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segunda-feira, 6 de junho de 2011

O IMPONDERÁVEL THOR

Se há uma tendência natural de mentes em formação seguirem exemplos, estamos com sérios problemas. Durante uma semana, ouvi jovens achando formidável uma pessoa na mesma faixa etária ter a possibilidade de ir para São Paulo, num avião próprio, participar de uma festa e voltar para dormir em casa. Mesmo sem ler um único livro até o final, copiando resumos na internet para fazer as provas da escola, pode gastar em uma noite algo como 6 mil reais, que considera uma quantia modesta perto de valores como 60 mil gastos por alguns amigos numa farra. Ou ainda comentar sobre a satisfação que tem com seu corpo, que quando não está absolutamente adequado ao que ele considera perfeito, impede qualquer ação intelectual (sic) de sua parte.
    O grave nisso tudo é que, provavelmente, toda essa badalação em torno da figura de Thor de Oliveira Fuhrken Batista , primogênito do homem que ocupa a oitava posição entre os mais ricos do mundo, não passe de uma grande promoção feita para apoiar o lançamento de sua boate Pacha, que será inaugurada em outubro, na Gávea (RJ), ao custo de 11,5 milhões de reais.
    O fato é que, se nada há de errado em um país ter milionários desse porte, ainda assim, nas palavras da própria revista, a situação é absolutamente inusitada. Imponderável mesmo. Segundo o texto, “O universo por onde Thor gravita é, de fato, um mundo paralelo, onde a lógica tradicional se encontra em suspenso. Sua estréia à frente dos negócios acontece antes mesmo de ele ter concluído o curso superior – a matrícula do primeiro ano de economia do IBMEC foi trancada porque ele achou o ritmo muito puxado”. Ou ainda, mais adiante: “Ler, definitivamente, não está entre suas preferências. Gosta apenas de textos sobre carros e fisiculturismo”.
    É nesse mundo paralelo que vive o Imponderável Thor. Apenas para lembrar, imponderável é “aquilo que não tem peso considerável”, ou seja, o que é indigno de ponderação. E é por esse caminho que vemos outros tantos jovens ávidos por uma chance de repetir o modelo, sem as obrigações intelectuais que elevariam sua condição humana e social, tentando encontrar o atalho para os grandes prazeres, eliminando a necessidade dos sacrifícios que poderiam levar a isso.
    O que impressiona é uma revista como a VEJA/RIO, de grande circulação e impacto, tratar do assunto em seis páginas. O conteúdo é tão pífio e a extensão tão grande que realmente tudo leva a pensar numa bem orquestrada ação de marketing, elaborada por profissionais pagos a peso de ouro e com um investimento projetado na casa do milhão de reais. Não há qualquer outro motivo para uma matéria dessas assumir tão grande proporção. E devemos agradecer aos deuses do reino de Asgard, das lendas escandinavas, que não tenha sido veiculado na primeira página da revista principal.
    Bem, o fato é que ser o filho do homem mais rico do Brasil não o credencia como o bom exemplo que deva ser seguido por jovens. E ainda é preciso ver que embora a revista pretenda passar a imagem de que tudo dá certo na vida dele, não é assim que a coisa transcorre. Embora ter todo esse dinheiro possibilite a ele ser capa de revistas de grande circulação, falando de seus músculos e de seus tratamentos de beleza, isso não o credencia para ser um ícone aproveitável. Com 45 centímetros de bíceps, tudo o que se pode dizer é que ele provavelmente é fisicamente forte... mas e a inteligência desse rapaz? A quantas anda?
    Deve haver alguma coisa errada com quem, nessa idade, nunca leu um livro até o final. Não deve ser transformado em modelo uma pessoa que, sem maiores esforços, consegue gastar em uma noite o que a maioria dos brasileiros ganha em um trimestre ... e ainda acha pouco – segundo sua ótica, existem pessoas muito mais esbanjadoras do que ele. Onde estão os predicados morais desse jovem? O que passa pela cabeça dele, além daquilo que a reportagem diz? Alguém está preocupado com isso?
