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domingo, 23 de novembro de 2014

Há uma idade certa para aprender a ler?

O governo estabeleceu no Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa que todas as crianças devem aprender a ler aos 8 anos. Sempre que vejo essas resoluções do governo pergunto:           - Qual é a fundamentação que determinou esse limite? Alguém pode explicar? O que acontecerá se as crianças não aprenderem? E aquelas que aprenderem mais cedo? São vários problemas que nossos gestores não analisaram e simplesmente determinaram uma idade que eles consideram como um limite. Mas a alfabetização não deve ser tratada assim porque ela depende do nível de desenvolvimento mental das crianças. Desde a mais terna idade, o processo de aprendizagem da leitura deveria começar pela leitura gestáltica e a leitura operatória deveria ser introduzida, somente, quando as crianças atingirem as primeiras conservações como, por exemplo a conservação do número. Alguém sabe como acontece? Está na obra de Piaget A construção do Número na Criança, livro dedicado ao início do período das operações concretas.
Simplesmente alfabetizar sem planejar um currículo de leituras para as crianças também não tem sentido. O curso que deve dar continuidade à alfabetização, dizia o Prof. Lauro de Oliveira Lima, é um curso de leitura. Quando a criança lê, também deve ser capaz de entender, interpretar o texto, e só nesse momento poderemos apresentar os conteúdos utilizando a leitura.
Não podemos determinar uma faixa etária. A preocupação deveria ser com as conservações operatórias (número e substancia) que as crianças atingem por volta dos 6/7/8, essas, sim fatores de desenvolvimento da inteligência. A alfabetização é apenas um know-how. Quando as crianças no aprendem a ler é porque ainda não têm as estruturas necessárias para a leitura. Ou seja, o importante é desenvolver a inteligência das crianças.
Quando o desenvolvimento é naturalmente acelerado as crianças podem ler bem mais cedo, mas sem completar o desenvolvimento dificilmente atingem a leitura lógica. Uma criança que sabe ler e não compreende um problema matemático, não sabe, realmente, ler.
Competir em igualdade de condições é ter as estruturas para aprender todos os conteúdos e não apenas saber ler. Para Piaget quando uma criança atinge uma estrutura mais tarde que outra, as duas estarão em igualdade de condições, novamente, quando a segunda criança atinja o mesmo nível que a primeira já alcançou.   Não existe essa corrida como pensam os que não conhecem as crianças. Em uma turma de 25 crianças cada uma adquire as estruturas em um período diferente e não se diferenciam como pensaria um leigo em desenvolvimento infantil.

Vamos lutar para que nossos gestores adotem os níveis de desenvolvimento da inteligência e não apenas um know-how como parâmetro para a educação.

sábado, 1 de junho de 2013

Alfabetização – Mudança de código


Trabalhando com um grupo sobre o tema Alfabetização, ficou claro para mim a importância que é dada nas escolas sobre o mesmo. Já chegou a hora de a família saber o que está realmente acontecendo com seus filhos. É o que podemos chamar de divisor de águas, porque acredito que a grande maioria dos pais não sabe detectar o que está sendo feito aos seus filhos nesse campo.
A primeira pergunta que deve ser feita é: por que a alfabetização é tão importante se nossa sociedade não lê? Livros e jornais são impressos em tiragens ridículas se comparados com países de população até menor que a nossa – mas com índice de alfabetização superior e uma cultura que privilegia a leitura. Acredito que a grande importância que é dada a Alfabetização está sem seu significado sociológico, porque os pais usam esse indicador como nível de evolução de seus filhos.
A leitura tem que ser ensinada, sim, mas para ser usada na aprendizagem. Por exemplo, quando o professor dá aulas para uma turma alfabetizada, deixa de usar recursos expositivos tendo em vista que as crianças tem acesso a todas as tarefas por escrito, lendo e resolvendo os problemas propostos. Mas não é isso que acontece. Os professores – seja lá o motivo porque isso ocorre – não usam a leitura e mantém as crianças numa condição de ouvintes.
Leitura, como diz Piaget, “não é só de letras”, pois a criança começa pela leitura da experiência. Tudo o que ela conhece ou faz deve ser considerado uma leitura. Mostre a ela muitos objetos (desenhos, fotos) e o que ela já reconhece e verbaliza deve ser considerado como uma leitura. Após o período entre o sensório-motor e o simbólico, a criança já pode reconhecer rótulos que ela vê em sua vida diária, e nesse período já está sendo estruturada a leitura gestáltica (totalidade). Todo o universo de produtos pode ser lido e, quando combinamos a vivência de vários alunos, temos um enorme universo vocabular. A criança já passa pelo mundo lendo, seja na televisão, computador, cartazes de rua, etc. Explorar essa leitura é importante para que, mais tarde, ela faça a generalização.
Só após essa fase é que vamos trabalhar a leitura lógica, onde a criança vai desdobrar cada palavra já conhecida em sílabas, para formar novos vocábulos. As novas palavras derivadas da palavra-chave vão aumentar o vocabulário lido pela criança até a generalização. Os livros devem ser disponibilizados para que as crianças entendam que existe um outro universo, ao seu dispor.

