de o quanto o inconsciente coletivo valoriza a superação extrema, como forma de criar alento e esperança para a vida.


Os professores devem ir ver o filme e levar seus alunos para discutirem a moral. Olhando a percepção de cada adulto e a relação com os jovens. O transporte na China, a relação do país com as lutas marciais, o desenvolvimento do povo.

João saiu do filme como alguém que levou um colega a um lugar especial, perguntando “e agora o que achou”? Perguntou-me e eu tive que assumir que o filme foi ótimo e servia e muito para os estudos que venho desenvolvendo.

Recomendo a todos os envolvidos com as questões de relacionamentos entre adolescentes.


Beta

Um comentário:

thiago disse...

Boa noite Beta, visitando seu blog juntamente com a minha mãe, ao analisar e refletir sobre a tematica postada em seu blog, resolvemos comentar sobre o assunto. Pois, no meu novo colegio ocorreu um índicio de bullying e achei interessante comentar com você. Minha diretora conversou com nossa turma e explicou o que significa, e suas consequencias. Refeleti sobre o ocorrido e percebi que é um situação de extrema gravidade e que deve ser trabalhada em sala de aula juntamente com os alunos, para criar uma noção de respeito ao próximo. O que você comentou sobre o diálogo com os pais é fundamental para auxiliar nessa questão que é tão presente hoje em dia. Obrigado, por ter postado um assunto tão interessante e ativo atualmente, vou aproveitar e levar para um debate no colegio.
Thiago Coutinho / Janete Germana.