    A MORAL deveria ser uma coisa bem desenvolvida na idade dele, mas não existem sinais disso em seu discurso – ou no discurso montado para ele. Quando diz que é muito econômico nas suas noitadas, parece um disparate frente a realidade do país em que vive, mas isso não é salientado. Frente ao salário mínimo do país, é um total despautério sua colocação de que “a gente tem uma vida de luxo sim, mas não esbanjo dinheiro”.  Onde estão seu pai e sua mãe numa hora dessas, para informar a seu filho de que nesse Brasil enorme, existem pessoas que vivem na miséria mais absoluta, e tão excluídos que o Governo Federal está agora querendo montar um mutirão para saber onde estão! São pessoas que escapam a qualquer nível de controle social porque nascem, crescem, vivem e morrem sem uma certidão de nascimento, sem um registro, sem nada. Brasileiros que vivem em regiões tão remotas que não contam com qualquer assistência mínima. Consciência leva a melhoria do nível de moral, mas não é o caso. Assim, mesmo que de forma cosmética, não há menção de um trabalho social no seu discurso, e isso seria uma dádiva para um país que precisa tanto de distribuição de renda e de ações altamente eficazes no âmbito da responsabilidade sócio-ambiental.
    Uma bofetada no sistema escolar é saber que uma pessoa tão rica e com tanto poder na mão, pode ter passado por ele sem nunca ter lido um livro. E que se valeu do sistema supletivo para concluir aquilo que demanda anos de esforço para o comum dos mortais. Como é que ele chegou ao primeiro ano de Economia? Claro que ele deve ter achado muito puxado fazer o primeiro ano de faculdade, e por isso trancou a matrícula. Mas a lição que fica é a de que, tendo dinheiro, o sujeito “ou vai ou vai”, e que a falta de estudos não faz a menor diferença para ele nem para os seus pares ou mesmo seus pais. O fato é que não é possível um indivíduo ter chegado a universidade sem nunca ter lido um livro. Em um esquema educacional responsável, isso seria impossível.
    A situação é de um nonsense tão absoluto que os comentários ficam vazios. Comentar o nada, é o mesmo que enfrentar o vento. O perigo do vento é que, quando ele é muito poderoso, provoca destruição sem tamanho. O contrário também é verdade, ou seja, se o vento for forte, tiver direção e constância, pode empurrar navios por distâncias consideráveis, como aconteceu com os barcos vikings que, em determinada época, dominaram o mundo conhecido e descobriram novas terras e riquezas. É lastimável que o detentor do nome de um poderoso deus da mitologia daquele povo não use seu “martelo” para abrir caminho para o seu povo. Mas como culpá-lo? Ele é  o resultado de sua educação.
    Sem sombra de dúvida, existe um mercado de luxo para pessoas que ultrapassaram aquele ponto mágico dos bilhões em suas contas bancárias, e que esse mercado se alimenta do imaginário das pessoas comuns que veneram o poder oriundo dessa condição. É fato que apenas a ponta do topo da pirâmide social ali se encontra, minguados milhares de brasileiros que podem se dar ao luxo de comprar um carro de um milhão de dólares, uma aliança de 30 mil reais, um relógio de 50 mil reais ou coisas assim. O que não se pode é tornar uma pessoa sem qualquer formação consistente num ídolo para seus pares que estão na juventude, formando seu caráter e tomando como base o fato de que, mesmo não estudando, é possível ser feliz. No mundo para o qual estamos caminhando em velocidade crescente, nada mais falso do que isso. Salvo para os deuses de Asgard, como o Imponderável Thor.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