Abaixo, alguns slides que apresentei no curso, que podem ajudar na compreensão do que falo mais acima.







sexta-feira, 3 de maio de 2013

Alfabetização aos 8 anos

Oito anos… uma idade mágica para os legisladores, porque trataram de uma questão altamente complexa – o momento de alfabetizar – como um elemento meramente burocrático. Sim, porque o que diz que uma criança está ou não pronta para ser alfabetizada não é a data de nascimento, mas sim o seu nível de desenvolvimento mental. Quando é que vão entender isso??? Sim, oito anos não foi uma aposta muito longe da realidade, porque é entre os 6 e 8 anos que as crianças conservam o número, sendo essa a estrutura mental que proporciona as condições de alfabetização lógica às crianças. Ou seja, atiraram no que viram e acertaram no que não viram. Se nesse caso deu certo, por mera casualidade, em todos os demais dá errado, ou seja, estipulam a idade em que as coisas devem ser ensinadas e não querem saber se isso vai funcionar ou não. O ser humano adora sistematizar, porque esse é um modelo que deu certo em grande parte da história da humanidade, mas é preciso não fazer isso compulsivamente, correndo-se o risco de cometer barbaridades meramente porque “tem que ser assim”,  e pronto. Quem diz se uma criança está pronta para aprender ou não determinada coisa é seu nível de desenvolvimento mental, nada mais. O que acontece, no mais das vezes, é que acabam obrigando a criança a entender uma coisa para a qual não tem esquema. É como pegar uma pessoa fora de forma e obrigar a escalar uma montanha. A possibilidade de dar tudo errado é enorme! Mas isso não é considerado na Educação.

   No caso da alfabetização, por exemplo, a grande dica é trabalhar o pensamento matemático, porque a partir daí a criança segue em frente sem problemas. No entanto, as crianças acabam muitas vezes o curso fundamental sem saber as quatro operações. Frações? Nem pensar... Ninguém parece saber que existe o pensamento infralógico e que precisa ser trabalhado para criar um pensamento matemático consistente. Ou seja, marcam idade para alfabetizar, marcam idade para ensinar matemática, e nada funciona no final das contas, até porque é tudo desassociado quando deveria ser totalmente interligado. O cérebro humano não entende o que os calendários escolares estão querendo dizer e se comporta da maneira mais natural possível, qual seja, desenvolvendo cada etapa de acordo com suas possibilidades. E quando não há colaboração para isso, ele vai do jeito que der.
Uma coisa é certa: alfabetizar uma criança para ela não ler é simplesmente criminoso. Pais, professores, diretores, todos deveriam estar engajados nesse enorme esforço de fazer acontecer a alfabetização, porque tudo o que vem “depois” depende disso. Uma alfabetização inadequada gera não-leitores, que sem a leitura não irão muito longe
No fim das contas, alfabetização é tão somente um know-how. Temos que nos preocupar é em como vamos usar a leitura a partir daí, em prol do desenvolvimento de sua inteligência.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Uma Vacina para salvar todos os brasileiros

A vida é feita de ciclos, seja a vida do indivíduo, seja a vida da sociedade em que vivemos ou a história da humanidade. Já vivemos o ciclo do Ouro, o ciclo das Trevas e outros tantos mais. Já tivemos nossas esperanças e frustrações, mas estamos sempre querendo ver acontecer algo renovador, algo que proporcione a evolução, a equilibração majorante, a abertura para todos os possíveis, sempre melhores. E para chegarmos a patamares cada vez mais altos, não há mágica, mas sim determinação, trabalho, foco, envolvimento, comprometimento e ação. Muita ação. No entanto, o conceito base é fundamental para não gastarmos preciosa energia em vão.
E o Brasil está na fronteira de um novo ciclo, de uma renovação, mesmo que muitos achem que haverá continuidade plena em tudo o que vimos nos últimos anos. Acredito que não. Novos elementos entram em campo, e tem a oportunidade de dar contribuições altamente significativas em coisas que de alguma forma ainda precisam de muita atenção, se queremos um país melhor na acepção total da expressão tão batida. Paradoxalmente, somos um país cada vez mais rico, que se mantém extremamente atrasado em muitas áreas, sendo a principal delas a Educação. E vejam que é unicamente através desta que poderemos alcançar um desenvolvimento sustentável. Estamos caminhando para aquela posição do indivíduo muito pobre, que despreparado para gerir seu dinheiro, ganha na Megasena e, em pouco tempo, está pobre novamente. Não adianta só dar riqueza, porque essa se esvai dependendo das condições gerais. É preciso oferecer os meios para que os brasileiros possam almejar ter a qualidade de vida que querem, para que alcancem esse patamar e que dali possam dar vôos ainda mais altos. Utopia? Não, apenas um pequeno exercício de planejamento estratégico numa área crítica que precisa receber o tratamento adequado.
Não é possível considerar que estamos bem em termos de Educação, mesmo com os avanços que ocorreram nos últimos anos. Isso porque esses avanços não foram feitos, na sua grande maioria, na direção ideal. Antes de 1964, a situação beirava o caos total. Meu pai, Lauro de Oliveira Lima, naquele período que antecedeu o Golpe Militar, estava em Brasília a serviço do Ministério da Educação e ia deflagrar um enorme movimento de alfabetização, mas foi contido à força por ter sido considerado esse um projeto altamente perigoso para a segurança nacional e, portanto, subversivo. Desde essa época, quase nada foi feito de forma eficaz e com a força necessária, para erradicar essa vergonhosa condição de altos índices de analfabetismo no Brasil. No máximo, tivemos movimentos burocráticos, a exemplo do MOBRAL, entre outros. A extinção de uma chaga profunda como o analfabetismo requer muito mais do que slogans e prédios, até porque tem uma extensão nacional num país de dimensões continentais. Vai ser preciso mais do que meia dúzia de pessoas, empolgadas ou não, para resolver uma questão como essa. Vai ser preciso envolvimento real de todos os brasileiros nessa verdadeira cruzada.
O mundo nos olha, hoje, como um grande mercado consumidor, que precisa de quase tudo o que o mundo tem a oferecer. Mercados maduros, como o Europeu e o norte-americano estão conquistados, domados, abastecidos. Mercados insustentáveis, como o de vários países africanos, simplesmente querem, mas não podem comprar o que as empresas do mundo inteiro têm para vender. Estamos na categoria intermediária, somos parte das grandes potências emergentes, somos liderança na América Latina. Nosso futuro ex-presidente foi considerado “o cara” pelo presidente da maior potência mundial da atualidade. Temos a maior biodiversidade do planeta e somos vistos como celeiro da humanidade para os próximos anos de grande incerteza no agronegócio mundial em virtude do aquecimento global e de suas conseqüências. E, no entanto, olhando para dentro dessa belíssima caixa, o que vemos?
Vemos um povo que ainda convive com altos índices de analfabetismo (total ou funcional, que é dos mais perversos, porque mascara a realidade nua e crua). Uma nação de pessoas desdentadas por falta de orientação básica, que morre em filas de espera intermináveis do nosso falido sistema de Saúde Pública. Que pena em sistemas de transportes combalidos. Que cumpre suas obrigações mas não consegue fazer valer os seus direitos na medida em que a Justiça é lenta, os advogados caros, a burocracia emperrada e um processo pode demorar dez, vinte ou até trinta anos para se resolver, dadas as instâncias que pode percorrer se bem trabalhado pela parte que não gostou da decisão da instância em que se encontra.