'Vodca no olho' faz primeira vítima

'Vodca no olho' faz primeira vítima
Universitário imita moda iniciada no YouTube e agora terá de passar por transplante de córnea
Vi num post do Facebook, recentemente, publicado pelo Walter de Mattos Junior, um comentário sobre essa prática autodestrutiva que foi incorporada pelos jovens brasileiros. A matéria foi publicada na revista VEJA, e depois de ler o post, fui entender do que se tratava, tendo isso motivado a matéria a seguir.

O que esta acontecendo com os jovens que querem viver experiências cada vez mais radicais?
O grande problema é a confusão que as pessoas fazem entre os conhecimentos formais adquiridos pelos  jovens e seu desenvolvimento moral. A moral não se desenvolve na mesma linha. Normalmente eles ficam totalmente atrasados no desenvolvimento MORAL,  sendo que é esse o fator crucial para que o jovem tenha capacidade de julgar ações do tipo que estamos discutindo (pingar vodka nos olhos para ficar bêbados mais rapidamente). O fato de o jovem estar cursando a universidade não diz, de forma alguma, que ele atingiu o nível mais alto do desenvolvimento moral. Para que isso aconteça é necessário todo um trabalho voltado  para o conhecimento das regras, análise e construção por parte do individuo. Só chegam ao nível da moral da cooperação através do trabalho de Dinâmica de Grupo. O processo é lento e organizado, devendo o jovem aprender a trabalhar com os companheiros julgando suas ações e a dos outros.
A moral tem três grandes fases: a inicial é a Anomia, quando as crianças (de 1 ano ate 2/3 anos) não entendem que existem regras que todos devem seguir. No momento seguinte eles entram na Heteronomia, onde todas as ordens vem de fora e  eles entendem que existem as regras, mas alguém deve controlar seu cumprimento (2/3/4 ate 7/8/9 anos). Observa-se que algumas pessoas ficam paralisadas nesta fase para o resto de suas vidas. Aqui fica o perigo de não se desenvolver o período seguinte. Se o jovem tem que ter o controle de fora (família, escola/professores, chefes) fica difícil ele decidir por um ou outro. Ele estará sempre esperando que digam o que deve fazer. O que é certo e o que é errado.  Como pode um jovem nessas condições estar numa universidade, dirigir um carro, ter dinheiro, chefiar um trabalho? São situações que todos enfrentam, mas sem ter atingido um nível de moral mais elevado (autonomia) ficam sem a menor condição de atuar de forma objetiva e coerente. Na heteronomia, ele recebe as ordens de fora para dentro e as cumpre se tiver alguém determinando. Caso não haja quem ordene, há o risco de o indivíduo cair na anomia. Não podemos esquecer as pessoas que fazem coisas absurdas a titulo de estarem cumprindo ORDENS. Não notam que as ordens, se forem absurdas, devem ser discutidas e não cumpridas se infringirem as leis maiores. Só as crianças seguem as regras de olhos fechados até este período, por acharem que os adultos que as fizeram sabem tudo melhor que elas. Logo que descobrem a fragilidade dos adultos e a possibilidade de erro,  passam a querer discuti-las e ate de não cumpri-las. A moral heteronomica é “dente por dente - olho por olho”. Tudo que é feito com relação a ele deve ser retribuído na mesma moeda. Daí ter surgido a expressão  “pagar na mesma moeda”. Veja você então o perigo que correm esses jovens quando soltos em uma cidade onde é fácil chegar ate a violência. Se ele tem este comportamento de vingança não pode fazer um julgamento justo da ação. E isso acarreta problemas enormes para a própria sociedade que o criou, porque tem como retorno a possibilidade de conflito quase inevitável.
As crianças, alem de aprenderem as regras, vão evoluindo até o momento de aprederem o chamado  julgamento moral,  que é muito complexo e deve ser trabalhado para que seja incorporado a ação geral do sujeito. Os jovens que não se desenvolvem em grupo acabam formando um bando e não um grupo, agindo sempre no nível mais baixo possível.
 A  3ª. Fase é a da Moral da Cooperação, que se caracteriza pela Autonomia. O individuo  entende que pode e deve fazer as regras que devem ser seguidas por todos. Neste período está apto a participar totalmente da sociedade e compreende a constituição de seu país, por exemplo. Sabe conviver em sociedade, condomínio, escola, respeita regras do trânsito entre outras. Imagine um sujeito com a moral do dever dirigindo seu carro (ou qualquer outro veículo!). Ele, a todo momento, se pergunta qual o motivo por que deve obedecer aos sinais de transito. Pergunta: “se não vem ninguém, porque não posso passar? Ninguém esta vendo, não tem um guarda, porque não prosseguir?” Isso explica os acidentes que  ocorrem por imprudência, por exemplo, e que podem ser atribuídos em grande parte ao nível de desenvolvimento moral dos condutores. Todos podem tirar a carteira se passam nos exames simplórios feitos pelos órgãos responsáveis. Ninguém ainda atentou para o nível de desenvolvimento moral, que é o fator que transforma “seu carro em uma arma”.
As bebidas alcoólicas são vendidas com a apresentação de carteira de identidade pelo comprador, comprovando que é “maior de idade” - isso quando é pedida - mas ninguém saberia dizer se aquela pessoa realmente tem responsabilidade para estar bebendo. Esta “brincadeira” com a vodca prova que não. E vejam que mesmo os conhecimentos formais que são atribuídos a esses jovens são muito poucos, pois eles fizeram o ensino médio e já estão na Universidade, condição que permitiria avaliar o grau de imbecilidade de uma atitude como essa. Qual será a biologia que eles estudaram? E a química? Será que estudaram ou decoraram alguns nomes e formulas para passar no vestibular? Será que estas questões não chamam a atenção de nossos educadores, administradores escolares, políticos e dirigentes? Estes jovens não estão sabendo NADA. Vamos mudar o paradigma e ensinar inteligência em vez de ensinar conteúdos. Todas estas questões que aparecem na grande mídia nos fazem ver que nossa educação está lastimável, já que estes jovens devem ter estudado no ensino privado que é tido como melhor do que do que o público. Podemos então concluir que está tudo muito ruim. Estão todos preocupados com uma corrida que já esta perdida antes da largada.
Ou mudamos a forma de encarar a educação ou vamos lastimar ainda muitos acontecimentos em nossa sociedade.
Beta