Por que olhamos tanto para as questões políticas e tão pouco para aqueles que deveriam ser os beneficiários maiores dos resultados de um trabalho bem feito nessa área? Sugiro que os nossos políticos, em todos os escalões, sejam obrigados a fazer uma experiência, pelo menos uma vez por ano, de conviver com o povo. Uma semana, não mais. Uma semana por ano, na qual ele more dentro de uma comunidade carente de qualquer parte do país, durma numa cama simples, comprada no crediário popular de um grande magazine, faça compras no mercadinho indo a pé, puxando o carrinho pelas ruas esburacadas. Uma semana na qual tenha que ir ao Hospital para ver o que é não ser atendido, levando seu filho a uma escola onde não há professores e que, de quando em vez, seja atingida por uma bala perdida, resultado dos confrontos locais para ajuste de contas. Certamente, dessa semana sairia um ser humano melhor. Uma pessoa que iria pensar duas vezes antes de fazer campanha de promessas espúrias, sem o menor interesse de realmente resolver o problema de uma população tão sofrida.
Para mudar um quadro tão grave quanto esse, e aproveitando que estamos às vésperas de um novo Governo, precisamos ter metas para uma Educação de Qualidade, mas de qualidade mesmo, alinhada com o que há de mais importante a ser feito e com disposição para enfrentar os graves problemas desse setor com energia, disposição e coragem. E vejam bem, não faltam talentos para isso. Por exemplo, achei formidável a idéia do Senador Cristóvão Buarque de criar um Ministério da Educação Básica, que está faltando e poderia democratizar a distribuição de recursos entre esta e o Ensino Superior, que tem sido o foco das ações do atual modelo de gestão do Ministério da Educação. Não se começa a subir uma escada a partir do décimo degrau, e é o que estamos tentando fazer seguindo o modelo atual. Na realidade, precisaríamos começar do início, alimentando a mãe gestante, proporcionando um parto que não deixe seqüelas na criança, oferecendo creche para uma infância saudável, uma pré-escola, e assim por diante. Vai levar tempo para que essas crianças cheguem no ensino superior, mas vamos dando elementos para que cheguem muito melhores lá. É assim que se deve caminhar em Educação. Sem infraestrutura não se constrói esse grande edifício chamado ser humano.
Não podemos só pensar em prédios, materiais maravilhosos, computadores etc., porque nada disso importa neste momento. Temos que fazer planos de formação de professores, engajamento de todos os setores da sociedade incluindo-se aí o Exército, Marinha e Aeronáutica. Devemos nos perguntar por que o serviço militar não é usado para este grande programa de alfabetização, quando dispõe de um contingente enorme e uma estrutura gigantesca. E fica ainda a questão: as empresas não poderiam ter um núcleo interno de alfabetização? Imagine se cada empresa ensinasse 2, 3 ou mais brasileiros a ler, escrever e fazer as quatro operações. Um mutirão como esse seria fantástico, com resultados formidáveis e todos seriam beneficiados. O Bancos poderiam ter, em suas agências, que hoje estão distribuídas por todo, mas todo mesmo, território nacional, ambientes para alfabetização, com um monitor treinado que ofereceria esse serviço no horário de expediente ao púbico. Seria uma forma simples e efetiva de melhorarem a distribuição da riqueza na forma de conhecimento. Sendo essas instituições as que mais lucros auferem na nossa economia, poderiam fazer certamente esse investimento, e ainda teriam um retorno formidável em termos de ampliação da carteira de clientes, porque povo alfabetizado ganha mais, deposita seu dinheiro e sabe usar caixa eletrônico, etc.
O que nós, brasileiro,  esperamos de um governo revolucionário é uma revolução na educação. Educar um povo não e difícil, pois o próprio povo quer ser educado, sabendo que só assim terá chance de uma vida melhor. Difícil seria se houvesse resistência. Já vimos isso acontecer no Brasil, quando um visionário de nome Oswaldo Cruz tornou a vacinação obrigatória, com o apoio de Rodrigues Alves, então Presidente da República. Foi vítima de rebeliões populares e também de reação violenta da Escola Militar. O episódio ficou conhecido como “A Revolta da Vacina”. Seu alvo foi para erradicar uma doença endêmica, a Febre Amarela, de nosso país. Nos dias de hoje, vemos o  analfabetismo como  endêmico , mas o povo quer aprender, quer crescer. Então vamos ensinar, aproveitando que certamente não haverá uma revolta por causa disso. Revolta mesmo a gente sente quando percebe que milhares de brasileiros estão à margem da sociedade, excluídos daquilo que será o modelo de bem estar que o Século XXI tem a oferecer.
Para isso, o fundamental é ter uma metodologia moderna, rápida e eficiente. Ela já existe e se chama Método Psicogenético. Não vamos jogar essa vacina fora!!! Vamos salvar o Brasil!
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segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Analfabetismo: o esquecimento conveniente

Falando em Educação, logo nos vem à cabeça o ensino formal. Lógico que o analfabetismo ainda é grave no Brasil, com um contingente de 14,1 milhões de brasileiros que não sabem ler ou escrever. Mas quais são as providências tomadas? Os candidatos aos mais variados cargos, nessas eleições – e sempre - só falam em Escolas Técnicas, tentando ”tapar o sol com a peneira”. Escola técnica inclusive é um assunto que discutimos anteriormente, aqui no blog. Mas fica a pergunta que não quer calar: por que será que ninguém fala nestes milhões de brasileiros abandonados ao analfabetismo. Será que eles são cidadãos sem prestígio ou não são merecedores de atenção? Alguém acha que podemos levar isso por muito mais tempo? Acho que está no inconsciente das pessoas que, sim, podemos abandoná-los, como já vem acontecendo a tanto tempo. Soluções imediatistas, sem uma estrutura voltada para o futuro, são as preferenciais entre os candidatos, porque isso os ajuda a serem eleitos. Portanto, falam coisas que o povo quer ouvir, já que o povo analfabeto (totalmente ou funcionalmente) não saberia definir a solução ideal para sua própria situação. Aliás, fica ótimo manter feliz um povo que não sabe, por exemplo, o que é sigilo fiscal, mas que almeja ter um emprego de curto prazo, sem futuro, sem garantia, sem nada. Isso se vier a ter o tal emprego...
Os atuais escândalos – novos, que substituem os antigos e logo são substituídos por outros, mais novos ainda - só afetam as classes dominantes, que não elegem ninguém. O que fazer então? Sem educar o povo, não há mudança possível. Educar é viável se houver vontade política para uma mudança radical. A Coréia do Sul conseguiu, em poucas décadas e hoje tem 1,7% de analfabetos de uma população de 48 milhões e, pasme 83,8% da população de nível superior. O nosso Brasil vai ter que correr muito atrás do prejuízo.
Nosso país também sofre do “analfabetismo cultural”. Mesmo pessoas alfabetizadas, por não disporem de equipamentos culturais não tem como participar da cultura, seja fazendo cultura, seja consumindo a mesma. Só 9,1% dos municípios têm cinema no Brasil. Acho isso um escândalo, pois seria o mínimo de cultura a ser oferecida a população, pois não estamos falando de teatro ou exposições. O que é grave, diga-se de passagem, é que estes brasileiros não sentem falta da cultura por não terem sido apresentados a ela. Só sentimos necessidade daquilo para o qual temos esquemas – e isso é Piaget. Nossos esquemas são ativados se formos expostos ao problema. Políticos não fazem promessas nessa área porque ela é ignorada. Assim fica muito fácil. Torna-se um círculo vicioso. E quem sabe da sua existência usa e abusa (da cultura).
É muito importante lembrar que o pensamento sensório-motor desenvolve-se pela ação; já o pensamento simbólico, caracterísco dos 2/6meses aos 4/5anos, necessita das imagens como leituras, cinema e teatro para seu desenvolvimento. Logo, estamos deixando toda uma população sem imaginação, que é típica do período simbólico. Este período vai ser de extrema importância na formação do pensamento abstrato que nossa população nem de longe chega a alcançar. O povo tem direito ao desenvolvimento integral de sua inteligência.