quinta-feira, 1 de julho de 2010

PLANO DE EDUCACAO (comentário matéria VEJA 2171)

PLANO DE EDUCACAO
(comentário) artigo publicado na veja edição 2171 | de 30/06/2010

Formular propostas práticas em Educação é a coisa mais importante em nosso país, atualmente, quando estamos nos últimos lugares entre tantos países nesse setor .
O que esta acontecendo conosco?
Onde estamos focados?
Como está a formação de nossos professores?
Por que os alunos não têm interesse pelas escolas?
Por que os alunos não aprendem?
Por que não damos importância ao pré-escolar?
Por que tanta ênfase na entrada no curso superior?
Estas e muitas outras questões deveriam ser respondidas por nossos educadores, formando um grande fórum de debates para colaborar com o governo, para nos colocarmos no lugar que precisamos estar.
Parece que todo o foco está na premiação dos professores, não se discutindo nunca o aluno.
Qual o nível deles? Será que não se interessam porque não entendem o que esta sendo oferecido? Quando temos um bebê de meses, não oferecemos a ele uma feijoada, porque ele simplesmente não consegue ainda assimilar este alimento. Como sabemos disso pela biologia da criança, oferecemos leite, mingau e coisas compatíveis com seu tenro organismo. Com as crianças, no que se refere ao conhecimento, as coisas funcionam da mesma maneira. Se oferecermos um exercício de adição e ele não têm ainda a “conservação do número”, simplesmente não saberá do que estamos falando. A confecção de um currículo escolar deveria estar totalmente focada nos níveis de desenvolvimento mental (Jean Piaget). Este epistemólogo deu à humanidade a possibilidade de saber em que nível se encontram todas as crianças/adolescentes. Mas mesmo assim, os currículos e programas são pensados como se faz a muitos anos, de forma mais ou menos empírica. Isto é, sempre ensinamos adição na 1ª. Serie, e ponto final. E... não é assim que funciona.
Para se introduzir um conhecimento matemático, por exemplo, temos toda a pré-matemática, que precisaria ser trabalhada antecedendo estes conhecimentos. Por exemplo, classificar, seriar e ordenar vão dar esquemas para o número, que por sua vez vai colocar a adição/subtração como novas estruturas.
Não existe um currículo universal possível, pois o meio cultural difere muito e isso inviabiliza a sua criação. No entanto, o que é possível fazer de maneira global é desenvolver a inteligência, esta sim universal. Todas as crianças nascem com as mesmas possibilidades, mas estas não são aproveitadas tendo em conta que as mesmas não são expostas a problemas (conteúdos) que permitam o desenvolvimento. Segundo Piaget, a biologia é a mesma para todas as crianças do mundo – variações mínimas podem existir, mas não impedem que o desenvolvimento seja possível e bastante semelhante para todos – e o que vai diferenciar o desenvolvimento é a interação com o meio. Para provar isso ele apresenta as crianças das colônias francesas com o mesmo currículo da França e com um desnível mental de cerca de 4 anos. Este atraso, segundo Piaget, ocorre por falta de experiências bem orientadas. Desenvolver a inteligência serve a todos os conteúdos que se queira apresentar e as próprias crianças e adolescentes aprendem sozinhos com os estímulos que recebem dos meios de comunicação.