Acho muito interessante um candidato afirmar “é preciso transformar cultura em direito básico”, por que, ao que tudo indica no Brasil isso não funciona. Educação básica já é obrigatória, mas mesmo assim temos essa quantidade enorme de analfabetos vivendo a vida pela metade – quando chega a isso! Onde está o erro? Quem deve ser punido? A alfabetização saiu de moda? Vamos levar a sério o nosso povo. ALFABETIZAR URGENTE deve ser a meta de qualquer governante de responsabilidade.
Porque educadores não são ouvidos? Porque educação não dá voto. Vamos criar um mutirão pela EDUCAÇÃO. Vamos assustar os candidatos; eles têm que ouvir nosso clamor. Meu pai, Lauro de Oliveira Lima, grita há quase 50 anos (hoje com 90 anos continua com esperança de mudanças). Será que todos são surdos? Está na hora de os educadores entrarem em ação, pois somos os grandes formadores de opinião. Temos a cátedra. Porque não questionamos mais os nossos políticos? Através de nossos alunos e pais?
Uma sugestão seria usar alguns minutos antes das novelas em todas as emissoras, para alfabetizar. Seriam, por exemplo, 5 minutos diários que, com uma boa metodologia, iriam produzir um efeito gigantesco. Não seria formal, mas seria real. Depois, os alfabetizados iriam procurar as escolas de seus municípios para receber o diploma formal de “alfabetizados”. Acho que só inovando é que iremos resolver problemas atávicos do nosso sistema.
Não existe desenvolvimento sustentável sem educação. Como vamos atravessar um novo século com problemas colocados embaixo do tapete desde os séculos anteriores?!
Parece que cada governante, seja ele municipal, estadual ou federal empurra para os outros nossos problemas com educação e cultura. Se tivéssemos um ranking sério, verificando quem efetivamente sabe ler e escrever, feito com pesquisas em cada município para saber quem liquidou com o analfabetismo acho que as prefeituras iam correr atrás. Isso, como em outras áreas (regulação de água e saneamento, por exemplo), daria ou não acesso a verbas federais, de acordo com a pontuação no ranking. Mexendo no bolso dos gestores públicos, geralmente eles se mexem, mas no caso em pauta, acho que nunca acontecerá, porque ninguém quer saber dos pobres analfabetos que ficam fora do mundo das oportunidades, e inseridos apenas dentro das estatísticas, como números que ninguém quer ver.
* * *

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Curso de Alfabetização na "A Chave do Tamanho"


Curso de Alfabetização
de 07/06/2010 à 11/06/2010
Horário: 19h às 20:30h
Publico Alvo: Professores, estudantes, diretores e coordenadores
Ana Elisabeth

Objetivo
Alfabetizar crianças/adolescentes e adultos segundo o método psicogenético, baseado nas teorias de Jean Piaget

Carga Horária: 0 horas/aula
Investimento: R$ 95
local: Escola A Chave do Tamanho
Endereço: Rua Salvador de Mesquita 103 - Recreio

Maiores informações:
Escola "A Chave do Tamanho"
Endereço/Telefones:
Rua Salvador de Mesquita, 103
Recreio Bandeirantes
Rio de Janeiro - RJ
cep - 22795315
(21) 2437-1657
(21) 2437-6860

contato@jeanpiaget.com.br