Ampliar a jornada escolar seria uma meta muito ambiciosa, já que não conseguimos hoje motivar os alunos para ficarem nas escolas nem no curto horário escolar. As escolas são chatas, não refletem a sociedade, estão apartadas da realidade de uma sociedade dinâmica, instável e evolutiva. Parece que as crianças e adolescentes tem que sair do século XXI e voltar ao século XVIII ou XIX para assistirem aulas ditadas, como se a escrita estivesse num momento da História em que os monges eram os detentores do saber e da arte de escrever, tendo o monopólio das transcrições e reproduções em manuscritos góticos (v. Mutações em Educação segundo McLuhan, Lauro de Oliveira Lima). Competem os professores copiadores com computadores da multimídia, notebooks, netbooks, smartphones, Wikipédia, Youtube, Orkut, Twitter e tantos outros mecanismos de comunicação online e equipamentos sofisticados, além de interessantes. Só podemos ampliar jornada se tivermos algo diferenciado a oferecer. Eles estão no mundo cibernético e nossas escolas, na idade da pedra.
Todos os educadores deveriam ter autonomia para, nas suas unidades educacionais, discutirem as atividades, deveres e obrigações de todos. Não podemos ensinar democracia sem exercitá-la. Os diretores deveriam ser lideres e não chefetes que não conseguem influenciar seus comandados. Esta liderança deveria ser emergencial, surgindo e desaparecendo a cada período. Todos os professores deveriam passar pela função, para sentirem as dificuldades e facilidades que o cargo possui. Quem ficou fixo na condição de Diretor, perde a dimensão do todo. Não sabe mais o que é estar dentro da sala de aula, logo não pode comandar quem está diretamente ligado aos alunos.
Por que tanta importância dada ao ensino médio, que é o preparatório para o ensino superior? Nosso sistema é uma pirâmide e chegam muito poucos a este gargalo superior, porque não damos a devida importância à entrada no sistema, que vai perdendo seus soldados ao longo do caminho. Vamos reforçar a entrada para fixá-los e evitar a evasão. Os sobreviventes, no ensino médio, já são privilegiados; então vamos deixá-los seguir em frente, pois já provaram que podem continuar sozinhos.
Para Piaget (Onde vai a Educação) o fundamental para as crianças, são os primeiros anos do desenvolvimento, quanto ainda não podem aprender sozinhas, dependendo totalmente de seus professores. Com o caminhar, vão ficando autodidatas e a formação dos seus professores não é determinante, como acontece no período sensório-motor ou simbólico (um ano até 4/5 anos).
Flexibilizar o ensino médio é de fundamental importância. Deixar o aluno estudar poucas matérias, mas realmente aprender é muito mais importante do que impingir este largo leque que oferecemos e que não resulta em nada, pois os alunos não sabem nada de nada. Neste período escolar os alunos já definiram, através dos professores que tiveram, do que gostam ou não gostam (implicam com algumas disciplinas devido a performance do professor, que teria a função de fazê-los gostar da mesmas). Decidiram qual a carreira que vão se dedicar no futuro próximo, embora nesta nossa nova sociedade nossos alunos devam optar pelo menos por duas ou três profissões, devido a velocidade de mudanças da própria sociedade.
Em resumo, proponho que estudemos os níveis mentais das crianças e adolescentes para poder fazer uma pedagogia cientifica. Hoje é bem mais complexo formar um professor.
Conclamamos os professores a discutirem sua profissão. O que estamos fazendo? Por que economistas dão tanta opinião em nosso campo de atuação? Nós damos opinião na área Econômica? E se déssemos, seríamos ouvidos ou levados em conta, a sério? O que esta acontecendo com nossa formação? Por que estudamos tão pouco? Ser professor e uma segunda profissão? Desqualificada? Sugiro a leitura do “IMPASSE NA EDUCACAO”, de Lauro de Oliveira Lima.
Beta

segunda-feira, 17 de maio de 2010

VEJA ERROU: Construtivismo é outra coisa...

Pego a VEJA no. 2164, de 12/5/2010 e no setor Educação deparo-me com o artigo “Salto no Escuro” onde ao ler, noto que realmente seu autor está no escuro, pois não fez uma pesquisa e não conhece a matéria sobre o que se aventura a escrever. E triste ver alguém dando opiniões tão equivocadas em uma revista de grande circulação, para não dizer opiniões erradas. Estou surpresa de alguém dizer que 60% das escolas brasileiras se intitulam construtivistas, quando realmente não se trata de um método de ensino já que nem Piaget nem Vygotsky eram educadores e nem propuseram metodologias. Na verdade, um brasileiro, Professor Lauro de Oliveira Lima, propôs há mais de 50 anos uma metodologia baseada em suas teorias, que chamou de “MÉTODO PSICOGENETICO”, expondo em mais de 30 livros sua metodologia e aplicando-o em escolas como o Ginásio Agapito dos Santos (CE) e Escola A Chave do Tamanho (RJ). Todas as explicações dadas pelo Sr. Marcelo, autor do artigo, são totalmente equivocadas já que ele não conhece realmente as teorias de Jean Piaget e nem a metodologia desenvolvida pelo Professor Oliveira Lima. Muitos educadores sabem como as teorias de Piaget funcionam já que o grupo do Professor Oliveira Lima estuda e aplica estas teorias a mais de 40 anos só no Rio de Janeiro e mais de 50 no Ceará . E inconcebível que alguém seja tão irresponsável de fazer uma matéria sem uma pesquisa rigorosa mesmo que pela internet para verificar o que existe sobre o assunto.

Como pode um educador trabalhar sem metas ou planejamento?

Sugerimos ao autor que leia algumas obras de Piaget que podem orientá-lo para escrever sobre o construtivismo, que é uma parte da teoria desse epistemólogo interacionista. Leia “A construção do número na criança”, “O nascimento da inteligência na criança”,”A formação do símbolo na criança” só para citar algumas obras fundamentais deste monstro intelectual que revolucionou o conhecimento. Piaget dá aos educadores mecanismos para trabalhar com a criança de acordo com seu nível mental. Para isso, produziu mais de 180 testes, para que os professores possam saber o que seu aluno pode compreender e apreender. Os professores devem estudar os esquemas de assimilação de seus educandos para saber como vai se dar a aprendizagem. Será que este senhor já ouviu falar na teoria da equilibrarão,assimilação e acomodação? Provavelmente não, porque sua abordagem superficial do tema não dá qualquer indicativo disso.

Entender a abordagem piagetiana é tarefa árdua, tanto que quando Piaget participou de uma conferencia com Einstein, este lhe disse: “seus estudos soam muito mais complicados que os meus”.

Realmente é um obscurantismo alguém falar do que não conhece, dizendo bobagens a titulo de reportagem. Talvez o que esteja chamando de “conteúdos” sejam as coisas que os alunos decoram e depois esquecem. Porque não analisa todo o sistema tradicional, que não vem formando há décadas cientistas no Brasil? Qual a grande produção científica brasileira? Quantas patentes estamos registrando por ano?

É importante ressaltar que, quando na corrida espacial a antiga URSS saiu na frente dos EUA, os americanos convocaram a equipe de Piaget para criar o programa de ciências para o desenvolvimento. No MIT (Massachussets Institute of Technology) Seymour Pappert ,discípulo de Piaget, coordena todo o desenvolvimento dos programas de inteligência Artificial.

Devemos salientar que Vygotsky não foi “seguidor de Piaget”, até porque não chegou a conhecê-lo. Estava desenvolvendo uma pesquisa paralela na linha da linguagem, bem depois observada por Piaget, já que Vygotsky morreu muito jovem. Piaget concluiu que eles chegariam a conclusões bem parecidas se ele tivesse continuado suas pesquisas.

Quanto ao desempenho nas avaliações internacionais o Brasil, com seu ensino tradicional, está a frente apenas do Haiti. Porque será? Deveríamos fazer uma pesquisa e ver se não seria necessário mudar a metodologia. Não estou em absoluto defendendo o construtivismo, até porque não existe este método, mas defendendo o método psicogenético, porque este existe e é totalmente baseado em Piaget, testado em escolas que esta formando lideranças intelectuais no Brasil e já apresentado desde 1980 em congressos internacionais (três no Brasil e outros na Europa promovidos pelo Centro Experimental e Educacional Jean Piaget no Rio de Janeiro e Instituto Piaget de Lisboa/Portugal).

O quadro comparativo elaborado pelo autor é distorcido e ele, na condição de jornalista, deveria dizer onde encontrou estes exemplos e citar as escolas para que as informações pudessem ser verificadas.

Espero sinceramente que esse assunto tão importante não se esgote apenas com a matéria de um jornalista de VEJA, e que outros conhecedores do assunto se manifestem para o bem da Educação do Brasil.

Beta